Material público e dinâmico (é atualizado frequentemente). Se você quer colaborar com algum grupo de pesquisa, entre em contato direto com os líderes ou preencha este formulário (neste caso, colocaremos suas referências (ou do grupo) no documento - pode ser de qualquer área). Caso tenha dúvidas, atualizações, demanda de imprensa ou queira fazer sugestões, escreva para comunicacao@sbi.org.br. Criado em: 18/03/2020. Última atualização: 18/05/2020, às 9h30
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ÍNDICE (paginação altera de acordo com as atualizações):
1 - APRESENTAÇÃO DA INICIATIVA - Pág. 1
2 - GRUPOS DE IMUNOLOGIA ATUANDO COM COVID-19 - ORDEM ALFABÉTICA - Pág. 2
3- INTERESSADOS EM COLABORAÇÃO - ORDEM ALFABÉTICA - Pág. 5
4- CHAMADAS DE FINANCIAMENTO - Pág. 6
5- SBI EXPLICA - VÍDEOS (Base, Fármacos e Imunonutrição) - Pág. 6
6- SBI PERGUNTAS E RESPOSTAS (e transcrições vídeos) - Pág.7
6.1 - TRANSCRIÇÃO VÍDEO IMUNONUTRIÇÃO - DRA. ANA CAETANO FARIA - Pág. 11
7- ARTIGOS BÁSICOS PARA ENTENDER O NOVO CORONAVÍRUS - Pág.18
8- ARTIGOS PARA ENTENDER A RELAÇÃO "COVID-19, HIDROXICLOROQUINA E CLOROQUINA, E PROBLEMAS COM A AUTOMEDICAÇÃO" - Pág. 19
9 - MANIFESTO PÚBLICO A FAVOR DO ISOLAMENTO SOCIAL COMO FORMA DE PREVENÇÃO E CONTENÇÃO DA COVID-19 (25/03/2020) - Pág. 20
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MAPEAMENTO - GRUPOS BRASILEIROS DE PESQUISA IMUNOLÓGICA EM COVID-19
A Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) acredita em uma ciência colaborativa, aguerrida e voltada a soluções de problemas. A comunidade brasileira de imunologistas está entre as mais respeitadas do mundo e desenvolve parcerias ao redor de todo globo.
Desta forma, tomamos a iniciativa de mapear e divulgar todos os grupos brasileiros de imunologia que estão neste momento dedicados a encontrar soluções de saúde à COVID-19.
Optamos por divulgar o documento em formato editável - no modo "visualização" - para que todos possam ter acesso às inclusões, às alterações e aos artigos publicados que serão inseridos. Portanto, trata-se de um documento dinâmico que mudará de acordo com os avanços científicos.
Buscamos com esta ação promover colaborações entre grupos iguais e/ou distintos, da própria imunologia ou de áreas totalmente variadas; sem restrições. Incentivar a preeminente necessidade de abertura de financiamentos públicos, bem como estimular investimentos privados e doações de pessoas física para a pesquisa científica. Também esperamos que a iniciativa possa inspirar todos - cientistas ou não - a compartilhar, a se unir e a apoiar a ciência brasileira.
Saudações imunológicas,
Ricardo Gazzinelli
Presidente
Sociedade Brasileira de Imunologia
sbi@sbi.org.br // Instagram: @sbi.imuno // Facebook: @sociedadebrasileiraimunologia.sbi
2- GRUPOS DE IMUNOLOGIA ATUANDO COM COVID-19 - ORDEM ALFABÉTICA
Centro de Tecnologia de Vacinas / Fiocruz-Minas / UFMG
Foco: Desenvolvimento de Teste Rápido
Líder: Ana Paula Fernandes - Lattes
http://www.ctvacinas.ufmg.br / / Instagram: @ctvacinas
Centro de Tecnologia de Vacinas / Fiocruz-Minas / UFMG
Foco: Aplicação de Teste Molecular (Ácido Nucleicos)
Líder: Santuza R Teixeira - Lattes
http://www.ctvacinas.ufmg.br / / Instagram: @ctvacinas
Centro de Tecnologia de Vacinas / Fiocruz-Minas / UFMG
Foco: Desenvolvimento de Vacina Cov-2 - Plataforma Genética Reversa Influenza
Líderes: Ricardo T Gazzinelli - Lattes e Alexandre Machado - Lattes
http://www.ctvacinas.ufmg.br / / Instagram: @ctvacinas
Centro de Tecnologia de Vacinas / Fiocruz-Minas / UFMG
Foco: Mapeamento de Epitopos e Proteinas Recombinantes Cov-2
Líder: Flavio da Fonseca - Lattes
http://www.ctvacinas.ufmg.br / / Instagram: @ctvacinas
Centro de Tecnologia de Vacinas / Fiocruz-Minas / UFMG
Foco: Análise de Rede - Pandemia Covid-19
Líder: Ludmila Camargo - Lattes
http://www.ctvacinas.ufmg.br / / Instagram: @ctvacinas
CNPEM/ Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC)
Foco: Fármacos antivirais
Líder: Rafael Elias Marques - Lattes
http://cnpem.br/ // Instagram: @cnpem
Centro de Pesquisas em Doenças Inflamatórias - CRID/Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo (USP)
Foco: Avaliação do perfil celular e parâmetros inflamatórios em amostras clínicas de pacientes COVID-19
Pesquisadores Principais (em ordem alfabética):
Dario S. Zamboni - Lattes
João Santana da Silva - Lattes
José Carlos Farias Alves Filho - Lattes
Paulo Louzada Junior - Lattes
Rita de Cassia A. Tostes Passaglia - Lattes
Thiago Mattar Cunha - Lattes
Líder: Fernando Q Cunha - Lattes
http://crid.fmrp.usp.br
Departamento de Biologia Celular Molecular e Bioagentes Patogênicos da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP
Foco: Avaliação de material clínico de pacientes COVID-19 e screening de drogas para inibir SARS-CoV-2 em células
Líder: Dario S. Zamboni - Lattes
https://lpm.fmrp.usp.br. Twitter: @zambonilab
Grupo CNPq "Imunologia das infecções microbianas e vacinas / UFSC"/ Laboratório de Imunología Aplicada/ Universidade Federal de Santa Catarina
Foco: Vacinas, biotecnologia de vacinas, Engenharia genética de novas vacinas, Nanoparticuls, VLPs, proteínas recombinantes, e vírus recombinante como vacinas, protocolos de vacinação in vivo, testes em animais de vacinas, uso de ajudantes de vacinação, análise de respostas imunes adaptativas e memória imunológica.
Líder: Oscar Brun-Romero - Lattes
Imunologia Molecular / Universidade de Brasília
Foco: Produção de antígenos recombinantes / Seleção de Anticorpos neutralizantes
por phage display.
