Guia 1
RE(EXISTÊNCIAS) POPULARES MEDICINA DA FLORESTA: CORPO
E MEMÓRIA ANCESTRAL
POPULAR RE(EXISTENCES) FOREST MEDICINE : BODY, AND ANCESTRAL
MEMORY
MAYA MYKAELA DA SILVA
RESUMO
Instalação r(e)existências populares: medicina da floresta, corpo e memória ancestral, se inscreve na cultura popular de imagens autorais contemporâneas a partir de tecnologias ancestrais, memória ancestral, cultural, popular e nordestina afro-indígena, notadamente diversas. A partir da Romaria de São Francisco de Assis e de álbum de família, durante rito católico de santo de origem brasileira e nordestina em Canindé, Ceará, Nordeste do Brasil.Experimentar pesquisa poética à partir de minha identidade indígena em instalação de tecnologias. O campo de estudo é memória, seja coletivos ou individuais. Em suas interconexões metodológicas: experimentação, conceituação e produção destes saber-fazer de cunho experimental em forma e representação escultóricas, fotográficas e material cósmicas mediado pela pesquisa de autores, elementos estéticos, imateriais, filosóficos, identitários e subjetivos de meu corpo ancestral, propondo possibilidades e desdobramentos no contemporâneo.
Palavras - Chave : Memória Ancestral,Campo Expandido, Gravura, Cerâmica, Medicina da Floresta
ABSTRACT
Popular Re(existence): Forest Medicine, Body, and Ancestral Memory inscribes itself in the popular culture of contemporary authorial images based on ancestral technologies, ancestral memory, cultural, popular, and Afro-Indigenous Northeastern traditions, notably diverse. Drawing from the Romaria de São Francisco de Assis and family albums during a Catholic rite dedicated to a saint of Brazilian and Northeastern origin in Canindé, Ceará, Northeast Brazil. It seeks to explore poetic research rooted in my Indigenous identity through an installation of technologies. The field of study is memory, whether collective or individual. In its methodological interconnections: experimentation, conceptualization, and the production of experimental know-how in sculptural, photographic, and cosmic material forms, mediated by the research of authors, aesthetic elements, immaterial, philosophical, identity-based, and subjective elements of my ancestral body, proposing developments on the contemporary.
Keywords : Ancestral Memory, Expanded Field,
Engraving, Ceramics, Forest Medicine
Este texto descreve o processo de experimentação e produção da obra instalativa: R(e)existências Populares; Medicina da Floresta, Corpo e Memória Ancestral.O território deste trabalho se situa na investigação de memórias a partir de elementos constitutivos de memória social, seja ela coletiva ou individual.[1] As medicinas da floresta nos apresentam outras formas de cuidado do corpo,possíveis do encontro com as forças da natureza. Exemplos como as garrafadas, as raízes,os chás de folhas,os banhos,as defumações,os lambedores naturais ou xaropes fazem parte de um conjunto de medicinas com inúmeros potenciais de cura. As garrafadas são soluções de substâncias naturais de plantas com três ou mais componentes somados a diferentes tipos de líquidos alcoólicos.Sua função é atrelada a um consumo popular por ter atributos, formas de produção, formas de distribuição e objetivo medicamentoso diverso, bem como do sagrado de cura da saúde corporal ou de busca de resultados diversos no sentido da relação dos efeitos fitoterápicos e as reações do nosso organismo.Ademais, as propriedades fitoterápicas das plantas são parte dessas formas de medicina, aos quais busco referências de pesquisa para o trabalho ao me conectar com memórias ancestrais de minha comunidade.[2]Bem como, a pesquisa deste trabalho se desdobra também por meio de técnicas ancestrais da cerâmica, presentes na vivência e cotidiano de meu avô paterno que exercia a artesania da lojotaria.Diante disto, o trabalho desenvolvido nesta pesquisa cultiva olhares, subjetividades que são elaboradas a partir de memórias de imagens de álbum de família. Esta rememoração trás sentidos às formas de aproximação com o reconhecer, o pertencer, e imaginar imagens de memória. Interessando atravessamentos entre a memória, o corpo e a ancestralidade da floresta.[3] A instalação parte da perspectiva de experimentação material,estética e artística utilizando de processos multilinguagem na arte contemporânea. Segundo a autora¹ Alecsandra Matias de Oliveira em "Arte como Lugar da Memória"(2009)[4], artigo publicado pela Universidade de São Paulo no periódico da revista internacional interdisciplinar "INTERthesis" - PPGICH, a memória é importante meio de afirmação de coletividade e de pertencimento no mundo. Diante disso, a pesquisa deste trabalho se desdobra a partir de questionamentos de como produzir novas escritas poéticas deste corpo,transmutando memórias e ressignificando lugares de subjetividade de minha própria existência.[5] As imagens da memória tem inúmeros sentidos e significados,também assumem diversas manifestações e formas,possuem forças cósmicas, brotam da complexidade de nossos corpos ao (trans)mutarmos nossas vivências de dimensões mentais,espirituais e físicas sobre outras manifestações materiais, relacionais e sensitivas.[6] Diante deste pensamento,me interessa observar os diversos desdobramentos da memória ancestral da medicina da floresta, espiritualidade e concretude mística por meio da busca por pertencimento[7] como possibilidade de aproximação de minha ancestralidade.
