SEQUESTRO DE INGRID BETANCOURT E A MÍDIA

Por Eduardo Girão

A franco-colombiana e ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt ainda se encontra sob o poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O seqüestro já dura cinco anos. Em 2008, a guerrilha libertou mais duas reféns: Consuelo González e Clara Rojas, ex-candidata à vice-presidência ao lado de Ingrid. A imprensa internacional acompanha o caso de perto desde as primeiras negociações, presididas pelos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Colômbia, Álvaro Uribe, da França, Nicolas Sarkozy, entre outros.

É inegável a importância de Chávez para o fim do seqüestro das duas. O feito do presidente – descrito constantemente como ditador - foi parar na Casa Branca. O estrategista aproveitou os holofotes para fazer mais declarações. Uma das últimas polêmicas foi pedir para que a ONU retirasse as guerrilhas colombianas da lista de organizações terroristas. O presidente venezuelano também acusou os norte-americanos de ameaçar qualquer movimento e governo que queiram romper com as cadeias imperialistas. Para Chávez, as Farc é a desculpa perfeita dos EUA para aumentar a presença militar americana na Bolívia, na Nicarágua e no Equador. Com essas notas, o presidente vem conseguindo chamar ainda mais à atenção do mundo para o problema político da região e também para si mesmo.

O interesse da imprensa pelo caso tem sido unânime. Porém, falta pluralidade na cobertura dos correspondentes internacionais: mesmos pontos de vista, mesmas informações e fontes. O problema é que, com as facilidades das novas tecnologias, os jornalistas não precisam mais ir ao front para observar os acontecimentos; o que é ruim para a apuração dos fatos. O pouco contato que eles têm com as testemunhas se dá por e-mail ou telefone. Tudo isso tem prejudicado o trabalho dos correspondentes que se tornam ainda mais dependentes das fontes oficiais.

Uma outra dificuldade é o controle da informação. O interesse de alguns grupos (empresários, políticos, etc.) fala mais alto e faz com que nem todas as notícias sejam divulgadas. Essa barreira não combina nada com a liberdade de imprensa que os cidadãos conquistaram. Os correspondentes agora enfrentam desafios nunca antes vistos no mundo globalizado, eles precisam interpretar as entrelinhas das fontes oficiais para só depois poderem questioná-las. A sensibilidade em traduzir esses conflitos da humanidade é que é o grande desafio.