Para os Estados-Membros e as delegações de Governo da União Internacional de Telecomunicações:
No interesse de promover e proteger a abertura global da Internet e o exercício dos direitos humanos online, nós escrevemos para pedir aos estados membros da União Internacional de Telecomunicações (ITU) e suas delegadas e delegados na Conferência Mundial sobre Telecomunicações Internacionais (WCIT) que se abstenham de expandir o escopo do tratado de Regulamentos de Telecomunicações Internacionais (ITRs) para incluir a Internet.
Na WCIT, os governos considerarão propostas que ampliam o alcance dos ITRs para incluir a Internet. Essa expansão poderia ter um impacto negativo significativo sobre a abertura da Internet, sobre os seus efeitos positivos para o crescimento econômico e sobre os direitos humanos de cidadãs e cidadãos.
Como foi recentemente reafirmado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, os governos têm o dever de proteger os direitos humanos na tomada de decisões políticas para a Internet. No entanto, enquanto a ITU tem ampla experiência em política de telecomunicações e regulamentação, não acreditamos que seja o fórum apropriado para desenvolver políticas e normas que possam afetar o exercício dos direitos humanos na internet.
Além disso, a ITU mantém um processo de tomada de decisões relativamente fechado e não transparente em que apenas os governos estão autorizados à plena participação. Em contraste, a Internet floresceu sob um modelo de governança aberta e descentralizada em que grupos que representam as empresas, a comunidade técnica e os usuários de Internet, bem como os governos, concentram-se em questões diversas em uma variedade de fóruns. De acordo com os compromissos da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, acreditamos que tais processos abertos e inclusivos são necessárias para assegurar que as políticas e padrões técnicos para a Internet global preservem a natureza descentralizada e aberta do meio e proteja os direitos humanos de seus usuários.
Nos últimos meses, muitos grupos da sociedade civil pediram à ITU que reforme o seu processo para que ele seja totalmente transparente e aberto à participação de todos os interessados. Os defensores têm pressionado por essas mudanças não só porque acreditamos que a transparência e a participação são a melhor abordagem, mesmo em relação à telefonia, mas também porque nós tememos que as propostas de alguns países que representam graves ameaças para os direitos humanos na internet. Documentos vazados detalhando propostas para o WCIT confirmaram esses temores. Assim, continuamos tanto a apelar aos Estados membros que forneçam total transparência e participação aberta a todos os interessados que se preparam para o WCIT, quanto a pedir a todas delegadas e delegados que rejeitem as propostas que iriam ameaçar a abertura e os direitos humanos online.
Apelamos aos Estados membros para:
Manter um processo preparatório para o WCIT inclusivo e transparente que seja aberto a todos os interessados. Pedimos que os governos:
Oporem-se à expansão dos Regulamentos das Telecomunicações Internacionais para a Internet. Pedimos que delegadas e delegados:
Sinceramente,
Access
Article 19
Association of Digital Culture,Taiwan
Asociación por los Derechos Civiles, Argentina
Association for Progressive Communications
Bytes For All, Paquistão
Cambodian Center for Human Rights, Cambodjia
Center for Democracy & Technology, EUA
Center for Technology and Society - FGV, Brasil
Committee to Protect Journalists
Consumers International
Derechos Digitales, Chile
Eduardo Bertoni, Centro de Estudios en Libertad de Expresión y Acceso a la Información (CELE), Universidad de Palermo, Argentina
European Digital Rights
Friedrich-Ebert-Stiftung, Paquistão
Fundación Karisma, Colômbia
Human Rights in China, EUA
Human Rights Watch
Index on Censorship
Internet Democracy Project, Índia
Internet Society, Bulgária
Kictanet, Quênia
La Quadrature du Net, França
Nawaat, Tunísia
Open Rights Group, Reino Unido
Open Technology Institute, EUA
Panoptykon, Polônia
Public Knowledge, EUA
Reporters Without Borders
Thai Netizen Network
Atualização de 3 de outubro de 2012
Electronic Frontier Foundation, EUA
European Privacy Association
Global Voices
Indonesia Online Advocacy, Indonésia
Instituto Bem Estar, Brasil
Instituto Nupef, Brasil
ISOC, Filipinas
ISOC, Suécia
ISOC, Belgrado
Kictanet, Quênia
LIRNEasia
Movimento Mega Não, Brasil
OpenMedia, Canadá
Spanish Internet Users Association, Espanha
Sociedade Internet no Brasil (ISOC BR)
Tradução e links por Paulo Rená a partir do documento original em inglês publicado pelo Center For Democracy & Technology em 06 de setembro de 2012.