Entonação

 

Meu coração entoa a canção para a poesia das cores.

Minha mente adormece nos primórdios silenciosos do meu ser

E só o espaço entre lágrima e sorriso, prazer e dor, cantar dos pássaros e movimento das nuvens, fala.

 

Na entonação do amanhecer, o astro rei, que emule das primazias e das procelárias dos olhos divinos, o grande sol, entoa a canção da esperança – da dança conjunta pela vida.

Assim como a lua, na sua brisa doce e lânguida e na sua pungente alvura na escuridão da noite, entoa o canto dos mistérios e das profundezas da madrugada.

 

O constante trabalhar da natureza, em função da singeleza da existência das coisas, e o puro sono dos recém-nascidos: sementes, raízes, gota de chuva e humanos seres – entoam a canção da construção diária.

Assim, como os desavisados de timbres cantam seus opacos às cores do Universo, e ajudam a criar o som dos contrastes na harmonia da canção.

 

Em todas as entonações, das poesias repentinas dos madrigais sedentos, há a vibração de luz, para estimular a criação no seu passo diário.

E assim, como um caminho antigo e um pergaminho furado, as mães de peitos quentes e os pais de seios rasos caminham para entoar a canção de nascer dos seus vindouros.

As rameiras limpam as suas pinturas e colorem as suas almas com imaginações puras. E os velhos perdidos nos cais, deixam pra trás os ancoradouros para entoar a coragem de voltar a navegar.

 

E bem lá no centro da gestação divina está o coração pulsante entoando a canção que ouço agora, e que, embora eu não possa descrever, todo o meu ser vibra por poder cantá-la em silêncio com a pulsação da vida.

A grande nave, fêmea, mandala vai girando no palco atemporal e entoando as mais belas melodias às nossas almas.

Para ouvir é só esquecer-se de si e ver a concórdia das cores, o movimento do infinito, o íntimo das borboletas, essas que já foram lagartas, e as sutilezas dos timbres nobres do nosso Deus interior.

 

E é bonito ver a mandala Entonação dando versos a sua colorida canção.

Daniella Paula Oliveira