Grupo Pequeno              10/3/2019

       

A IGREJA DE CORINTO #23

Você pratica o άναπαύω?

1Co 16

Por: Pr. Cláudio C. Barrozo

Clique aqui e ouça o áudio, clique aqui e assista ao vídeo da mensagem pregada pelo Pr. Cláudio Barrozo, em 3/3/19-M, leia o texto de apoio abaixo, reflita e compartilhe com os demais integrantes de seu GP (Grupo Pequeno), no domingo, às 9h.

Lembremos a origem dos Problemas da igreja de Corinto: Divisões QUE LEVARAM A -> Problemas Doutrinários QUE LEVARAM A -> Problemas Morais.

No encerramento do capítulo 15 (v.58), o Apóstolo Paulo acabara de dizer que nada do que se faz na obra do Senhor é em vão. Agora, neste capítulo 16, ele mencionará algumas ações práticas que têm valor para todos os cristãos e que devem realizar:  

  1. Ofertarem ajuda aos necessitados (v.1-4) - Os cristãos em Jerusalém estavam sofrendo de pobreza e fome, por isso Paulo estava coletando dinheiro para eles (Rm 15.25–31; 2Co 8.4; 9.1ss). Ele orientou que os crentes deveriam entregar sua oferta todos os domingos, ou seja, quando eles se reuniam para cultuar como igreja. Isso está de acordo com o que determina o Senhor em Ex 23.15; 34.20 e Dt 16.16, pois é adoração (aquilo que procede do que é meu e que dou a Deus em consagração). Era uma oferta alçada que deveriam fazer até quando ele chegasse para levá-la a Jerusalém. O Apóstolo Paulo havia planejado ir direto de Éfeso a Corinto, mas mudou de ideia (2Co 1; 2). Quando ele finalmente chegou, pegou as ofertas e as entregou na igreja de Jerusalém (At 21.18; 24.17).

