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RECONIENDAQÃO N” 27, DE '16 DE DEZEMBHO DE 2009 

Recomenda aos Tribunais relacionados nos incisos II a VII do art. 92 da Constituiçäo Federal de 1988 que adotem medidas para a remoçâo de barreiras físicas, arquiteîònicas, de comuntcaçâo e atitudinais de modo a promover 0 arnplo e irrestrito acess@ de pessoas com deficiência ¿is Suas dependèncias, aos serviços que prestam e às respectivas carreiras, para El conscienlizaçäo de Servidores e jurisdicionados sobre a importância da acessibilidade enquanlo garantia ao pleno exercício de direitos, bem como para que instiluam comissöes de acessibilidade vìsando ao planejamemo, eïaboraçâo Q acompanhamenîo de projetos e metas direcionados à prornoçäo da acessibilidade áls pessoas com cieficiência. 

O PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTICA. no uso de suas atribulçòes, e 

CONSIDERANDO a Convençâo sobre os Direitos das Pessoas com Deficiëncia e seu Protocolo Facultativo, adotada em 13 de dezembro de 2006, por mei@ da Resoluçâo 61H06, durante a 61” sessäo da Assembleìa @eral da Organizaçâo das Naçöes Unidas (ONU); 


CONSIDERANDO en ratificaçäo pelo Estado Brasileiro da Convemçäo sobre os Direitos das Pessoas com Defioiênoia e de seu Protocolo Facultativo com oquivalênoia de emenda constitucional, por meio do Decreto Legislativo n.“ 186, de 9 de julho de 2008, com a devìda promulgaçâo pei@ Decreto n.“ 6.949, de 25 de agosto de 2009; 

CONSIDERANDO que nos termes desse novo tratado de direìtos humanos a deficièncía Q um conceit@ em evoiuçäo, que resulta da inîeraçào entre pessoas com deficiêmcia e as barreiras relativas às atitudes e ao ambiente que impedem a sua plena e efetiva participaçào na sociedade em igualdad@ cl@ oportunidades com as demais pessoas; 

CONSIDERANDO que a acessibilidade foi reconhecida ma Convençào como principio e como direito, sendo também considerada garantia para 0 pleno e efetivo exercício de demais direitos; 

CONSIDERANDO que a Corwençáo determina que os Estados Partes davem reafirmar que as pessoas com deficiència O direilo de ser reconhecidas am quatquer lugar como pessoas perante a lei e que gozam de Capacidad@ legal em igualdad@ de condiçöes com as demais pessoas em todos os aspectos da vida, sendo que devarào ser tomadas medidas apropriadas para prover o accesso de pessoas com deficiènoia ao apoio que necessitarem no exeroício de sua capacidad@ legal; 

CONSIDERANDO que os artigos 3" e  da Constiluiçâo Federal de 1988 têm a igualdad@ como principio e a promoçâo do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo. Cor. idade e quaisquer ouiras formas de discrìminaçào, como um objetivo fundamental da República Federativa do Brasil, do que decorre a necessidade de promoçâo e proteçào dos direitoe humanos de todas as pessoas, com e sem deíiciència, em igualdad@ de condlçöes; 

CONSIDERANDO 0 disposto na Lei 7,853, de 24 de Outubro de 1989, Decreto n.“ 8.298, de 21 de dezembro de 1999, Lei 10.048, de 08 de novembro de 2000, Lei r1.“ 10.098, de 19 de dezernbro de 2000, e no 


Decreto n.“ 5.296, de O2 de dezembro de 2004, que estabelecem normas gerais e Critérios básicos para a promoçäo da acessibilidade das pessoas com deficiència ou mobilidade reduzlda, mediante a supressào de barreiras e de obstáculos nas vias, espaços e serviços públicos, no urbano, na construçào e reforma de edificios e nos meios de transporte e de comunicaçào, com prazos determinados para seu cumprimento e implementaçâo; 

