Um Novo Olhar Para a Educação Especial 

     O que é a Educação Especial? Muitos não sabem. Pensam que se trata de um “bando” de meninos e meninas com algum tipo de inoperância mental ou física, que na questão da Educação, onera a máquina Pública, pois é uma Educação cara, em sua estrutura organizacional, talvez por  isso as Prefeituras e as Instituições regulares demonstrem tanta dificuldade em lidar com a inclusão. A escola especial,  vive hoje com a espada sobre seus tetos, porque a lei se apressou em dizer, em nome de uma política que se diz da Inclusão, que todos os alunos especiais tem  que estar na sala de aula regular. O problema não está no que a lei deseja, mas nas atitudes humanas, os políticos em nome desta “política” no momento inoperante, deixam de investir na Educação Especial, porque equivocadamente pensam que a inclusão vai resolver também, ou justificar a falta de verbas e de interesse na questão. Pois bem, a deficiência não é privilégio somente de quem é considerado “deficiente’, portador, ou com necessidades especiais. A deficiência pode vir para quem é normal também. Quem garante que numa cirurgia de qualquer coisa, não se poderá ficar paralisado, ou sofrer um acidente de carro e  ficar deficiente físico, ou mesmo ter um derrame cerebral , e ter parte do cérebro danificado? Ninguém está completamente livre de nada disso, muito menos, aqueles que ocupam o poder legislativo, executivo, judiciário, ou mesmo qualquer posto de uma Secretaria de governo qualquer, de qualquer  cidade .

     O que é preciso perceber, é a não linearidade das coisas, pois nem sempre as leis contam com a linearidade dos fatos e conseguem beneficiar a todos num só momento (nem sempre o que a lei ditou serve para todos - cada caso é um caso). O Município que possui casos considerados graves, terá que passar por um grande investimento em suas escolas regulares (oferecendo salas de recurso e atendimento especializado) para receber esses casos, e isso não se faz de uma hora para outra. Uma criança com autismo grave, que não suporta barulho, por  exemplo, terá uma grande dificuldade em estar numa sala de vinte cinco  ou 30 alunos, e por isso, primeiro terá que freqüentar uma Escola dita Especial, para iniciar sua adaptação, não quer dizer com isso, que terá que ficar na Escola Especial para sempre, porque esta também pode funcionar como um Agente de Inclusão, trabalhar na direção da Inclusão para beneficiar as escolas regulares e ajudá-las a entender todo o Universo de pessoas com necessidades Especiais.O erro da lei, é exatamente esse MEDIR a  todos numa tabula rasa.  Mas em hipótese alguma, um governante, ou uma pessoa das leis, pode sancionar coisas, ou decidir situações em cima de fatos que ele mesmo desconhece. Por isso seria importante que todos que lidam com as leis passassem pelo menos  um dia numa Escola especial qualquer, mais próxima de sua cidade, de seu gabinete. Aliás, todos os cidadãos das cidades precisavam ter essa experiência, principalmente os  professores das classes regulares. A Escola especial que  hoje  é encarada como a “inimiga da Inclusão”, já foi no passado o Porto Seguro de muitas crianças. Atualmente, também poderá ser uma Instituição de apoio a inclusão, pois é a Escola Especial que lida diariamente, com crianças altamente hiperativas, deficiências de todo tipo, até com questões psiquiátricas, com crianças que se auto-flagelam, agridem os colegas e  funcionários não com maldade, mas como reação patológica mesmo (quem está na escola especial sabe que poderá passar por todas essas situações).Será que a Escola Regular  vai conseguir  de uma hora para outra, lidar com isso? Com certeza não. Não é trazendo especialista de fora para tentar lidar melhor com todas essas situações, eles ajudam, mas quem encontra o caminho, a solução, são os que convivem no seu dia-a-dia com essas situações. É preciso urgentemente valorizar aqueles que todo dia estão dispostos há anos, a serem e com certeza  são, Educadores pra lá de ESPECIAIS. Por que, quem se coloca   todo dia  a caminho de Uma Escola Especial, não é “qualquer pessoa”. São pessoas que doam,  acima de tudo um amor muito diferente, porque lidam com situações difíceis todo dia e precisam ter sensibilidade  muito apurada para desenvolver as potencialidades  de cada um dentro de suas especificidades, a toda hora. Quando aparece alguém que desconhece todo esse Universo e considera a lei, sem levar em conta as necessidades de cada caso. É hora de se preocupar. A Escola Especial foi muitas vezes, o ambiente depósito, para guardar aqueles e cuidar do que a Escola regular rejeitou e não conseguir alfabetizar, porque o Nosso país tem uma mania horrível de  rotular como “isso ou aquilo”, aqueles que não conseguem escrever o nome, essas pessoas para a Educação, “tem sempre um problema mental”.

     O que os governantes precisam entender é que cada caso é um caso e cada cidade tem o seu Universo de pessoas com Necessidades Especiais, muitas delas não poderão freqüentar a escola Regular de imediato, apenas porque o Governo sancionou a lei da INCLUSÃO, também se faz necessário muito investimento para que a INCLUSÃO dê certo. É preciso conhecer o número de pessoas com necessidades especiais dos municípios. Aprender sobre as deficiências para poder lidar melhor com elas e beneficiar realmente com a INCLUSÃO aqueles que necessitam dela e podem usufruir dessa política.

     A revogação do decreto em que o Governo dizia que os Municípios tinham até 2010 para fazer a Inclusão “de todos” (utopia), é prova de que o Governo começou a perceber a dificuldade que existe, e esta é real, de lidar com a inclusão, e fazê-la com calma, sensatez, não  de qualquer maneira.Não é por que se coloca um indivíduo especial na escola, que se está fazendo inclusão, porque este poderá estar lá e está sendo excluído todo dia. Quando é deixado de fora das atividades escolares, quando o professor não consegue dar aulas para os normais e estes começam a se sentir prejudicados pela situação, ou quando são deixados num canto da sala de aula porque o professor desconhece o modo de trabalhar com elas.

     O número de pessoas (crianças ou adultos) com necessidades especiais é muito maior do que o universo de escolas regulares em nosso país, e ainda faltam escolas para os normais. É infantilidade achar que o país irá suprir uma insuficiência com uma  outra ação necessária, mas que não existe preparação real para que esta aconteça. As escolas regulares ainda irão passar, e já estão passando pelo processo da Aceitação. É preciso ruir com os preconceitos existentes nesse universo, principalmente contra as Escolas Especiais. É preciso entender que INCLUSÃO, segundo a Declaração de Salamanca, implica numa visão Universal do homem, garantindo todos os seus direitos, principalmente sociais (saúde,educação,acessibilidade,trabalho,moradia...) para as próximas décadas.Nesse contexto também pode ser a ESCOLA ESPECIAL tão combatida atualmente,um ambiente  a favor da INCLUSÃO e não  de SEGREGAÇÃO.Para alguns com necessidades especiais graves é o início do seu processo de desenvolvimento escolar a caminho de  uma Inclusão que garanta realmente todos os seus direitos sociais e não de um ato frio para que se diga que se fez valer a lei.De qualquer jeito.          

     Rosana Andréia da  Silva  Soares

     Especialista em Educação Especial