Huni Kui (Povo Verdadeiro)

 

Huni Kui, Kaxi!

A vós, minha singela exaltação verdadeira.

Para o povo de tamanha realeza

Todas as minhas palavras seriam de pouca beleza

Pois vossos cantos eu escuto daqui e os vossos deuses me abençoam, Huni Kui!

 

Para vós oferto os meus modestos versos

Lembrando que o nosso descaso e o nosso retrocesso

Fizeram-nos esquecer das vossas nobrezas

Esquivaram-vos da merecida gratidão

E isso pesa em meu coração.

Portanto, é só na frágil poesia que eu encontro alento e harmonia para agradecer.

 

Vós que pairam no nascer.

Vós que emergem do rito.

Vós que cultuam o silêncio e o grito.

Vós que embalam o aparecer de todos os sois.

Vós que descansam todas as luas.

Soeis vós, Huni, o Povo Verdadeiro!

 

Rubro. Escarlate. Taxipa!

Vermelhos são vossos sonhos.

Vermelhos são vossos kenês.

No entanto, vossos sangues são mais que rubros, são verdes

-de esperança, de abundância, de força como vossas matas e redes.

 

Hoje vos louvo, Huni!

Pois hoje louvo tudo o que for Kui!

E vos faço um pedido com humilde devoção

Jamais desacredite dessa nossa Grande Aldeia;

Vós soeis as relvas que fazem germinar as boas sementes do nosso canteiro.

Os oleiros da mata, que transformam em vida o que ainda nos escalda.

 

Enaki! É meu também o vosso canto!

Essa parcela de encanto, onde habita dentro e fora o Huni Kui!

 

Mandala de Simone Bichara – Texto de Daniella Paula Oliveira