  1. Respeitarem o Pastor Timóteo, apesar de ele ser jovem (v. 10-11), pois estava realizando a obra do Senhor. Não se devem subestimar aqueles que são chamados por Deus e investidos de autoridade, não importa se ele é solteiro ou jovem. Se for confirmada a sua vocação ministerial, deve ser respeitada como se fosse um ancião (1Sm 2.18; 26; 3.19-21).
  2. Se sujeitem àqueles que forem investidos de autoridade para liderança (v. 15-16), como Estéfanas, sua família “e todo aquele que auxilia na obra e trabalha”. Veja que Estéfanas e seus familiares não eram neófitos[1] mas dos primeiros convertidos quando Paulo esteve em Corinto pregando o Evangelho e que aprenderam com ele por todo o tempo que esteve ali até deixar a igreja estabelecida. Desde o início da caminhada cristã eles se consagraram ao serviço dos santos (v.15). Eram não apenas cooperadores, mas também obreiros (v.16). 
  3. Imitarem o exemplo de Estéfanas, Fortunato e Acaico, que não apenas ajudaram o apóstolo Paulo durante sua estada em Corinto, mas, depois que ele saiu, continuaram trabalhando com o mesmo empenho e consagração. Nas horas mais amargas do apóstolo Paulo em Éfeso, quando enfrentou feras e tribulações maiores do que suas forças, a ponto de quase desesperar-se da própria vida (2Co 1.8), Paulo recebe a visita de Estéfanas, acompanhado de Fortunato e Acaico que “recrearam” o espírito dele. A palavra grega traduzida por “recrearam” (“refrigério” em outras versões bíblicas) é άναπαύω (anapauo), que aqui tem o sentido de “causar ou permitir a cessação de qualquer movimento ou trabalho, a fim de que o outro possa recuperar e recolher sua força”. Quando um irmão ou irmã sofre um acidente ou sofrendo enfermidade e um crente vai à sua casa e lava as louças, arruma a casa, lava e aspira seu carro, leva seus filhos para a escola, lava a sua roupa isso é anapauo. Somente um crente cheio do Espírito Santo, e por isso mesmo cheio de ágape, terá atitudes de άναπαύω. Se isso é maravilhoso pela demonstração aos vizinhos que saberão o que foi feito (Jo 13.35), imagine a repercussão espiritual que isso terá se for feito a um ministro do Senhor! Jesus diz, em Mt 10.41 (RA): “Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta”, e Hb 6.10 (NTLH): “Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos”. O que é um galardão de profeta que recebe aquele que pratica άναπαύω? Quando Abimeleque toma Sara como concubina, sem saber que ela era esposa de Abraão, Deus aparece a ele em sonho e lhe diz “Agora, pois, restitui a mulher ao seu marido, porque profeta é e rogará por ti, para que vivas... E orou Abraão a Deus, e sarou Deus a Abimeleque, e a sua mulher, e as suas servas, de maneira que tiveram filhos” (Gn 20.7,17 RC). Não é uma questão meramente de abençoar com recursos materiais ao Pastor ou ao missionário, cuidando de capacitá-los para que continuem o ministério para o qual foram chamados, mas sobretudo de se praticar άναπαύω, como o fizeram Estéfanas, Fortunato e Acaico para com o apóstolo Paulo. Quantos são os crentes que correm ao Pastor em momentos de crise, de dificuldade, para receber uma orientação e depois, quando as coisas vão bem, não voltam para compartilhar a vitória, a alegria do sucesso por terem obedecido a orientação, e ainda cobram atenção do Pastor, que tem que se desdobrar para cuidar da igreja, mas esses membros jamais procuraram expressar carinho, amizade, atenção! Souberam que sua esposa esteve impossibilitada de ir à igreja, mas não a visitaram, não se ofereceram para ajudá-la! Quantas vezes os crentes viram seu Pastor subir o altar com o semblante pesado, mas não oraram por ele, não intercederam pedindo ao Espírito Santo que o abençoasse com sabedoria, refrigério e direção para superar aquele momento, qualquer que fosse, ao contrário, até se deram aos comentários depois do culto com especulações a respeito do que teria provocado aquilo, mexericando dentro da igreja e aumentando o sofrimento do Pastor! Quando o crente pratica Mt 18.15-17 está também praticando άναπαύω, pois a responsabilidade de proteger a unidade da igreja, antes de ser do Pastor, é de cada um, e com isso causa a cessação de qualquer movimento ou trabalho, a fim de que o Pastor possa recuperar e recolher sua força, ou direcioná-la para algo que o crente não pode, mas apenas ele, o Pastor. Às vezes Beatriz entra em meu escritório, quietinha, se posta ao meu lado e toca suavemente meu braço em movimento bem carinhoso, é a senha para eu interromper o que estou fazendo e lhe dar atenção, e às vezes estou extremamente tenso, refletindo sobre algo muito grave, mas interrompo e ela coloca o rostinho em meu ombro, me abraça e diz baixinho “eu vim aqui só para dizer que te amo, papai!”. Ah... é como se eu acabasse de vir da rua sob um sol escaldante e entrasse numa sala geladinha ou debaixo de um delicioso chuveiro frio! Ela nem sabe, mas está praticando άναπαύω comigo. 

No v. 12, vemos que Apolo, que havia pregado em Corinto, estava realizando trabalho evangelístico na Grécia (At 18.24–28; 1Co 3.3 ss). Apolo não foi imediatamente para Corinto, porque em parte, certamente, ele sabia das facções lá e não queria causar mais divisões deixando por conta do Apóstolo Paulo resolver a situação. Ao mencionar a indisposição de Apolo de ir a Corinto, Paulo está demonstrando a unidade que existia entre eles, expondo ainda mais aqueles que fomentavam a divisão e facciosismo para que a igreja se afastasse deles (2Ts 3.6,14,15).

