FLUIDEZ

 

Flui como a criança poeta que brincando de azul se mela com ele.

Como a despreocupação de chegar dos bichos-preguiças e dos compositores que gostam de redes.

Como a meretriz de maquiagem desarrumada indo embora para casa, antes do sol acordar.

Como os tropeços do palhaço sem graça porque não encontrou o seu circo.

 

Flui como relâmpagos repentinos em noites planejadas.

Como plumas vadias sem pretensão de ascender.

Como joios de trigos que só querem colorir de dourado os espaços.

Como peixes que observam e nada. E nada.

 

Como musas indolentes que apenas querem seduzir seus crentes.

Como jardins sem jardineiros, onde matos crescem desordenados, passarinhos fazem ninhos, aranhas acrobacias e arquitetura, centopéias engordam e, por vezes, jacarés passeiam.

Como gracejos de maestros sabiás e como pó virando tempo.

Como formigas bebendo água nos orvalhos e baleias bailando nos oceanos.

 

Flui como a vida repentina e cenográfica. Delicada e pornográfica.

Majestosa e poética. Frágil e hermética.

Como os nossos sangues jorrando para a mesma veia.

E os nossos nervos agitando-se para o mesmo sentimento.

E as nossas ternuras para a fruição do acaso. Dispensando vestes ou trapos, e importando-se apenas, com a casualidade de encontrar alguém para se ser terno.

Tudo o mais fluindo. Os mais promíscuos versos transparentes e os mais altos planetas e esferas.

E as galáxias brincando de ser criança. E o Universo se enchendo de esperança.

...E a Mandala Fluidez fluindo como uma dança!     

Daniella Paula Oliveira