Brasileiro confunde esclerose com demência, indica pesquisa do Ibope

Fonte:http://www.topclip.com.br/Extranet/Controller.aspx?Control=ViewMateria&NomeCanal=&Materia=7480830.383206

 

Ao parar o carro em uma vaga de deficiente físico no estacionamento do supermercado, a funcionária pública aposentada Roseli Del Sasso, de 44 anos, ouviu desaforos de um senhor: “Eu, que sou velho, tive de estacionar lá longe”, protestou. Ela não teve forças para explicar que sofre de esclerose múltipla. E, mesmo se tivesse, é bem possível que o motorista desconfiasse da explicação.

Para 70% dos brasileiros, a doença é uma patologia típica da terceira idade e está associada a demência – situações que não combinam com uma mulher loira, alta e jovial como Roseli.

O número que mostra o desconhecimento da população perante a esclerose múltipla é a conclusão de uma pesquisa feita pelo Ibope com 1.026 pessoas e divulgada na última quarta-feira (25-08-2010). Trata-se, na verdade, de uma doença de origem neurológica que atinge adultos jovens, provocando uma progressiva dificuldade de andar, além de falta de equilíbrio e alterações da visão.

“O brasileiro confunde, porque popularmente chama as pessoas idosas com demência de esclerosadas”, afirma o neurologista Rodrigo Barbosa Thomaz, do Centro de Atendimento e Tratamento da Esclerose Múltipla da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Segundo Thomaz, a esclerose acomete principalmente indivíduos com idade entre 20 e 40 anos e raramente provoca danos cognitivos. O médico diz que, apesar de não haver uma cura definitiva, o tratamento adequado e a longo prazo pode evitar limitações motoras. Além do físico, o sistema emocional também é abalado – a principal angústia para Roseli, que convive com a doença desde os 22 anos. “O preconceito é absurdo, por isso as pessoas não falam, se fecham e não se cuidam. Elas têm vergonha de assumir”, afirma. Por causa da doença, ela já sofreu duas paralisias quase totais no corpo, mas hoje, com tratamento e muita fisioterapia, conseguiu reverter o quadro.

 

[via Jornal da Tarde]