EEF Honório Bezerra

Professor: José Eduardo Girão

Alunos: Gisely Spinosa, Pedro Lucas, Rízia Freitas, Yatagan Rocha, Kimberly Cristina, Pedro Vinícius, Venâncio dos Santos, André Pacielo, José Ivens

Questão Norteadora: Por que existe Preconceito?

1. Definição do Tema:

O preconceito é um tema atual, de interesse coletivo, envolve muitas áreas do conhecimento e gera muitas discussões e curiosidades. Está presente no dia a dia da escola através do bullying e da sociedade por meio de gestos racistas, entre outras atitudes.

2. Brainstorm:

a) Certezas Provisórias

-Existe porque nem todo mundo é igual

-Parece que é proibido ser diferente

-A bíblia influencia a sociedade a ser preconceituosa

-Deus deu o livre arbítrio aos homens para serem diferentes

-Existe por causa da cor da pele, opção sexual, religião, machismo, homossexualidade, estilo de vida, maneira de se vestir (Emo, Gótico), etc

-As pessoas não aceitam o que não conhecem

-Os homens discriminam as mulheres no volante, no trabalho, etc.

-Falta diálogo

b) Incertezas Provisórias

-É hereditário

-Existe uma cura para o preconceito

-É sinônimo de Inveja (despeita)

-Depende do dinheiro (Classe Social)

-Cultural (muda de pais, estado)

-A religião contribui

-Se a gente fosse igual existiria preconceito?

-As pessoas agem com preconceito para se mostrar, chamar a atenção

-Maneira de falar, de se comportar aumenta o preconceito

-É crime perante a Lei

-Leva à morte (suicídio)

3. Disciplinas Envolvidas e Conteúdos

Cidadania

A professora poderia trazer pessoas para falar sobre o preconceito contra negros, homossexuais, pessoas que sofrem bullying, etc. Os alunos poderiam dar testemunho de casos assim. Deveria existir um debate acerca do tema mostrando respeito para com todos.

Religião

Por que existem vários preconceitos religiosos? A professora poderia trazer reportagens sobre os conflitos existentes no mundo todo e ajudar a esclarecer dúvidas em relação a passagens bíblicas sobre o tema. Os alunos podem também trazer perguntas para procurar na internet.

Arte

Fazer desenhos que mostrem o que é o preconceito através de cartazes, teatro, frases, figuras. A professora também poderia apresentar um filme (“bem legal!”) sobre o assunto.

História

Entender o passado, a origem do preconceito, pesquisar por que há tantas guerras no mundo, relatar e debater fatos históricos como o Nazismo (o sofrimento do povo Judeu).

Geografia

Localização dos conflitos armados por território (exemplo: índios na amazônia). É por causa do preconceito da cor, raça?

Ciências

Existe um gene do preconceito? Como a ciência explicaria o preconceito que existe no mundo.

Português

Produção de textos sobre o assunto para criação de um folder (distribuídos entre os alunos) e estudo sobre as gírias existentes

Informática

Publicação do material pesquisado, busca de informação, exibição de vídeos, filmes, uso do data show, divulgação, suporte, entre outros recursos

4. Definição dos Objetivos Gerais

Conscientizar a comunidade escolar sobre o preconceito para que passe a ter uma opinião diferente em relação ao assunto.

5. Definição dos Objetivos Específicos

-Diminuir o preconceito na escola através da informação;

-Mostrar como as vítimas de preconceito sofrem e as conseqüências na vida delas;

-Divulgar as diversas formas de preconceito, onde começa e como pode terminar;

-Aprender como se proteger do preconceito. Como evitá-lo;

-Encontrar sugestões o fim do preconceito.

6. Justificativa

A escolha do tema se deve a uma necessidade dos jovens de discutir e refletir (segundo eles) mais sobre as experiências negativas que eles vivenciam no cotidiano da escola ou que já presenciaram em algum momento da vida. Para eles, o preconceito ainda é pouco discutido no ambiente escolar. O projeto poderia diminuir o bullying entre os alunos.

7. Metodologia

Os professores e alunos trariam textos de jornais e revistas sobre o assunto para serem debatidos durante as aulas. Os alunos fariam pesquisas para depois divulgarem entre os colegas de classe. Os educadores convidariam profissionais como psicólogos, pastores, entre outros, para falar sobre o tema. Poderia ser realizada na escola a semana da conscientização sobre o preconceito – igual como há a Semana Cultural e Pedagógica. Os participantes confeccionariam cartazes e folders que seriam colados e distribuídos. Também fariam questionários para saber a opinião dos estudantes acerca do assunto. Ensaiariam uma peça de teatro mostrando diversas formas de preconceito. Os estudantes fariam pesquisas na internet, assistiriam a vídeos no youtube e baixariam músicas que falam de racismo para ser tocada na rádio.

