A batalha durou até 1954 com a derrota dos franceses em Diem Biem Phu para as forças do Viet-Minh, lideradas por Vo Nguyen Giap, que cercaram o renderam os franceses.

Com o fim da chamada Guerra da Indochina, uma conferência realizada em Genebra determinou uma série de acordos entre os franceses e os vietnamitas, dentre elas a divisão do país em duas partes; o Norte, controlado pelo líder do Viet-Minh, Ho Chi Minh, e o Sul, sob o domínio de Bao Dai, um representante dos interesses franceses. Patrocinado pela burocracia stalinista da extinta URSS, o acordo de paz impediu que a revolução fosse vitoriosa também no Sul. A conferência determinou também a realização de eleições diretas programadas para 1956.

A gestão de Bao Dai foi substituída por Ngo Dinh Diem, um ditador católico e corrupto que iniciou uma série de perseguições políticas às organizações do Vietnã do Sul, reprimindo brutalmente as manifestações de luta contra o regime fantoche.

Como manobra, Diem não chamou as eleições e proclamou independência do Vietnã do Sul, pois o pleito seria ganho em esmagadora maioria pelos partidários da unificação. A fim de evitar a propagação da revolução em toda a Ásia oriental, os EUA apoiaram a independência do Sul, sustentando o governo títere contra-revolucionário do Sul por meio de investimento financeiro e militar.

Para defender esta posição, o presidente norte-americano Dwight Eisenhower, em 7 de abril de 1954 apresentou a sua “teoria do dominó” ou o “princípio do dominó que cai”, argumentando que a vitória da Indochina levaria inevitavelmente ao comunismo em todo o Sudeste asiático, como uma “carreira de pedras de dominó” (O Abuso da Força, Theodore Draper).

Em 1960, uma nova frente se formou contra o governo de Diem. A Frente de Libertação Nacional (FLN), ou o Vietcong, deu início a uma campanha de guerrilhas para derrotar a ditadura pró-imperialista no Sul.

Pouco antes de sua morte, em 2 de setembro de 1963, o presidente John Kennedy já havia afirmado em uma mistura de cinismo, uma vez que o governo apenas existia pelos EUA, e desalento, porque o regime desmoronava diante da pressão revolucionária : “a guerra é deles, em última análise. São eles que ganham ou a perdem. Nós podemos ajudá-los, podemos fornecer-lhes equipamento, podemos mandar para lá homens como consultores, mas são eles quem tem de ganhar a guerra contra os comunistas” (Idem).

No entanto, visto que o governo de Diem seria incapaz de enfrentar o Vietcong, Kennedy enviou ao Vietnã os primeiros grupos militares para dar auxílio ao Sul.

Com a sucessão de Lyndon Johnson à presidência, foram enviados as primeiras tropas para combater os vietcongs, em agosto de 1964.

Neste momento, em 1963, também foi derrubado o ditador Diem, morto pelos soldados sul-vietnamitas, amplamente apoiados pelos EUA.

Outros militares tentavam preencher o vácuo do poder político no Vietnã do Sul e cada vez mais os combates eram travados pelos norte-americanos.

Em março de 1965, já havia em Da Nang, no Vietnã do Sul, 3.500 militares.

O aumento do contingente foi realizado progressivamente e conseqüentemente os bombardeios sobre a região, através dos B-52, o avião mais usado para este serviço nesta época.

Em julho do mesmo ano, as tropas já somavam mais de 267 mil soldados, impulsionadas pelo secretário da Defesa dos EUA, Robert Strange McNamara, chegando a afirmar que “independentemente de novas iniciativas diplomáticas, os EUA devem considerar um substancial aumento do número de tropas no Vietnã se quiserem evitar a derrota”. Até 1969, já havia cerca de 543 mil militares num pequeno país de economia basicamente agrária.

A própria guerra do Vietnã foi logo mais tarde caracterizada pelos setores burgueses que estavam contra o conflito de “McNamara’s war” (a guerra de McNamara).

O “incidente” no Golfo de Tonquim

Em plena campanha presidencial, Lyndon Johnson aprovou no Congresso o primeiro ataque aéreo contra as bases do Vietnã do Norte em represália ao suposto ataque de lanchas vietnamitas a um navio norte-americano em águas internacionais.