Líder: Marcelo de Macedo Brigido - Lattes
https://www.unb.br/ // Instagram: @unb_oficial
Laboratório de Biologia de Sistemas da USP
Foco: (1) Análise por biologia de sistemas da fisiopatologia de doenças infecciosas e comorbidades; (2) Ferramenta computacional para modelos de transmissão; (3) ferramenta computacional para mapeamento dos casos
Líder: Helder Nakaya - csbiology.com
Laboratório de Imunologia do Incor e Faculdade de Medicina da USP
Foco: vacina utilizando VLP
Líder: Jorge Kalil - Lattes
http://www.incor.usp.br/imunologia/
Laboratório de Histocompatibilidade e Criopreservação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Foco: Perfil clínico epidemiológico e laboratorial da pandemia de COVID-19 dos pacientes atendidos na UERJ. Objetivo: Avaliar o perfil das células monocíticas, de linfócitos T, B, NK , em pacientes portadores de COVID-19: a) quantificação das quimiocinas e citocinas inflamatórias no plasma,; b) Avaliação da expressão dos receptores KIR nas células NK (e seus subtipos) comparando pacientes com COVID-19 e indivíduos saudáveis. c) constituição de um biorrepositório com amostras de pacientes com infecção pelo COVID-19
Líder: Luís Cristóvão de Moraes Sobrino Pôrto - Lattes
https://www.uerj.br/ // Instagram: @uerj.oficial
Centro de Desenvolvimento de Fármacos - Laboratório de Imunofarmacologia - ICB - UFMG & INCT em Dengue e Interação Microrganismo Hospedeiro
Foco: Papel de mediadores inflamatórios pró-resolutivos em modelo murino de SARS induzido por Coronavírus
Líder: Mauro Martins Teixeira
https://ufmg.br/ // Instagram: @ufmg
Laboratórios da UFU (de Nanobiotecnologia/IBTEC, de Laboratório de Bioinformática e Análises Moleculares/IBTEC e Laboratório de Imunoparasitologia/ICBIM)- Financiamento do HC-UFU/SUS/EBSERH
Foco: Avaliação de plataformas diagnósticas aplicadas ao SARS-CoV-2 (COVID-19)
Líder: José Roberto Mineo - Lattes
Plataforma Pasteur / USP
Foco: Anticorpos - imunopatogênese
Líder: Jean Pierre Schatzmann Peron - Lattes
https://www.usp.br/ // Instagram: @interacoesneuroimunes
REDE UNESP COVID-19
(Laboratório de Biologia Molecular - Rotinas Diagnósticas em Infecções Virais do Hemocentro - Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP; Laboratório de Imunopatologia e Agentes Infecciosos - LIAI - UNIPEX - Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP; LDMVet - IBTEC - Botucatu - UNESP; FCFAR - Araraquara - UNESP; Laboratório de Estudos Genômicos, IBILCE - São José do Rio Preto - UNESP). Foco: Desenvolvimento de testes moleculares para diagnóstico do COVID-19.
Líderes: Rejane M. T. Grotto Lattes
Luciane Alarcão Dias-Melicio Lattes
João Pessoa Araújo Jr.Lattes
Paulo Inácio da Costa - Lattes
Paula Rahal - Lattes
Universidade de Campinas / UNICAMP
Foco: Descoberta de novos compostos antivirais e imunopatogênese
Líder: Fabio Trindade Maranhão Costa - Lattes
https://www.unicamp.br/ // Instagram: @unicamp.oficial
UNICAMP - Força Tarefa COVID-19
Foco: Força tarefa formada por um conjunto de Docentes para abordar soluções relacionadas a diagnóstico, mecanismos relacionados a maior gravidade da doença, determinação de potenciais vias metabólicas para intervenção terapêutica, dentre outras.
Integrantes:
Alessandro Farias - Lattes
Daniel M de Souza - Lattes
Fabio Costa - Lattes
José Luiz Modena - Lattes
Marcelo Mori - Lattes
Marco Vinolo - Lattes
Pedro Moraes Vieira - Lattes
Universidade de São Paulo - Faculdade de Medicina - LIM56
Foco: Avaliação da infecção de explantes de placentas humanas por COVID-19
Maria Notomi Sato - Lattes
https://www5.usp.br/ // Instagram: @usp.oficial
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - Faculdade de Medicina
Foco: “Avaliação sistêmica integrada da covid-19 em Mato Grosso do Sul: aspectos moleculares, epidemiológicos, clínicos, imunológicos e de vigilância”
Coordenador: James Venturini - Lattes
3- INTERESSADOS EM COLABORAÇÃO - ORDEM ALFABÉTICA
Carlos R Zarate-Blades - Lattes
Universidade Federal de Santa Catarina
Cristina Ribeiro de Barros Cardoso - Lattes
Laboratório de Imunoendocrinologia e Regulação - Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto/USP
Foco: Translação imunologia básica-clínica. Disponível para avaliação/testes de medicamentos, ensaios in vitro, modelos animais e investigação imunológica de amostras humanas. Plataforma de Real time PCR em funcionamento, para mapeamento diagnóstico, caso necessário.
https://www5.usp.br/ // Instagram: @imunologista
Cristiane Moutinho Lagos de Melo - Lattes
Laboratório de Análises Imunológicas e Antitumorais (UFPE)
> Investigação imunológica dos soros de indivíduos acometidos pela doença. Eles possuem citometria de fluxo e PCR real time para desenvolvimento de estudos imunológicos com os sangues (e estão em contato com a secretária de saúde do governo do estado de Pernambuco para ter acesso aos pacientes).
Ellen Karla Nobre dos Santos Lima, sob a supervisão de Soraya Castro Trindade (Departamentos de Saúde -UEFS) - Lattes
Universidade Federal da Bahia (LABIMUNO, ICS) e Universidade Estadual de Feira de Santana (NUPPIIM).
> Disponível para atuar em colaboração com os demais grupos, através da utilização das ferramentas de bioinformática.
Helioswilton Sales de Campos - Lattes
Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública - Universidade Federal de Goiás. Avaliação diagnóstica/prognóstica do curso clínico da doença e resposta a terapia.
Remo C Russo - Lattes
Laboratório de Imunologia e Mecânica Pulmonar/Instituto de Ciências Biológicas - Universidade Federal de Minas Gerais> Foco em respostas imunes e farmacologia da mucosa respiratória. Experiência no estudo da resposta imune em modelos experimentais de doenças respiratórias relevantes no contexto clínico, e validação pré-clínica de candidatos a fármacos para tratamento de doenças respiratórias..
Theolis Costa Barbosa Bessa - Lattes
Grupo de Pesquisa Clínica Fiocruz em Tuberculose, Fiocruz Bahia
> Experiência em imunopatologia e imunologia celular e realização de estudos com amostras humanas. Também tem experiência com epidemiologia molecular.
4- CHAMADAS DE FINANCIAMENTO - COVID-19
FAPESP:
10 Milhões: Suplementos de Rápida Implementação contra COVID-19: Temáticos, Jovens Pesquisadores, CEPIDs e CPEs.
20 Milhões: Pesquisa para o Desenvolvimento de Tecnologias para Produtos, Serviços e Processos para o Combate à Doença por Corona Virus 2019
Innovative Medicines Initiave (via CONFAP):
Chamada: “Desenvolvimento de terapêutica e diagnóstico para combater infecções por coronavírus”, lançada pela Innovative Medicines Initiative, em conjunto com a União Europeia e a European Federation of Pharmaceutical Industries and Associations (EFPIA).
Governo de Minas Gerais
O Governo de Minas está mapeando projetos e ideias inovadoras de empresas e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação localizadas no Estado de Minas Gerais que promovam soluções de auxílio ao enfrentamento da pandemia do novo coronavírus e à superação dos danos sociais e econômicos por ela causados para obtenção de apoio financeiro. Os interessados deverão acessar o formulário e preencher com os dados solicitados: https://bit.ly/2wvZ4xT.