8. Atividades

-Confecção de Cartazes

-Criação de Textos

-Pesquisa na Internet e na Biblioteca

-Exposição do Material Coletado

-Realização de um Questionário

-Criação de um folder

-Exibição de Vídeos e Filmes

-Debates com profissionais e vítimas

-Leitura de textos

-Teatro

-Postagem no blog da escola

9. Avaliação e disseminação

Todos os participantes seriam avaliados pelos colegas de classe, professores e núcleo gestor através de uma enquete (Excelente, Ótimo, Bom, Regular e Ruim). A avaliação levaria em conta o comportamento do aluno, a qualidade dos trabalhos e o desempenho individual. Todo o material pesquisado seria postado no blog e informado na rádio da escola. O material também seria disseminado no orkut, facebook, skype e twitter.

10. Definição do Título do Projeto

Preconceito, Uma doença Mundial

11. Registre as discussões de cada etapa do projeto

Primeiro de tudo, como professor do Lei, achei a experiência interessantíssima e surpreendente. Nunca imaginei que os próprios alunos, sob minha orientação, pudessem colaborar de uma forma tão significativa para um possível projeto escolar. Trabalho numa escola de ensino fundamental, onde a maioria dos estudantes tem entre 12 e 15 anos. São jovens que vivem no Bairro Ellery, local onde a escola se localiza. Percebi que são meninos e meninas que precisam ser ouvidos, porque tem muitas ideias a acrescentar. Eles estão ligados ao mundo digital através das redes de relacionamento e tem consciência de seus direitos.

Para a escolha dos participantes, fui nas salas de aula e convidei os alunos mais falantes, aqueles que gostam de dar sua opinião quando solicitados, principalmente durante as aulas realizadas no Lei. É importante deixar claro que os que se expressam melhor nem sempre são os que tiram melhores notas. Convidei cerca de 15 alunos, de séries diferentes (8 e 9 Ano) para participarem da atividade. Dez alunos compareceram a reunião sem saber ao certo que seria proposto. Então, pedi que cada um falasse um pouco das dúvidas que tinha sobre qualquer assunto e que gostaria de esclarecer um dia. Eles apontaram várias questões: Por que a pessoa tem espinha; Por que somos diferentes um do outro; Qual o propósito do ser humano na Terra; Por que nasce cabelo nas pessoas, Por que existe preconceito, Por que não falamos o mesmo idioma, Porque existe bullying, Por que não vivemos para sempre.

Depois desse início, percebi que os temas ligados ao comportamento humano e ao sobrenatural interessavam muito ao grupo. Mas resolvi fazer uma votação entre eles para saber qual desses assuntos eles gostariam de aprender mais, conhecer em profundidade. Os temas Por que existe preconceito e Por que não vivemos para sempre receberam a maioria dos votos. Para desempatar, os alunos decidiram o primeiro assunto porque, segundo os próprios, “faz mais parte do nosso cotidiano escolar”.

Depois desse começo bem sucedido, segui o roteiro proposto na atividade, explicando apenas o que significava cada item. O mais surpreendente é que os adolescentes não tiveram dificuldade para exemplificar nem de dar opinião em nenhum dos momentos. As certezas e incertezas eram muitas, mas em todas as ocasiões demonstraram estar a favor de ações ou atitudes que levam ao fim do preconceito. Percebi que alguns são membros de igrejas evangélicas, o que caracteriza o interesse sobre a questão religiosa.

Quando perguntei sobre as disciplinas envolvidas, eles falaram o que prefeririam estudar e o que gostariam que a professora trouxesse para as discussões. Mais uma vez me surpreendi com o resultado. Exemplo: em ciências, eles gostariam de saber se existe um gene para o preconceito. É uma doença? Há cura? Em história, geografia, português, continuaram com o mesmo raciocínio lógico compreendendo o espaço de cada uma das matérias no projeto e como poderia ser útil na resolução do problema.

Também foram diretos em relação aos objetivos gerais e específicos. Ajudei-os apenas em alguns momentos, tentando esclarecer as diferenças entre justificativa, metodologia, etc. Expliquei-os, por exemplo, que a metodologia seria como eles gostariam que as atividades fossem realizadas (o método).

No item avaliação, todos foram unânimes em dizer que a nota deveria ser individual e que os professores levassem em consideração o trabalho de cada um, por que se sentem injustiçados quando fazem trabalho em equipe e os colegas que não ajudam ganham a mesma pontuação.

A definição do título do projeto foi dado pelo aluno chamado José Ivens. Nem sei se condiz com a proposta, porque talvez preconceito não seja uma doença e sim um comportamento doentio. Mas todos aceitaram o nome e votaram para que ele fosse o escolhido.

Pareceu-me que esses jovens desejam conscientizar a comunidade escolar sobre o bullyng, preconceito, discriminação. Talvez alguns deles tenham vivenciado tal situação. O mais interessante é que essa geração parece estar mais disposta a não aceitar esse tipo de violência. Eles justificaram o projeto dizendo que é pouco discutido na escola e pela TV. Esse seria um bom momento para prestarmos atenção ao que eles sentem. Escutá-los mais seria fundamental. Também não vi dificuldade deles em dar opinião, colaborar com a questão.