Ponto de Cultura Movimento Bixigao                                                                                MBXG09

As atividades no ponto de cultura no ano de 2009 teve seus altos e baixos, as ações realizadas em 2008 não tiveram continuidade por falta de organização interna e atraso da parcela da verba destinada ao primeiro semestre de 2009.

Com as oficinas oferecidas em 2008, tivemos  iniciativas de pessoas interessadas  em continuar a desenvolver um trabalho de corpo, voz e teatro. O desafio porém não era só capacitar ou profissionalizar o indivíduo mas torná-lo autônomo nas ações e pensamentos no meio em que vivencia e trabalha.

Assim que o ano de 2009 começou, chamamos as pessoas que fizeram as oficinas com o propósito de desenvolver um trabalho que fosse para elas uma autonomia de percurso de todo o processo criativo de formação de uma peça teatral, mas que não acabava em seu produto final.

Paralelo a esse fato, um grupo nômade, tinha se instalado no espaço do ponto para desenvolver um trabalho de reciclagem- de ideias, de objetos, de modo de vida - L4bomb, com a experiência de ocupações, coletivos, software livre, creative commons, redes colaborativas, rádios livres e rádios piratas.

Estávamos por pesquisar a implantação de uma webradio, uma voz aberta que falasse diretamente com a comunidade do bairro para conecta-la a rede mundial da web e desenvolver um trabalho de conscientização  para reciclagem de resíduos urbanos, que para alguns são lixo enquanto para outros uma riqueza.Descobrir artistas do proprio bairro do bixigao e incentivar uma efervescencia local de músicos, atores e pessoas do bairro a ocuparem o ponto e usufruir da infraestrutura, entretanto não tínhamos naquele momento uma equipe organizacional que pudesse manter esse fluxo de pessoas, o que nos impediu de residenciar um grupo “mapa xilografico” a desenvolver um trabalho conjunto com o Ponto, mais tarde fomos contactados pelo mesmo grupo a ajudar a Vila Itororó em seu movimento.

Passados aproximadamente dois meses, entre fevereiro e março , Fredy Allan, integrante do movimento Dulcynelandia e um dos idealizadores do movimento bixxigão, veio à casa e com autorização da coordenadora do projeto Sylvia, propôs desenvolver um trabalho conjunto que comecara no Rio e que se desenvolveria aqui em São Paulo no ponto de cultura.

 Movimento Dulcynelandia, grupo de teatro que vinha do Rio de Janeiro com um projeto de uma peça que ressuscitaria uma atriz - Dulcina de Moraes (e todas as atrizes e atores do Brasil) e um teatro abandonado no centro do Rio de Janeiro.

Em 2008 realizaram várias intervenções (CHUTE) em frente ao teatro Dulcina de Moraes, isso chamou a atenção de um outro movimento que existia la no centro do Rio- o Movimento Sem Teto, com tantas famílias quanto qualquer outro lugar do bairro do bixiga, e desses eventos, Rodrigo Denega, que morava na ocupação participa dessa experiência como ator e cantor durante essas experiencias mensais e quando o grupo decide voltar para São Paulo, ele  também embarca nessa viagem abandonando a ocupação.

Assim se forma nesse inicio de atividades do movimento bixigão, grupos, indivíduos, desejos diversos, experiências a serem trocadas e realizadas no espaço, que se não fosse utilizado estaria fechado, um espaço morto com potencialidade e facilidades que nenhum outro lugar poderia oferecer.

Com relação aos bixiguentos, passar uma ideia de autonomia foi um processo lento mas que houve um certo resultado positivo.

Para os que realmente entenderam a proposta que se tinha em mente no momento- Passar por todo o processo desde o estudo de peças teatrais, reconhecimento do corpo, da voz e do coletivo, de atores, técnicos, burocracia, informalidade e troca de conhecimento de indivíduo para indivíduo - puderam seguir em frente e não olhar com arrependimentos, perda de tempo, atraso ou qualquer pensamento negativo que os impedissem de caminhar em frente.

Trabalhar o coletivo, usar software livre, com todos os programas multimídias que se dispõe para desenvolver um trabalho inter- ações não é um problema local nem especifico mas de todos que se dispuseram a encarar as diretrizes de um programa federal do Ministério da Cultura, que não dispõe de um suporte técnico suficiente para tal desenvolvimento. Um único ponto da rede e de iniciativa do programa que pode se dizer colaborativo e que deve ser usado por toda comunidade, pontos de culturas, organizações e instituições que queiram divulgar e colaborar com a cultura é o Estudio Livre, que abriga boa parte do acervo construído no Movimento Bixigão.

A experiência trocada durante todo o processo de 2009, de usar a reciclagem para construção de bonecos, de  usar a historia do bairro como mote para integrar as pessoas e verem que o espaço estava aberto para isso e para qualquer intenção que venha a ser considerado um valor cultural de vivência, de  produzir uma peça, uma musica, uma caixa de CD reciclada, um video processo e uma webradio estava toda embutida em desejos individuais mas que repercutiria numa esfera maior e coletiva, sem organização ou coordenadoria, um grande desafio que só quem viveu o período sentiu que isso pode ser mais difícil  do que a estrutura engessada de hierarquia e apadrinhamento. Um processo vivo e rico que carregamos e que  repercuti nas ações individuais e o espaço apenas abrigava e dava suporte a esses desejos.

Mas há um problema social enraizado que emperra a passagem do indivíduo para o coletivo que fica fora de controle se não há uma estrutura de base para manter esse processo dinâmico de altos e baixos, desejos sobrepostos por desejos, superação do egocentrismo inconsciente.