Segundo a versão do Exército dos EUA, no dia 2 de agosto de 1964, três torpedeiros norte-vietnamitas haveriam disparados rajadas de metralhadoras e torpedos contra o destroyer Maddox, dos EUA, um dos navios mais equipadas e seguros do Exército norte-americano. O ataque foi realizado a cerca de 48 quilômetros ao Norte do Vietnã, onde se localiza o Golfo de Tonquim.

Ao final do ataque, apenas os dois barcos vietnamitas foram atingidos, enquanto que o destroyer não sofreu absolutamente nada.

Posteriormente, no dia 4 de agosto, mais torpedeiros foram identificados atacando o Maddox e outro navio, o destroyer C. Turner Joy. Novamente não houve nenhuma perda do lado norte-americano e os dois barcos vietnamitas foram afundados.

Estes dois ataques, obviamente desiguais, levaram o presidente Johnson a ter a “certeza” de que as investidas foram uma “agressão pública feita em alto mar contra os EUA”, ordenando o primeiro ataque aéreo no mesmo dia do segundo ataque. Os alvos seriam bases de armazenamento de torpedos e depósitos de combustíveis.

Logo mais tarde, o incidente no Golfo de Tonquim era amplamente questionado por sua veracidade, sendo levantadas várias suspeitas de que o governo norte-americano forjou os ataques para aprovar definitivamente a intervenção militar dos EUA contra o Vietnã.

Após os ataques, Johnson havia pedido ao Congresso que lhe desse total autonomia para usar no Vietnã o equipamento que achasse necessário, aprovando a resolução por 88 votos contra dois no Congresso e no Senado, por unanimidade de 416 votos contra zero.

Dessa forma, precisando de um pretexto para atacar com toda força os vietcongs, os EUA forjaram um ataque para favorecer sua investida militar e a candidatura de Lyndon Johnson.

O massacre norte-americano

É absolutamente notável a desproporção entre a guerrilha vietnamita e as tropas norte-americanas, onde de um lado encontrava-se um dos países mais pobres do mundo, com uma qualidade de vida inferior até mesmo ao estado menos desenvolvido dos EUA, e, do outro, a país mais desenvolvido da história, com um poder militar capaz de destruir por completo qualquer sinal de vida na Terra.

Na realidade, poucas pessoas sabem realmente o que o mais potente exército domundo realizou naquela região.

A península da Indochina, por ser localizada no Sudeste Asiático, é quase inteiramente situada em zona intertropical, predominando uma vegetação de florestas densas e savanas.

Durante toda a guerra, a mata fechada serviu de esconderijo ao Viet-Minh e o Vietcong, onde o Exército norte-americano fez o uso de 76 milhões de litros de desfolhantes químicos altamente mortíferos, como o “agente laranja”, que dizimou milhões de árvores e envenenou os rios e lagos do país. Além disso, milhares de pessoas foram mutiladas pelo efeito das bombas de napalm e as terras se tornaram completamente improdutivas devido aos ataques químicos promovidos pelo imperialismo norte-americano. Por quase dez anos o Vietnã teve suas cidades e florestas amplamente bombardeadas.

Ao contrário do que tentam afirmar muitos setores burgueses, o Exército dos EUA realizou sim uma guerra química, percebendo seus resultados nas inúmeras mutações genéticas dos filhos dos combatentes e civis vietnamitas, que nos dias de hoje somam mais de 76 mil pessoas.

Segundo especialistas, uma das regiões mais atacadas pelo agente laranja foi a conhecida estrada de Ho Chi Minh, na fronteira com o Laos, causando milhares de casos de câncer, abortos e deformações genéticas.

Até mesmo os soldados norte-americanos sentiram a capacidade devastadora do agente laranja. Pesquisas realizadas pela Força Aérea dos EUA indicaram que o índice de diabetes entre os pilotos e marines aumentou sensivelmente naquela época.A devastação causada pelos bombardeios excedeu as expectativas do Exército dos EUA, sendo despejadas uma média de 1 milhão de toneladas de bombas por ano, 3,5 vezes mais do que a quantidade despejada sobre a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Somente entre 1965 e 1968, a Operação Rolling Thunder, uma ofensiva dos EUA contra o Vietnã do Norte, realizou cerca de 300 mil vôos e despejou na região mais de 860 mil toneladas de bombas. Muitas das bombas que não explodiram, cerca de 300 mil toneladas, ainda hoje são detonadas, deixando milhares de mortos e feridos todos os anos.

