CH em japonês têm som de T. Exemplos: CHudan (escreve); Tiudan (pronúncia); daCHi (escreve); daTi (pronúncia).

R = som de um r só (ré). Exemplo: Renzukuwaza (ré) pronúncia.

H = som de dois (RR). Ex : Heian (escreve); RReian (pronúncia).

J = som de (D). Ex : JION (escreve); Dion (pronúncia); JIIN (escreve); DIIN (pronúncia).

Saudações Olímpicas!

Professor João Pereira.

🥋 Karatē-Dō e Karatē esportivo: um falso dilema 🥇 Fernando Malheiros Filho:  https://docs.google.com/document/d/e/2PACX-1vSuexDyzS2PcBp-syTRkztRB5OzQ8_VGgwPgab57f2t-Hkt-9wSQTnhxiFUAmJcMdjAk67G8PBApD_5/pub 
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As recentes decisões acerca da inclusão do karatē esportivo nos Jogos Olímpicos reacenderam a polêmica que, entre marchas e contramarchas, vem pautando o tema. É possível separar pelos menos dois grupos de pensamento: de um lado, os puristas, que não desejam a transformação da arte em esporte olímpico, temendo as consequências que essa decisão poderá alcançar e, de outro lado, os esportistas que sustentam as vantagens da consolidação da arte marcial como esporte olímpico, e a propaganda que essa admissão haverá de permitir.
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Revendo os fatos e os argumentos, creio já ser possível avaliar a discussão através de modelos teóricos estabelecidos, após tantos anos de controvérsia, quando parece ficar claro que se cuida de falso dilema.
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É necessário voltar à distinção fundamental, nem sempre tão óbvia: a arte marcial distingue-se umbilicalmente do esporte, podendo-se afirmar que se cuida de práticas muito distantes entre si, ainda que permaneça a proximidade nominal.
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Como se sabe, historicamente, as competições de Karatē são recentes levando-se em consideração do tempo desde que, nos primórdios, em Okinawa, concebeu-se os fundamentos do Karatē moderno. As competições foram concebidas a partir de modelos de combate que pretendiam testar as técnicas, sem expor desnecessariamente os lutadores às lesões que a prática antiga intentava, em seu modelo de luta corporal letal.
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E é justo que assim fosse no processo civilizatório do qual emergiram os valores que hoje cultuamos: a saúde, o bem-estar e a convivência harmônica.
🙌🏻
Alimentou-se a errônea expectativa de que se poderia, nas competições esportivas, emular as técnicas originais, retirando-lhes a lesividade, tal como a vacina faz com o vírus para estimular o sistema imunológico.
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Hoje parece óbvio que não poderia funcionar, mas é razoável que se tenha alimentado essa expectativa. Os fatos e a sucessão de competições, em todas as vertentes, acabou por demonstrar que as técnicas anuladas para fins competitivos não eram aquelas que foram desenvolvidas no passado, mas outras, algo diversas, próprias ao ambiente esportivo: passaram a ser valorizadas aquelas que melhor pudessem ser observadas pelos árbitros e, por isso, representassem melhor pontuação, o objetivo da competição. Ademais, limitou-se o repertório a algumas poucas de grande visibilidade, mas de duvidosa utilidade quando se trata de defesa pessoal.
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Tudo passou, nas competições, a girar em torno desse objetivo fundamental (a pontuação), aliás razoável e perfeitamente compreensível. Não haveria de vencer o mais efetivo, mas aquele que melhor soubesse usar as regras em seu favor, desenvolvendo técnicas coerentes com esse desiderato. Gerações de competidores, e de seus técnicos, formaram-se com esse espírito, e a maioria não soube perceber que não mais se tratava de uma arte marcial, senão do jogo em que ela se transformou.
🏆
A primeira ruptura nessa pretensa identidade entre a arte marcial e o esporte deu-se com a disseminação do MMA e, logo após, com a popularização dos vídeos pela internet. Constatou-se que o Karatē, para funcionar no MMA, deveria ser algo diverso daquele aplicável às competições. Competidores da arte marcial que desejavam ingressar na nova modalidade deveriam passar necessariamente pelo árduo processo de adaptação, normalmente através da revitalização das técnicas centenárias (sem contar o necessário repertório de técnicas de outras modalidades).
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Ficou claro que o jogo das competições era algo muito diverso da arte marcial e que, por isso mesmo, deveria ser tratado e, primordialmente, treinado com vistas as essas especificidades.
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Mais adiante ficou ainda mais claro que, na perspectiva da arte marcial, as competições que pretendem emulá-la, na verdade acabavam por corrompê-la, pelas técnicas que altera e pelos valores que cultua.
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Isso tudo para dizer que não há, do meu ponto de vista, qualquer impedimento ao Karatē Olímpico, ou às competições específicas, desde que tenhamos em mente que não estamos cuidando de arte marcial, mas de um jogo cuja identidade remota está no nome, e que obedece a regras diversas, e se sustenta nos valores que lhe são inerentes.
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A experiência é de grande valia para a prática do Karatē-Dō, para os alunos e formação de professores, ainda que, uns e outros possam legitimamente se interessar e também se envolver em competições.

Voltar-se para a origem não significa andar para trás, mas reviver a experiência humana que resultou no edifício práticas e valores que o Japão exportou após o fim da 2ª Guerra Mundial. Cabe-nos, se quisermos realmente nos beneficiar desse sólido mecanismo técnico-cultural, explorar o passado, entendê-lo à luz dos valores atuais, acrescentando sedimentos àquilo que já foi feito como acontece com qualquer processo cultural ou científico.
🥉
As competições são tão válidas como menos importantes. Devem ser encaradas como a diversão própria a todas as modalidades esportivas, sem paixão, ainda que esta, entre os humanos, seja inevitável.
🤔
Saiba mais sobre as transformações das regras em
http://bit.ly/karate-olimpico 

 In recently published study https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2018.00080/full 21 amateur adults who practice martial arts (karate, judo and taekwondo, among others) and 27 adults with no experience in the sports were recruited to take part in an attention network test: https://www.mitpressjournals.org/doi/abs/10.1162/089892902317361886 

 This test assesses three different types of attention: alerting (maintaining a sense of alertness), orienting (the shifting of attention), and executive (involved in choosing the correct response when there’s conflicting information).