CAPES - Os Programas de Pós-Graduação (PPGs) que estudam epidemiologia, infectologia, microbiologia, imunologia, bioengenharia e bioinformática podem inscrever, até o dia 30 de abril, projetos no edital do Programa de Combate às Epidemias da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Serão financiados até 30 projetos e concedidas 900 bolsas de doutorado e pós-doutorado, com investimento de até R$ 70 milhões. Inscrições até: às 17h de 30 de abril de 2020. Edital e inscrições: clique aqui
Chamada MCTIC/CNPq/FNDCT/MS/SCTIE/Decit Nº 07/2020 - Pesquisas para enfrentamento da COVID-19, suas consequências e outras síndromes respiratórias agudas graves
Está aberta, até o dia 27 de abril, a Chamada de apoio a pesquisas que visam ao enfrentamento da Covid-19, suas consequências e outras síndromes respiratórias agudas graves.
Prazo até: 27 de abril de 2020 Inscrições: clique aqui
5- SBI EXPLICA - VÍDEOS E PERGUNTAS E RESPOSTAS
SBI Explica: Novo Coronavírus - Detalhes Científicos - Com: Helder Nakaya (Apresentação e Vacinas). Prof. da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, membro da Plataforma Científica Pasteur-USP e integrante da Comissão de Ensino da SBI; Fabiola Fiaccadori (A Origem), Profa. de Imunologia no Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás. Especialista em Imunologia Celular; Paolo Zanotto (Genômica Comparativa). Prof. do Departamento de Microbiologia do ICB-USP. Especialista em Evolução de Vírus e Genômica Comparativa. Jean Pierre Schatzmann Peron (Tropismo e Receptores). Prof. do Departamento de Imunologia do ICB-USP. Especialista em Interações Neuroimunes. Luiz Góes (Diagnóstico). Pós-doc, Laboratório do Prof. Edison Luiz Durigon. Especialista em Virologia Clínica e Molecular. Laboratório de Virologia do ICB USP; Simone Gonçalves da Fonseca (Citocinas). Profa. de Imunologia no Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás. Especialista em Imunologia Celular.
SBI Explica: COVID-19, remédios para malária e artrite, e automedicação: o que você precisa saber, com Gustavo Menezes, doutor em Farmacologia, com pós-doutorado em imunologia pela universidade de Calgary/ Canadá. Link para Live: https://www.facebook.com/sbi.imuno/videos/676420789840306/
SBI Explica: Imunidade e nutrição em tempos de COVID-19, realizada no Facebook da Sociedade Brasileira de Imunologia (@sbi.imuno) em 1o. de Abril de 2020. link do vídeo:
https://www.facebook.com/sbi.imuno/videos/1010833522651201/
Com: Ana Caetano Faria, especialista SBI Imuno em imunonutrição e professora da Universidade Federal de Minas Gerais. É médica com doutorado em imunologia pela Universidade de São Paulo (USP) e com pós-doutorado pela Harvard Medical School (EUA).
6- SBI PERGUNTAS E RESPOSTAS
A- Perguntas e respostas com base na transcrição de vídeo SBI EXPLICA - VÍDEOS E PERGUNTAS E RESPOSTAS
Vírus RNA - Fabiola Fiaccadori - profa. de Imunologia no Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás.
Qual a família do coronavírus?
O coronavírus pertence a uma importante família de vírus RNA comuns em diferentes espécies animais, como morcego, gato entre outros. Em humanos estão distribuídos e sendo associados principalmente a quadro respiratório e do trato gastrointestinal, mas geralmente os sintomas se assemelham ao resfriado comum na maioria dos indivíduos imunocompetentes.
Qual a sua classificação?
Esses vírus se diferenciam geneticamente e estão classificados em quatro gêneros: alfacoronavírus, gama, delta e betacoronavírus. Do gênero beta, inclui vírus de interesse humano e entre eles dois vírus considerados de origem zoonótica e que foram associados a infecção em humano, só que com perfil de maior gravidade e letalidade: o vírus SARS associado a síndrome respiratória aguda grave e o vírus MERS associado a síndrome respiratória do Oriente Médio.
Como é a sequência genética do novo coronavírus?
Um estudo recente realizou análises comparativas das sequências genéticas de amostras do novo coronavírus em relação aos outros coronavírus previamente identificados. O novo coronavírus foi também classificado como beta-coronavírus, assim como MERS e SARS. Entretanto, a análise desses dados genômicos demonstrou que o novo coronavírus, embora tenha alta identidade com sequências de Coronavírus do tipo SARS, ele se apresenta em ramos filogenéticos distintos, derivados, com origem em um clado que seria SARS da espécie de morcego. Assim mostrando maior identidade com SARS de morcego. A mesma análise feita com MERS demonstrou uma maior distância de filogenética.
No mesmo estudo foi realizada uma análise comparativa com as sequências de aminoácidos. Elas confirmaram essa proposta de maior similaridade com coronavírus do tipo SARS, mais em específico com os SARS de morcego também. Entretanto, apesar de sua similaridade, também foram observadas diferenças significativas. Cerca de 380 substituições de aminoácidos foram descritas. Estudos adicionais tornam-se imprescindíveis com a perspectiva de auxiliar na caracterização e na compreensão de como essas diferenças podem estar associadas às propriedades de tropismo, de transmissibilidade, enfim a patogenia da infecção no coronavírus.
Tropismo e Receptores - Jean Pierre Schatzmann Peron - prof. do Departamento de Imunologia do ICB USP, especialista em interações neuroimunes.
Como é a relação com o tropismo?
O vírus Covid-19 ele é um coronavírus, um vírus envelopado. Em relação ao tropismo é interessante mencionar, são as proteínas estruturais, principalmente a proteína chamada Spike. Essa proteína ela se heterotrimeriza no envelope viral, então são formados os trímeros que depois são clivados em subunidades 1 e 2. Essas subunidades elas vão se fundir com a célula do hospedeiro para depois então que o material genético do vírus seja liberado no citoplasma. É interessante mencionar que essas proteínas têm um domínio de ligação, chamado “receptor binding domain”, que liga nos receptores das células do hospedeiro.
Quais são os receptores do coronavírus?
Até agora temos dois receptores descritos. Principalmente a enzima conversora da angiotensina e uma outra chamada de Dipeptidyl Peptidase-4 (DPP4). Interessante mencionar que essas proteínas são essencialmente expressas no pulmão e nos intestinos. Motivo pelo qual o vírus causa a doença pulmonar, o edema e a pneumonia clássica do Covid-19, ou também a diarreia causada por outros tipos de coronavírus. Por outro lado o que se sabe da resposta imune ainda é muito pouco, é um vírus muito novo, mas provavelmente os mecanismos inatos de reconhecimento como o Toll-Like Receptor 3 (TLR3) e o Retinoic Acid-Inducible I (RIG-I), entre outros, devem ser relevantes na infecção ou na Resposta imune contra o coronavírus.
Diagnóstico - Luiz Góes - Pós-doc, Laboratório do Prof. Edison Luiz Durigon, especialista em virologia clínica e molecular, Laboratório de Virologia do ICB USP.
Como o novo coronavírus foi identificado?
O novo coronavírus recentemente identificado na China, foi descoberto através de um programa de identificação de agentes etiológicos de pneumonias atípicas do governo chinês. Esse vírus foi inicialmente isolado em cultura celular e teve o seu genoma sequenciado através de ensaios de meta genômica ou PCR convencional ou o sequenciamento convencional de Sanger. As sequências desse vírus foram rapidamente disponibilizadas para a comunidade científica internacional e diferentes grupos elaboraram ensaios moleculares de detecção. Atualmente, no site da Organização Mundial de Saúde estão disponibilizados alguns ensaios e cada um desenvolvido por um laboratório diferente.