O trabalho teve como objetivo de pesquisa, a experimentação das intermidialidades da linguagem da fotografia, da gravura, da cerâmica no campo expandido da arte. A pesquisa também teve como objetivo reunir obras contemporâneas,exposições,textos críticos e curatoriais como repertório de pesquisa poética da materialidade do barro, da cerâmica,da memória, da medicina da floresta, da identidade e do pertencimento. Ademais, propõe a reunião de autores, artistas, performers e críticos que elaboram trabalhos a partir do tema da ancestralidade, memória e das relações entre corpo, floresta e pertencimento. Bem como teve como objetivo investigar memórias ancestrais de família e de pertencimento da floresta,de suas manifestações espirituais e culturais diversas de origem nordestina e originária; bem como a aproximação desta ancestralidade pelo exercício filosófico e artístico de elementos de minha memória ancestral. Metodologicamente, fez-se uso de experimentação de processos técnicos de gravura, cerâmica e fotografia no campo expandido da arte. O trabalho de cerâmica é elaborado por meio das técnicas ancestrais de cordas, placas e transferências de imagem para argila (no ponto de secagem denominado "Ponto de Couro"). Ademais, o exercício de experimentação da arte deste trabalho é proposto pelo manuseio de elementos de materialidade orgânicas como a argila, a terra, a palha e os líquidos aquosos da instalação desses objetos no espaço expositivo.Dessa maneira, a metodologia se dá por meio de uma materialização sensível e cósmica desta memória ocupando o espaço expositivo, a partir de suas representações, significados e significantes [8]como matérias de memória imaterial.
[9]A instalação que nomeio R(e)existências Populares; Medicina da Floresta, Corpo e Memória Ancestral é composta por imagens de álbum de família da cerimônia fúnebre e ritual de missa de um mês de morte de meu avô materno José Valmir Mendes, durante parte da programação da Romaria de São Francisco de Assis, localizada no município de Canindé, Ceará, Nordeste do Brasil.[10] O trabalho também é composto por gravuras em ponta seca sobre alumínio de dimensões 30x42cm fixadas na parede, a um metro e meio de distância de uma base de madeira de dimensões 20cmx2x1,60 onde estão posicionadas peças de cerâmica escultóricas utilitárias de dimensões variáveis. Contidas nas peças cerâmicas, estarão presentes soluções alcoólicas de ervas medicinais, popularmente conhecidas como garrafadas. Dispostas sobre as formas de uma espiral de terra e palha, estão peças em cerâmica em formatos de pratos ou bacias. Sobrepostas a sua forma, imagens autorais de um ensaio produzido no trajeto [11]até a cidade de Canindé-CE.
Lidia Lisbôa é Artista Plástica, Ceramista e Performer. Cursou Gravura em metal no Museu Lasar Segall, escultura contemporânea no Museu Brasileiro de Escultura (MuBE), cerâmica no Liceu de Artes e Ofícios e História da Arte no Museu de Arte de São Paulo (MASP)[12]. Seu trabalho recebeu o Prêmio Maimeri 75 anos (1998) e o II Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-brasileiras (2012).Nascida em Guaíra, no estado do Paraná, vive e trabalha em São Paulo.
Figura 1 Cupinzeiros, Lídia Lisboa.Fonte: C& AMERICA LATINA . Lidia Lisbôa. Disponível: https://amlatina.contemporaryand.com/pt/people/lidia-lisboa/. Acesso: 9 nov 2023.Foto: Henrique Saad
A série de trabalhos intitulada "Cupinzeiros" da artista, performer e ceramista Lídia Lisboa faz parte de uma pesquisa escultórica em cerâmica.Interessa a investigação destes trabalhos pelo estudo de formas não humanas como os cupins.Organismos da mata de formações orgânicas que se projetam no espaço e na paisagem.Sua investigação como artista é atravessada por sua ancestralidade afro-brasileira. A representação das formas destes organismos não humanos e sua relação material da cerâmica se desdobram também sobre outras materialidades, à exemplo do tecido, por meio da prática artística do crochê.Esta confluência temática também é elaborada pela artista por meio da performatividade, sobre a perspectiva expandida das linguagens técnicas. Rosana Paulino é uma artista multidisciplinar,de origem paulista. A artista trabalha com técnicas multilinguagem. Dentre os temas de seu trabalho: memória, cultura e o corpo de representações de vivências de mulheres afro-brasileiras. A artista trabalha com uso de fotografia documental,por meio de uma investigação da memória coletiva e individual. Parte de uma das suas obras expostas na ³ Pinacoteca de São Paulo, em sua mostra individual, intitulada série "Tecelãs, Número I com casulos", de 2003, estava presente em uma instalação que foi posicionada e que ocupou diversos espaços expositivos.[13] A artista desenvolve uma série de desenhos e estudos de representações de corpos femininos,que se desdobram em formas escultóricas cerâmicas. Os desenhos possuem formas e relações arquetípicas de interseccionalidade de gênero, raça e classe, corpo e natureza bem como ancestralidade e memória.
Figura 2 - Rosana Paulino, Série Tecelãs, Número I com casulos, 2003, Dimensões variáveis Fonte: https://rosanapaulino.com.br/multimidia/27-numero-i-vista-frontal-com-casulos/
Salisa Rosa (Goiânia, GO, 1986), vive no Rio de Janeiro,é artista visual indígena brasileira. Trago como referência seu trabalho na exposição intitulada "Supernova" que ocupou o espaço expositivo do MAM - RJ com esculturas de cerâmica e adobe.[14]Investigando sua pesquisa e exposições atuais,me deparei com seu trabalho de cerâmica que produz materializações de suas memórias com sua genealogia. Como cita a curadora Beatriz Lemos "Ela desenvolve uma relação muito forte com o barro e o adobe. O adobe é mistura de terra e materiais orgânicos,moldados em diferentes formas, utilizados para subir paredes de barro, as mais variadas formas de muro, casa, fornos. Em sua trajetória,busca práticas artísticas voltadas para construções coletivas, no sentido de desdobrar obras em atividades artístico-pedagógicas, formular conversas, partilhar saberes. Como também cita a curadora Beatriz Lemos em seu texto sobre as obras, “Urna da memória” (2021), realizada em cerâmica, materializa a lembrança de sua avó, simbolizando sua ancestralidade”.