Porem as atividades tinham que acontecer e não deixar de tentar a cada dia para manter a casa viva, mesmo que fosse para poucos. No inicio, pensávamos  que estava se construindo uma base firme que poderia manter o ponto aberto para novos projetos. De oferecer suporte tecnológico e pensamentos livres. Nesse momento tínhamos conseguido ativar a webradio, um estudio de audio precario mas que possibilitava  fazer gravações, editação de video, edição de imagem, estudo e pesquisa na web.

As atividades, voltadas para os bixiguentos, de corpo e voz foram realizadas com a ajuda de Adriana e Thais, tivemos também atividades de percussão e canto com Vitor e Leticia. Todos colaborando a sua maneira de manter a casa viva, sem recursos financeiros mas com toda a Infraestrutura disponivel.

A casa ao mesmo tempo não ficou presa nas atividades aos bixiguentos, passaram por la, grupo de canto, de teatro, de circo, que utilizaram o espaço para ensaio e  indivíduos com algum interesse simples de gravar uma musica e para não esquecer, o movimento dulcynelandia, trocando seus conhecimentos e usufruindo das estruturas para desenvolver seus trabalhos com uso de software livre.

Nesse ponto, devemos ressaltar que a colaboração do grupo e mais pelo indivíduo Rodrigo Denega contribuiu para manter a Webradio Labxxiga funcionando durante um período e o funcionamento da casa com sua experiência do Movimento Sem Teto, e não dito antes mas também pela sua experiência do Movimento Sem Terra, conhecimento direto e vivo de um movimento social e colaborativo, sua vivência e troca de conhecimento compensaram sua idade, faixa etária media dos bixiguentos.

 O Movimento Dulcynelandia trocou e compartilhou seus estudos,  com adaptações de trechos literários, como o Voo sobre o Oceano, passagens do texto que foram musicadas e gravadas, além de leituras e discussões, tudo  construído no espaço bixigao.

Foram eles que também trouxeram o prêmio Pequenos Eventos para o bairro do Bixiga, mesmo período em que a radio labxxiga contribuiu com a Vila Itororó, lugar desconhecido para muitos mas que faz parte da historia de São Paulo e proximidade do bairro do bixiga.

Entrevistamos a representante da Associação dos moradores da vila e participamos  também da 1 Vilada Cultural na Vila Itororó, na tentativa de deixar publico a ação de despejo dos moradores da Vila perante ao tombamento da Vila mas não dos moradores que estão por la há mais de 20 anos.

Numa ação individual, participamos da construção da sede da Vila para que pudessem ter uma autonomia e uma auto gestão do local que justificasse a permanência dos moradores na vila.

A luta pela permanência dos moradores da Vila Itororó continua.

O movimento da casa sempre foi de constante oscilação, umas vezes a casa estava cheia outras vezes vazia  e nesse processo, artistas passaram por la e deixaram um pouco de seus conhecimentos gravados no espaço e ares do bixiga. Rodrigo Denega, Seu Joel, Aline Reis, Fim do Silencio, Mc Alan tiveram suas vozes gravadas e marcadas no bairro.

Alem dessas atividades, tivemos também um pouco de artes plásticas, com reciclagem de materiais colhidos da rua, madeiras, sucatas, cidreira, garrafas plásticas, papelão, foram transformados em objetos cenográficos, caixas de CD, telas de serigrafia e figurinos,produção que foi aproveitada em parte por individuos e coletivos.

Enquanto essas atividades com grupos e individuos aconteciam, os bixiguentos desenvolviam seu projeto de peça para ser apresentado na casa. Com certa dificuldade,por terem uma liberdade de desenvolvimento, e apenas contando com alguns arte-educadores fizeram leituras da peça “O Bailado do Deus Morto” de Flavio de Carvalho, se reuniram em discussões profissionais e pessoais, desenvolveram no corpo, na voz e no ritmo, participaram da pré-Teia São Paulo, na Vilada cultural da Vila Itoró, estudaram e juntando pesquisas que realizavam pela internet  montaram uma peça baseada nesses estudos- Eu só poderia acreditar num Deus que soubesse dançar.

Foram três apresentações na casa do ponto de cultura, aberta ao bairro do Bixiga  mostraram o que conseguiram realizar durante o ano de 2009 , com critica  ao Teatro brasileiro e a dificuldade de trabalhar em coletivo na condição de atores, autores, técnica, divulgadores e indivíduos com opinião própria.

O que significou todo esse processo?A vivência, o dia após dia ,a formação de  grupos pequenos, indivíduos, duplas e coletivo tinham uma relevância muito grande em relação a um projeto definido, final, de produto. O que se queria desenvolver era o como fazer uma casa, que era aberta todo dia praticamente 24 horas, funcionar em seu mínimo de suporte  de teto, cômodos, cozinha, banheiro, quintal, mezanino, energia eletrica, telefone, agua, gás/lenha e internet. Poderia ser feito dezenas de projetos, ações culturais mas seria apenas mero espetaculo. Qual seria a verdadeira transformação destes atos? Verba para realizar um mero desejo? Ou uma continuidade que se nota pelo dia a dia de um bairro, de familias, do tempo ocioso com criatividade e ambições internas de transformações coletivas.

Um puro registro, de imagem, som, videos, textos não representariam nem um terço de uma vivência de um dia no ponto de cultura em um bairro de pura efervescencia de vida simples dos moradores que ocupam as ruas do bixiga de cultura viva fluida.

A base do ponto se desfez, o processo não, independente do local, das pessoas, da infraestrutura, quem vivenciou o ano de 2009 no bairro do bixiga, sabe que a experiência e o processo não tem fim nem produtos finalizados, mero espetáculo que serve para inflar egos e manter a hierarquia estabelecida em papeis pré-determinados de aluno-professor ou ator-técnico-administração, a revolução vem de baixo e sem controle. Estamos em rede e na Rede.

                                                                                                               Creative Commons a todos

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