 We were particularly interested in the alert network, which can reveal how vigilant a person is. If a person has a high alert score on this test, it would suggest that they are better able to respond to unpredictably timed targets than those with a low score.

 While there are differences across each martial art in terms of their core philosophies, whether they’re more of a “fighting” martial art or more “meditative”, and their intensity, we did not discriminate about the type our participants took part in. Future research could compare the different types, but for this study we were more interested in general martial artists’ attention compared to non-martial artists’. http://theconversation.com/martial-arts-can-improve-your-attention-span-and-alertness-long-term-new-study-91798?utm_source=facebook&utm_medium=facebookbutton 

                         A metodologia do treinamento deve sempre ter em perspectiva seus principais objetivos. Embora a prática da arte marcial signifique o desenvolvimento imediato de técnicas de defesa pessoal, com reflexos na saúde em geral e no bem-estar físico, o objetivo central da prática é, e sempre será, o autoconhecimento do praticante e também o domínio das verdades filosóficas fundamentais, e de seus valores, universalmente reconhecidos tanto no ocidente como do oriente.

                         Esse é o norte do treinamento, dividido em três etapas e cada uma delas com infinitos desdobramentos:

  1. No Kihon, o treinamento tem em foco as técnicas isoladamente consideradas, o domínio de sua principiologia com a introjeção de regras fundamentais que influirão na prática física, mas também no caráter do praticante.  No Kihon o praticante faz a constante calibragem de sua técnica e dos valores que a informam.

  1. No kata o praticante começa a interagir com o mundo externo, desenvolvendo a habilidade de produzir técnicas em conjunto sob a perspectiva imaginária de sua utilização com vários oponentes. Essa prática deve ser continuadamente estimulada e desenvolvida.  Está para com o Karatê como a leitura está para com o domínio de um idioma, e todas as consequências benéficas conhecidas.  Cada kata, por assim dizer, significa uma "obra literária" passível de múltiplas interpretações, tantas quantas forem seus leitores.  Em sânscrito, kata significa "afastar maus pensamentos", algo como estabelecer rotinas para dominar os espaços escuros da mente.

  1. No kumitê toda a preocupação do praticante se volta para o outro, que deverá ser conhecido, interpretado e finalmente vencido, no sentido profundo de que o outro nada mais é do que uma extensão de nós mesmos, que devemos conhecer a partir do conhecimento que de nós temos. E conhecê-lo com tanta profundidade que poderemos interpretá-lo a partir de sua própria mente.  Kumitê, ou luta, significa observar o oponente em detalhes que um olhar superficial não pode perceber, afinando a técnica, a observação e execução dos movimentos além do limite do que é aparentemente possível.  Esses princípios todos deverão ser utilizados extensivamente na vida do praticante.

  Karatē-Dō e a 4ª evolução Industrial

 Pode parecer paradoxal que algo tão antigo e abstrato possa estar relacionado com as inovações tecnológicas que nos estão levando à 4ª Revolução Industrial, ainda não inteiramente implementada. Mesmo que as situações paradoxais não sejam estranhas ao zen-budismo e, por consequência, ao Budō, os tempos em que vivemos dão no que pensar.

 É provável que o ano de 2019 seja marcado pela implantação da tecnologia 5G na Europa, Estados Unidos e Ásia. Com ela as conexões sem fio ficarão até 250 vezes mais rápidas, evitando-se os indesejáveis efeitos do congestionamento (lentidão e até paralização do tráfego de dados) das tecnologias atuais. Ficarão ao alcance novidades como o veículo autônomo, as fábricas robotizadas e as aplicações intensivas da inteligência artificial.

 O leitor ainda deve estar se perguntando: que relação isso pode ter com o Karatē-Dō? Explico-me: a mão de obra humana será rapidamente substituída; não teremos mais motoristas e operários, tampouco caberão aos humanos as atividades que, embora envolvam abstrações, por serem repetitivas (como a leitura e formulação de documento legais), são executadas com enorme precariedade pelas mãos humanas.

 Aos seres humanos ficarão, provavelmente, reservadas apenas as profissões que exijam criatividade (ainda que não por muito tempo) e, primordialmente, aquelas que envolvam outros seres humanos.

 Na perspectiva de que as máquinas foram criadas pelos humanos para facilitar-lhes a vida, como de fato facilitaram (basta comparar a melhora na expectativa e qualidade de vida no último século), é de todo provável que, substituindo o trabalho dos braços biológicos garantam à espécie que as inventou mais tempo disponível e ainda melhor qualidade de vida.

 Contudo, a existência humana não é simples e vem sendo explorada por milênios pelo pensamento voltado a entendê-la. Desconfia-se que o ócio não será necessariamente proveitoso para a maior parte daqueles que ficarem desocupados total ou parcialmente. Será necessário dar-lhes sentido à vida.

 Após esse circunlóquio voltamos à prática das artes marciais e, particularmente, do Karatē-Dō. Temos em mãos um sofisticado modelo de compreensão do ser humano a si mesmo na interação entre mente e corpo. Faz-se na prática, a educação, física e espiritual, com o manejo das expressões evolutivas e das necessidades que elas despertaram ao longo de milênios.

 Mas as novas exigências não poderão ser atendidas pelo modelo de prática que, felizmente, ao pouco vai se esgotando. Será necessário muito mais, principalmente compreender, em profundidade, as íntimas relações entre o que se pratica, os valores cultuados, e a vida fora do Dojō, justamente o ambiente no qual a prática haverá de mostrar o seu valor.

 É preciso explorar todo a manancial inexplorado que a arte guarda em seus reforçados cofres à espera daqueles que encontrarão a combinação adequada à abertura de suas portas. É preciso pesquisar e estudar, investigando todos os elementos e potencialidades disponíveis, desde a interação mente e corpo, até as possibilidades terapêuticas que já se esboçam em algumas experiências.

 Ao professor de artes marciais não bastará mais proficiência física, que aos poucos deverá ser relegada ao plano de sua exata dimensão. Caber-lhe-á saber se expressar com exatidão, sendo capaz de transmitir a mensagem inteiramente aos seus ouvintes. Deverá ser exemplo, senão de inexcedível correção, pelo menos de reconhecimento de seus próprios erros – e acertos que haverá de reconhecer com o necessário comedimento. Deverá demonstrar profundo conhecimento de seu mister, como é próprio àqueles que adotam a missão de ensinar.