Figura 3 - Exposição supernova MAMRJ, Sallisa Rosa. Urna da memória (2021) Foto: FabioSouza Fonte:https://mam.rio/programacao/supernova-sallisa-rosa/
Figura 4 - Exposição supernova MAMRJ, Sallisa Rosa Urna da memória (2021) Foto: Fabio Souza Fonte: https://mam.rio/programacao/supernova-sallisa-rosa/
Dagmar Muniz de Oliveira, de origem da Costa do cacau (BA) , foi artesã do barro em olearia de cerâmica familiar e ancestral. Dagma foi moradora da cidade de Belmonte (BA), também se autodeclarava como filha do barro. Sua família beneficia o barro na olearia "14 irmãos". Ademais sua artesania e produção de beneficiamento do barro localizados na região do vale do jequitinhonha, na bahia, é característica também de outros territórios tradicionais brasileiros,diante do exercício criativo,artesanal e popular de mulheres indígenas e negras em seu ofício com o barro. Escolho a instalação multimídia do artista Rodriguez Remo, junto da artesã, o artista apresenta o trabalho de "vídeo-instalação" no Trigésimo Sétimo Panorama da Arte Brasileira no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP)"[15]. A obra é referência de pesquisa para investigação de práticas ancestrais de cerâmica no campo expandido. A vídeo-instalação possuía elementos multilinguagens, à exemplo de iluminação, telas de vídeos com reproduções de seus documentários,sons acoplados aos vaso, de modo a produzir ocupação relacional e sensitiva entre matéria,corpo,imagens sonoras e audiovisuais presentes em documentários acerca da vivência de dagmar e processo de criação com o barro e como ceramista ancestral. As imagens produzidas e reproduzidas em vídeos - documentários do seu cotidiano evidenciam sua relação com a sobrevivência de povos tradicionais brasileiros,bem como de resistência de sua família a partir do beneficiamento do barro na olearia.
Figura 5 - Vistas da Exposição : Videoinstalação “Dagmar, Filha do Barro”, de Rodriguez Remor, no 37º Panorama da Arte Brasileira, no MAM. Foto: Renato Parada Fonte: http://www.rodriguezremor.art/2022/09/10/dagmar/
A religiosidade, o festejo, e modos cerimônias fúnebres possuem diversas expressões de origem popular brasileira e nordestina. Os usos de signos e significantes associados a cosmovisões e cosmogonias nas representações artísticas, possuem múltiplas formas expressões de artistas no contemporâneo.[16] Dessa forma, por meio do uso da cerâmica e do exercício escultórico da materialidade do barro, investigo as práticas tradicionais de origem e memória afro-indígena como fundamento desta pesquisa artística instalativa[17].A obra estabelece uma relação entre os conceitos dos autores, as referências artísticas, coexistindo em uma proposição artística elementos de memória cultural popular presente na vivência de meus parentes. O trabalho exercido cultiva oralidades dos saberes medicinais da floresta em minha memória familiar e ancestral. Ao perceber a diversidade da expressão de fé, de religiosidade e de espiritualidade dentro de diversas comunidades em convivência da mata, proponho uma rede de objetos presentes no cotidiano e vivência de minha ancestralidade. Desse modo, a instalação destes objetos e das relações da memória por meio da manifestação popular que habitam os ritos, rezas e remédios populares. Estes medicamentos são parte do cotidiano de existência de povos autóctones. No artigo original publicado por autores, Márcia Maria Barros dos Passos, Rayane da Cruz Albino, Michele Feitoza-Silva, Danilo Ribeiro de Oliveira, na Revista Saúde Debate.[18] Busco referência das autoras que propõem um estudo da legislação sanitária da ANVISA, da amplitude de distribuição, misturas e componentes, diante da dimensão cultural desta no território brasileiro bem como do paralelo com a imaterialidade cultural atrelada a uma produção popular e medicinal. No texto os autores(a) trazem à tona informações importantes de referência sobre a imaterialidade e a expressão de cura: Segundo Camargo, a imaterialidade, é parte dos usos populares atribuídos ao remédio, tendo propriedades de cura que são atribuídas muitas vezes ao mundo espiritual, exemplificadas pelo autor na prática indígena ancestral das garrafadas, As garrafadas são combinações complexas de ervas e líquidos alcoólicos com diversidade de usos e finalidades, amplamente comercializadas no país.; No cenário popular, o ‘poder de cura’ atribuído às garrafadas se deve aos efeitos da fé religiosa, na medida em que a esperança de cura promove a ''certeza da eficácia da garrafada'', principalmente para aqueles que buscam não somente a solução para seus problemas físicos, mas, também, espirituais. Sobre a perspectiva desta medicina da floresta que é muitas vezes invalidada pela medicina ocidental. Portanto, as plantas medicinais desempenham efeitos distintos, porém complementares na produção do poder curativo da garrafada, sendo o efeito farmacológico relacionado às substâncias ativas, e o efeito sacral representado pelo valor religioso, oriundo da crença do seu usuário.[19] Segundo Leda Maria Martins ,sobre a perspectiva de seu estudo de expressões culturais de religiosidade e diversidade ritual dos festejos, da diversidade religiosa e do estudo da memória-corpo, o ritual é fundamento e forma de comunicação de ancestralidade e conexão mística com outros mundos. A espiritualidade não fica restrita à apenas a experiência individual, sua manifestação coletiva é constitutiva dessas relações cósmicas,mediando o mundo espiritual e o mundo matérico. O trabalho surgiu a partir de processo de cura, de luto e de conexão ancestral com a cura do mundo espiritual, física e mental, a partir da manifestação ritualística de minha ancestralidade. A coletividade e o pertencimento são construídos também a partir deste encantamento de objetos de cunho cósmico, a exemplo da palha, dos ramos, que são manuseadas artesanalmente nas missas de ramos, com alguns nós, tramas, tranças e formas; os ramos são matérias de proteção energética para fé oriunda da pessoa individual. Fazem parte de manifestações espirituais, bem como compõem no trabalho, presença do mundo espiritual. Ademais, os aspectos sociais e culturais presentes nos rituais são ramificações de processos históricos de resistência e luta por afirmação identitária de pertencimento étnico e cultural de tradição[20]. Estes elementos que formam este corpo cósmico, ativa sentidos e produz relações com o observador a partir dessas diversas matérias, vivas, mortas, naturais, sobrenaturais, materializando presença ancestral e sagrada dos antepassados. Sobre a ótica da ciência da florestania, é possível evidenciar a potência da espiritualidade diante dos usos medicinais da mata por povos autóctones, em rituais curativos e ritualísticos. As plantas possuem propriedades fitoterápicas