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iBB. Manual de Tutorias
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Manual de Tutorias

Integração das Bases Biológicas

Medicina/CPTL/UFMS


[Última atualização: 08 fev. 2026]

1. Introdução

As tutorias ocorrem no eixo Integração das Bases Biológicas (iBBs), com o objetivo de dinamizar os conteúdos abordados ao longo do eixo de Bases Biológicas da Prática Médica (BBPMs). As tutorias acontecerão até o 6º semestre, com os professores de áreas biológicas básicas. A proposta visa garantir a abrangência de conteúdos básicos abordados nestes eixos em paralelo às correlações clínicas e à aplicabilidade de habilidades da prática profissional (o conceito de integração vertical [1]), que serão introduzidas ao longo dos eixos de Fundamentos da Prática Médica (FPM) e Bases Psicossociais da Prática Médica (BPPM), bem como outros eixos curriculares obrigatórios, incluindo desde fisiopatologia aplicada à semiologia.

Serão realizadas 5 tutorias semestrais, que integram as avaliações do eixo de iBB (100% da média final; 2,0 pontos por tutoria). Adicionalmente, as tutorias têm peso final de 10% na média final das BBPMs. Durante as tutorias, serão avaliados critérios cognitivos e de atitude, relacionados à discussão e à integração de conhecimentos prévios e de assuntos a serem abordados posteriormente em aulas teóricas e práticas, buscando diversificar os métodos avaliativos. Mais do que uma forma avaliativa, as tutorias têm um papel formativo e compõem um instrumento de dinamização do ensino, permitindo a reflexão e a integração de temas de interesse com maior aplicabilidade, otimizando o aprendizado.

As tutorias acontecerão, seguindo as normas estabelecidas, da iBB1 à iBB6. As discussões de caso das BBPM7 e 8 não se relacionam a esse guia, mas esta metodologia também poderá ser empregada nestes semestres.

2. Metodologia ativa

Grande parte dos conteúdos teóricos abordados no semestre será apresentada em palestras, dentro da carga horária teórica das BBPMs (e, eventualmente, das iBBs), conforme o cronograma disponibilizado no início das aulas. A principal função da tutoria é estimular a busca ativa por informações e a integração de temas a serem abordados no semestre, o que compõe uma metodologia ativa de aprendizagem.

O aprendizado baseado em casos (‘case-based learning’; CBL) é o método utilizado como base para a condução das tutorias. Esse método emprega casos clínicos reais ou simulados como ponto de partida para o aprendizado, incentivando a análise crítica e a integração de diferentes áreas do conhecimento. Diferentemente das aulas expositivas tradicionais, nas quais a teoria é apresentada antes da aplicação, no CBL os estudantes analisam o caso primeiro e, a partir dele, identificam lacunas de conhecimento para sua compreensão e resolução. Essa abordagem reflete a prática médica, na qual o profissional precisa integrar informações para tomar decisões fundamentadas. O método promove maior engajamento/motivação, trabalho em equipe, o pensamento crítico, a busca ativa por informações relevantes e a conexão entre diferentes disciplinas/eixos, fomentando o raciocínio clínico [2]. Ainda, o CBL tira o foco de categorias mais rasas do aprendizado, que exigem apenas a mera lembrança e a compreensão, e o direciona para estratos mais profundos, que exigem a análise e avaliação do conhecimento, além da elaboração de estratégias de ação (elaboração) para os casos apresentados [3].

O CBL é amplamente adotado por instituições de referência na área da saúde, visando à otimização do aprendizado e de sua aplicabilidade, além da mera memorização. No Brasil, instituições pioneiras no uso de metodologias ativas aplicam este método, como a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA). No mundo, instituições como a Universidade de Utrecht (Holanda), a Universidade de Ottawa (Canadá) e a Universidade de Queensland (Austrália) também se destacam pela abordagem estruturada que integra teoria e prática clínica. Em alguns desses casos, o CBL é a ferramenta pedagógica central dos cursos de graduação em medicina, aplicada desde o ingresso dos estudantes para fomentar o aprendizado voltado ao contexto clínico [4].