Onde estes ensaios foram realizados? E como são feitos?
Foram realizados no CDC da China, na Universidade de Medicina Chárite em Berlim (Alemanha), no CDC dos Estados Unidos. Também foram desenvolvidos ensaios na Tailândia e no Japão. Basicamente, são ensaios de realtime, geralmente baseado na detecção de dois genes específicos com diferentes combinações. Outra opção é realizar ensaios de pancoronavírus, que são desenvolvidos a partir do alinhamento do genoma dos coronas e desenvolvimento de primers com alvo em genes altamente conservados. Ou seja, com capacidade de detectar diferentes coronavírus, entre eles, novos coronavírus. Posteriormente, esses fragmentos genéticos são sequenciados.
Citocinas - Simone Gonçalves da Fonseca - Profa. de Imunologia no Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás.
Quais citocinas o coronavírus induz nos indivíduos infectados?
Um estudo recente publicado na revista Lancet, utilizando plasma de 41 indivíduos infectados, provenientes da cidade Wuhan (China), mostrou que esses indivíduos produzem uma quantidade grande de citocinas inflamatórias (IL1-BETA, IL-2, IL-4, IL-5, IL-6, IL-18, RANTES, MIP1-ALFA, MIP1-BETA, MCP1, TNF-ALFA, IFN-GAMA, IP-10). Quando eles fazem uma comparação com os indivíduos que precisaram de uma Unidade de Terapia Intensiva, estes produziram uma quantidade maior ainda de citocinas inflamatórias e também produziram a 1L10. Então, nestes indivíduos tem o envolvimento da citocina do perfil TH1 e já inicia o envolvimento das citocinas do padrão TH2. Também foi comparado procurando dados de outros indivíduos que foram infectados com o outro coronavírus, do tipo MERS e o SARS. E observa-se que estes indivíduos também produziram na fase aguda uma quantidade grande de citocinas inflamatórias, sendo esta uma característica dos coronavírus.
Genômica Comparativa - Paolo Zanotto - Prof. do Departamento de Microbiologia do ICB USP, especialista em evolução vírus e genômica comparativa.
Como é a organização genômica do novo coronavírus?
Foi pela similaridade da filogenética que ele foi identificado como um SARS-COV-2. Temos o SARS1, que apareceu em 2003 com forte propagação até 2004 e continuou com alguns casos até 2006, mas não tem causado grandes problemas em humanos. Este SARS-COV-2 é do mesmo tipo. Ele tem uma organização genômica muita parecida, mas ainda não temos muitas informações sobre o processo de tráfego entre espécies dele e a única sequência observada é a do morcego, de 2013. Essa sequência é muito parecida com esse vírus e tem alguns aminoácidos diferentes. Então é lógico que essas diferenças, a nível de aminoácidos, podem estar envolvidas em alguma diferença fenotípica desse vírus como o vírus precedente.
Como é a adaptação do vírus em humanos?
Esse vírus não parece estar menos adaptado a humanos do que ele é para os outros animais, segundo alguns chineses. Ele é menos adaptado para o morcego do que para o humano. Recentemente, tem se falado que o pangolin é menos adaptado ainda. E quando observamos a genealogia viral recente com, relação a um vírus de 2013 de morcego parecido com esse, a sensação que temos é que esse vírus já estava espalhando há mais tempo do que o final do ano passado. Isso pode ter uma implicação complicada, se for evidenciado. Pois, pode ser que esse vírus já estivesse sendo espalhado entre humanos, eventualmente alguma mutação pode ter acontecido e ele se torna mais patogênico, isso é apenas uma possibilidade. Das modificações de aminoácidos nas proteínas virais que observamos, nenhuma delas foi avaliada no contexto do aumento da patogenia. Então, neste momento ainda não se tem essa resposta, que obviamente, é muito importante.
Vacinas - Helder Nakaya - Prof. da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, membro da plataforma científica PASTEUR-USP.
Como está a criação da vacina contra o novo coronavírus?
Como vocês devem imaginar, são necessários vários anos de pesquisas e ensaios clínicos para se desenvolver uma vacina, testar a sua eficácia e sua segurança e só então disponibilizar no mercado. Não é tão simples criar uma nova vacina, mas, atualmente, agências de regulação, governo, imunologistas e indústrias farmacêuticas, já estão trabalhando juntos para criar uma vacina em tempo recorde com esse vírus. Por exemplo, a Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (CEPI) já está financiando empresas como a Inovio, para fazer uma vacina baseada em DNA; a Moderna e a CureVac para produzir vacinas baseadas em mRNA; e a BARDA e SANOFI para fazer vacinas recombinantes deste vírus.
O que é levado em consideração ao se desenvolver uma vacina?
Existem várias coisas que precisam ser levadas em consideração quando se vai produzir uma vacina. Uma delas é quais as proteínas do vírus você vai usar. Essas proteínas precisam ser específicas, imunogênicas, ou seja, o sistema imunológico tem que ser capaz de reconhecer e induzir uma resposta imunológica que proteja contra uma subsequente infecção, e, melhor ainda se for simples e fácil de ser produzida em larga escala.
Quais são os tipos de vacinas?
Existem vacinas que são atenuadas, que contém um vírus atenuado, onde há um pouco de replicação viral nessas vacinas. E por elas serem extremamente imunogênicas, também são mais reatogênicas e podem ter mais efeitos colaterais. Então é por isso que precisa de alguns anos para se certificar de que essas vacinas atenuadas são seguras. No outro lado, existem as vacinas de proteínas, recombinante ou não, mas que são baseados nas proteínas do vírus. O que acontece é que elas são extremamente seguras, porque não há replicação viral, só que também não são muito imunogênicas. Por isso também são necessários vários anos para poder certificar de que a proteína escolhida foi purificada corretamente e que induz uma resposta imunológica boa.
Como funcionam as vacinas baseadas em DNA e mRNA?
São vacinas que você faz seu próprio corpo produzir as proteínas virais. Você introduz na vacina, pedaços do vírus codificados em mRNA ou DNA, injeta de forma intramuscular e dá pequenos choques no local, para que o DNA ou ácido nucléico entre nas células e as suas próprias células produzem as proteínas virais. Como não existem vírus lá, ou seja, os pedacinhos de DNA e mRNA que você está colocando na vacina não produzem o vírus inteiro, essas vacinas são extremamente seguras porque não há nenhuma chance de um vírus ser produzido a partir dessa vacina. Mas, enquanto não existem vacinas disponíveis, o melhor jeito é você evitar ser infectado, caso infectado evitar espalhar o vírus por aí.
6.1 - TRANSCRIÇÃO VÍDEO IMUNONUTRIÇÃO - DRA. ANA CAETANO FARIA
Transcrição da live Imunidade e nutrição em tempos de COVID-19, realizada no Facebook da Sociedade Brasileira de Imunologia (@sbi.imuno) em 1o. de Abril de 2020. link do vídeo: https://www.facebook.com/sbi.imuno/videos/1010833522651201/
Sobre Ana Maria Caetano
É especialista SBI Imuno em imunonutrição e professora da Universidade Federal de Minas Gerais. É médica com doutorado em imunologia pela Universidade de São Paulo (USP) e com pós-doutorado pela Harvard Medical School (EUA).