Outros textos do Sensei Malheiros:

Hierarquia de valores

O pensamento não representa o ato humano em sua plenitude, mas significa a diferença qualitativa da ação. Pensamento de qualidade leva a ações humanas de qualidade e nisso a importância das formulações teóricas e dos fundamentos filosóficos que devem orientar à vida.

No campo político, as democracias liberais demonstraram-se muito mais eficientes no caminho da prosperidade, bem-estar e plenitude, quando comparadas com regimes obscurantistas e de concentração de poder. O direito à vida e à liberdade estão no plano mais alto da hierarquia de valores que regulam esses regimes políticos, daí sua maior eficiência em conceder aos seus cidadãos os benefícios do progresso material e imaterial.

Desde os tempos clássicos (greco-romano) o pensamento procura encontrar os valores que deve venerar, cuja obediência resulta na garantia de prosperidade no sentido amplo da expressão. Toda ação humana almeja objetivos e deverá encontrar a hierarquia de valores a ser observada. Não é diferente com a prática das artes marciais, em especial o Karatē-Dō.

Para além a interpenetração dos valores éticos e sociais em geral com aqueles que deverão ser obedecidos no Dōjō, a identificação dos valores e valências físicas devem estar em primeiro relevo, na percepção teórica do professor e do praticante em nome da eficiência dos gestos e ações em geral.

A eficiência do movimento não pode ser vista exclusivamente como um valor em si próprio, justamente na contraposição com a ineficiência. É necessário dar sentido à prática, permitindo sua transcendência às outras ações humanas, objetivo que ficará obstado quando o praticante enfrentar a frustação da ineficiência de sua técnica.

A prática, nesses tempos, não se ressente da falta de sua aplicação objetiva às situações da vida. Não é necessário, nem aconselhável, abater adversários com golpes na vida real. O que importa é a extrapolação da experiência minimalista do Dōjō para dos demais aspectos da vida do praticante. Esta não poderá importar golpes para resolver os problemas cotidianos, mas por certo poderá trazer os valores.

Daí a relevância das formulações teóricas que possam encontrar os valores e hierarquizá-los, afastando o praticante da enganadora aparência, aproximando-o da essência. O pensamento, portanto, estará à serviço da essência.

Não há boa teoria sem sua eficiente aplicação prática. A prática deve ser o cemitério das más teorias e o seminário das eficientes. Não há nada intrinsecamente errado em promulgar a má teoria, desde que, sendo aplicada, e mostrando-se ineficiente, deverá o praticante ter a isenção moral de descartá-la, ainda que fruto de seu intelecto.

Deixando de lado as áridas formulações teóricas e ingressando na prática, na busca da hierarquia de valores nos movimentos, sem qualquer necessidade de pesquisa aprofundada, é possível dizer, por exemplo, que o conceito de distância está acima da precisão e esta da potência. A formulação é simples: de nada valerá o golpe potente e preciso, fora da distância. Será inútil.

Mas a discussão filosófica, ainda que apenas no plano do movimento, não haverá de se esgotar em raciocínios meramente lineares. Segue a indagação (ao filósofo mais cabe perguntar do que responder): não estariam os conceitos de precisão e potência imbricados na distância?

A formulação dá no que pensar, mas a conclusão imediata que se extrai é que se deve, antes de tudo, para o aluno, investir em sua movimentação, pois não estando na posição adequada para golpear, de nada valerá sua técnica refinada em fazê-lo. Depois vem o resto.

A movimentação, como sabemos por experiência, é mais sofisticada do que o ato de golpear, ainda que este, em si mesmo, guarde segredos inacessíveis à visão superficial do fenômeno. Depende da exata compreensão dos efeitos gravitacionais, o uso adequado do chão e das extremidades que com ele têm contato (os pés).

Acima de tudo, a movimentação exige a identificação dos centros de gravidade e seu deslocamento e o tempo dessa execução em relação aos demais elementos. Exige a compreensão da forma bípede de deslocamento (rara na natureza entre os mamíferos) e a formulação do conceito de equilíbrio.

Equilíbrio em si, representa marco teórico da maior relevância, cujo valor é, por natureza, “extrapolável” para outros campos do conhecimento e da atividade humana. Em qualquer hipótese, no Karatē-Dō, ou em qualquer outra ação humana (mesmo que abstrata), a falta de equilíbrio levará o ser a gastar a energia disponível para readquiri-lo, deixando as demais ações de lado, que não poderiam ser realizadas com eficiência sem o respeito a esse legítimo valor (estaríamos, aqui, absorvendo campos da filosófica clássica, como a ontologia e a deontologia?).

Equilíbrio físico obedece aos mesmos ditames teóricos do equilíbrio mental e de todas as demais formas de equilíbrio (nas relações humanas, no orçamento, na alimentação, etc...). Desenvolvê-lo na prática do Karatē-Dō abre as portas, quando corretamente identificado, à sua disposição nos demais espaços da vida.

Não há equilíbrio sem Dachi e esta não poderá ser executada sem a exploração adequada de seu modelo teórico. Dachi (base) vai muito além da posição dos pés ao chão; exige compreensão conceitual: o que significa? Antes de tudo, significa disposição, ou a capacidade de executar livremente ações (por isso se diz que, na escola de qualidade, o aluno sai com uma boa base), algo impensável sem equilíbrio, tanto mental como físico.

Toda e qualquer ação na prática do Karatē-Dō pode, e deve, no meu entender, ser submetida a esse escrutínio teórico; a receita necessária à utilização da arte na vida dos praticantes, perfazendo sua função fundamental: a educação.

Karatē-Dō: interrupção ou continuidade?
Karatē-Dō: interrupção ou continuidade?

Na prática do Karatē-Dō, por sua origem teosófica e cultural, antes de tudo, são relevantes os estados mentais. A indução no aluno de percepções sensoriais será mais relevante do que sua destreza física, que depende da idade, do fenótipo, do tempo disponível à prática, da destreza inata e mesmo do compromisso entre o praticante e seu caminho. Haveremos de encontrar, nessa enorme gradação, praticantes com diferentes graus de habilidades, desde o competidor profissional (minoria), até a imensa maioria de dedicados bissextos, que encontram no “caminho” o valioso instrumento de autoconhecimento e de saúde corporal e mental.

