Os recursos da segurança empresarial

A gestão da segurança dentro de uma organização depende muito da forma como ela administra seus recursos para apresentar bons resultados, o que para este segmento aparece na forma de prevenção de perdas e não no ganho financeiro direto, deve ser planejada e organizada de forma integrada.

A segurança empresarial é composta por três elementos que devem funcionar em sinergia e com o mesmo grau de importância e eficiência. Nesta perspectiva, os recursos técnicos, humanos e organizacionais devem se complementar e, se um destes elementos não estiver apresentando a qualidade necessária, provavelmente a segurança se tornará vulnerável para os perigos aos quais está exposta.

O que acontece com muita freqüência nas organizações é que se investe mais em sistemas eletrônicos e barreiras físicas sem se preocupar muito com a qualidade dos outros dois elementos. Logicamente é de vital importância a existência de sistemas de CFTV, sensoriamento, controle de acesso, boa iluminação e proteção perimetral, entre outros, mas estes itens por si só não realizam um trabalho com eficiência, é necessário que a empresa tenha a disposição bons recursos organizacionais e humanos.

Com relação aos meios organizacionais, nota-se certa displicência por parte de alguns gestores. Tais elementos são de extrema importância, tendo em vista que são os norteadores de toda a atividade que tem por finalidade a proteção das pessoas e do patrimônio da empresa. Assim se existir deficiência neste aspecto todo o restante pode ser inútil, ou seja, todos os investimentos se transformarão em despesas.  E se analisarmos pelo lado financeiro, este recurso é o menor custo da segurança e que, sua ausência ou deficiência é uma das maiores causas da concretização de muitos riscos. Assim fica uma questão: Porque não há maior preocupação com a elaboração adequada destes documentos?  Quando digo adequada é porque percebemos que muitos destes documentos não atendem requisitos para fornecerem subsídios aos usuários e para direcionar a segurança da organização.

Um dos problemas é que a elaboração é feita por profissionais que vêem a segurança como uma atividade “apenas” operacional e não percebem que é estratégica e assim fazem um planejamento que abrange no máximo o nível tático da organização e ainda de forma precária. Além disso, há falta de normatização com relação ao planejamento da segurança, cada empresa faz de um “jeito” diferente, não há padrões a serem seguidos. Um exemplo disso é a confusão que existe até mesmo na nomenclatura, quando falamos em plano de segurança, alguns dizem que é o projeto de segurança, outros afirmam que é o manual de procedimentos.

Há necessidade de desenvolver um modelo padrão que atenda um mínimo de requisitos, assim como é na segurança do trabalho com suas NRs.

Outro fator que colabora com esta falha é que uma boa parte das empresas não investe em capacitação dos gestores e ainda para otimizar seus custos, aproveitam profissionais de outros setores, como de RH, Compras ou Segurança do Trabalho que logicamente darão prioridade para as atividades de suas respectivas áreas. Diante disso temos um dilema: Como um profissional que não tem experiência nem formação vai elaborar documentos desta natureza que atendam com eficiência as necessidades da segurança? Alguns surpreendem, mas grande maioria não consegue.

Já com relação aos recursos humanos da segurança, também são de extrema importância para que todos os sistemas preventivos e corretivos funcionem com toda eficácia a que se propõem.  Muitas vezes não há um bom dimensionamento e/ou posicionamento de efetivo, na maioria dos casos, um número reduzido de funcionários que desempenham muitas funções, tirando o foco da segurança propriamente dita. Há ainda aquelas empresas que enxergam a equipe de segurança como “despesa” e a tratam como tal. Há pouco investimento em recrutamento, seleção e principalmente em treinamento, não só para o efetivo “operacional”, mas como já citei, para os gestores também. E quando a mão de obra é terceirizada, que é a opção da maioria das organizações, o objetivo é preço baixo. Isso ocorre por que os custos da mão de obra são representativos e demandam esforços financeiros contínuos. Por um lado a contratante atinge o seu objetivo que é gastar menos com recursos humanos da segurança. Por outro lado a prestadora fica “estrangulada” com relação aos seus custos, abrindo mão, muitas vezes, até da sua taxa de administração. Porém, na tentativa de reduzir os seus gastos, contratam mal e não treinam adequadamente. Isto sem contar que muitas, acabam não cumprindo com seus deveres trabalhistas, o que deixa a equipe desmotivada. Assim temos um grande problema: profissionais mal contratados, mal treinados, sem apoio e ainda desmotivados.

Neste panorama como a empresa terá qualidade na segurança?

O gestor deve analisar a segurança de forma holística e integrada, em que somente conseguirá resultados positivos, se investir de forma correta em todos os recursos, inclusive se capacitar continuamente na área de segurança, relacionamento e liderança.

Assim de forma resumida, algumas dicas com relação aos meios organizacionais e humanos:

SILVIA FERREIRA NETTO, Consultora e Instrutora de Segurança; Técnica de Segurança Patrimonial / UFPR; Graduada no Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Segurança Pública – Universidade do Sul de Santa Catarina - UNISUL; Atua a 10 anos na área da segurança privada; Sócia-diretora da Ferreira Netto Assessoria e Consultoria; Instrutora credenciada pela DPF – Departamento da Polícia Federal; Instrutora Centro de Formação de Vigilante - Cursos Profissionais de Segurança – CPS; Associada da ABSEG – Associação Brasileira de Profissionais de Segurança; Consultora de Segurança CONSEG-Boqueirão -Ctba; MBS – Master Business Security; Analise de Riscos; Processos de Segurança Patrimonial e Investigações e Fraudes Empresariais B&A / FAPI/SP – Planos de Segurança – SEGPLUS; Gerenciamento de Riscos Corporativos/ ABSEG-SP; Prevenção do Crime através do Desenho Urbano/ CREA-PR; Honra ao Mérito Acadêmico/96 – FAE; Participação em diversos congressos, seminários e palestras de Segurança e Gestão de Riscos