Como aumentar/melhorar a imunidade?
Isso não existe, não reforçamos o sistema imunológico. O sistema imune de uma pessoa saudavél e em condições ideiais, ele já é robusto suficiente para enfrentar qualquer desafio. Inclusive, uma infecção como essa.
Como o estilo de vida afeta o sistema imune?
O chamado estilo de vida ocidental moderno ele não contribui para esse desempenho adequado do sistema imune. Nós temos uma vida que é marcada por sedentarimo, sono inadequado, estresse continuo (inclusive agora com essa pandemia e todo mundo dentro de casa) e uma alimentação que não é saudável. Então nós não vivemos em condições ideais, obviamente o nosso corpo não está no máximo do seu desempenho e o sistema imune também não. Podemos tomar atitudes para tornar as condições de funcionamento sistema imune ideais para que a gente tem uma imunidade adequada para enfrentar todos os desafios inclusive este.
4 pilares importantes para o funcionamento ideal do sistema imune
Claro que viver sem estresse é impossível, mas temos que procurar maneiras de diminuir o estresse. O estresse é uma resposta fisiológica do nosso corpo a um estímulo estressor. Quando há uma sensação de perigo, ele coordena respostas que vão do sistema nervoso ao sistema endócrino para o sistema imune. E nessa resposta de estresse, por exemplo, na resposta aguda quando a gente está respondendo a um perigo, o que acontece: uma elevação de alguns hormônios mediadores químicos no corpo, que é principalmente as catecolaminas, por exemplo a adrenalina, que faz uma série de coisas, entre elas faz o coração bater mais rápido, aumenta a frequência respiratória e essa reação nesse momento é importante, porque ela mobiliza o metabolismo e, mobiliza inclusive as células do sistema imune para nos tirar dessa situação de estresse.
Estresse crônico
Acontece que quando o estresse se torna crônico, de baixa intensidade, mas crônico, esses mediadores tendem a não abaixar, que é o que acontece depois de uma situação de estresse aguda, a gente continua produzindo. E alguns deles, principalmente, o cortisol produzido sistemicamente e cronicamente, ele vai interferir com o funcionamento das células do sistema imune e inclusive pode matar essas células. Então o estresse crônico é um fator de imunossupressão grave.
O que podemos fazer? Criar maneiras de relaxar um pouco, como yoga ou meditação. Buscar atividades para tentar minimizar o máximo o estresse.
O exercício físico é muito importante não só para o corpo em geral, como para musculatura, para atividade cardiovascular. Ele auxilia, por exemplo, na eliminação de micro-organismo e previne infecções do trato respiratório, então é muito importante os exercícios nesse momento. Para o sistema imune o exercício regular de baixa intensidade é fundamental. Ele primeiro tem um efeito na circulação sanguínea e na linfática.
Importância da circulação no sistema imune
A circulação é muito importante para as células do sistema imune, porque essas células funcionam ‘circulando’, quer dizer as células imunes elas tem que alcançar todos os tecidos do corpo. Além de tudo, a circulação linfática drena atinge os microrganismos que estamos recebendo em várias partes do corpo para dentro dos órgãos linfoides e facilitam, as chamadas, respostas imunes.
Efeito “anti estressante”
Durante os exercícios físicos você libera alguns mediadores tipo endorfinas, por exemplo, que vão exatamente contrapor as os mediadores deletérios, que são produzidos pelo estresse, por exemplo o cortisol. Então ele também tem um efeito “anti estressante” um efeito benéfico contrapondo os efeitos do estresse crônico.
O sono adequado é muito importante, porque no momento do sono você diminuiu o metabolismo e é nesta hora que você recompõe as energias do corpo, as reservas energéticas. E para o sistema imune é o momento de produção de suas células, muito mais que ocorre com uma com uma intensidade maior durante esse período de repouso. Já existem vários trabalhos recentes mostrando como esse ciclo circadiano, ou seja, o ciclo do sono e da vigília, é fundamental para a atividade imunológica, inclusive que ele ocorra em momentos adequados, de rotina, que fique alterando toda hora. Existem trabalhos mostrando que, por exemplo, as pessoas que dormem menos de 5 horas por dia tem de quatro a cinco vezes mais chance de ter infecções respiratórias. Existem trabalhos na literatura não só de imunologia básica, trabalhos com clínicos, mostrando que um bom período de sono, que seria 8 horas por dia para os adultos, e um som de qualidade, é fundamental para repor as energias e para o funcionamento e a produção das células do sistema imune.
Em primeiro lugar, é importante ter uma boa hidratação, pois as pessoas, em geral, não lembram de tomar água durante o dia. Nosso corpo é composto basicamente de água e o sistema imune precisa dessa hidratação também. E ter uma alimentação saudável. Precisamos combater os hábitos da chamada dieta ocidental moderna que é com base em alimentos ultraprocessados pela indústria alimentícia, que são ricos em carboidratos e açúcares refinados, em gorduras saturadas e sódio. Nós temos um trabalho no nosso laboratório mostrando que o sódio tem um efeito inflamatório importante no corpo.
Alimentos ricos em vitaminas
Tentar substituir essa dieta, que é pobre em nutrientes saudáveis, por uma alimentação que seja rica em alimentos com valor biológico maior. Que são as frutas, legumes e vegetais que vão conter muitas vitaminas. E também tentar comer grãos que sejam pouco processados ou que seja integral, porque o processamento elimina exatamente esses componentes importantes dos os grãos. Peixes alguns peixes de águas profundas e alguns peixes gordurosos, por exemplo, o salmão, o atum ou mesmo a sardinha que são ricos em vitamina D e ômega 3. Alguns vegetais que sejam ricos em fibras, porque, além de ser muito importante para o funcionamento do intestino, elas são necessárias para manter uma microbiota saudável, para manter uma composição adequada dessas bactérias que habitam o nosso intestino.
Alimentação e sistema imune
Essa alimentação que preferencialmente privilegia alimentos in natura, ela tem uma ação de não só metabólica, que vai ter uma repercussão indireta no sistema imune, mas todos esses componentes, as vitaminas, por exemplo, tem receptores nas células imunes, então eles tem uma ação direta no sistema imune. Além disso, essa alimentação ela auxilia na manutenção dessa microbiota. Essa microbiota é o conjunto de bactérias e micro-organismos, em geral, que habita as superfícies do corpo, mas, principalmente, o intestino, nós temos 100 trilhões de bactérias no intestino e mais de 1600 espécies. Essas bactérias fazem parte do nosso corpo, é mais ou menos um quilo e meio de bactérias que a gente carrega, e que cumprem uma função muito importante, porque elas não só ajudam no metabolismo, mas produzem produtos que são fundamentais para o corpo, por exemplo, a vitamina K e a biotina. E são capazes de decompor as fibras, elas decompõem essas essas fibras que fazem a digestão delas que nós não somos capazes de fazer e produzem os ácidos graxos de cadeia curta que são componentes muito importantes do sistema imune, a gente tem receptores para eles o intestino e eles vão auxiliar e manter a homeostase intestinal.
Vitamina C
A vitamina C, além de ser oxidante, ela tem uma ação direta nas células do sistema imune, ajuda na proliferação dos linfócitos. Ela de fato precisa estar em níveis adequados, isso seria por dia mais ou menos 75 a 90 miligramas.
