VITRAIS

 

Nos cacos de vidros dos vitrais existe sempre uma comunhão de sinais.

Seu efeito miraculoso e retalhado é um espectro probo de um íntimo motriz.

Onde por meio das suas fagulhas e labirintos, desenhamos a enigmática efígie da nossa essência.

Os vitrais d’alma nos conduzem as reminiscências primordiais:

Textos védicos, músicas medievais, trovadores apaixonados, paisagens góticas, versos alexandrinos, deuses antropomórficos, as novelas de cavalarias, as iguarias...

As sutilezas para ser romântico, as alegrias para ser autêntico, as sensibilidades para ser sábio, as pequenezas para ser grande, as simplicidades para ser inteiro.

Dentro dos prismas que compõem vitrais o mistério faz sua morada.

Dentro da alma de luz plácida, mosaicos de vidros formando vitrais.

Dentro de cada vitral, um quintal, um roseiral; uma flecha, uma mescla de cor e som.

Lá dentro, de cada meticulosa composição vitral, vivem almas perfumadas, gotas de orvalho crepusculares, flores surpreendidas por primaveras, sonhos de asas, anjos adormecidos, melodias esquecidas, pétalas carmim, livros angustiados, mares nunca navegados, árvores abraçadas, rouxinóis em harmonia, sol e lua no mesmo dia; mandala em sua própria contemplação, colando os cacos com precisão e construindo vitrais em nossos corações.

 

Daniella Paula Oliveira