Como os coríntios esperaram a próxima visita de Paulo, eles foram orientados a (vs. 13 e 14):

1.    Estar em guarda - eles deveriam estar constantemente atentos ou alertas para inimigos espirituais que pudessem penetrar e ameaçar destruí-los, fossem divisões, orgulho, pecado, desordem, ou teologia errônea;

2.    Permanecerem firmes naquilo em que creram - isto é, no Evangelho que haviam sido ensinados no princípio e que lhes trouxera a salvação;

3.    Serem corajosos para poderem enfrentar os falsos mestres, lidarem com o pecado na congregação e corrigirem outros problemas;

4.    Serem fortes, com a força dada pelo Espírito Santo; e

5.    Fazerem tudo em amor, porque sem amor, eles não seriam mais que orgulhosos fazedores de barulho. Hoje, enquanto esperamos o retorno de Cristo, devemos seguir as mesmas instruções.

 CONCLUSÃO FINAL

A igreja em Corinto era uma igreja em apuros. Paulo amorosamente e com firmeza confrontou seus problemas e os orientou de volta para Cristo. Ele lidou com divisões e conflitos, egoísmo, uso imprudente de liberdade, desordem na adoração, uso indevido de dons espirituais e atitudes erradas sobre a ressurreição. Em todas as igrejas, existem problemas suficientes para criar tensões e divisões. Não devemos ignorar ou encobrir problemas em nossas igrejas ou em nossas vidas. Em vez disso, como Paulo, devemos lidar com os problemas à medida que surgem. A lição para nós em 1ª Coríntios é que unidade e amor em uma igreja são muito mais importantes do que líderes e rótulos.

 

 

Reflita e compartilhe com os demais de seu GP:

 

1. Você é um adorador que celebra com alegria o momento de consagrar o dízimo e ofertar com generosidade em cada culto? Você acredita que devemos adorar com alegria porque Deus vai cumprir sua promessa de abrir as janelas do céu e derramar bênçãos sem medida (Mq 3.10) ou porque estávamos mortos para Deus, condenados ao inferno e recebemos a Graça imerecida da salvação por Jesus Cristo ter morrido em nosso lugar para que tenhamos a vida eterna, razão suficiente para obedecermos a Ele e não nos apresentarmos a Ele de mãos vazias?

 

2. Se um membro da igreja bem mais jovem que você recebe autoridade como líder de ministério, você deixa de participar daquele ministério porque teria dificuldade de se submeter a alguém que talvez tenha idade para ser teu irmão caçula, ou teu filho ou neto?

 

3. Você pratica άναπαύω com teus irmãos e com o teu Pastor ou é daqueles crentes que são como a sanguessuga, que ficam só no “me dá senão vou embora”? Quando você recebe orientação do Pastor, ou compartilha um problema e ele passa a orar por você, você retorna para compartilhar da alegria da vitória ou esquece? Afinal, ele está lá para isso mesmo!

 

4. Teu Pastor se dedicou estudando (muitas vezes sacrificando horas de comunhão com a família) e preparando este estudo, assim como faz todas as semanas, para que você possa aprender, ser edificado(a) e edificar a igreja. Você poderia praticar άναπαύω escrevendo uma carta para ele compartilhando o que Deus falou contigo, te confrontou, te fez mudar para melhor, abriu teus olhos e te ajudou a enxergar ao longo destas 23 semanas estudando a 1ª Epístola do Apóstolo Paulo aos Coríntios? Você pode enviar por e-mail (ccbarrozo@hotmail.com) ou entregar a ele impresso, ou manuscrito (legível tá!) após o culto, ou à secretária dele durante a semana. Você pode também dar um abraço na esposa dele e agradecer a ela a paciência, resignação e compreensão que ela dispensa a ele para dar-lhe o suporte que ele precisa para poder ser o Pastor de tua igreja, e de vez em quando enviar a ela uma mensagem dizendo que está orando por ela e sua família? Seria um bom άναπαύω se você o fizesse de vez em quando!


[1] Neófito - pessoa que foi batizada a pouco tempo, ainda inexperiente e sem conhecimento substancial da Palavra.