CIDADE LUZ

Por Eduardo Girão

Setembro é tão triste! Parece que sou a única pessoa do mundo de férias. Meus amigos trabalham tanto que ficam sem tempo de se divertir. O jeito é ir sozinho ao cinema, ao “shopping center” e à praia. Quase sempre fico gripado – acho que é o sistema imunológico pedindo socorro. Se fosse calcular os dias que saio de casa, não somariam três ou quatro. Tenho preguiça, tédio e vergonha de passear sem alguém do lado, sabe? Geralmente, antecipo minha volta ao escritório por não ter o que fazer.

Em 2006, porém, recebi um convite que mudou minha forma de pensar. Um amigo de “longas datas” me convidou para ir à Europa. E o melhor: tudo pago. Ele disse que tinha ganhado passagens para a França com direito a acompanhante. Não pensei duas vezes: arrumei as malas, peguei o passaporte e embarquei na viagem dos meus sonhos!

Já em solo parisiense, pude perceber o quão maravilhoso é o “primeiro mundo”. Em todos os lugares, havia prédios suntuosos, gente bonita, bem vestida e educada, um quê de sofisticação. Se não fosse por um detalhe, confesso que chegaria a cogitar minha permanência na “cidade luz”.

O ponto em questão diz respeito à segurança pública de Paris que é tão catastrófica quanto à de qualquer outra metrópole. Olha que absurdo: li no jornal “Le Monde” que faltam policiais na avenida Champs-Élysées, um dos principais pontos turísticos da capital francesa. Inclusive foi lá que meus documentos e dinheiro foram roubados. Na delegacia, tentei explicar o que tinha acontecido, mas o escrivão não entendia uma palavra sequer. Depois desse episódio, voltei para o hotel e desabafei com meu amigo. Minutos depois, tomei um banho quente e fui para a balada. Pensei bem e decidi não perder os últimos dias de férias. Além do mais, nada é perfeito.