Alvorada

 

Tem uma juventude nascendo no coração daquela velha.

Faz-se a alva, antes da aurora.

O cheiro é de Ambrósia. E o viço é de jasmim.

O canto é das aves rompendo a madrugada. E o colorido é de carmim.

 

Uma profusão de vida ainda sonolenta se faz presente.

E sentir tudo isso é um presente. Mimo de poeta barbudo com dedos alongados.

Lírica sutil do abrir dos olhos de Deus. Bocejo de recém-nascido.

Gato espreguiçando sobre o tapete. O novo reluzente e desconhecido.

 

É possível ouvir ruídos harmoniosos de formigas incansáveis – saldando-a.

E também os lodos se formando e os passos das estrelas voltando para casa.

Assim como é possível ouvir os primeiros raios de sol se esticando para fora.

E o bucólico bailar das nuvens, despreocupadas com a hora.

 

Tudo surge na pureza e na perfeição do eterno

E caso aparece o desabrido, é porque não se sentiu o amável da alvorada...

Se fazendo morada e amásia da alegria.

E quem não a percebeu é porque não entendeu a sua magia.

 

Daniella Paula Oliveira