poderosas. A cultura de tradição da floresta originária está também no cuidado das nossas florestas e dos nossos corpos-floresta. Na publicação "Remédio do mato : cura e cultura através da floresta" (2023), produzido coletivamente por três mulheres indígenas que compartilham de suas vivências, medicinas, culturas, rituais e encantos com medicinas da floresta. O livro apresenta para o mundo, a ciência a partir da vivência e saberes das mulheres indígenas em coexistência com a floresta em seus territórios, na terra indígena Piaçaguera. Território localizado no litoral de São Paulo, o pertencimento e memória deste remonta as oralidades que são parte de suas experiências de coexistência com a mata e de cultivo de suas ancestralidades nas medicinas passadas por gerações. As autoras relatam inúmeros usos pela comunidade no território com as plantas, exemplificando seus princípios fitoterápicos. Catarina Nimbopyruá nos descreve sobre seu aprendizado com as medicinas da floresta, suas características colaborativas, cooperativas, compartilhadas[21]
TECNOLOGIAS ANCESTRAIS, MEMÓRIA CULTURAL COLETIVA E RELIGIOSIDADE
Em sua publicação “Tudo sobre o Amor” (2021), a autora Bell Hooks nos apresenta uma atenta observação do amor nas relações sociais como humanos em nossas relações coletivas e individuais. [22]A autora constrói uma importante análise de suas vivências. O texto recentemente foi reeditado e traduzido para o português brasileiro. No capítulo onze, a escritora elenca as relações entre morte, perda e amor. Ela analisa como a sociedade patriarcal e machista estrutura imaginários, comportamentos e violências. Bell nos convida a revisitar experiências do amor no cotidiano, diante da realidade concreta da possibilidade de amar de outras formas, sobre a perspectiva de uma ética amorosa. Sua proposta evidencia como podemos amar com mais acolhimento e sensibilidade com nossos corpos, exercitando uma ética amorosa diante da vida, da perda e da morte. A autora se comunica a partir de suas experiências como mulher negra norte-americana fora das normatividades sociais. Portanto, sua análise de memórias e comportamentos machistas nos apresenta possibilidades não violentas de amar, com mais cuidado com nós mesmas e com o outro. No capítulo onze de sua publicação, Hooks fala sobre como o amor também se manifesta na maneira como cultivamos o [23]luto e como expressamos nosso amor por nossos antepassados ao brotar das nossas espiritualidades; Ademais, pesquisando autores que falam sobre a perspectiva de pesquisa historiográfica de imagens e representações do território nordestino, Durval Muniz de Albuquerque, em sua publicação "A invenção do Nordeste e outras Artes" (2009), elabora diversas análises de imaginários fabricados para o território nordestino, como invenção simbólica de signos de uma construção social patriarcal e de oposição entre sudeste x nordeste como formas e representações de significantes diante do histórico de formações identitárias nordestinas amplamente reproduzidos em processos artísticos na literatura, na música, nas artes visuais e no cinema brasileiro.[24] Diante disto, as imagens e representações de nordeste que foram inventadas sobre uma perspectiva historicamente hegemônica são fruto desses atravessamentos de códigos e signos referente aos significantes historicamente construídos neste território. Deste modo, ao investigar, pesquisar e experimentar estas imagens como meio de pensar novas possibilidades, buscando materializar vivência de um imaginários nordestino não hegemônico, que pertencem e pertenceram ao meu cotidiano, retomando memórias de nossas vivências coletivas da diversidade de manifestação de fé na religiosidade popular e ancestral reivindicadas pela expressão da diversidade de corpos afro-indígenas brasileiros.[25] Ademais, se tratando deste histórico de invasão da Igreja católica como instituição colonizadora e aniquiladora da diversidade de manifestações culturais de religiosidade politeístas de raízes tanto africanas quanto indígenas brasileiras.[26] Esta invasão tinha como objetivo subjugar povos originários e africanos ao apagamento étnico e cultural, sendo importante ressaltar que estas reivindicações populares de pertencimento pela fé e pela resistência desta fé são meios potentes de afirmação concretas identitárias. A partir destes dados históricos e análises é possível retomar e reivindicar novas possibilidades desta memória popular no território ao qual sou originária? Este questionamento move questões de interesse de investigação experimental das imagens, bem como a maneira como estas imagens são reproduzidas e reconfiguradas por meio de uma linguagem popular de reivindicações afetivas e coletivas de fé, seja nos cotidianos de nossas casas de fé, nos alpendres, na vivência de mulheres parteiras, rezadeiras, benzedeiras, nas casas de milagres, no uso de objetos místicos cultivados por suas fé, nos festejos nas frentes das igrejas, nos terreiros e quintais, nas esquinas, nas encruzas e no cotidiano da expressão de fé do sincretismo de resistência brasileira. No contexto da diversidade de matrizes religiosas brasileiras estamos diante de uma profunda diversidade de ritos,rituais, expressões e festejos compondo um corpo coletivo diverso em suas reivindicações de raízes culturais do sagrado no dia-dia. Em Abril do ano de 2023, tive a oportunidade de visitar tanto como pesquisadora-participativa, fotógrafa e artista, um dos ritos de peregrinação religiosa do catolicismo brasileiro nordestino: a romaria de São Francisco Das Chagas, em Canindé. Ao produzir ensaios fotográficos, pude observar diversas relações entre objetos de fé e o corpo dos romeiros, como o trançar do ramo, o deslocar-se, os quadros de santo, as velas, os escritos nas paredes das almas, as grutas de almas, compõem desejo de concretização dos romeiros em sua manifestação de fé e como seus corpos diversos podem ser parte de uma expansão no rito de peregrinação. A peregrinação possui forte relação com a busca de aproximação com o sagrado. Ao buscar o deslocamento como concretude mística, os romeiros materializam seu compromisso de vida com sua fé. A peregrinação de São Francisco de Assis é uma das maiores do mundo, com 2,5 milhões de pessoas, segundo dados do Ministério da Cultura e do Turismo (2014). A partir dessa multiplicidade desses corpos, de sua formas de expressões ritualísticas e místicas de fé, de crendices, a pesquisa dessa memória cultural me abriu caminhos para cultivar minha espiritualidade de diversas maneiras não homogeneizantes, ao observar outros elementos de representação do sagrado, e sua relação primordial de comunicação de proteção e manifestação do mundo espiritual, parte de expressão dessa memória comunitária e tradicional de resistência.
