Percepções

 

Os sabores de um regalo. A leveza de uma brisa. A suavidade de um sorriso. A intensidade de um olhar. As minúcias da curva. A sonoridade das águas. O ruído dos capins. Os desenhos das nuvens. O odor do dia. O motim da noite. A hemorragia da lua. O balbuciar da criança interna. A perfeição da batida de asas de um pássaro.

As cores da mandala.

 

Percepção é o carinho divino dos nossos sentidos e a nudez retalhada da selva.

Os pés em contato com a terra e a singela nobreza de um ordinário poeta.

Os lodos das árvores que respiram ar puro e o pungente verde que insiste ser com graça, em qualquer praça.

 

Percepção é a voz dos sentidos. É o advérbio da intuição, que é a voz do Deus.

Sem ela perdemos os detalhes da vida, sem os detalhes da vida, esvai como bruma todo o encanto oferecido a nós. Senti-la é tocar-se. Fazê-la é exprimir-se.

 

Daniella Paula Oliveira