CONSIDERANDO que ao Poder Público 0 seus órgäos cabe assegurar às pessoas com deficiência 0 pleno exercício de seus direitos, inclusive 0 direito ao trabalho, e de outros que, decorrentes da Constituìçâo Q das Ieis, propiciem seu bem-estar pessoal, social e económico, Cabendo aos Orgäos e entidades da administraçäo direta e indireta dispensar, no àmbito de sua competência 0 finalidade, aos assuntos objetos desta Recomemdaçào, tratamento prioritàrio e aciequado, tendenïe a viabilizar, sem prejuízo de outras, medidas que visem garantir 0 acess@ aos servìços concementes, 0 empenho quanto ao surgimento e à manutençäo de empregos e a promoçäo de açöes eficazes que propiciem a inclusâo e a adeqL1ada ambientaçào, nos [osais de ïrabalho, de pessoas com deficiência: 

CONSIDERANDO que a eîeliva prestaçâo cie serviços públicos e de interesse público depende, no caso das pessoas com deficiência, da implemenlaçâc de medidas que assegurem a ampia e irrestrita acessibilìdade física, arquitetônica, comunicacional e atitudinal; 

CONSIDERANDO que a Administraçäo Pública îem papel preponderante ma criaçäo de novos padröes de consumo e produçäo e ma construçào de uma sociedade mais inclusiva, razäo pela quai cíetém a capacidad@ e 0 cìever de polencializar. estimular e multiplicar a utiiizaçäo de recursos e tecnologias assistivas com vistas à garantia plena da acessibiiidade e a inclusâo das pessoas com deíiciérwcia; 

CONSIDERANDO a decisâo plenária da 963 Sessâo Ordinària do día 15 de dezembro de 2009 deste E. Conselho Nacional! de Justiça, exarada nos autos do Ato n" 0007339-25.2009.2.00.0000 e O anteriormente decidido nos auîos do PP no 1236; _ 


RESOLVES 

RECOMENDAR aos Tribumais relacionados nos incisos Il a VII do ari. 92 da Constiîuiçâo Federal de 1988, que adotem medidas para a remoçâo de barreíras físicas, arquitetònicas, de comunicaçâo e atitudinais afim de promover 0 ampio e irrestrito acesso de pessoas com defìciéncia às suas respectivas Carreiras e dependèncias e 0 efetivo gozo dos serviços que prestam, que promox/am a conscientizaçáo de servidores e jurisdicionados sobre 51 importância da acessibìlidade para garantir 0 pleno exercício de direìtos, e instituir comissòes de acessibilidade que se dediquem ao planejamento, elaboraçào e acornpanhamento de projetos, com iixaçâo de metas anuaìs,direcionados à promoçào da acessibìlidade para as pœssoas com deficiència, tais quais as descritas a Seguir: a) construçáo @fou reforma para garamìr acessibilidade para pessoas com deficiêncìa, nos termes da normativa técnica em vigor (ABNT 9050), inclusive construçào de rampas, adequaçào de sanitários, instaíaçâo de elevadores, reserva de vagas am estacionamento, tnstalaçâo de piso tàtir direcicmaí e de alerta, sinalizaçäo sonora para pessoas com deficiëncia visual, bem como sinalizaçöes visuais acessíveis a pessoas com deficiência auditiva, pessoas COIN baixa visäo e pessoas com deficiéncia intelectual, adaptaçào de mobiliário, portas e corredores em todas as dependências e em toda a extensäo (Tribunais, Fóruns, Juizados Especiais etc); ln) Iocaçào de imóveis, aquisiçâo ou construçöes novas somente deverá@ ser feitas se com acessibiiidade; C) permìssâo de entrada e permanència de câes-guias em todas as dependèncias dos ediffcios e sua extensâo; d) habilitaçäo de servidores em cursos oficiais de Linguagem Brasileira de Sinais, ousteados pela Adminislraçáo, formados por professores oriundos de instituiçoes oficialmente recoohecidas no ensino de Linguagom Brasileira de Sinais para ministrar' os cursos internos, ai fim de assegurar que as secretarias e carlórios das Varas e Tribunais disponibilizem pessoal capacitado a atender surdos, prestando-Ihes informaçöes em Linguagem Brasileira de Sinais; 