NOTAS DO PROCESSO DE PESQUISA EXPERIMENTAL DAS TÉCNICAS DE GRAVURA EM PONTA SECA, ESCULTURA EM CERÂMICA E FOTOGRAFIA
A materialidade da cerâmica, da fotografia e da gravura são parte de experimentações que conduz a pesquisa deste corpo tridimensional instalativo ocupando o espaço. O trabalho propõe novas possibilidades para imagens de ensaios de fotografias produzidas em Canindé-CE, bem como para memórias ancestrais de família por meio do exercício da artesania ancestral do barro. O processo de transferência de imagem é parte de uma transmutação da matéria desta. A imagem, uma vez transferida para a argila, apresenta ruídos para sua representação, impressa no papel sulfite para a entintagem e depois transferida para matriz de argila, posteriormente, será fixado na peça pelo processo de secagem. Ressaltando a importância da linguagem da fotografia (analógica ou digital) como matéria primordial no processo. O trabalho consiste em uma elaboração de memória a partir da técnica ancestral da transferência de imagem para argila por meio de um processo alternativo de gravura no campo expandido. na intermidialidade da técnica da cerâmica com a fotografia, diversos ruídos geram novas configurações de corpo. A reconstrução-reconhecimento das imagens produzido pelo papel no processo de entintagem da matriz faz parte de um recurso conceitual para o trabalho. A materialidade da memória emerge da impermanência presente de fatores como a dilatação, contração, retração-transmutação da argila e do papel demandada pela execução experimental da técnica, provocando elementos conceituais de poética de construção do trabalho. Desta forma, as fotografias de álbum de família assumem uma condição de transmutação de sua forma, representação e código de linguagem, na mesma condição de mudança da matéria, portanto, estando em movimento. Nomeio estas imagens do barro como Foto-Matérias.
Figura 6 - Processo Teste de transferência, para placa de argila, 2023. Fonte: Autoria Própria
Ademais, a pesquisa deste trabalho se desdobra em três questões fundamentais na matéria de produção de registros de minha própria memória e de memória coletiva: a representação, a oralidade, e as tecnologias ancestrais de memória imaterial.Existem questões que brotam de minha insistência em revisitar imagens de álbum de família ao rememorar parte de elementos destas imagens presentes na vivência de memória comunitária de meus parentes. O exercício conceitual entre matéria-corpo, corpo-representação, matéria-imagem, palavra-corpo, espiritualidade-corpo se apresentou como uma possibilidade diante dos experimentos e processos de produção das placas em argila, e das reproduções das imagens sobre essas matérias, bem como pela gravura em alumínio, ao sonhar imagens-paisagens-corpo-transmutações. No artigo "O campo expandido: arte como ato filosófico'' publicado no periódico da Revista de Arte de São Paulo chamada Sala Preta "Na medida em que as fronteiras que separam, gêneros, linguagens e áreas culturais(política,arte etc.) se flexibilizam, abrindo espaço para outros tipos de composição, torna-se necessário um trabalho conceitual intensivo como parte do processo de articulação do pensamento e ação"[27].Ademais por meio do exercício da artesania do barro na produção de cerâmicas utilitárias.
Figura 7 - Processo Foto-Matéria Teste, Placa de Argila,2023. Fonte: Autoria Própria
As peças escultóricas utilitárias partiram de formas investigadas no processo de produção autoral de desenhos, escritos e gravuras em alumínio. No que concerne ao processo de transferência das imagens: Para produção das imagens, o processo consistiu em editar, colorizar, reticular e readaptar-los para a imagem digitalizada no preto e branco a ser impressa com tinta de toner a laser no papel sulfite 90g. Durante o processo de edição, as imagens são impressas com formatação "Bitmap", tipo de arquivo que possui distribuição regular de cor, bem como de pixels. As imagens passam também pelo tratamento reticular em preto e branco, tornando possível de observar que as imagens se fragmentam em luz e sombras pontilhadas, como espaços negativos e positivos das formas. Esta etapa de edição e preparação das imagens pós ensaio, é fundamental para seleção de um conjunto de fotografias que, juntas, produzem composições narrativas.Além disso, outra etapa de construção do trabalho é permeada pelo uso de um processo alternativo de transferência de tinta para argila ainda sem ser queimada. A imagem pós-edição é impressa em papel com tinta tipo toner e embebida de goma arábica, substância capaz de reservar os espaços sem tinta toner, quebrando a fibra do papel e reservando apenas os espaços negativos com tinta impressa.
