Rainha da Floresta

 

Manto verde que cobre as cabeças castradas e as vozes ocas

Que alimenta os lampejos necessários e come as ilusões destemidas

Aquela que acolhe em seus grandes seios a fraqueza humana e a grandiosidade divina.

Que fortifica as raízes e lambe as feridas dos pés calejados.

 

Mãe dos meus amados e daqueles que ignoro.

Não te oro não por não saber de vós, mas por não saber de nós.

Confusos em um mundo esquecido e temido

Só em teu colo somos unidos.

 

Mãe de todos os paridos

No seu bailar contundente que estremece a Terra

Somos levados à era doce do seu espírito frágil.

Maria verde e ágil, que não nos deixa sucumbir nos piores presságios.

 

Samaúma gigante que abraça e abarca nossos corações

Que costura nossas dores nas horas de aflições

Árvore de misticismos, mitos e consolações

É para o seu tronco de firmamento que entrego as minhas orações...

 

Mal oradas, mal ditas, mal caladas

Porém pulsadas de amor

Tal como a Mãe Verde, que não é Rainha por piedade

É majestade por lealdade.

 

Pois a Grande Deusa não abandona nenhum

Com o seu corpo tingido de urucum

Suas mãos abundantes de sementes

Suas lágrimas velozes como rios em correntes

Sua dança forte e ritmada nos pés e nas asas

Ela pari todos os dias, em todas as moradas

Com a sua menstruação de mulher bem amada

As graças adocicadas pelo o seu leite

 

Deleitem todos

É o que Ela pede.

- deleitem através da Mata, onde eu faço minha morada

- deleitem através da fé; deleitem através da poesia, da magia, da alegria.

Deleitem agora, através da mandala que também se curva e se cala, à Samaúma que balança, com a sua leve dança aos sons dos maracás, em uma grande seresta à Rainha da Floresta!

 

Mandala de Simone Bichara – Texto de Daniella Paula Oliveira