A suplementação não é necessária, se você ingere uma laranja e meia por dia ou uma laranja e um morango (por dia) isso é o suficiente de vitamina C para você ter os níveis adequados na circulação. Comer um pouquinho a mais por dia, não tem problema, mas não se deve ingerir mais do que 500 mg de vitamina C por dia, que é o caso da maioria dos suplementos. Esse excesso será excretado pelos rins e, dependendo da quantidade ingerida, ter efeitos tóxicos. Por exemplo, a vitamina C ajuda na absorção de ferro e você pode aumentar demais essa absorção com efeitos no organismo. A suplementação só deve acontecer por recomendação médica que ele vai avaliar qual que é o benefício disso.
Vitamina D
A vitamina D é a que está mais famosa nos últimos tempos por causa do estudo dos médicos de Turim (Itália), que foi publicado há poucos dias e de fato é um estudo muito interessante. Estamos descobrindo muitas coisas interessantes com essa pandemia também. Eles mostram uma correlação alta e positiva entre os pacientes, principalmente, idosos internados com a COVID-19 com síndrome grave a deficiência de vitamina D. Eles estão alertando é que a deficiência da vitamina D é um fator de risco para as doenças respiratórias e de fato é mesmo, porque a vitamina D ela tem um efeito importante as células do sistema imune tem receptores para vitamina D, então ela tem um efeito importante no funcionamento das células imunes não só na resposta imune inata, na resposta inicial, aos vírus e microorganismos, mas também no controle dessa resposta para que ela não se torne prejudicial.
A vitamina D auxilia na dissolução de cálcio e de ferro, então na saúde dos ossos, dos músculos e dos dentes. Mas, a suplementação só deve ocorrer em indivíduos que tenham deficiência dessa vitamina. Normalmente as pessoas que tomam suplemento, principalmente, os idosos em que já é uma deficiência relativamente comum já fizeram esses exames e sabem precisam ser suplementados.
Como manter níveis adequados de vitamina D
Os níveis adequados de vitamina D podem ser facilmente obtidos com a ingestão de alimentos, como peixes gordurosos, queijos mais gordurosos, leite suplementado com vitamina D, ovos. A ingestão adequada desses alimentos já vai te fornecer os níveis que você precisa de vitamina D é suficiente. Outra forma fácil de obter a vitamina D é através do Sol. Porque o sol, a radiação solar é capaz de quebrar um precursor que a gente tem na pele e produzir vitamina D. De 15 a 20 minutos de sol por dia é suficiente para também ajudar a produzir as reservas de vitamina D.
Existe algum alimento que previna o novo coronavírus?
Não existe nenhum alimento ou suplemento mágico que faça estar livre do novo coronavírus. Os medicamentos ainda estão sendo descobertos, em fase de testes. O que existe é é uma série de medidas podem ser tomadas para não reforçar a imunidade, mas dar para o nosso sistema imune a chance de funcionar no seu desempenho máximo. Vai ajudar muito, mas o que vai nos livrar de nos infectar com o vírus é o isolamento social, ficar em casa, mas ter um sistema imune saudável é sempre bom e nunca é tarde para começar a tomar essas medidas.
Perguntas e respostas
Quem sofre de crise de ansiedade já tem imunidade baixa?
Qualquer pessoa que tem algum aumento de estresse, por exemplo, uma crise de ansiedade tem um problema, já que pode dificultar o bom funcionamento do sistema imune. É por isso que digo que vale a pena controlar a ansiedade de alguma maneira e isso é importante nesse momento e em qualquer momento da vida. A ansiedade é uma das formas de dificultar o funcionamento do sistema imune com certeza.
De qual forma as moléculas do sistema imune na terceira idade são modificadas?
A COVID-19 está acometendo principalmente os mais velhos. Isso vai ser um objeto de bastante pesquisa nesses anos. O envelhecimento é acompanhado de uma série de modificações no sistema imune, de fato. Então não é que os mais velhos sejam deficientes não, porque inclusive a gente tem idosos muito saudáveis. No Brasil, temos inclusive muitos centenários saudáveis. O que acontece, é que o envelhecimento significa uma redução na imunidade de células, chamadas linfócitos, e ele também significa um aumento subclínico dessa reação, chamadade inflamação. Existe até um conceito de que as pessoas chamam de inflarmade, que é uma inflamação associada ao envelhecimento e que pode estar relacionada com o surgimento de doenças inflamatórias crônicas: alzheimer, parkinson, por exemplo. O envelhecimento de fato é um momento em que o sistema imune tem uma certa dificuldade de lidar com infecções. Mas, o que acontece é que alguns indivíduos que desenvolvem envelhecimento saudável, e são vários esses indivíduos, o que eles conseguem fazer é que apesar da produção dessas células, dos linfócitos diminuir com a idade, eles conseguem remodelar, eles fazem um remodelamento, e compensar isso de alguma maneira. E isso é muito interessante, que acompanhamos os idosos saudáveis, os centenários mais saudáveis, são exatamente os indivíduos que conseguem fazer isso. Isso está ligado com duas coisas, primeiro tem uma questão genética. Existem já alguns genes descritos que estão relacionados com o envelhecimento saudável e com um perfil de envelhecimento que confere uma certa resistência e esses genes já estão mapeados e algumas populações os possuem. Observamos isso na Itália, por exemplo, Japão, e agora estamos pesquisando isso no Brasil, inclusive. A segunda é o estilo de vida. Um estilo de vida ao longo do tempo que tem uma alimentação mais saudável, que mantém o sono, exercícios, também é uma forma de manter os idosos mais saudáveis e remodelar esses déficits que vão acontecendo ao longo da vida. Como não tem como mudar os genes, por enquanto, a questão é manter essas atividades físicas, dormir bem e ter uma rotina. A rotina é muito importante, porque ela significa exatamente ciclo circadiano, manter ele funcionando e isso mantém o sistema imune funcionando da melhor maneira possível mesmo no envelhecimento. E não é à toa que durante essa pandemia as pessoas que exatamente estão mais propensas até as formas graves da doença que é a falência respiratória, a síndrome respiratória grave (SARS) são os os idosos, principalmente os idosos que tem uma doença crônica já que compromete o sistema imune.
Probióticos em cápsulas ajudam a imunidade? Se sim, quais os mais eficientes?
Existem alguns componentes que ajudam muito hoje o funcionamento do sistema imune e o intestino geral e o probiótico é um deles com certeza. Eles são bastante seguros, porque não tem nenhum risco o consumo deles. Estão disponíveis hoje nas prateleiras dos supermercados, estão no iogurte e na farmácia se consegue encontrar em cápsulas. Nosso grupo de pesquisa, por exemplo, conta com vários trabalhos mostrando que eles têm um efeito extremamente benéfico no sistema imune, exatamente por manter a microbiota saudável. Então manter uma composição de bactérias no intestino que seja saudável, mais anti-inflamatória que consiga produzir esses componentes adequados para o sistema imune, eles ajudam a manter essa microbiota saudável. O probiótico tem uma ação até direta nas células do sistema imune, porque a maior parte dessas células está exatamente localizadas no intestino, então o consumo dos probióticos regularmente é uma uma medida interessante. Ele já é recomendado para alguns pacientes, por exemplo, com doenças inflamatórias crônicas como Doença de Crohn, colite ulcerativa. Quais são os probióticos mais adequados? Pela nossa experiência de trabalhar com probióticos é sempre melhor ter um número maior de cepas, então aqueles probióticos que têm 5 ou 7 cepas eles são melhores. Porque uma composição maior de microrganismos que vão auxiliar em vários aspectos ali e a ação deles na melhora da microbiota intestinal em um mesmo sistema imune é melhor. É claro que eles são muito caros essas cápsulas, que tem muitos probióticos elas são mais caras. Não quer dizer que o iogurte que tem também não tem efeito, mas existem outras formas de fazer isso, por exemplo, que as pessoas têm usado e tem testado inclusive em alguns laboratórios da UFMG, que é o Kefir. Um Kefir pode ser feito tanto com leite quanto com água e ele tem um consórcio ali de bactérias probióticas que tem uma ação muito boa também. O único problema do Kefir, principalmente em época de infecção, é que é preciso tomar muito cuidado. Como ele é caseiro, você tem que ter certeza de que ele está livre de bactérias patogênicas. Tem que ser feito de uma maneira muito cuidadosa e muito limpinha. Mas, ele funciona e tem uma ação muito boa.