A construção de estados mentais, ainda que possível a qualquer praticante, independentemente de sua expertise técnica, depende da formação filosófica que nele for empregada. Parte-se do princípio que os estados mentais e propriamente o pensamento induzido está diretamente relacionado com a ação humana que dele deriva. Disso resulta que a qualidade do ato (mesmo que a simples execução de técnica) está vinculado à qualidade do pensamento.

Por isso a indução dos estados mentais é de enorme relevância em qualquer atividade humana, mormente no Karatē-Dō que traz consigo a pretensão de atuar no fundamento do ser, preparando-o para os demais aspectos (duros ou prazerosos) da vida.

Nesse campo, o uso das palavras e a busca da exatidão semântica ganha importância transcendente, quando se inicia o questionamento proposto pelo título que encima este texto. Afinal, a palavra exata para o movimento, no seu curso e no final de sua trajetória, é a “ruptura” ou a “continuidade”?

Mesmo que muitas respostas possam parecer corretas, podendo o tema ser abordado por diferentes pontos de vista, a ideia de ruptura não alimenta coerência epistemológica com a prática marcial. Ruptura e morte são próximas e, muito embora na morte encontremos o ponto de partida de muitas reflexões sobre a vida, a morte é um destino a ser evitado, embora saibamos de sua inevitabilidade, no sentido de que, enquanto for possível a vida, haverá de ser preservada e também desfrutada (no ponto, remete-se à discussão, em todo mundo ocidental, acerca da eutanásia, quando os aspectos inerentes à vida deixam de existir no ser vivo, que somente sobrevive à custa de manobras da medicina). Como a ruptura importa em corte, desaparecimento, inexistência, quando avaliamos o movimento a partir dessa perspectiva geramos tensão, contratura, retração, diminuição, encolhimento, retraimento, redução, compressão ou estreitamento. O movimento praticado com esse modelo mental resultará em inevitável “fretamento” e na contenção da cinética produzida originalmente, com resultado em impacto de menores dimensões, justamente o contrário do que pretende quem produz o movimento.

Ao contrário, a continuidade está bem relacionada com a noção de caminho (Dō), próprio ao desenvolvimento do Karatē-Dō, e de suas origens técnico-culturais, devendo representar elemento de indução de estados mentais a ser considerado no ensinamento da técnica, pena de induzir o praticante em contrações musculares desnecessárias, enorme desperdício de energia (corporal e cinética).

A explicação da teoria do movimento deverá estar vinculada à noção de continuidade, por isso a preocupação com o imediato relaxamento logo depois da tensão (mínima), jamais sob a perspectiva de que esta vai resultar na interrupção, mas no constante movimento de contração e expansão, sístoles e diástoles próprias ao funcionamento do corpo humano.

A mente deverá compreender, a partir dos estados mentais respectivos, essa peculiaridade estrutural à prática fluida, sem a qual de prática exata e verdadeira não poderemos tratar.

Na compreensão desse fenômeno parece difícil encontrar as origens do comportamento que levam ao movimento de ruptura, com todas as tensões que ele representa, talvez originário dos movimentos defensivos incrustados na seiva evolutiva que nos forma. Nos milhões de anos em que habitamos essa terra fomos predominantemente presa de grandes predadores, somente invertendo essa dramática equação em tempos muito recentes para fins evolutivos. Ainda guardamos nos genes que nos formam as reações instintivas de fugir ou contrair.

A despeito de efetivamente verdadeira essa mera especulação teórica, o certo é que instintivamente nos contraímos diante do perigo, ainda mais em se tratando de perigo físico como passa com o ato de lutar, quando poderíamos retirar maior proveito, para defesa da integridade física, no relaxamento e na fluidez que dele resulta, produzindo movimentos mais ágeis, com velocidade final mais intensa, algo que a física newtoniana nos explica através da equação da energia cinética: massa x velocidade ao quadrado.

Hierarquia de valores

 

O pensamento não representa o ato humano em sua plenitude, mas significa a diferença qualitativa da ação. Pensamento de qualidade leva a ações humanas de qualidade e nisso a importância das formulações teóricas e dos fundamentos filosóficos que devem orientar à vida.

 

No campo político, as democracias liberais demonstraram-se muito mais eficientes no caminho da prosperidade, bem-estar e plenitude, quando comparadas com regimes obscurantistas e de concentração de poder. O direito à vida e à liberdade estão no plano mais alto da hierarquia de valores que regulam esses regimes políticos, daí sua maior eficiência em conceder aos seus cidadãos os benefícios do progresso material e imaterial.

 

Desde os tempos clássicos (greco-romano) o pensamento procura encontrar os valores que deve venerar, cuja obediência resulta na garantia de prosperidade no sentido amplo da expressão. Toda ação humana almeja objetivos e deverá encontrar a hierarquia de valores a ser observada. Não é diferente com a prática das artes marciais, em especial o Karatē-Dō.

 

Para além a interpenetração dos valores éticos e sociais em geral com aqueles que deverão ser obedecidos no Dōjō, a identificação dos valores e valências físicas devem estar em primeiro relevo, na percepção teórica do professor e do praticante em nome da eficiência dos gestos e ações em geral.

 

A eficiência do movimento não pode ser vista exclusivamente como um valor em si próprio, justamente na contraposição com a ineficiência. É necessário dar sentido à prática, permitindo sua transcendência às outras ações humanas, objetivo que ficará obstado quando o praticante enfrentar a frustração da ineficiência de sua técnica.

 

A prática, nesses tempos, não se ressente da falta de sua aplicação objetiva às situações da vida. Não é necessário, nem aconselhável, abater adversários com golpes na vida real. O que importa é a extrapolação da experiência minimalista do Dōjō para os demais aspectos da vida do praticante. Esta não poderá importar golpes para resolver os problemas cotidianos, mas por certo poderá trazer os valores.

 

Daí a relevância das formulações teóricas que possam encontrar os valores e hierarquizá-los, afastando o praticante da enganadora aparência, aproximando-o da essência. O pensamento, portanto, estará à serviço da essência.

 

Não há boa teoria sem sua eficiente aplicação prática. A prática deve ser o cemitério das más teorias e o seminário das eficientes. Não há nada intrinsecamente errado em promulgar a má teoria, desde que, sendo aplicada, e mostrando-se ineficiente, deverá o praticante ter a isenção moral de descartá-la, ainda que fruto de seu intelecto.

