Deficiência e Mercado de Trabalho – Um caminho de Inclusão ou  Exclusão.

 

      O Brasil é um país  apegado a muitos paradigmas errados e preconceituosos sobre a deficiência. Práticas nada flexíveis quanto à vivência da pessoa com deficiência.  No avanço das políticas de inclusão existem práticas que nos envergonham. As mais comuns são  da segregação da pessoa com deficiência, a sociedade ainda pensa que o deficiente tem que está, onde possa estar, o surdo tem que  trabalhar em ambientes ruidosos, o cego em câmaras escuras e o deficiente mental em montagens e com material pesado. Esse tipo de pensamento e de crença leva o deficiente a encontrar um obstáculo ainda maior para conseguir emprego e se adaptar a sociedade brasileira.

      A sociedade precisa aprender que a pessoa que tem deficiência, acima de tudo, é cidadã do mundo que a cerca e  possui o direito de viver bem, como os ditos normais. Precisa acima de tudo, de se sentir respeitada porque é capaz de realizar coisas significativas para a sociedade.Sabemos que um dos grandes passos da inclusão é a adequação de um currículo que contemple  a pessoa com deficiência e a prepare para o mercado de trabalho, oferecendo a mesma, meios de estar neste mercado.A maior preocupação não é os que estão dentro do mercado,mas os que estão chegando. Como estão chegando?

      O Brasil é um país de terceiro mundo a caminho do sucesso econômico e social, e  busca a aprovação e o reconhecimento político dos países de primeiro mundo. Sua economia “gira “em torno do que alguns economistas chamam de ‘Risco Brasil”.Quando o Risco Brasil está alto, significa que o país está vulnerável em suas relações e estratégias econômicas.Quando este se encontra baixo, ou menor, está propício a novos investimentos financeiros e a períodos  de maior estabilização econômica. O mundo está de olho nesse país, de proporções “gigantescas”(de população de muitas nações naturalizadas e de etnia misturada),com um potencial ainda incalculável a nível de fauna , flora e recursos petrolíferos.

     O povo brasileiro convive hoje com uma das maiores desigualdades sociais do mundo e o que chamamos de oportunidades, são, uma das maiores lacunas sociais para o desenvolvimento da população brasileira, a tão sonhada “oportunidade de trabalho “.É para alguns um privilégio de poucos.O Brasil tem hoje uma conta de 135 milhões de  problemas educacionais, dos quais, o governo só dá conta de 65 milhões.Com resoluções paliativas e provisórias.Somos hoje um Universo de “ Problemas Sociais”.

     Aqui há o destaque, principalmente, aos deficientes, aqueles que a Grécia jogou dos penhascos de Esparta, porque não serviam a uma sociedade que primava pela perfeição física e humana. Aqueles que o Brasil segrega há muitos e muitos anos, criando políticas imaginárias de inclusão, porque não consegue oferecer a oportunidade de sobrevivência nem para os ditos normais.

     O Brasil não consegue abraçar a inclusão social de ninguém (dos citados excluídos), porque herdou da Grécia e de nossos conquistadores a idéia de que o bom e o produtivo, é o ser perfeito de condições físicas e mentais. O brasileiro não quer do seu lado, no banco do ônibus, ou na mesa de almoço do trabalho, alguém que não se encaixe no padrão: mentes e corpos perfeitos, competitivos, a altura dos normais.

     As oportunidades que chegam para os excluídos, na verdade são migalhas em relação ao que se oferece as elites do país. Um país que  tem que conviver com políticas “ tapa buracos” porque não consegue se organizar na construção de um projeto real de Educação.Como melhorar a oportunidade de emprego e trabalho para uma pessoa com deficiência, se o  normal possuindo nível superior não consegue manter sua casa?

     O país cresceu, mas o seu legado ainda é desolador, com uma desigualdade social monumental, a nossa política não dá conta de resolver com eficiência os problemas da população. O Brasil se fez representar com mais 90 países na elaboração da Declaração de Salamanca para afirmar o seu compromisso com a inclusão da pessoa com deficiência para os anos vindouros (garantindo estudo, acessibilidade, trabalho).

     Aparentemente  as pessoas e as crianças que têm deficiência estão “amparadas” por esse documento e todos os decretos e leis que o Brasil criou para completar a “bandeja” da Inclusão  precisa oferecer e fazer valer junto à sociedade os direitos da pessoa com deficiência. O que os governantes não consideram, é o fato de ainda termos uma conta em nossa história de um país com cem anos de atraso na questão da EDUCAÇÃO, “amarrados” às idéias de seus  conquistadores (preconceituosos e exploradores).Nesse quesito estamos na frente de outras nações subdesenvolvidas.

     As Empresas, diz a lei: tem que compor  o seu quadro de trabalhadores com 5% de pessoas com necessidades especiais. O compromisso que o Brasil fez com empresários e grandes empresas seria muito justo e eficaz, se as  mesmas tivessem além da pressa em cumprir esse acordo para obter regalias fiscais do governo,um projeto verdadeiro de inclusão social no trabalho para  as pessoas  com necessidades especiais.O que se vê hoje são vagas sendo oferecidas principalmente para indivíduos com   Síndrome de Down (porque nessas pessoas se identifica a deficiência no olhar), os indivíduos com deficiência intelectual são deixados para trás, jogados nos   “penhascos da exclusão social”. As empresas, quando são questionadas sobre as vagas para o deficiente, sempre dirão que ofereceram vagas e contrataram, mas que o deficiente não ficou porque não se adaptou ao trabalho. Não existe diferença na jornada de trabalho, na quantidade de tarefas, nem um período de adaptação para os que nunca trabalharam, enfim, não há garantias, nem interesse em garantir a inclusão social da pessoa com deficiência.

     A sociedade não faz a Inclusão Social de pessoas com deficiência porque ainda tem um grande preconceito em relação ao indivíduo que não é considerado normal. Essas pessoas ainda “serão jogadas nos precipícios da  rejeição  e da exclusão”,porque dá muito trabalho planejar ações efetivas dentro das Empresas para fazer a inclusão social de seus  funcionários com necessidades especiais. Um país que escondeu por mais  de cem anos os seus deficientes, não “acorda” em tempo hábil para colocar em prática as garantias da Declaração de Salamanca, ainda é um processo longo e educacional, de exercício do olhar. O preconceito e a falta de interesse efetivo dos governantes é a praga que temos que combater urgentemente para a garantia de melhores condições de vida para a pessoa com necessidades especiais.

     Para que as oportunidades possam realmente chegar até a pessoa com deficiência se faz necessário que a sociedade abrace o deficiente em suas necessidades e verdades. Foram dados alguns passos com relação a legislação educacional e ao direito da pessoa com deficiência,mas ainda falta incluir essas pessoas no mundo real dos  ditos normais, e isso é parte de um longo processo de desenvolvimento de idéias e conceitos, como leis que garantam não só direitos, mas ações para a construção de conceitos sociais novos. Conceitos esses que nasceram desde Karl Max, sobre o direito do trabalhador, direitos esses que deverão ser colocados em prática por toda a sociedade brasileira na tentativa de construção de um país que não tenha vergonha de ser do terceiro mundo, mas que demonstre ao mundo, que as oportunidades de Educação, Saúde e trabalho deverão ser estar ao alcance de todos e não por uma minoria privilegiada pelos governos. Isso é inclusão Social.

       

     Por Rosana Andréia da Silva Soares