Figura 8 - Processo Foto-Matéria Teste, Placa de Argila,2023. Fonte: Autoria Própria
A alquimia é fundamental para a reação e execução deste projeto instalativo. A inserção de ervas em soluções alcoólicas produzem alquimias medicinais que ocupam o espaço ao redor com aromas e ativam sentidos do observador. A principal mistura compõe plantas como arruda, eucalipto e banho de 7 ervas.É por meio das trocas químicas com moléculas de água e de álcool, bem como por meio da reação destes que potencializam essas plantas de poder. As cerâmicas utilitárias, muito presentes nas casas-corpo-barro é parte de um exercício da artesania do barro da floresta e de acúmulo de memórias ancestrais. Os potes são utilizados para reserva de mantimentos, água da chuva, do açude, reserva de plantas, grãos e demais usos do cotidiano de resistência presente simbolicamente na produção de cultura popular destes.
Figura 9 - Processo Peças Utilitárias, Técnicas de cordas em argila,2023.Fonte: Fotografia Autoria Própria
Retornando ao processo de transferência, utilizo óxidos metálicos em pó, somado ao óleo de linhaça, permitindo a formação de uma pasta espessa de tinta preta, que imprime ao ter contato com a umidade entre o papel, transferido integralmente a imagem reticulada para a cerâmica. Portanto, o processo esta etapa conta com uma experimentação entre a reprodução fotográfica e o resultado final após a queima. A instalação materializa o exercício artístico destas interconexões a partir do cruzamento das técnicas da gravura, desenho, escultura em um jogo complexo de linguagem[28] e diferentes códigos significantes.
Os eixos de palavras-ideias que nortearam minha experimentação e procedimentos de pensamento estão exemplos como o registro,movimento,espaço,marca,tempo,memória ancestral,corpo e espiritualidade. Os desenhos produzidos em ponta seca são investigações bidimensionais de formas orgânicas da natureza, a exemplo dos cupinzeiros, formigueiros, colmeias, casulos, casa de moribundos, casas de joão de barro. A partir de uma pesquisa de filosofias não ocidentais, que apresentam outra perspectiva da cura, do sagrado, da hierarquização na relação de supervalorização da existência dos humanos em detrimento dos não-humanos.
Na publicação traduzida por Alberto Costa, O bem viver [29]da editora autonomia literária, o texto elucida questões urgentes a partir da filosofia de origem quechua ; pensamento filosófico de aprendizado com não-humanos e seus modos de vida. Ademais, me possibilitando resultado final de novas imagens reveladas na pesquisa material do barro, da gravura, da cerâmica e da fotografia. Partindo do exercício da artesania do barro como potência das manifestações dessas imaginações políticas de memória, para além de contexto da expressão do subjetivo, encontrei durante esta caminhada conexão com minha ancestralidade. Ademais, reconhecendo as ruínas de uma humanidade que distancia sua existência como parte do cosmos, da floresta e essencialmente do cuidado com a vida que pulsa ao nosso redor. Busco evidenciar a partir da matéria de elementos de memória espiritual de resistência e de fé dos povos autóctones brasileiros e de áfrica conexão com a ancestralidade e força do cosmos, por meio da ocupação instalativa de memória da dimensão espiritual que habita nas nossas memórias com a produção de potes de barro, do cuidado de nossos corpos ancestrais por meio da medicina da floresta, do exercício de conexão com o potencial de cura espiritual e matérica. Portanto, para além de um componente arenoso encontrado nas beiradas da terra, barrancos, nos fundos das várzeas e rios, dos sangradores, nas beiras dos açudes, nos mangues, nos quintais, que são beneficiados pelas olarias, nas profundidades da terra. Pude constatar, à partir do exercício da memória da artesania do barro e da ancestralidade de memórias de meus avôs possibilidade concreta e a material da presença espiritual bem como de expressão estética e diversa de expressão cultural, do cotidiano de suas coexistências com a floresta bem como de suas coexistências com práticas medicinais ancestrais de mulheres originárias e afrodescendentes, aos quais prosperaram em suas diversidades de luta, fé, resistência e pertencimento. A materialidade da argila introduz questões técnicas de meu interesse com a representação do "saber/fazer" em movimento,bem como a cerâmica como "saber ancestral". Assim, estas formas são registros de imagens de memória possibilitando reencontros pessoais possíveis com a memória ancestral a partir de fotografias de álbum de família, bem como ao conviver com o mato como parte de nossas parentalidades sensíveis, entendendo o corpo floresta como espaços de coexistência, como as montanhas sendo parte de minha parentalidade-avô, suas memórias são meu refúgio, nossos corpos são florestas. Instalação-Corpo-Originária do sonho e das múltiplas formas de existir, de habitar, de cultivar a fé, bem como de experienciar as artesanias do barro, da cerâmica, da fotografia, do deslocamento e da transmutação dessas imagens da memória ao ritualizar conexão com meus antepassados.
