SEM CONTROLE

Por Eduardo Girão

A violência urbana é manchete diariamente dos noticiários de tevê. Os telespectadores parecem já não se importar com as imagens “sangrentas” que os programas televisivos exibem inclusive no horário nobre. Na maioria das vezes, os mais pobres são os protagonistas das reportagens: vítimas que não tiveram acesso à educação; moradores de comunidades carentes que se deixam manipular facilmente por repórteres sensacionalistas.

Os profissionais de comunicação sabem que dependem dos números do Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) para permanecer na mídia. Muitas vezes, esquecem o que aprenderam durante a faculdade. Defendem-se mostrando os altos índices de criminalidade (principalmente das capitais brasileiras) divulgados pelas secretarias de segurança pública dos estados.

Fortaleza é uma das cidades que apresentam a maior quantidade de homicídios. Este ano, já foram registrados mil assassinatos. Desses, 813 foram praticados com armas de fogo, o que representa 81,3 por cento dos casos. As mortes de jovens e adolescentes são outro fato constatado nas estatísticas.

Mesmo com todas as evidências, não há justificativa para os abusos. Os jornalistas deveriam ser proibidos legalmente de manipular imagens e depoimentos, a fim de beneficiar a audiência dos programas policiais. Antes de colocar uma reportagem no ar, os profissionais deveriam pensar sobre ética moral, leis constitucionais e o Estatuto dos Direitos Humanos.

Até agora, não existem pesquisas que comprovem a eficácia das exibições sensacionalistas na diminuição da violência urbana. Governo e sociedade devem ficar atentos com a programação. Os telespectadores podem utilizar o controle remoto para boicotar os canais menos comprometidos com a verdade. Sem audiência, a publicidade desaparecerá e os programas dificilmente sobreviverão à falta de capital.