ATIVIDADE 1 – PLANEJANDO UMA ATIVIDADE USANDO MÍDIAS DIGITAIS

Professores: Eduardo Girão (LEI), Ivana Cláudia(Arte) e Maria Luíza (Língua Portuguesa)

Série: 9° Ano do Ensino Fundamental II

Disciplina: Artes e Língua Portuguesa

Tema: Literatura de Cordel e Xilogravura

Duração das Aulas: 550 minutos (10 aulas)

Aula

Os alunos assistirão ao curta de animação A Moça que Dançou Depois de Morta (Brasil/2003), de Ítalo Cajueiro. O filme é inspirado na história de cordel do autor contemporâneo J. Borges. Aos 64 anos, ele continua a escrever e ilustrar seus cordéis, e sabe-se que foi por meio deste tipo de literatura que aprendeu a ler e escrever. Mora em Bezerros, a 110 km da capital pernambucana, onde mantém a Gráfica Borges e publica seus cordéis, levando diversão e cultura a centenas de admiradores. O filme tem 11 minutos, é “leve” e bastante divertido. Conta a história de um rapaz que se apaixona por uma misteriosa moça num baile de carnaval do interior, sem saber que esse encontro iria mudar a sua vida para sempre.

Em tempos de computadores e internet é pouco comum falar de xilogravura ou da arte dos repentistas, poetas populares que criam rimas e dão ritmo musical aos versos por eles elaborados ao sabor de desafios ou das palmas do público. A xilogravura, por sua vez, arte ancestral que fincou raízes e desenvolveu estilo próprio em terras do nordeste brasileiro, virou curiosidade apenas a partir de menções em livros ou mostras em museus.Tanto uma quanto a outra sobrevivem nas ruas de grandes cidades brasileiras daquela região, como Recife, Natal, São Luís, Ceará, Teresina ou mesmo Salvador a partir da curiosidade que motiva turistas que por ali passam. Os duelos de repentistas já se tornaram parte do calendário de algumas localidades e, misturados a outras tradições locais, como festas e eventos gastronômicos, acontecem de forma esporádica e, apesar de estarem entre o que há de mais típico na cultura sertaneja local, não atraem os mais jovens, não motivam a renovação dos artistas.

A xilogravura mantém-se através de outra riquíssima tradição cultural nordestina, a literatura de cordel. Mas, em tempos tão tecnológicos, que graça parece haver em tão rudimentares artes, pensam aqueles que vivem plugados, maravilhados e hipnotizados pela web e por tantas outras mídias eletrônicas.

A moça que Dançou Depois de Morta valoriza tanto a xilogravura quanto os repentistas e a literatura de cordel. E se não bastasse isto, vai além ao nos colocar em contato com um caso verdadeiro, daqueles que dão um friozinho na barriga, que nos colocam em contato com o além, o sobrenatural... Quem não fica intrigado com “causos” como este relatado nesta produção?

Discute ainda a mudança dos hábitos que, perniciosa e rápida, devora e condena a extinção algumas das mais ricas tradições culturais brasileiras provenientes do nordeste, entre os quais os próprios elementos utilizados para contar esta história de amor entre vivos e mortos, substituídos que estão sendo pelas novas gerações, por insumos importados...

Ítalo Cajueiro montou um belíssimo libelo em favor do cordel, da xilogravura e dos repentistas e, para isto, utilizou-se de toda a sabedoria e talento de quem ainda preserva, persevera e luta por esses marcos da brasilidade sertaneja e nordestina, como mestre J. Borges, que compôs todo o trabalho visual do curta-metragem a partir da xilogravura e concebeu a história desta moça que dançou depois de morta.

Depois de assistirem ao filme, as professoras Maria Luíza (português) e Ivana Cláudia (artes) farão um debate para saber o que os alunos acharam da produção cinematográfica. Elas explicarão algumas características da xilogravura e da literatura de cordel através de uma apresentação no Power Point (BR Officer) utilizando diversos recursos tecnológicos como som, imagens e hiperlinks.

