Flor

 

Quantas flores já não entreguei ao meu mar de lágrimas. Às vezes enterrando esperanças, outras avivando emoções.

Quantas flores já não reguei no meu jardim interno, oferecendo-as ao meu Ser como beleza ingênua, e ofertando-as aos meus deuses em ebulição como pedido de quietude.

Quantas flores já não esqueci nos livros empoeirados das minhas lembranças, como tributo a uma reminiscência melancólica, mas gentil.

 

A flor de lótus que nasce no meu lodo, vem me dizer que a beleza é sempre superior ao caos.

A tulipa, a flor invertida – o turbante, vem me contar sobre a importância da solitude e o esplendor de se estar junto.

A gardênia, com o seu perfume inebriante, vem me dizer dos boleros enluarados e do branco da paz, mostrando-me que se pode dançar no silêncio.

A jasmim, no seu papel de matriarca, vem me ensinar as grandezas da delicadeza.

A violeta, com as suas raízes sensíveis, vem me mostrar a minuciosa sutileza do cuidado.

 

As flores vêm me amar nas madrugas gélida e nos sóis latentes.

A Flor vem perfumar com os seus perfumes vários e incandescentes, o meu ventre que é sagrado por também ser fêmea.

Vem me trazendo espinhos para o ensinamento do caminho, e para a proteção contra os brutos. E trazendo os brotos para florescer em minha alma adubada pelo o seu encanto.

 

A Flor de canto, que ali, em seu lugar, oferece o melhor de si, mesmo que eternamente despercebida.

Exaltada pelos poetas, inebriada pelos os amantes, vigorada pela música, ofertada pela bondade dos deuses.

- vã na sua vaidade, bela na sua fragilidade.

 

Sépalas e pétalas. Seus órgãos pueris e quentes. Lânguidos e vibrantes.

Acariciados pelo o olfato das abelhas, fecundados pelos polens de sua estirpe.

Ensina-nos a capacidade de Ser. E a Beleza de Existir.

Mostre-nos o silêncio de nascer e a vibração de germinar.

Guia-nos na sua coragem de deixar o conforto da semente, rachar o solo e se expor ao sol.

Oriente-nos na fecundidade da sua Natureza, para que sejamos direcionamos ao útero doce da Mãe que nos permite ser com você.

 

Flor na Mandala Mágica, cujo círculo delineado, representa as suas cópulas de luz e graça.

Cure-nos do grotesco da casca, deixando-nos suave como o vento que te toca distribuindo o seu perfume.

Mandala de meditação tão imaculada quanto a Floresta de onde brotou a sua linda Flor, que nasçam em nós as pétalas da sua poesia e o pólen do seu amor.

 

 

Mandala de Simone Bichara – Texto de Daniella Paula Oliveira