ANEXOS - IMAGENS DO PROCESSO DE CRIAÇÃO DA INSTALAÇÃO
Observação: Houveram mudanças no tamanho e dimensões durante
o processo de montagem e experimentação
Figura 12 - Desenhos projetuais vistas do trabalho,Fonte: Autoria Própria
Figura 13 - Montagem Base de Madeira Produzida no Laboratórios da belas artes,2023 Fonte: Fotografia de Autoria Própria
Figura 15 - Exercício em Aquarela dos vasos utilitários,
Figura 16 - Exercício em aquarela dos vasos utilitários,
Fonte: Autoria Próprio
Figura 19 - Vistas da instalação (Re)existências populares: Medicina da floresta,
Corpo e Memória Ancestral,2023
Figura 20 - Vistas da instalação (Re)existências populares: Medicina da floresta,
Corpo e Memória Ancestral,2023 Fonte: Fotografia de Autoria Própria
Figura 21 - Vistas da instalação (Re)existências populares: Medicina da floresta, Corpo e Memória Ancestral,2023
Fonte: Autoria Própria
RE(EXISTÊNCIAS) POPULARES : MEDICINA DA FLORESTA, CORPO E MEMÓRIA ANCESTRAL © 2023 by MAYA MYKAELA DA SILVA is licensed under Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International MÀY'Á MYKA'ELA DA SILVA é pessoa transfeminina e um Formigueiru adensado nas terras e maciços do Baturité, e em Fortaleza, Nordeste, Ceará. Formada como bacharel em artes visuais pelo FEBASP. Atualmente, por meio de investigação da prática artística multilinguagem, experimenta e pesquisa escrita, memória, identidade e pertencimento. Atua também transitando entre o Design, Artes Visuais, Fotografia, Assistência em Produção Cultural e Mídias Sociais, Arte Educação e Assistência em Pesquisa e Preservação.https://orcid.org/0009-0008-4537-2461/ https://lattes.cnpq.br/7659681076579202
[1]SANTOS, A. B. D. Colonização quilombos: modos e significações: modos e significações. 1. ed. Brasília: 2015, 2015. Realização Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa - INCTI/ UNB/CNPq/MCTI p. 9-148.
[2]POITENA, C. N. S. T. A. Remédio do Mato : Cura e Cultura Através da Floresta: Cura e Cultura Através da Floresta. 1. ed. 2023: Cultive Resistência, 2023. p. 1-89.
[3] JOSECA YANOMAMI: NOSSA TERRA-FLORESTA = JOSECA YANOMAMI: Our forest- land/organização e curadoria Adriano Pedrosa, David Ribeiro: Textos : Bruce Albert (Et al) - São Paulo: MASP, 2022. p 35 - 73 (Textos Denilson Baniwa e Patrícia Ferreira Pará Yxapy).
[4] OLIVEIRA 1, A. M. D. ARTE COMO LUGAR DA MEMÓRIA: ART AS A PLACE OF MEMORY. revista travessias, São Paulo, v. 5, n. 5, p. 1-25, nov./2022. Disponível em: www.unioeste.br Acesso em: 26 nov. 2023.
[5] CULTURA EM CASA. VIDEOPERFORMANCE AKIUE R-EXISTO. Disponível em: https://culturaemcasa.com.br/video/videoperformance-akiue-r-existo/. Acesso em: 23 nov. 2023.
[6] SILVA,João Paulo Querino da Tybyra : uma tragédia indígena brasileira / Tyryrá yma mba'e wai nhandewa regwa pindó reta-re/João Paulo Querino da Silva; Ilustrações de Denilson Baniwa - São Paulo, SP : Selo Doburro,2020 100p .: II ; 14x21 cm
[7]MUNANGA, Kabengele. O mundo e a diversidade : questões em debate. ESTUDOS AVANÇADOS , São Paulo, v. 36, n. 105, p. 117-129, dez./2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/7dxnhTYxMskypKpS6FcW98L/?format=pdf.
[8] MAM.ORG.BR. MOQUÉM SURARÍ: ARTE INDÍGENA CONTEMPORÂNEA. Disponível em: https://mam.org.br/wp-content/uploads/2022/04/mam-moquemsurari-catalogo-com-ad.pdf.
[9] História, memória e historiografia./ Francisco Régis Lopes Ramos. (Org.). – Sobral, CE: Sertão Cult, 2020.
[10] ALVES, Francisco de Assis Francelino; SILVA, Ivo Luís Oliveira; MAPURUNGA, Glaúdia Mota Portela. Corpo, fé e glória: uma descrição fragmentária dos romeiros de são francisco, de canindé, ceará. Geosaberes, Fortaleza, v. 6, n. 2, p. 350 - 361, july 2015. ISSN 2178-0463. Available at: <http://www.geosaberes.ufc.br/geosaberes/article/view/435>. Date accessed: 10 nov. 2023.
[11]FERREIRAI, T. A. D. S. SINCRETISMO, CULTURA E TRADIÇÃO: DIÁLOGOS. Revista Eletrônica de Ciências Sociais, Juiz de Fora, v. 24, n. 24, p. 1-309, nov./2017. Disponível em: Religião, congados, sincretismohttps://periodicos.ufjf.br › csonline › article › view. Acesso em: 15 dezembro. 2023
[12]C& AMERICA LATINA . Lidia Lisbôa. Disponível em: https://amlatina.contemporaryand.com/pt/people/lidia-lisboa/. Acesso em: 23 nov. 2023.
[13] C&AMERICALATINA. ROSANA PAULINO: A SUTURA DA HISTÓRIA. Disponível em: https://amlatina.contemporaryand.com/pt/editorial/rosana-paulino-the-suturing-of-history/. Acesso em: 23 nov. 2023.
[14] MAM RIO. Supernova Sallisa Rosa. Disponível em: https://mam.rio/programacao/supernova-sallisa-rosa/ Acesso em: 3 dezembro 2023.
[15] MAM.ORG.BR. 36 PANORAMA DE ARTE BRASILEIRA. Disponível em: https://mam.org.br/wp-content/uploads/2020/01/-mam-sertao-catalogo-final-dupla-bx-capa-cor-simulada.pdf. Acesso em: 10 dezembro. 2023.
[16] ALVES, Francisco de Assis Francelino; SILVA, Ivo Luís Oliveira; MAPURUNGA, Glaúdia Mota Portela. Corpo, fé e glória: uma descrição fragmentária dos romeiros de são francisco, de canindé, ceará. Geosaberes, Fortaleza, v. 6, n. 2, p. 350 - 361, july 2015. ISSN 2178-0463. Available at:<http://www.geosaberes.ufc.br/geosaberes/article/view/435>. Date accessed: 10 nov. 2023.
