O Poder na Mão de Quem Tem o Controle Remoto

Por Eduardo Girão

Anúncios publicitários, cenas de novela ou seriado, talkshows, telejornais... Tudo simultâneo ”em uma velocidade que é superior a nossa capacidade de reter seus conhecimentos”. É assim que a tevê é assistida hoje por milhões de pessoas em todo o mundo. Com um simples toque no controle remoto, o telespectador percorre todos os canais criando assim uma nova estética de imagem e som. Como uma espécie de realizador, faz cortes, une imagens e sons de diferentes canais. O conteúdo dessa junção de programas não precisa ter um sentido nem uma ordem técnica, basta satisfazer ele próprio. A idéia de passividade diante da programação perde força. Ganha quem entende melhor essa realidade.

As emissoras e as agências de publicidade precisam estar atentas. Tédio é palavra proibida se quiserem manter o ibope. È o zapping que dá as novas ordens no mundo do entretenimento. “A televisão precisa evitar a pausa e a retenção temporária do fluxo de imagens; precisa produzir a maior acumulação possível de imagens de alto impacto, por unidade de tempo, paradoxalmente, baixa quantidade de informação por unidade de tempo”. Mas será que tudo é absorvido?

O homem moderno está acostumado à correria das metrópoles. As tecnologias fazem parte do dia-a-dia e exigem um novo olhar sobre a imagem, diferente da época dos ídolos e das artes que foram feitas para durar. Desta vez, o superficial e descartável têm lugar na vida das pessoas, mesmo que por pouco tempo. “A imagem está ali só por um momento, ocupando espaço, enquanto não for sucedida por outra.”. O aprofundamento do conteúdo é realizado quando há interesse. É nessa hora que outras mídias, como os livros, entram em ação.

O simples aparelho de controle remoto esconde a complexidade de seu uso. É através dele que o homem interage com o mundo, ditando o que quer e o que não quer ver. Tirar o zapping da vida das pessoas é decretar a morte da televisão. Os telespectadores já estão acostumados, sabem que podem trocar de canal. Os donos das emissoras não podem mais descuidar da programação. Com a chegada da tevê digital, essa complexidade aumentará. Mas esse é um outro assunto.

Baseado no livro: HALL, Stuart. Dá Diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, Brasília:UNESCO, 2003