Dormir pouco durante a semana e muito durante o final de semana prejudica o sistema imune?
Essa história de compensar dormindo muito em outros dias, isso não funciona. Porque, existem trabalhos bem recentes, inclusive um dos ganhadores do prêmio Nobel há 2 ou 3 anos, foi exatamente mostrando que o ciclo circadiano é muito importante para o funcionamento do corpo em geral, de várias células do sistema imune em particular, então manter esse ciclo diariamente é o adequado. Então 8 horas por dia todos os dias é o adequado. É o que devemos procurar, porque quebrando esse ciclo você quebra o momento de reposição das células e esse momento não pode ser adquirido de uma vez por todas no final de semana, ele tem que ser feito aos poucos a cada dia.
Portadores de doenças auto-imunes como doença celíaca são mais suscetíveis a doenças? Como é esse mecanismo?
Em geral, o que sabemos é que os portadores de doenças crônicas como a doença celíaca, por exemplo, outras doenças inflamatórias do intestino, eles têm uma suscetibilidade aumentada sim e funciona exatamente por isso, porque uma boa parte das células do sistema imune estão localizadas no intestino. A microbiota que tem nesse local, ou seja, a composição das bactérias lá, ela tem uma ação muito importante, na produção desses metabólitos. E isso tem uma ação direta no sistema imune e a saúde desse órgão, do intestino, com todas as células imunes que tem lá e com a microbiota, ela interfere em tudo no corpo. Existem trabalhos atuais mostrando que a mudança na microbiota está relacionada com obesidade, por exemplo, com doenças neurológicas e até com autismo. A saúde do intestino, da microbiota, e do sistema imune que está localizada ali, ela interfere em tudo. Inclusive temos trabalhos mostrando com alergia, com a asma que ela interfere, não exatamente com infecção, mas com o funcionamento do trato respiratório. Acredito que esses pacientes têm que tomar um cuidado extra, porque de fato eles não estão no melhor do funcionamento do sistema imune.
A falta da vitamina B12 afeta o sistema imune?
Todas as vitaminas afetam o sistema imune. As vitaminas do complexo B são muito importantes na proliferação de linfócitos. Todas as vitaminas são fundamentais para o funcionamento das células imunes, tanto na função delas quanto na proliferação e na reprodução delas dentro do corpo. Então se localizado um déficit dessas vitaminas, esses indivíduos têm que ser suplementados para corrigir isso, porque isso vai ter efeito no sistema imune com certeza.
Vacina contra pneumonia para idosos ajuda a agravar o avanço do convid-19?
O Ministério da Saúde antecipou a vacinação por dois motivos. O primeiro é que a vacinação previne essas doenças respiratórias, elas ajudam a discriminar melhor quem está tendo uma infecção pelo COVID-19. Porque senão você vai ter uma sobreposição de quadros que podem ser de gripe, de influenza ou de uma pneumonia pneumocócica, por exemplo, como as sars e com a covid, com coronavirus. E como nesse momento que não estamos conseguindo testar todo mundo é importante que essas doenças para as quais a gente já tem vacina sejam prevenidas. O segundo fator é que obviamente se você já tem uma infecção pulmonar nesse momento isso te torna mais suscetível a ter uma forma grave da doença, uma vez que você tenha entrado em contato com vírus, vai ser mais difícil você combater essa infecção. Então é por isso que a vacinação para essas doenças, outras doenças infecciosas como a pneumonia pneumocócica e a influenza, a vacinação para gripe, elas são importantes nesse momento sim.
7- ARTIGOS BÁSICOS PARA ENTENDER O NOVO CORONAVÍRUS
O Laboratório de Interações Neuroimunes fez uma lista de artigos científicos recentes para uma melhor compreensão da situação em relação ao SARS-CoV-2 (Covid-19). Confira abaixo, pois é um material extremamente relevante (para acessar os artigos, copie o código DOI ou clique nos links entre "<>" no seu browser).
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1 – A epidemia se iniciou em Wuhan, China, provavelmente por causa de mutações aleatórias no gene que codifica a proteína SPIKE, importante para interagir com as células do hospedeiro, e permitiu que o vírus se adaptasse em seres humanos.
Wu F et al 2020. Nature DOI: https://doi.org/10.1038/s41586-020-2008-3 (2020).
Lu R et al 2020. Lancet DOI: https://doi.org/10.1016/ S0140-6736(20)30251-8
<https://www.thelancet.com/…/PIIS0140-6736(20)30251…/fulltext>
2 – A OMS declarou o SARS-CoV-2 como pandemia, ou seja, capaz de se difundir por vários países. De fato, o mesmo já alcançou mais de 130 países, causando cerca de 143 000 casos e mais de 6400 óbitos.
<https://www.who.int/…/situ…/20200317-sitrep-57-covid-19.pdf…>
3 – A doença chamada COVID-19 tem como sintomas mais comuns, febre e tosse. Os casos graves evoluem para pneumonia e de acordo com um estudo na China, 46% apresentam alterações radiológicas, 15% necessitam de internação, 2,7% de respiração mecânica e 1,4% faleceram.
Guan W et al 2020. NEJM DOI: 10.1056/NEJMoa2002032
<https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2002032>
4– Pacientes com mais de 60 anos ou com comorbidades correm maior risco. Dentre elas, hipertensão, diabetes e cardiopatia.
Wu C et al 2020 JAMA. DOI: 10.1001/jamainternmed.2020.0994
<https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32167524>
5- Crianças felizmente não estão no grupo de risco. Todavia, podem ser portadoras assintomáticas e espalhar a doença. Além disso, é possível que, assim como para SARS-CoV, o vírus possa ser eliminado nas fezes. Logo, recomenda-se dar a descarga com a TAMPA ABAIXADA.
Zhang W et al 2020. Emerg Micro Inf DOI: 10.1080/22221751.2020.1729071.
<https://www.tandfonline.com/…/full/10…/22221751.2020.1729071>
6 – O Brasil já registrou mortes em função do Covid, possível acompanhar os casos pela Plataforma Ivis, do Ministério da Saúde.
http://plataforma.saude.gov.br/novocoronavirus/…
7 – O vírus pode sobreviver no ar e em superfícies por muito tempo. Por exemplo: aerossol: até 2 horas; plástico: até 40 horas; aço inox: até 60 horas.
Letter to editors. DOI: NEJM DOI: 10.1056/NEJMc2004973.
<https://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMc2004973>
8 – O receptor de invasão viral nas células do hospedeiro é o mesmo já demonstrado para o SARS-CoV de 2003, ou seja, a Enzima Conversora da Angiotensina-2 (ACE-2) que é expressa principalmente nos pulmões.
