Aldeia

 

Ah, meus caros, indígenas, aborígenes, extraterrestres, todos e ninguém...

Se soubéssemos da Aldeia!

Ah, como seriam leves as relações.

Como seria fácil compreender todas as estações.

E pouco precisaríamos de tantas explicações.

 

Se conscientizássemos da Aldeia

Participaríamos todos da mesma ceia

E apreciaríamos o mesmo alimento.

 

O contentamento, esse estaria intricado no pulsar de cada um

Pois haveria gratidão por todos os orvalhos nos ofertados

E por todos os apertos de mãos firmados.

 

Amados, se houvesse em nós a percepção da Aldeia

Pouco importaria as questões de uma abelha

Pois saberíamos cuidar da colméia, e assim, todas elas viveriam numa eterna primavera.

 

A mais bela quimera se aportaria em nossos corações

E as paixões flutuantes serviriam apenas para soprar ao entusiasmo

E o marasmo iria para longe...

 

A paz dos monges viveria entre nós

E a batalha do eu e você seria desfeita no abraço da harmonia

E assim, a poesia alegre e reluzente escreveria em versos e prosas belezas para toda gente.

 

Se despertássemos para a Aldeia

O encanto seria infalível

Acreditaríamos nas nossas palavras, e elas seriam amálgamas de puros sonhos.

 

Viveríamos no Reino Verde das Florestas

E ouviríamos as mais belas serestas do fundo Mar.

E o Rio, esse viveria sempre na irregular conjunção para que eu rio.

 

O frio, o calor, o vento e o ar

Qualquer coisa na mesma proporção de amar.

Porque enfim, compreenderíamos que estamos todos na mesma Aldeia

Semeando e compartilhando a nós mesmos, nascendo e findando na mesma proporção de Eternidade.

 

Já que a Aldeia não tem idade e tão pouco, identidade

Que a chamemos de Unidade!

 

Mandala de Simone Bichara – Texto de Daniella Paula Oliveira