Caminhos

 

Já não são os ventos que me aguardam

É a minha ânsia de navegar que regressa a mim.

Já não existe a espera pela noite para ver as estrelas

É o que construí em mim que brilhará.

 

Os meus amanheceres já não esperarão o sol para se ter esperança

Ela, como uma doce dança, fará morada em meus passos.

E os astros sorrirão para as minhas estradas

Pois alavancada, já está a minha coragem em com eles caminhar.

 

O verbo Amar provê agora da profundidade da minha Alma

Essa, que já encontra nos recônditos a calma

Para firmemente prosseguir.

Tal como o Agir, que no momento só busca o melhor sentimento, no seu espelho pensamento.

 

O caminho do inexorável dissolveu.

Resta-me compreender a responsabilidade das pegadas que deixarei

E da qualidade da fé que depositarei

- na Entrega Sagrada ao Mistério e à Existência

 

Na Complacência Divina que da sua imensa Sabedoria, pouco sabemos.

O Caminho de agora faz parte da aurora

De todos os amanheceres.

A direção é a aquela que atingirá a Evolução.

 

Os ditames da paixão deixarão de percorrer o Caminho

A partir de este partir, o pássaro da liberdade deixará o seu ninho

E voará leve na imensidão do meu ser.

Quem falará será o Amor, que incondicionalmente viverá.

 

Haverá ainda tropeções, sangues e suores arrastados

Mas o aprendizado não será retardado

E a ignorância será dissolvida pela luz da Inteligência.

Esta, no entanto, não virá da indulgência com as nossas faltas, mas da compreensão dos nossos erros.

 

O Caminho de Agora é como uma orquestra natural

Onde pássaros e gaivotas seguem a mesma revoada.

Alarmada minha alma despertará para tais notas

E onde brota a Canção, lá estará o meu coração.

 

Na Cruz que se erguerá enquanto a Luz eu buscar,

Nessa vereda de possibilidades,

Sei que encontrarei consolo, compaixão e ensinamento

Aprenderei, portanto, que o argumento de caminhar não é seguir adiante, mas seguir para dentro.

 

E o adiante será a conseqüência,

Daqueles que buscam na reminiscência do Ser

Armas e escudo para a luta do Agora.

Enquanto lá fora, tudo será secundário.

 

Existindo no interior

O Caminho Verdadeiro,

O Destino nos será amante

E nos levará para além das Colinas do Bem.

 

O Rumo não me espera

Sou eu que construo uma nova era.

E mesmo entregue à Sabedoria e Generosidade Divina

Provém em mim, a Consciência do Caminho.

 

 

 

Mandala de Simone Bichara – Texto de Daniella Paula Oliveira