Um outro “esforço” dos EUA na tentativa de combater a guerrilha foi o programa Fênix, elaborado pela CIA, que exterminou mais de 40 mil vietnamitas considerados suspeitos e revolucionários que lutavam contra a ocupação imperialista através da ação de assassinos profissionais e torturadores dos grupos paramilitares. Um número de assassinatos políticos maiores do que qualquer uma das famosas ditaduras latino-americanas dos anos 60 e 70, revelando de forma cabal o caráter da “democracia” imperialista.

Um dos crimes mais conhecidos cometido pelos EUA foi a tragédia da aldeia de My Lai, que só foi denunciada em 1970, quando o tenente William Calley Jr. foi julgado por ter comandado o massacre de mais de 100 civis vietnamitas. No entanto, um dos envolvidos, o sargento David Mitchell, foi absolvido de seu julgamento em que foi acusado de matar pessoalmente 30 camponeses.

Economicamente, o Vietnã se tornou um país totalmente devastado pelos ataques do imperialismo. As terras de arroz, principal meio de subsistência da região, foram todas intoxicadas pelos efeitos químicos do agente laranja e todo o desenvolvimento comercial se estagnou durante anos.

Após o término da guerra, o Tratado de Paris determinou que os EUA se comprometessem financeiramente na reconstrução do Vietnã, mas o governo de Ronald Reagan (1980-1988) descumpriu o acordo e cancelou o programa.

Nos seis primeiros anos da guerra, entre 1964 e 1970, o Vietnã foi um dos países mais massacrados pelos bombardeios em todo o século XX. O próprio Pentágono já havia decidido, pouco antes de aprovar a invasão, que a intenção era fazer o Vietnã voltar para a era neolítica. Bombas com alta capacidade de destruição foram lançadas sobre as cidades do Norte, principalmente em Hanói, que teve suas poucas indústrias totalmente destruídas, aliados ao envenenamento dos rios e florestas. Especialistas concluem que as conseqüências sofridas perdurarão ainda por mais de 50 anos.

Em relação ao número de vítimas, em todo o período da guerra, oscila entre 1 milhão e meio e 2 milhões de vietnamitas mortos, sendo, por estes cálculos, 900 mil guerrilheiros e 1 milhão de civis. Mais de 500 mil foram gravemente mutilados, reduzindo drasticamente a vida de parte da juventude vietnamita. A população vietnamita contava durante esta época com 39 milhões de habitantes, sendo 21 milhões no Vietnã do Norte e 18 milhões no Vietnã do Sul.

A guerra custou aos EUA uma cifra de US$ 2 bilhões, deixando 55 mil soldados norte-americanos mortos, ou seja, um norte-americano para cada 40 vietnamitas, aproximadamente e mais de 300 mil feridos.

A falência econômica do país gerou um grave distúrbio social, resultado também da ocupação norte-americana. Os centros urbanos se entupiram de prostitutas, traficantes e marginais de todos os tipos.

No dia 30 de abril de 1975, o último helicóptero carregado de marines apavorados, além do próprio embaixador em estado de pânico, decolava do telhado da embaixada norte-americana de Saigon, no Vietnã do Sul, onde vários guerrilheiros invadiram e posteriormente rebatizariam a cidade de Ho Chi Minh.

As tropas do imperialismo norte-americano foram responsáveis por um genocídio sem precedentes, usando todos os seus meios de destruição e todos os tipos de bombas, como dardos e bombas incendiárias de fósforo.

A Guerra do Vietnã, como o conflito mais sangrento desde a Segunda Guerra Mundial, não foi o mais terrível apenas pelo seu tempo de duração ou pelo envolvimento direto da maior potência imperialista, mas principalmente por ter revelado as contradições do regime capitalista e a completa decadência e conseqüente selvageria do capitalismo mundial.