 

Deixando de lado as áridas formulações teóricas e ingressando na prática, na busca da hierarquia de valores nos movimentos, sem qualquer necessidade de pesquisa aprofundada, é possível dizer, por exemplo, que o conceito de distância está acima da precisão e esta da potência. A formulação é simples: de nada valerá o golpe potente e preciso, fora da distância. Será inútil.

 

Mas a discussão filosófica, ainda que apenas no plano do movimento, não haverá de se esgotar em raciocínios meramente lineares. Segue a indagação (ao filósofo mais cabe perguntar do que responder): não estariam os conceitos de precisão e potência imbricados na distância?

 

A formulação dá no que pensar, mas a conclusão imediata que se extrai é que se deve, antes de tudo, para o aluno, investir em sua movimentação, pois não estando na posição adequada para golpear, de nada valerá sua técnica refinada em fazê-lo. Depois vem o resto.

 

A movimentação, como sabemos por experiência, é mais sofisticada do que o ato de golpear, ainda que este, em si mesmo, guarde segredos inacessíveis à visão superficial do fenômeno. Depende da exata compreensão dos efeitos gravitacionais, o uso adequado do chão e das extremidades que com ele têm contato (os pés).

 

Acima de tudo, a movimentação exige a identificação dos centros de gravidade e seu deslocamento e o tempo dessa execução em relação aos demais elementos. Exige a compreensão da forma bípede de deslocamento (rara na natureza entre os mamíferos) e a formulação do conceito de equilíbrio.

 

Equilíbrio em si, representa marco teórico da maior relevância, cujo valor é, por natureza, “extrapolável” para outros campos do conhecimento e da atividade humana. Em qualquer hipótese, no Karatē-Dō, ou em qualquer outra ação humana (mesmo que abstrata), a falta de equilíbrio levará o ser a gastar a energia disponível para readquiri-lo, deixando as demais ações de lado, que não poderiam ser realizadas com eficiência sem o respeito a esse legítimo valor (estaríamos, aqui, absorvendo campos da filosofia clássica, como a ontologia e a deontologia?).

 

Equilíbrio físico obedece aos mesmos ditames teóricos do equilíbrio mental e de todas as demais formas de equilíbrio (nas relações humanas, no orçamento, na alimentação, etc...). Desenvolvê-lo na prática do Karatē-Dō abre as portas, quando corretamente identificado, à sua disposição nos demais espaços da vida.

 

Não há equilíbrio sem Dachi e esta não poderá ser executada sem a exploração adequada de seu modelo teórico. Dachi (base) vai muito além da posição dos pés ao chão; exige compreensão conceitual: o que significa? Antes de tudo, significa disposição, ou a capacidade de executar livremente ações (por isso se diz que, na escola de qualidade, o aluno sai com uma boa base), algo impensável sem equilíbrio, tanto mental como físico.

 

Toda e qualquer ação na prática do Karatē-Dō pode, e deve, no meu entender, ser submetida a esse escrutínio teórico; a receita necessária à utilização da arte na vida dos praticantes, perfazendo sua função fundamental: a educação.

A experiência no Dōjō

 

Não sei ao certo o mês e dia (as anotações perderam-se na azáfama diária, nas mudanças e por outros contratempos), mas posso dizer que foi no ano de 1973, provavelmente no segundo semestre, quando tive o primeiro contato com o que, até aquele momento, desconhecia integralmente: o Karatē-Dō. Tampouco, naquele momento, o sufixo “Dō” (caminho) estava em cogitação. Tratava-se de arte marcial japonesa com o nome de Caratê, nada mais.

 

Até hoje – e já passaram 46 anos – não consigo explicar o feitiço de que fui tomado naquele primeiro contato. O que posso afirmar é que não me invadiu qualquer visão filosófica sobre o fenômeno que testemunhei, cujo fundamento mais profundo somente passei a ter contato vinte anos depois. Era adolescente, então com 14 anos, e sequer suspeitava que uma luta poderia ser adotada de tais predicados. Bastou-me a sensação de equilíbrio e a expressão estética que tive frente aos meus olhos, ainda que os praticantes que na época divisei não tivessem qualquer qualificação técnica; eram aprendizes na distante Porto Alegre, Sul do Brasil, no início dos anos 1970.

 

É preciso levar em conta esse elemento fundamental que todo o praticante que inicia acaba por ser envolvido – naquele tempo mais do que hoje, mas atualmente também –, quando não é possível fazê-lo entender a natureza, as agruras e a recompensa pelo caminho que iniciou a trilhar.

 

O jovem praticante tem necessidades psicológicas que, acaso atendidas, o farão dar seguimento ao treinamento, ainda que não esteja preparado para compreender, mesmo em seus rudimentos, os aspectos da prática, muita vez também difusos ao velho, como eu que, aos 60 anos, dediquei deles 46 ao caminho que me escolheu.

 

Essa digressão parece necessária: a inconsciência sobre o fenômeno subjacente é própria ao iniciante, que somente conseguirá entendê-lo passados anos, ainda assim se estudá-lo com afinco, a partir da orientação segura daquele a quem cabe ensinar.

 

Hoje, do alto dessa experiência, posso afirmar que somente o velho, e não pela senectude, mas pelo tempo de prática e reflexão acumulados, é capaz de compreender a natureza do caminho, ainda que lhe falte, e sempre faltará, a completude inalcançável, havendo de levar para o túmulo as dúvidas que não soube solver.

 

Quanto mais cedo o jovem tomar conhecimento dessa aventura interna, melhores e mais apreciáveis haverão ser os frutos de sua prática, notadamente aqueles que transcenderem o Dōjō e puderam alcançar à vida mesma, aplicáveis ao mundo exterior, nas relações que lá se estabelecem, nos êxitos, mas principalmente nos fracassos, na compreensão do envelhecimento e da morte.

 

Tal como a vida, a prática pulsa, mas teimamos em capturar o que é efêmero, com resultado negativo na qualidade dos movimentos. Essa sensação de permanência é letal à boa técnica que deve compreender o mistério da vida, sendo executada no seu tempo, com fluidez, obedecendo à velocidade permitida, desaparecendo imediatamente, após cumprir o seu destino.

 

Essas tensões que trazemos da vida para a prática, nesta deverão ser dissipadas. A distensão é a caraterística fundamental do praticante evoluído, no Dōjō e fora dele. Deve compreender as flutuações do corpo e da existência, e delas retirar o melhor resultado, aproveitando as “energias” espontâneas no exato átimo em que se produzem, antes que inevitavelmente se dissipem.