[17] CAMPOS, B. C. C. D. M. À NORDESTE : Curadoria Bitu Cassundé; Clarissa Diniz; Marcelo Campos.. 1. ed. São Paulo: Serviço Social do Comércio. Administração Regional no Estado de São Paulo;, 2019. p. 4-174.
[18] PASSOS 1, M. M. B. D. et al. A disseminação cultural das garrafadas no Brasil:: um paralelo entre medicina popular e legislação sanitária. Saúde, Rio De Janeiro, v. 43, n. 116, p.248-262,jan./2018.Disponívelem:https://www.scielo.br/j/sdeb/a/frsCzjwQK7VZwpSC9dCMtqg/?format=pdf & lang=pt. Acesso em: 13 nov. 2023.
[19] (Márcia Maria Barros dos Passos, Rayane da Cruz Albino, Michele Feitoza-Silva, Danilo Ribeiro de Oliveira, 2018, p. 256)
[20] MARTINS, Leda Maria. Performances do Tempo Espiralar: Poéticas do corpo-tela. 1. ed. Rio De Janeiro: Cobogó, 2021. p. 1-256.
[21] "Comecei esse despertar para o remédio do mato, essa relação com a mata e a com a cura. Fui conhecer outras culturas e observar como elas praticam rituais de cura e cuidam de suas comunidades. Comecei a sentir esse chamado da mata e lembrar de tudo o que aprendi sobre ervas medicinais dentro de nossa cultura e comecei a tratar meus filhos, netos, sobrinhos com ervas: às vezes com chás e às vezes com garrafadas". POITENA, C. N. S. T. A. Remédio do Mato : Cura e Cultura Através da Floresta: Cura e Cultura Através da Floresta. 1. ed. 2023: Cultive Resistência, 2023. p. 1-89.
[22] HOOKS, Bell. Tudo Sobre o Amor : Novas Perspectivas/ Bell Hooks; tradução Stephanie Borges. 1. ed. São Paulo: Elefante, 2021. p. 1-272.
[23] como cita no texto: "O culto à morte é um componente central do pensamento patriarcal, seja ele expresso por homens ou mulheres. Teólogos visionários veem o fracasso da religião como um dos motivos pelos quais a nossa cultura continua centrada na morte. No Livro Original Blessing: A Primer in Creation Spirituality Present in Four Paths, Twenty-six Themes, and Two Questions [ A bênção original : uma introdução à espiritualidade da criação apresentada em quatro caminhos, 26 temas e duas questões ], Matthew Fox afirma: ''A civilização ocidental preferiu o amor pela morte ao amor pela vida, na medida em que suas tradições religiosas proferiram a redenção a criação, o pecado ao êxtase e a introspecção individual à consciência e apreciação cósmica. Em sua maioria, perspectivas patriarcais moldaram os ensinamentos e as práticas religiosas. Recentemente, houve um afastamento desses ensinamentos em direção a uma espiritualidade baseada na criação, que promove a vida. Fox chama isso de "a via positiva": sem esse enraizamento sólido nos poderes de criação, nós nos tornamos pessoas entediadas, violentas. Nós nos tornamos necrófilos apaixonados pela morte e pelos poderes e principados da morte". Nós nos afastamos dessa adoração pela morte desafiando o patriarcado, criando a paz, trabalhando por justiça e abraçando uma ética amorosa.
[24] Albuquerque Júnior, Durval Muniz de. Nordestino: Invenção do "Falo" - Uma História do Gênero Masculino (1920 - 1940)./ 2 edição./ DURVAL MUNIZ DE ALBUQUERQUE JÚNIOR - SÃO PAULO: Intermeios, 2013 (Coleção Entregêneros).
[25] ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. São Paulo: Cortez Editora, 2009.
[26] MASP.ORG.BR. HISTÓRIAS BRASILEIRAS 26/08 - 29/10. Disponível em: https://masp.org.br/exposicoes/historias-brasileiras. Acesso em: 11 nov. 2023.
[27] Quilici, C. (2014). O campo expandido: arte como ato filosófico. Sala Preta, 14(2), 12-21. https://doi.org/10.11606/issn.2238-3867.v14i2p12-21" Acesso em: 23 nov. 2023.
[28] Diferentemente da atitude modernista, pautada no desejo de ruptura e negação das escolas e movimentos anteriores para propor o novo, o “campo expandido” designaria outro tipo de estratégia. Não se trata mais de jogar com oposições, mas de produzir composições complexas, linguagens, técnicas, agentes etc. Por isso mesmo, tais práticas não se definem pela adesão a um meio específico de expressão (escultura, pintura, por exemplo), preferindo trabalhar com diferentes materiais e recursos: fotos, vídeos, ações, esculturas, objetos, entre outros. O artista mobiliza e transita por vários suportes e linguagens para dar forma às suas inquietações. Quilici, C. (2014). O campo expandido: arte como ato filosófico. Sala Preta, 14(2), 12-21. https://doi.org/10.11606/issn.2238-3867.v14i2p12-21 Acesso em: 23 nov. 2023.
[29] "Seu significado é viver em aprendizado e convivência com a natureza, fazendo-nos reconhecer que somos “parte” dela e que não podemos continuar vivendo “à parte” dos demais seres do planeta. A natureza não está aqui para nos servir, até porque nós, humanos, também somos natureza e, sendo natureza, quando nos desligamos dela e lhe fazemos mal, estamos fazendo mal a nós mesmos." COSTA, Alberto. O bem viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. 1. ed. São Paulo: Autonomia Literária Elefante, 2016. p. 1-272