As duas poderão explicar, por exemplo, que o cordel é um livreto confeccionado em papel jornal com versos de poetas populares que retratam o cotidiano e o ideário nordestinos. São chamados de cordéis porque são pendurados em cordões nas feiras livres. As histórias mostram, de modo pitoresco, satírico, cômico ou trágico, casos verdadeiros ou fantásticos. Freqüentemente estes livretos apresentam Xilogravuras, que são ilustrações populares obtidas por gravuras talhadas em madeira. Do grego Xilós, que significa madeira, e Grafia, que significa escritura." (fonte: www.hotlink.com.br/www.ablc.com.br )

Conhecer a literatura de Cordel possibilitará aos alunos uma aproximação com um gênero de texto totalmente vinculado à tradição brasileira e ao contexto onde a mesma está inserida. O objetivo é fazer com que os alunos compreendam que a escrita e leitura são atividades que atendem diferentes funções; percebam relações entre a linguagem falada e escrita; conheçam uma modalidade oral de literatura; utilizem a linguagem oral com eficácia, sabendo adequá-la a intenções e situações comunicativas que requeiram conversar num grupo, expressar sentimentos e opiniões, defender pontos de vista, relatar acontecimentos, expor sobre temas estudados; participem de diferentes situações de comunicação oral, acolhendo e considerando as opiniões alheias e respeitando os diferentes modos de falar;

conheçam e reproduzam oralmente histórias de cordel; ampliem o repertório de imagens ao observarem diferentes gravuras de Cordel; valorizem as diversas culturas presentes na constituição do Brasil como nação, reconhecendo sua contribuição no processo de constituição da identidade brasileira; reconheçam as qualidades da própria cultura, valorando-as criticamente, enriquecendo a vivência de cidadania.

As professoras separarão os alunos do 9° ano em grupos de oito. Cada grupo tentará criar uma historinha popular que depois será escolhida em votação individual para, em seguida, ser interpretá-la. Os estudantes também farão desenhos que expressem o conceito de xilogravura. Eles terão como apoio a internet e os arquivos localizados no Domínio Público (LINUX), onde há informações - fotos, textos, imagens, vídeos - sobre o tema. A idéia é fazer com que utilizem as gravuras e os textos criados para a apresentação teatral. Um repentista e um mestre da xilogravura serão convidados e darão uma “palhinha”.

O trabalho no computador pode ser um bom aliado, seja para realizar pesquisas, seja para as situações de reescrita. O uso do computador sugere o trabalho em grupos. Muitos professores podem questionar esta estratégia de se trabalhar em duplas ou mais no computador, pois não é fácil romper o paradigma da ação individual. Porém são necessários critérios para se escolher as equipes, pois alunos que interagem bem em situações mais espontâneas não necessariamente são bons companheiros para trabalhar. Para alguns, sentar-se ao lado daquele que sabe mais é um estímulo e serve de apoio para suas dificuldades, no entanto, para outros é mais uma forma para se acomodar e desviar a atenção, pois sabe que sempre há alguém que fará a tarefa por ele. Ao longo do processo, estas duplas podem ser alteradas buscando sempre uma maior afinação.

Nas pesquisas o procedimento é o mesmo e o professor pode levantar com o grupo as palavras, frases a serem consultadas mais adequadas para se trazer a informação desejada. Também pode sugerir o assunto a ser pesquisado no site de busca, por exemplo: literatura de cordel ou xilogravura, e juntos professores e alunos selecionam aqueles mais pertinentes, elaborando critérios que apóiem a escolha. Outra forma de trabalho é indicar o site para os alunos e pedir que encontrem informações sobre a história, autor, imagens. Mas atenção: para isto é fundamental que o professor se prepare e faça estas pesquisas previamente a fim de auxiliar os alunos e dar boas indicações, que venham colaborar com a ampliação do universo cultural do grupo. Os textos criados, desenhos, fotos e vídeos criados pelos alunos serão postados no blog criado especialmente para esse fim.

Situação Didática:

1. Apresentação do Curta: A Moça que Dançou Depois de Morta - Ítalo Cajueiro;

2. Conversar sobre o tema do filme, pontos apreciados, críticas à história, familiaridade com este tipo de literatura - Orientação Didática:

Ao conversar com os alunos sobre o tema do curta o professor sensibiliza o grupo para aquilo que irá trabalhar. Ao ouvi-los abre espaço para crítica, para que teçam opiniões, estabeleçam relações com outras histórias já vividas ou conhecidas.

3. Propor aos grupos que escrevam algumas histórias de cordel a fim de dramatizá-la. Orientação Didática: Esse é um momento importante em que o professor compartilha o produto a ser construído por todos. A intenção não é que ele imponha sua vontade e sim dê a sugestão abrindo espaço para conversa, negociação e ajustes que os alunos propuserem. A aprendizagem ganha sentido, pois todos, tanto professor como alunos, se relacionam entre si e acerca de um objeto de estudo, um objetivo comum.