 

Sempre que vejo um praticante emaranhado em suas tensões, lembro que para distensioná-lo será necessário antes compreendê-lo, situá-lo, explicar-lhe que as tensões vêm de fora, de sua vida, e que a experiência no Dōjō tem por objetivo justamente permitir-lhe a nova consciência de si próprio, capaz de fazê-lo executar o movimento com fluidez (e lutar), em quaisquer circunstâncias, em todo o alcance das metáforas e analogias que temos para a luta.

 

Freudianamente, situamos os fantasmas longe, por vezes através da criação de entidades, para poder enfrentá-los fora, quando estão dentro de cada um. É à superação desses entraves que deve se propor, do meu ponto de vista, a prática correta. Fazer de cada movimento a expressão metafórica de um ato da vida, cujo equilíbrio, eficiência e oportunidade permitirá viver melhor, enquanto existirmos.

A base

 

O tempo caminha para frente, não sendo fisicamente possível retroceder, apesar dos esforços da ficção científica. Tudo, até o universo, tem começo e fim, ainda mais em se tratando de situações infinitesimais, como o movimento, o golpe. Sem o equilíbrio, o movimento perde-se no vazio e vulnerabiliza seu autor. Retrocede-se no espaço, mas jamais no tempo, de modo que aquele que não estiver equilibrado sempre perderá seus atos para a realidade externa, embora possa, no futuro, refazer o caminho no espaço.

 

Esse equilíbrio é fundamental à vida; ela própria fruto de instável equilíbrio bio-fisiológico. A vida também se perde, e sempre, pelo desequilíbrio. Todas as vidas encontram fim quando agentes internos ou externas provocam desequilíbrio tal que fará perecer o ser vivo, o que fatalmente acontecerá, mais ou menos dia.

 

O conceito abstrato de equilíbrio está por trás da noção de dāchi e transcende, em muito, a fórmula habitual, pela qual conferimos a posição dos membros inferiores no chão, atribuímos as responsabilidades respectivas aos ossos, músculos e articulações, orquestra regida pelo cérebro.

 

Tudo isso é intrinsecamente verdadeiro, mas há muito mais nesse imenso e flutuante iceberg representado pelo dāchi: a base.

 

Jamais saberemos o verdadeiro significado do dāchi, seu conceito, sem explorar suas múltiplas acepções, e sem fazê-lo, nunca será possível exercitá-la fisicamente em sua plenitude. Esse o portentoso desafio. Epistemologicamente é necessário antes conhecer para depois interagir. Interação sem conhecimento somente resulta em sucesso por mero acaso. Paradoxalmente, na prática, o conhecimento advém da ação, mas criticamente estudada.

 

Dāchi, antes de tudo, deve significar disponibilidade, ou seja, a capacidade do praticante em, a partir de suas características estruturais, estar apto a realizar determinados atos com eficiência. É intrínseca na qualidade do movimento, sendo diretamente proporcional a ela. Melhor dizendo, na exata medida em que essa disponibilidade falta, faltará qualidade (e eficiência) ao movimento, que não sobrevive sem equilíbrio.

 

É por isso que, na linguagem convencional, se diz que tem “base” aquele que tem conhecimento e sabe aplicá-lo. Está subsumido que o detentor do conhecimento foi suficientemente equilibrado para absorvê-lo, e, posteriormente, aplicá-los às situações da vida.

 

Essa correlação entre o conhecimento disponível e sua aplicabilidade é inerente à noção de dāchi, daí sua importância para a formação do ser humano. A base em forma de dāchi é constantemente testada pela prática, por isso a importância de seu exercício.

 

O equilíbrio (dāchi) está presente em todas as situações da vida, do berço ao leito de morte. Lutamos todos os segundos da vida contra o desequilíbrio, até que por ele somos vencidos. Melhor será a vida com equilíbrio (dāchi), enquanto for possível mantê-lo.

 

A transposição prática pode ser útil para compreender melhor o fenômeno. Se imaginarmos a atividade empresarial (90% das novas empresas morrem antes de um ano de duração, sem produzir lucro) o conceito fica claro. Em qualquer empreendimento de sucesso, o dāchi haverá de ter sido alicerce fundamental, sem o qual os objetivos (kime) jamais teriam sido alcançados.

 

Qualquer negócio (ou atividade humana) demanda equilíbrio, primeiro de tudo o mental (desequilibrados mentais, como se sabe, encontram o fracasso e tão desequilibrado é seu mundo interior que sequer podem reconhecê-lo). Na sequência, o negócio deverá oferecer ao mercado um produto material ou serviço, devendo considerar as peculiaridades do entorno para oferecer aquele produto ou serviço desejado, e não aquele que o empresário desequilibrado quer impor. A decisão de produzir (bens ou serviços) deverá levar em consideração o equilíbrio entre as aptidões e possibilidades de quem produz e as necessidades e expectativas de quem deverá consumir.

 

Segue-se a necessidade do equilíbrio orçamentário ou contábil. As empresas natimortas “falecem” justamente quando o empresário, em seu desequilíbrio estrutural, oferece produto indesejado ou, mesmo podendo atender ao mercado, resolve servir-se dos haveres da empresa como se deles ela não necessitasse (neste caso também falta-lhe kime).

 

Outras demonstrações de dāchi podem ser observadas na atividade empresarial: é necessário dominar o equilíbrio de produção, ajustando milimetricamente, não apenas os custos, mas também o ritmo da produção, o relacionamento entre aqueles que oferecem os insumos e os consumidores finais. Nesse momento, o empresário, em sua atividade, estará lutando (kumite). A partir do equilíbrio poderá desenvolver as demais características do movimento exitoso: Ki, kime, zanchin, tudo com sua representação abstrata nas atividades externas à arte marcial, mas perfeitamente integradas ao Budō.

 

O Karatē-dō, fisicamente, demanda local próprio (Dōjō), preparação física e mental, mas o Budō o praticante leva para onde estiver.

 

É necessário refletir sobre o dāchi e suas múltiplas acepções e aplicações. Não se poderá desdenhá-la antes que se possa dominá-la e internalizá-la. A base é estrutural a qualquer prática, e sua má-aplicação ou desleixo em seu conhecimento comprometerá toda a construção que cada praticante ergue em sua vida.

