Contemplação

 

Venho de uma longa contemplação divina...

De uma longa caminhada pela areia

Das cores de uma calda de sereia

De um alazão e o vento em sua crina.

 

E nada mais sou que a contemplação da vida.

A ida sem retrocesso, mas com retorno.

O verso de um poema ensopado de sonhos

E o ansioso olhar de um neófito contemplando o mistério do novo.

 

Tateio os toques e descubro o veludo que encobre as carícias

Respiro as flores e desvendo o segredo da essência da pessoa amada

Vejo a lua e percebo as estações da alma em que todos perduram

E assim, murmuram em mim a contemplação do mágico e trágico sentido das coisas.

 

As lembranças também são esquecidas

- mudam de tempo em tempo, assim, como pétalas de margaridas.

E restam-me as folhas de outono e a chuva de verão

O recolher do inverno e a floração na primavera

 

A meditação sobre as quimeras

Que a minha ilusão criou

E o respeito pela as cores matizadas de sonhos

Que a minha imaginação imaginou.

 

E essa tão primordial contemplação

Que é inspirada nos deuses longínquos

E na tão eterna pulsação do coração

Visita a minha alma e a minha visão

 

Fazendo-me regressar às Sagradas Eras

No tempo em que os Homens vivem a sabedoria de Era.

E a consolidação das boas profecias

Dependiam, unicamente, das virtudes conquistadas e da harmonia avivada.

 

E como uma reminiscência, um pássaro indo além das nuvens

Contemplo o passado, presente e futuro

Na mesma extensão de Destino

Com o tino do Tempo me ensinando a viver.

 

E mais que crer na vastidão da Eternidade

Meu ser relembra que é parte da imensidão da Identidade Divina.

Sua sina é transcender o que for reles e descobrir a Realeza;

É ver com clareza toda a beleza a nós designada.

 

Meu ser contempla o tudo e o nada

Nessa grande nave Terra

Nesse coro cósmico

Nesse imenso deus Universo!

 

Contempla o sono e o despertar

A vida pulsante em seu eterno germinar

A gênese e a certeza que o primeiro verbo foi amar.

 

Contempla a contemplação de uma singela poesia

-criada nas entranhas do coração!

 

 

 

Mandala de Simone Bichara – Texto de Daniella Paula Oliveira