4. Ampliar repertório de literatura de Cordel. Orientação Didática:

O professor poderá trazer diferentes versões de uma mesma história, assim como apresentar outros enredos que venham a ampliar o repertório do grupo;

5. Fazer um levantamento de bons sites sobre literatura de cordel;

6. Em pequenos grupos, apresentar as histórias e o material pesquisado para os colegas. Orientação Didática: Ao apresentar as histórias professor e alunos passam a explorá-las com mais afinco. É importante lembrar que geralmente essas histórias são contadas ou cantadas e nesse momento os alunos serão convidados a memorizá-las e perceberão na escrita e leitura importantes aliados.

7. Adaptação da história para peça teatral. Orientação Didática: O grupo deve escolher uma história para apresentar. Esta é uma boa situação para convidar os alunos a exporem suas idéias, compartilharem seus argumentos, justificar suas preferências de modo a definir o que será dramatizado.

Muitas vezes usamos o recurso da votação e alunos indicam sem muito esforço suas preferências. Na proposta acima possibilitamos um debate, uma argumentação que estará favorecendo o uso da linguagem oral com eficácia.

8. Conhecer a arte da gravura na madeira;

9. Analisar diferentes xilogravuras como fonte de informação para elaborar vestimentas, peças, cenário para a apresentação. Orientação Didática:

Ao analisar as gravuras os alunos não só terão a possibilidade de conhecer como de ampliar o repertório de imagens. A apreciação estética é um conteúdo fundamental que irá colaborar com a questão do respeito a diferentes formas de manifestação artística e cultural.

Observar imagens e a partir delas colher informações faz com que os alunos:

* aprendam a situar-se diante da informação, a partir de suas próprias experiências,

* envolvam outras pessoas nesta busca e assim passam a considerar que a aprendizagem não está apenas relacionada à escola

* compreendam que aprender é um ato comunicativo, pois necessitam da informação que os diferentes meios trazem.

10. Ensaiar a peça, produzir materiais e trilha sonora;

11. Apresentação da peça para outras salas, pais, comunidade;

12. Apresentação dos cordéis criados nas pesquisas. Orientação Didática:

Para uma proposta ser significativa é importante que se tenha uma visibilidade final do produto e a solução do problema compartilhado com as crianças. Ao final de uma seqüência ou projeto, entendemos que a criança aprendeu porque teve uma intensa participação que envolveu a resolução de problemas de naturezas diversas. O resultado de um trabalho não deve ficar guardado num caderno, pastas ou fichários, mas sim ser exposto por meio de uma ação, como um sarau de poesias, apresentação de um teatro, seminários, exposições, por exemplo, ou objetos concretos como livros, DVD, álbuns, blog. Desta forma o conhecimento é transformado e tem um uso real e social.

Avaliação

Neste trabalho será avaliado se o aluno compreendeu a importância cultural, artística e literária do cordel e da xilogravura como instrumentos indispensáveis na preservação do conhecimento popular. Histórias, lendas e contos transmitidos de geração a geração através da arte e da língua portuguesa. A avaliação deve acontecer ao longo de toda a seqüência, pois se acredita num processo no qual o aluno é convidado a se envolver e realizar diferentes tarefas. Olhar para sua capacidade em resolver problemas, criar estratégias, analisar e refletir sobre a língua portuguesa podem ser alguns critérios avaliativos. Após a realização das tarefas sugeridas, a avaliação dos trabalhos levará em conta os seguintes critérios:

• Participação individual e coletiva;

• Criatividade nos desenhos;

• Organização e apresentação;

• Linguagem clara e objetiva.

A avaliação será em função dos objetivos de aprendizagem. Os alunos serão avaliados levando em consideração todo o trabalho desenvolvido, bem como a participação e a integração em equipe. A peça teatral final terá peso maior (10,0) e os trabalhos anteriores (pesquisas, desenhos, criação das histórias) serão avaliados considerando os seguintes itens: concordância textual, criatividade e idéias de conscientização. Esperamos que os alunos adquiram consciência sobre a literatura de cordel e a xilogravura; pois, aprendendo esses conceitos, eles poderão ajudar a preservar a identidade e as tradições nordestinas.