e) nomeaçào de tradutor e intérprete de Linguagem Brasileira de Sinais, sempre que figurar no processo pessoa com deficiëncia auditiva, escolhido dentre aqueles cievidament@ habilitados e aprovados em curso oficial de traduçào Q interpretaçào de Linguagern Brasileira de Sinais ou detentores do certificado de proficiência em Linguagem Brasileira de Sinais - PROLIBHAS, nos termos do art. 19°, do Decreto  5.6262005, 0 qual deverà prestar compromisso Q, em quaíquer hipótese, serà custeado peia administraçào dos Órgâos do Judicìário; f) sendo a pessoa com deîiciència auditiva partícipe do processo oralizaxdo e se assim 0 preferir, 0 Juiz deverá com ela se comunicar por amotaçòes escritas ou por melee eletrònices, 0 que inclui a legenda em tempo real, bem como adoter medidas que vlabilizem a leitura labial; g) nomsaçâo ou permissào de ulilizaçào de guia-intérprete, sempre que figurar no processo pessoa com deíicìència auditiva »£2 visual, 0 qual deverá prestar Compromisso e, em qualquer hipótese, serà Custeado pela administraçâo dos órgäos do Judiciário; h) registro da audiéncia, caso o Juiz entende necessaìrio, por íilmagem de todos os atos neìa praticados, sempre que presente pessoa com deficiència auditiva; i) aquisiçäo de impressora em Braille, produçäo e manutençâo do material de cemunicaçäo acessível, especialmente 0 website, que deverà ser cornpetível com a maioria dos softwares livres e gratuitos de Ieiiura de tela des 

pessoas com deficiència visual; 

j) inclusáo, em todos Os ediïais de concursos públicos, da 

previsäo constitucional de reserva de cargos para pessoas com deiiciência, inclusive nos que îratam do ingresso na magistraîura (CF, artigo 37, VIII); K) anolaçào ma capa dos autos da prioridad@ concedida ài tramìtaçäo ce processos administraîivos cuja parte seja uma pessoa com deficiéncia e de processos judiciais se tiver idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos ou portadora de doença grave, nos termos da Lei 12.008, de O6 de agosto de 2009; I) de comissöes multiclisciplinares, com participaçäo de servidores com deficièncäa, para O planejamento, elaboraçâo Q 

acompanhamento de medidas, com fixaçäo de metas anuais, para efetivaçäo 

do acess@ das pessoas com deîiciència aos cargos publicos e ai preparaçägï 


dos servidores para 0 atendimento ès pessoas com deficiència, além do acompanhamemo dos aspectos reiacionados com a ambientaçâo de servidores com deíiciència com açöes intersetoriais que permiîam transversalizar a acesslbìlidade no ambiente de trabalho e no atendimento das pessoas com deficiência na prestaçâo do serviço jurisdicional; rn) realizaçâo de oficinas de conscientizaçäo de servidores Q magistrados sobre os direitos das pessoas com deíiciëncia; rw) utilizaçäo de intérprete de Linguagem Brasiieira de Sìnais, legenda, audiodescriçäo e comunicaçâo em Iinguagem acessível em todas as manifestaçöes públicas, dentre elas propagandas, pronunciamenîos oficiais, vídeos educativos, eventos e reuniöesç 0) disponibilizaçäo de equipamentos de auloalendimento para consulta processual acessíveìs, com sistema de voz ou de leilura de tela para pessoas com deficiência visual, bem como, com altura cornpatível para usuários de Cedeira de rodas. Publique-se e encaminhe-se còpßaéesta Fìecomendaçâo a todos os Tribunais acima referidos. /