Vitória-Régia

 

 

Casa de lodo, cobras, águas-vivas, duendes e belezas.

Índia Naiá que a lua – Jaci – querendo encontrar, tornou-se estrela nos rios da Amazônia.

Acorda pupila, que é hora de se recolher. Vitória-Régia que deslumbra, só oferta suas flores para quem nas noites quiser ver.

 

Cuidado besouros, protejam seus instintos! A flor das águas lança o seu perfume, que de tão inebriante, atrai viajantes, tornando-os prisioneiros em suas entranhas sem esteios.

Cuidado pantaneiros, protejam os seus olhos! Que de tão belo, o aguapé tupi pode te seduzir.

Cuidado doença, que nas mãos de um curandeiro, as folhas sagradas Oxibatá poderão te aniquilar.

 

Vitória-Régia da floresta em água, que carrega na sua estirpe a beleza e a resistência da natureza.

Que flutua leve e graciosa nos pântanos sagrados de Tupã iluminados pela a luz de Jaçanã.

Que tem forma de coração e é sagrada como uma oração.

Que faz florescer suas brancas flores como pureza na expansão do verde esperança.

Que recebe forte e grande os bichos que nela dançam.

 

Nos lagos cristalinos, da imensa e misteriosa Floresta Mãe, vive a flor da prosperidade

Onde a sua graça se funde às lendas indígenas e aos jardins europeus

E que para admirá-la não importa a idade

Mas a sensibilidade e conexão com a Mata e o seu Eu.

 

A Mandala vem com o seu esplendor

Contemplá-la é receber a Vitória e o seu feérico amor!

 

 

Mandala de Simone Bichara – Texto de Daniella Paula Oliveira