Wrapp D et al. 2020 Science DOI: 10.1126/science.abb2507
<https://science.sciencemag.org/content/367/6483/1260>
8- ARTIGOS PARA ENTENDER A REALAÇÃO "COVID-19, HIDROXICLOROQUINA E CLOROQUINA, E AUTOMEDICAÇÃO"
1- An Effective Treatment for Coronavirus (COVID-19: https://drive.google.com/open?id=1ZQJcDDtDin27TwVs3-opoXkrBfeDTLF9
2- Clinical Characteristics of Coronavirus Disease 2019 in China: https://drive.google.com/open?id=1l5EmSInH0z6BIXL-UTSb1M7JMvGye9V-
3- Devaux J Antimicrobial Agents: https://drive.google.com/open?id=1dyKV1Xw9HsEdZu5UYoQGedwP5lpDYgLS
4- Hydroxychloroquine and azithromycin as a treatment of COVID-19 results of an openlabel: https://drive.google.com/open?id=19wGgvGkG0QbDN59A7_ouY1NOOq3XBj4w
5- Hydroxychloroquine, a less toxic derivative: https://drive.google.com/open?id=1lPAoO98VGJ3W5DpZplcU4MAXCY3DQCfA
6- Ibuprofen and COVID - The Lancet: https://drive.google.com/open?id=1QA44OJ7CFXhHzkvjBFqsD5i_xsXb3eQ5
7- International Journal of Antimicrobial Agents: https://drive.google.com/open?id=1RfZv9LhI8DApIf4HS60DPaoy9uohh2d8
8- J Antimicrob Chemother: https://drive.google.com/open?id=1IDURR9MF7dLNaoGRsqnAU2nhrf8pwbkf
9- Journal of Critical Care: https://drive.google.com/open?id=1GaU1k0qKJO24XGnzSuq7CrrvGNtMGaFw
10- Nota Hidroxicloroquina ABCF: https://drive.google.com/open?id=1swyFZklF9CQQTmdUwUKVS0fNbE7fFTXo
11- Orientações nutricionais para o enfrentamento do COVID-19: https://drive.google.com/open?id=1lBN6flouaA8pkjPHhkqjLiwHkhPy_AND
12- Persistence of coronaviruses on inanimate surfaces and their inactivation with biocidal agents: https://drive.google.com/open?id=1-hTFOwTttIDH7d3W-iPWofw0rAiCb2_n
13- SARS-CoV-2 Infection in Children: https://drive.google.com/open?id=1Vu54LGsXV2dCKa1n4XFCT8_ehSvTjsR4
14- Structure of SARS Coronavirus Spike Receptor-Binding Domain Complexed with Receptor: https://drive.google.com/open?id=1mP9Pc-JLjsa-rODNdtRHmKCFuZqMp8a1
15- Substantial undocumented infection facilitates the rapid dissemination of novel coronavirus (SARS-CoV2): https://drive.google.com/open?id=1lf78VQZUhzBZT4OAFnxqzrSkaax43lZM
16- The convalescent sera option for containing COVID-19: https://drive.google.com/open?id=1X4XLAEmrFjdo8VVSDGiH-a6muVV1IpP5
17- Trial of Lopinavir–Ritonavir in Adults: https://drive.google.com/open?id=15wW_0Mij9uGFboQFW5VcgYPGWL7Kg4Tr
9 - MANIFESTO PÚBLICO A FAVOR DO ISOLAMENTO SOCIAL COMO FORMA DE PREVENÇÃO E CONTENÇÃO DA COVID-19 (25/03/2020)
MANIFESTO PÚBLICO A FAVOR DO ISOLAMENTO SOCIAL COMO FORMA DE PREVENÇÃO E CONTENÇÃO DA COVID-19
Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI Imuno) - 25 de Março de 2020
Existe um novo vírus em território brasileiro sobre o qual há muito a se conhecer para que soluções de saúde sejam encontradas. Contudo, com relação ao Novo Coronavírus, há algo que já é um consenso entre imunologistas, epidemiologistas, infectologistas, virologistas e todas as demais áreas científicas que, ano após ano, combatem epidemias das mais variadas: o isolamento social como forma de prevenção, contenção e auxílio à mitigação.
Hoje, mesmo o Reino Unido que, com seu sistema hospitalar de excelência, havia escolhido no início da pandemia seguir em padrão científico diferente - o da exposição dos cidadãos ao vírus -, já adotou medidas mais duras tendo o isolamento social como um marco de ação.
A COVID-19 não é um resfriado, mesmo que muitos infectados apresentem sintomas similares. Ela é uma doença que em sua forma mais grave leva o infectado a um quadro agudo de pneumonia, que hoje já resultou em mais de 16 mil mortes e aproximadamente 400 mil casos confirmados no mundo todo. Esses números estão subestimados, pois, inclusive no Brasil, grande parte dos casos suspeitos não está sendo testada.
É uma doença que infecta a todos: de crianças a idosos. Sobre a orientação internacional de manter as escolas sem aulas durante a fase de contenção, isso se dá pelas crianças, quando acometidas, geralmente não apresentarem sintomas, o que pode facilitar a rápida disseminação do vírus.
A COVID-19 possui um grupo de risco para o desenvolvimento de sua forma mais grave, mas não se restringe a ele. Dentro do grupo de risco estão pessoas idosas e já com a saúde fragilizada, como homens e mulheres com cardiopatias, diabetes e doenças pulmonares. Em um país como o Brasil isso representa milhões de pessoas.
O pronunciamento feito nesta terça-feira, 24 de março, em cadeia nacional, pelo Presidente da República, vai contra todas as orientações das sociedades científicas e da Organização Mundial de Saúde (OMS), especialmente em um momento em que o país já apresenta transmissão comunitária sustentada.
Por certo, todos nós entendemos o impacto que medidas de isolamento social podem causar aos mais diversos setores. Afinal, somos parte de uma mesma sociedade que está vivenciando e vivenciará os impactos da pandemia. Contudo, é preciso destacar aqui alguns pontos:
A Sociedade Brasileira de Imunologia acredita veementemente que prevenir e conter o avanço da doença, bem como investir em ciência e tecnologia são ações menos onerosas, mais efetivas e humanitárias. Portanto, ela vem por meio deste manifesto reforçar a necessidade de isolamento social.
A SBI Imuno também reafirma o comprometimento dos imunologistas brasileiros no combate ao Novo Coronavírus. Nossa comunidade está em força-tarefa para encontrar soluções de saúde de forma rápida e segura; atuando arduamente, mesmo em um momento em que o Governo Federal continua realizando cortes, como os determinados com a Portaria 34/2020.
Este é o momento de termos uma sociedade unida, que receba direcionamentos claros e alinhados do que deve ser feito. As orientações devem ser realizadas a partir de apontamentos científicos e em afinidade entre todas as áreas para que as pessoas e instituições possam se organizar e fazer o planejamento essencial para o período. A COVID-19 é um caso de Saúde Pública. Por que não ouvir os que trabalham na área diariamente?
Ricardo Gazzinelli
Doutor em Imunologia
Presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia
sbi@sbi.org.br // Instagram: @sbi.imuno // Facebook: @sociedadebrasileiraimunologia.sbi
Mapeamento SBI Imuno: Grupos Brasileiros de Pesquisa Imunológica em Covid-19