A estruturação do CBL permite que novos conhecimentos sejam integrados às informações previamente adquiridas de forma eficiente, reforçando esquemas de memória por meio do contexto de aplicabilidade. Algumas informações serão disponibilizadas previamente, seja em palestras anteriores à tutoria, seja pelo conhecimento prévio, inerente ou adquirido ao longo do curso. Mesmo assim, os estudantes terão o primeiro contato com alguns temas durante o preparo da tutoria, sendo levados a buscar informações novas e a integrar conhecimentos prévios, inclusive os abordados em outros eixos do curso. Dessa forma, esperamos que a tutoria sirva como meio de discussão, exercício do senso crítico e formação de raciocínio lógico sobre a integração de assuntos/áreas e a importância delas no contexto prático. Espera-se o surgimento de questionamentos, além do compartilhamento de visões sobre temas novos, que poderão ser sanados durante a discussão ou, alternativamente, quando temas correlatos forem abordados posteriormente, em aulas teóricas.

Nesse sentido, os principais objetivos da aplicação do CBL em tutorias das BBPM são:

3. Como acontecem as tutorias?

        No início de cada semestre, os estudantes receberão este manual atualizado, com todos os casos a serem discutidos. Serão trabalhados 5 casos a cada semestre até a iBB6. Alguns passos são seguidos, adaptados de acordo com o contexto de andamento das BBPM:

  1. Antes do dia de tutoria, cada caso deve ser analisado junto com seu grupo (com o menor número possível de estudantes), avaliando as informações apresentadas, identificando lacunas de conhecimento, formulando hipóteses diagnósticas e diagnósticos diferenciais e/ou analisando as condutas descritas. Uma dica interessante é comparar os casos com os cronogramas de atividades da BBPM e da iBB, a fim de otimizar o aprendizado de informações relevantes para a resolução dos casos durante as aulas teóricas. Ao mesmo tempo, aulas posteriores à discussão de casos podem ser particularmente interessantes para sanar dúvidas;
  2. Uma vez definidos os conhecimentos a serem aprofundados para a compreensão e a resolução do caso, cada estudante busca informações individualmente e as compartilha com o grupo, como forma de preparação para a tutoria. É importante considerar a busca por informações confiáveis e atualizadas (como livros de referência, artigos científicos, diretrizes clínicas etc.). A elaboração de questionamentos e a análise crítica das informações e das condutas apresentadas são partes importantes desse processo. Ainda, mesmo que o caso apresentado tenha um diagnóstico definido, é essencial delinear outras possibilidades de diagnóstico (diagnóstico diferencial), apresentando motivos que reforcem ou descartem essas possibilidades, além de pensar em quais seriam os próximos passos, conforme os possíveis desfechos do caso. Lembre-se: como futuro médico(a), uma das suas funções mais importantes será estabelecer diagnósticos com base nos dados apresentados pelos pacientes; por isso, esse exercício é crucial!
  3. No dia da tutoria, os estudantes terão 45 min para alinhar a condução da discussão. Nesse período, o grupo deve organizar o quadro com informações para direcionar a discussão (ex.: lista de tópicos a serem discutidos, mapas conceituais etc.) e, opcionalmente, criar fluxogramas, esquemas, tabelas ou imagens de apoio. A organização prévia e o debate em si devem ser conduzidos por todo o grupo, não cabendo o papel de “coordenador” a nenhum aluno em específico. Após este período de alinhamento, o tutor se juntará aos estudantes. O caso é analisado e discutido, considerando a sua aplicabilidade na prática médica, e o conhecimento adquirido é integrado ao caso, permitindo a formulação de soluções e a avaliação crítica das informações apresentadas. A capacidade de organização, síntese e fluidez na discussão é avaliada como critério do grupo. O tutor, por sua vez, conduz a discussão, elabora questionamentos e traz informações que possam fomentar a discussão e lapidar o conhecimento elaborado em grupo;
  4. Ao final da discussão, os estudantes devem fornecer um feedback sobre o caso, o andamento da discussão, seu desempenho e a colaboração do grupo, sem que isso tenha peso na sua avaliação pelo tutor (ou seja, essa devolutiva não tem papel avaliativo, mas formativo, visando ao amadurecimento e ao melhor desempenho).
  5. O tutor formaliza a avaliação individual e a do grupo, com base no instrumento avaliativo (ver abaixo). Nesse momento, ele dá seu feedback sobre a discussão, sobre a conduta do grupo e/ou individual. Se julgar necessário, o tutor pode fazer o feedback individual de forma particular ao final da sessão. Entretanto, as notas da tutoria serão apresentadas apenas via SISCAD, cabendo aqui apenas o feedback com papel formativo;
  6. As tutorias têm duração total de 4 horas, considerando o tempo inicial de organização do grupo e o tempo para feedback. Grupos que extrapolarem o tempo regular de aula, ou seja, até 11h25 se a tutoria ocorrer pela manhã ou 17h25 se ocorrer à tarde, terão desconto de nota no critério F - condução do debate (ver instrumento avaliativo abaixo). Caso o tempo limite tenha sido atingido, o professor tutor poderá interromper a discussão e a avaliação do grupo será realizada com base nos conteúdos abordados até o momento. 