 

O conhecimento profundo do dāchi, por sua complexidade, demanda tempo e experiência. É necessário fazer ver ao praticamente que, quando ele escolhe o caminho, deverá ter paciência e pertinácia para aguardar os frutos. A inconstância é sinônimo de desequilíbrio.

 

Sem esse equilíbrio in abstracto não será possível encontrá-lo in concreto, quando o praticante fatalmente será exposto à sua falta de equilíbrio, experiência que pode ser letal se o mesmo não aceitar a responsabilidade própria, ou de que quem o instruiu, deixando o caminho (Dō).

 

Qualquer um pode abandonar o caminho, e por múltiplas razões, normalmente as conveniências, o tempo, a distância, os interesses em outras áreas, a limitação de dinheiro ou energia, mas deixá-lo pela frustração decorrente à falta de equilíbrio sempre será a pior das formas. O desequilíbrio haverá de acompanhar o praticante demissionário pespegado em sua natureza.

O que “eles” sabem, o que “eles” não sabem que sabem e o que “eles” não sabem

 

O karatē-Dō é, acima de tudo, uma manifestação cultural. Ainda que tenha chegado ao ocidente, após a 2ª Guerra Mundial, sob a forma de modalidade de luta, a interação entre os lados do mundo permitiu-nos perceber, ao longo dos anos, que seria impossível praticá-lo e, menos ainda, entendê-lo sem a exata compreensão de suas raízes teosóficas, da cultura (de Okinawa e do Japão), da forma de ser, dos valores e princípios, da postura, da história, enfim, de tudo que diz respeito a uma cultura em suas multifacetadas dimensões.

 

A técnica dos movimentos não passa de veículo de manifestação cultural. Daí as preocupações estéticas e éticas, a compreensão dos valores e a situação histórica. Frequentemente, a quem pensa sobre o fenômeno, ocorre interpretações aparentemente novas, mas que já foram preocupações antigas de quem concebeu esse complexo sistema de autoconhecimento.

 

É claro que a arte se expande, podendo ganhar dimensões muito diversas, todas elas nutridas pela mesma raiz. O desporto que se espalhou pelo mundo, nas suas mais diversas expressões, tem origem no mesmo sistema com vocação educacional e, mais acima, na altura do autoconhecimento, propondo-se a responder às mais elevadas indagações que ao ser humano acomete: afinal quem somos?

 

A interpenetração entre o universo do praticante com a bagagem cultural da arte é o que de melhor esta tem a oferecer àqueles que dela se abeberam. É necessário compreender as origens dessa peculiar fenomenologia para aplicá-la à vida corrente de todos aqueles que a ela se dedicam.

 

Por primeiro, portanto, convém receber o ensinamento daquilo que os orientais sabem, querem e podem transmitir. Não se trata de pouco material especulativo. Essa tradição, no que ela tem de explícita, é aluvião inesgotável de descobertas, nas diversas leituras que os ensinamentos disponíveis podem ter. O praticante mediano – talvez – jamais conseguirá ir além disso, mas se o fizer com convicção terá andado muito em direção ao seu interior e à compreensão da natureza humana.

 

Para além dessa recepção dos conhecimentos disponíveis e ensinados, está aquilo que os originais não sabem que devem transmitir, mas o fazem na forma de agir e pensar. Nesse espaço especulativo estamos mais abaixo da dinâmica e multidimensional superfície daquilo que é possível aprender porque é ensinado. Aqui, o praticante – provavelmente já professor – deverá observar o fenômeno mais a fundo, e entender aqueles aspectos da cultura nipônica que impregnam a ação humana que veio de lá, isolando-os para o fim de identificá-los e, assim, otimizá-los em proveito próprio e dos demais que o cercam.

 

Nessa categoria estão os elementos relativos à conduta e à postura que não podem ser ensinados, senão absorvidos por aqueles que imergem na cultura, mesmo que à distância. Esses elementos culturais, na forma de agir e de ser, não são intrinsecamente bons ou ruins, mas representam influência fundamental ao fenômeno que na mesma cultura germinou e floresceu. Será possível entender que as mãos são nuas, que a coluna é ereta, que o semblante não pode ser interpretado. O cenho é franzido e o treinamento é duro, como a vida.

 

É necessário extrair esses aspectos do montante cultural que subjaz a essa manifestação. Sua prática não será verdadeira sem que todos os elementos possam ser sentidos e compreendidos. Compreende-se um povo pelo que é e pelo que foi, por seus valores e sua história. Pouco ou nada se poderá retirar de sua cultura sem essa prospecção.

 

Por fim, o que sobra é o porvir. Quanto já temos disponíveis os registros midiáticos espalhados pela rede de computadores, é possível perceber que o karatē-Dō não é hoje o que sempre foi. Como qualquer manifestação cultural transforma-se com o tempo, adquirindo novas feições e colorido, ao sabor das circunstâncias, do local e dos valores que a influenciam.

 

O terceiro estágio da compreensão está exatamente naquilo que a arte poderá significar, e não somente em seu apuro técnico, na intersecção com outras artes ou formas de ver a realidade, na constante experimentação, mas em suas aplicações ainda não descobertas.

 

Esse universo segue inexplorado, embora já seja possível divisar, por entre as frestas do futuro, suas enormes possibilidades.

O diagrama dos três Esses.

 

Não há qualquer cabalismo, apenas coincidência. Calhou que três palavras representativas de fenômenos físicos (e mentais) iniciem-se com a letra “esse”, e assim em vários idiomas. Cuida-se da sintonia, simetria e sincronia, todas as três iniciadas pelo prefixo “sin” (junto).

 

A origem etimológica das palavras desvenda os conceitos que elas encerram. Sintonia tem origem no grego SYNTONOS, que pode significar “na mesma frequência de”, literalmente “estirado junto”, enquanto que sincronia deriva de KHRONOS, em Grego, ou seja, tempo. Finalmente simetria, mercê também da partícula “sin”, unida à partícula “METRO” que, em sua raiz protoindo-europeia (medir, dimensão), acaba por significar, para fins dessas linhas, equilíbrio.

 

Nenhuma dessas qualidades ou fundamentos poderá faltar ao praticante, sempre lembrando que a prática emula movimentos, e os valores correspondentes, que deverão ser incorporados à natureza do ser praticante, para que os aplique na própria vida.

