MANDALAS DA FLORESTA

A arte de Simone Bichara leva-nos por trilhas da alma nunca antes percorridas. Seus círculos mágicos compõem levezas e intensidades em nós e nos permite um estado de total presença. Envolve-nos de um encanto inefável. Retalha os nossos olhares, para que seja possível acompanhar todos os seus traços, formas, disformes, linhas, cantos e cores.

Nas suas mandalas, não existe só o indígena, a floresta e a peculiar raiz da artista, existe o Ser da unidade, de tudo que nos cabe. Somos levados a um estado de pureza, de primitivismo, de ancestralidade e união com o nosso cerne mais profundo e original.

Contêm mistério, mas pela espontaneidade que é percebida em seus detalhes, intuímos a mais singela e verdadeira transparência do nosso ser.

Sua multicor despretensiosa colore não só o ambiente exterior onde ela ilumina, como também, matiz a nossa alma e sentimentos. Assim como os seus símbolos, códigos, delineamentos que nos trazem à totalidade do que há.

Ao vermos uma única mandala, temos a sensação que estamos diante de várias. E quando estamos diante de várias, temos a sensação de estarmos diante de uma única mandala da vida. É como se tudo que formasse a natureza fosse embutido nelas.

Sua obra consegue nos trazer toda a força e cor que o natural produz; e nos revela com poesia e delicadeza, a essência da cura através dos olhos, da percepção e da sensibilidade.

Impossível ficar indiferente ante a sua arte, pois através dela, entramos em uma ligação íntima e direta com o divino e com o sagrado que nos habita, e em uma relação intrínseca com o cosmo, existência e com a deusa primordial.

Do mesmo modo que é impossível defini-la, é preciso sentir.

Daniella Paula Oliveira (escritora cuiabana)