4. Normas das tutorias

Fique atento(a) a algumas orientações essenciais para o andamento das tutorias:

  1. Nas semanas em que não houver tutoria, o período será utilizado para outras atividades teóricas (avaliações, mesas-redondas com mais de um docente ou aulas teóricas);
  2. Os casos terão informações suficientes para a discussão e a elaboração de hipóteses diagnósticas, facilitando a interpretação dos dados e a sugestão de diagnósticos diferenciais, além de sua relevância prática. Quando não houver informações suficientes para definir um diagnóstico, a discussão poderá focar em quais exames ou dados seriam necessários para confirmar a hipótese diagnóstica; exames complementares poderão ser disponibilizados no dia da tutoria para direcionar o fechamento do caso. “Fechar o diagnóstico” não é o objetivo primário da discussão, mas elaborar um raciocínio clínico sobre o caso apresentado;
  3. O caso terá relevância e relação direta com os assuntos abordados ao longo do semestre, que servirão para nivelar o conhecimento básico necessário para a prática e sanar dúvidas que possam surgir durante as discussões;
  4. Cabe ao grupo organizar-se previamente quanto à elaboração dos tópicos a serem trabalhados, apresentá-los na lousa ou no projetor e gerenciar o debate. Poder de síntese e a democratização da fala são pontos importantes a serem desenvolvidos, assim como a intervenção dos próprios colegas sempre que for julgado necessário para melhorar o andamento da discussão, não cabendo apenas a um aluno liderar o debate (o papel de “coordenador” passa a ser dividido por todos);
  5. O professor tutor agirá como moderador geral, dando norte à discussão, quando necessário, servindo não somente como membro passivo e ouvinte, mas instigando a discussão e colaborando com informações pertinentes;
  6. A cada tutoria, haverá rodízio de tutores, evitando que as discussões de cada grupo fiquem enviesadas à área de interesse de um único tutor, permitindo a relação maior dos acadêmicos com um maior número de docentes e avaliações mais homogêneas entre os grupos;
  7. Sobre o uso de materiais e equipamentos: 
  1. Além de compor 100% da média de avaliação das iBBs, as notas das tutorias também serão utilizadas como avaliação de desempenho na disciplina de Bases Biológicas da Prática Médica, correspondendo a 10% da média final. Alunos que reprovaram na disciplina de Bases Biológicas da Prática Médica e cursam essa disciplina como dependência, mas foram aprovados na disciplina de Integração das Bases Biológicas associada, poderão optar por:
  1. Na ausência do discente à tutoria, amparado pelas situações previstas na Resolução COGRAD/UFMS nº 430 (2021), como, por exemplo, em casos de registro e solicitação de regime especial via secretaria acadêmica, poderá haver a substituição da avaliação por um trabalho manuscrito (até 10 páginas), a ser entregue, no máximo, em 10 dias corridos após o término do regime especial. Poderá haver agendamento de nova tutoria nestes casos, se possível;
  2. Para todos os demais casos, a avaliação optativa (OP) poderá substituir a menor nota de uma das tutorias do semestre. Essa avaliação conterá questões objetivas e/ou discursivas (a critério dos docentes), relacionadas aos temas abordados nos 5 casos clínicos discutidos nas tutorias do semestre. Alunos que decidam fazer a avaliação optativa, mesmo com média final igual ou superior a 6,0, devem comunicar por e-mail ao professor coordenador da disciplina até 1 semana antes da data prevista para a OP, para organização da avaliação;
  3. Detalhes sobre a realização e os pesos das avaliações podem ser consultados nos planos de ensino da iBB e da BBPM (via SISCAD).

5. Sobre a avaliação…

A ficha de avaliação apresenta uma série de critérios a serem considerados, com pontuação específica para cada um (veja anexo). A atribuição de notas ocorrerá proporcionalmente ao número de pontos obtidos pelos alunos.