 

Não se trata de elementos de fácil identificação e menos ainda de descomplicada aplicação. É necessário treinar muito e, principalmente, fazê-lo de forma crítica, para que o conhecimento seja devidamente embalado para alcançar à alma.

 

A sintonia, dos elementos acima cogitados, é aquele mais abstrato; costuma ser um estado mental e espiritual (mushin) de plena conexão do universo interno com o mundo externo através do corpo. Na luta, permitirá ao praticante identificar o átimo exato em que deverá dar início ao seu movimento para desenvolvê-lo até o destino, nele chegando no momento exato, quando se confunde com a noção de sincronia.

 

O estado sintônico (kamae) é conhecido e estudado, sendo possível a partir da efetiva convivência do praticante consigo, na constante exploração de suas potencialidades, mentais e físicas. Principalmente depende do treinamento mental e o desenvolvimento da resiliência desses estados mentais, permitindo perceber o momento de agir para atingir o objetivo (kime), dentro e fora do Karatē-Dō.

 

A simetria tem sua principal tarefa na eliminação possível de sua antípoda, isto é, a assimetria. Os desequilíbrios das posturas assimétricas são, predominantemente, consumidores da energia que deve estar à serviço da ação, física ou mental. As assimetrias fazem com que o ser praticante se volte para si mesmo para tentar manter-se equilibrado, pouco ou nada sobrando de sua energia (mecânica ou mental) para a interação com o mundo externo; existe em sua expressão física (desequilíbrio do corpo), mas também na dimensão a abstrata (desequilíbrio mental passageiro ou permanente), ambas compõe o sentido de Kyō.

 

Finalmente, a sincronia ocorre ao praticante sintônico quando consegue compreender o tempo de cada gesto ou pensamento. Tal como nos diz a passagem bíblica do Eclesiastes, há tempo para tudo, mas no Karatē-Dō a dimensão de tempo é diminuta, em geral contada em frações de segundo, exigindo compreensão mais aguda da sucessão de eventos que, mesmo nesse infinitesimal interregno de tempo, deve resultar no movimento, senão perfeito, pelo menos adequado e eficiente.

 

A compreensão teórica (e mais do que isso não é possível em exercício escrito) ganha em complexidade quando os três atributos devem impregnar à ação do praticante em iguais doses, sendo necessário identificar os pontos de interconexão entre os fenômenos representados pelas três palavras. Eis o diagrama dos três “Esses”.

Ricardo Quadrado <ricardoquadrado@terra.com.br>,

Edvaldo Oliveira <edvaldo@dynmaquinas.com.br>,

Alexandre Fernandes <ale.fernandes@terra.com.br>,

Bruno Pommer <bruno.pommer@gmail.com>,

Roberto Guedes de Nonohay <nonohay@hotmail.com>,

Roberto Salim Schmidt <rss@mullermoreira.adv.br>,

Luiz

Artes marciais capacitam a dominar o medo e evitarmos o torpor pré-pânico:

 Culturas avançadas chamam o medo é de “a pequena morte” porque, quando não somos capazes de lidar com o medo, a nossa capacidade cognitiva despenca ao ponto de ficarmos indefesos. Isso se deve à fisiologia selecionada naturalmente até 7 milhões de anos atrás.

 Nosso cérebro, na verdade, possui vários processadores e, quando sentimos medo, a energia é canalizada para o cérebro mais primitivo, chamado de cérebro réptil.

 Como falta de energia no cérebro moderno, chamado de neocórtex, a nossa capacidade cognitiva se reduz.

 Ora, considerando ser,  a inteligência, a ferramenta da raça humana para lidar com o perigo e resolver os problemas, obviamente, quando falta energia no neocórtex, o ser humano fica bastante indefeso. Facilmente é anulado, vencido ou manipulado.

 Por isso os controladores globalistas promovem a acultura do medo - http://bit.ly/aculturadasuperficialidade A população passa a viver em um estado de torpor pré-pânico!

   Como se resolve isso?

 Praticando atividades capazes de desenvolver a habilidade de lidarmos e vencer o medo.

 Artes Marciais, assim compreendidas também as práticas de tiro, arco e flecha, esgrima, etc., são as melhores opções para aprendermos a lidar com o medo e o vencer.

  O belo filme Piper, com apenas 5 minutos (os quais demandaram 3 anos para picturizar), merecido Oscar de melhor filme de animação, demonstra o quanto a vida pode ser melhorada quando dominamos o medo.  Assista-o aqui: https://vimeo.com/215828022

 As artes marciais desenvolvem personalidade ativa e perceptiva, focada na evolução, cuidados com a própria saúde e imunização ao estado de torpor pré-pânico da acultura do medo e da superficialidade http://bit.ly/aculturadasuperficialidade através da qual os 2% mutantes http://bit.ly/desumanos promovem a escravidão dissimulada em impostos extorsivos, consumismo desenfreado, desinformação, falsas crenças e inversão de valores: http://bit.ly/escravizacao

 Para quem, como nós, desde os anos 80, trabalhamos o desenvolvimento das regras para dinamizar - com beleza plástica e emoção - como um dos mais justos e equilibrados esportes e, disparado, o mais seguro de luta, é o sinal para prosseguirmos formando bons instrutores. Chegou a hora de libertar a humanidade do holograma idiotizante! http://bit.ly/karate-olimpico 

 Os globalistas escondem o caráter pedagógico das Artes Marciais promovendo sua infâmia e tentando, de todas as formas, reduzir a prática: http://bit.ly/sindiplam

🤔👺a <luiz

 Os globalistas treinam e financiam gente especializada em enganar. Disfarçam habilmente: fingem ser os melhores quando são manipuladores, desumanos e apenas interessados em poder.
🌐💰
Facilmente assumiram a liderança dos grupos e o controle institucional.
🥴
Era uma luta desigual pois anulam quem pode os ameaçar
jogando-nos uns contra os outros.
Confira as descrições do livro “
Mentes Perigosas, o psicopata mora ao lado” disponível aqui: 📚https://drive.google.com/file/d/0B2CNDxRTI8HAQUtjbXdBZl9peTA/view?usp=drivesdk

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 Em represália por nosso alerta e lutas, a partir dali sofremos perseguição cada vez mais intensa.
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Conheça a Verdade escondida pelos
desinformantes e mídia sobre o aparelhamento e corrupção aqui http://bit.ly/monsanto-assassina >,

Ely Marçal <ely_marcal@hotmail.com>