Integração

 

 

Sabedoria é integração, Mestre.

Quando conseguimos a Unidade em nós, ela perpassa o interior, atingindo tudo o mais e integrando tudo.

Tudo na Natureza se integra, Mestre, como uma harmonia de ritmo e melodia perfeita.

 

Eu respiro. Eu prendo o ar no meu corpo e solto o ar do meu corpo. E o ar é integrado, o ar, esse que é o constante sopro do Deus, entra em meu corpo como forma de integração.

 

Lá nas nuvens de pelúcia adocicadas, uma gaivota voa, entendendo que ela também é parte de uma sinfonia azul e branca.

Lá nos vulcões adormecidos no colo do Tempo, o fogo se transmuta em larvas para continuar vivo, integrando a vida e o sono do Mistério.

Lá no mar contínuo, onde a abundância é a sua natureza, e o sal é a sua força, as águas se liquefazem em espumas, os peixes se disfarçam e as algas esverdeiam o espectro do céu, integrando o que é transparente e o que tem cor.

 

O olhar do recém-nascido preenche o mundo do que é palpável e de sonho.

Neófito na Terra, ancião no Universo.

Íntegro como convém ser àqueles onde a pureza aduba o solo.

 

Repare no oculto da voz do silêncio, Mestre. Veja como ela integra a sua música calada ao motim das elegias vãs. Porque essa voz é sábia, meu Mestre, ela compreende que as coisas elevadas são de Apolo. Não há pólo.

Repare nas fibras que compõe as flores invisíveis que os deuses nos ofertam toda manhã; veja como elas interam a composição harmônica das alvoradas dos nossos instantes.

Repare nas cacimbas ao relento, onde a Natureza esconde o mistério da água limpa.

E também nas constelações solares que abrilhantam a nossa visão extraterrestre.

Tudo ligado por um fio tênue de doçura e graça, que embora invisível, quando respiramos, colocamo-lo em nós.

 

Na integração vive o sagrado de cada Lei. Vive a Vontade impulsionadora da Vida.

Vive a cura das partes. O aconchego da solidão. A maestria de pertencer. A singela e necessária organização da multiplicidade.

 

Mestre integra-me a tudo aquilo que a minha limitação desconhece. Integra-me a tudo que caiba à Existência. Integra-me na Sabedoria de cada noite e na Esperança de cada dia. Integra-me no fluir inocente da correnteza e na força expressiva da água. Integra-me, por fim, meu Mestre, aos horizontes dos vossos olhos e a verticalização da vossa presença.

 

Que possamos compreender a simbologia da Grande Mandala, que integra na sua Gestação todo o sangue que imole à Vida, toda a placenta que recebe todos os fetos, todo o umbigo que nos liga ao coração do Criador.

Que a Integração seja contemplada na mais digna amplitude, para alcançarmos a nós próprios e a Unidade do Universo.

E que o inverso não aconteça, e que a Mandala permaneça além da contemplação, fazendo-nos parte dela, e íntegros à sua Criação.

 

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Mandala de Simone Bichara – Texto de Daniella Paula Oliveira