Para o critério “Qualidade e profundidade do conhecimento”, os estudantes avaliados dentro das expectativas apresentam conteúdos conceituais básicos, ou seja, definem termos, descrevem mecanismos gerais ou repetem informações provenientes das fontes de estudo, sem aprofundamento (conceitos apresentados em livros ou na introdução de artigos científicos, por exemplo). Já aqueles avaliados acima das expectativas demonstram compreensão mais elaborada, sendo capazes de refletir sobre os conceitos, aplicá-los a contextos clínicos concretos, estabelecer conexões com outras disciplinas do curso (FPM, PIESC, BBPM, UE, Cirurgia, optativas) e discutir as implicações diagnósticas ou terapêuticas dos conteúdos. Também é considerada acima das expectativas a apresentação de resultados/discussão de artigos científicos, diretrizes clínicas (guidelines), etc., com dados e conceitos não rotineiramente disponíveis em livros-base.

Já no critério “Capacidade de resolver problemas/questionamentos”, uma resposta dentro das expectativas limita-se à exposição conceitual, como repetir definições encontradas em livros ou etapas teóricas de forma isolada, sem articulação direta com o caso discutido nem integração aos outros eixos do curso. Já uma resposta acima das expectativas integra diferentes saberes, articulando conhecimentos anatômicos, fisiopatológicos, terapêuticos, epidemiológicos e outros, para formular hipóteses, tomar decisões ou resolver desafios clínicos propostos, demonstrando raciocínio clínico estruturado.

Cada aluno será avaliado quanto aos critérios de avaliação, sendo responsabilidade do tutor fazer uma avaliação geral do grupo ao final da tutoria e apresentar aos discentes os pontos fortes e fracos da discussão, para ciência e sem necessidade de expor a avaliação individual ao grupo.

Lembre-se: a avaliação da tutoria não levará em conta apenas o fato de os estudantes exporem ao grupo conceitos básicos corretos: espera-se a participação para interpretar e aplicar esses conceitos, em vez de simplesmente listá-los. Prepare-se para a tutoria pensando em como a resolução de casos semelhantes pode ser importante para a sua prática profissional futura.

6. Referências

[1] MCLEAN, S. F. Case-based learning and its application in medical and health-care fields: A review of worldwide literature. Journal of medical education and curricular development, v. 3, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.4137/JMECD.S20377. Acesso em 27 fev. 2025.

[2] THISTLEWAITE, J. E.; DAVIES, D.; EKEOCHA, S. The effectiveness of case-based learning in health professional education. A BEME systematic review. BEME guide number 23. Medical Teacher, v. 34, p. E421–E444, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.3109/0142159x.2012.680939. Acesso em 27 fev. 2025.

[3] ANDERSON, L. W.; KRATHWOHL, D. R.; AIRASIAN, P. W. A taxonomy for learning, teaching, and assessing: A revision of Bloom’s Taxonomy of Educational Objectives. New York: Addison Wesley Longman, 2001.

[4] DARLINGTON, S.; GREEN, L. Case-based learning (CBL): Improving student engagement through connecting early learning with graduate contexts. Disponível em: https://itali.uq.edu.au/files/4551/20171006-Masterclass-slides.pdf. Acesso em 27 fev. 2025.

7. Anexo: Critérios de avaliação

Critérios

ABAixo das expectativas (0)

Dentro das EXPectativas (1)

ACIma das expectativas

(2)

Conheci-

mento

técnico

(peso 8)

(A) Contribuições com 

informações corretas e relacionadas ao tema discutido

Não participou/contribuiu

Fez contribuições pontuais (1-2 vezes)

Participou com frequência

(≥3 vezes)

(B) Colaborou com diferentes subáreas básicas de conhecimento biológico

Ficou restrito(a) a uma área de conhecimento

ou não participou

Colaborou com ao menos

2 subáreas biológicas básicas

Colaborou com ≥ 3 subáreas biológicas básicas

 (C) Qualidade/Profundidade 

do conhecimento

Participação baseada na leitura de materiais

ou não participou

Expôs conhecimentos básicos, conceituais ou pouco elaborados

Elaborou os conhecimentos de forma reflexiva, com aplicação clínica e/ou relação com outros eixos do curso

(D) Capacidade de resolver problemas/questionamentos 

Não respondeu e/ou
não problematizou

Respondeu / problematizou de forma apenas conceitual

Foi capaz de integrar conhecimentos diferentes na elaboração da resposta

Compe-
tências

 

colabora-
tivas

(peso 2)

(E) Relações interpares:

polidez, democratização da fala, escuta ativa

Não atendeu aos critérios

Atendeu aos critérios

-

(F) Condução do debate*: estruturação lógica do tema, organização da discussão e conexões entre temas 

Não atendeu aos critérios

Atendeu aos critérios

*OBS.: critério/nota atribuído ao grupo todo