Versão 1.7 - Atualizado em 13/02/2014 às 15h20

 Doravante escreverei alguns argumentos contra o aborto em linhas gerais.

Este ainda é meu texto inicial; pretendo melhorá-lo com o passar do tempo e das objeções a ele levantadas.  Pretendo ainda enxugar alguns argumentos que ficaram muito prolixos sem necessidade, tornando-os mais concisos e objetivos.

Todos os argumentos abortistas neo-feministas, os quais são muito emocionais e mais longos dos que os postados a seguir, se resumem basicamente em dois:

1) o feto até X semanas (em que X é geralmente 12) é uma coisa, um objeto, um inútil, um verme, um parasita, algo que só serve para sugar as forças e a saúde da mulher, como uma lombriga, uma solitária ou giárdia; desse modo, um feto até X semanas não pode ser comparado a um bebê, a um idoso, ou a um deficiente que necessite de ajuda humana para sobreviver; uma forma mais suave dessa presunção é chamar o feto/embrião de órgão da mulher, um pedaço da mulher, no melhor dos casos como uma verruga a ser retirada.

2) A mulher é dona exclusiva desse "objeto", independentemente da vontade do pai, ou da vontade da sociedade, ou do Estado. Tal como a mulher pode querer matar uma lombriga em sua barriga, ou retirar uma verruga em sua pele, ou um tumor dentro de si, ela pode retirar (matar) um feto, porque este é similar a um parasita. Esquecem-se as feministas abortistas de que o feto não foi parar ali sozinho, não se autofabricou. Foi necessária a injeção de uma semente masculina, cujo detentor obrigatoriamente deveria também partilhar a decisão, mas isso é ignorado pelas feministas sob a falácia de "o corpo é meu". Feministas reclamam que os que dela discordam são misóginos (detestadores de mulheres), posto que chamam as mulheres de meras incubadoras. A falácia é desmontada porque, de fato, o útero de uma mulher é uma incubadora. Caso contrário, uma mulher não poderia ceder seu útero para barriga de aluguel, ou barriga solidária. Um óvulo fecundado de outro casal pode ser depositado num ventre saudável, que dali nascerá um bebê que nada tem a ver com a mulher cujo ventre o hospedou.

Quando contrariadas por diversos argumentos, as neo-feministas partem para o vitimismo e o coitadismo, além de também agredirem o interlocutor (misógino! machista!).

Vamos aos argumentos.

1) A gestante não é dona da vida humana que está sendo gerada em seu ventre.

Comentário:

Partir do princípio de que a gestante tem o poder de decidir completamente sobre o futuro do feto que está em seu ventre exclui o papel do pai na gestação; exclui a vontade do pai na gestação, bem como o papel do pai após o nascimento.

Comentários adicionais:

Conquanto não haja lei que responsabilize o pai durante uma gestação, nem criminalize o abandono afetivo de um marido à esposa grávida (porquanto a mulher só precisa da semente do homem para engravidar), há uma responsabilidade moral e afetiva que culturalmente existe (ou pode existir) no cônjuge/companheiro da mulher. Neste caso, ainda que a mulher não queira prosseguir a gestação, se o genitor quiser o desenvolvimento natural da sua semente, a vontade da mãe - que implica em morte - não deve prevalecer sobre a do marido - que quer a vida.

As feministas provavelmente apresentariam o contraponto de que o feto está alojado no ventre da mulher, portanto isso - por si só - dar-lhe-ia a primazia de decisão contra a vontade do pai. Se isso fosse dito, é importante ressaltar que este contraponto é um retrocesso ao ideal original do movimento feminista (que é muito diferente do neo-feminismo), o qual pregava a igualdade de direitos (deveres?) entre homens e mulheres. Assim, apelar para o argumento da diferença anatômica natural entre os sexos - o projeto divino que concedeu às mulheres o útero - daí concluir uma desigualdade no poder de decisão sobre um feto, é pedir que os homens também apelem para outras diferenças anatômicas e imponham outras (e mais) desigualdades sobre as mulheres.

Esses argumentos neo-feministas que ignoram a vontade e a presença do pai na gestação apenas dão munição aos homens para que se esquivem de toda e qualquer responsabilidade após a concepção. Sim! Por que um pai seria obrigado a pagar pensão alimentícia aos filhos sob a guarda da mãe, ou aos filhos que ele abandonou com a mãe, se esta mulher poderia ter impedido a gestação com um aborto? Pela premissa do argumento neo-feminista, ao poder decidir sozinha pelo aborto, a mulher também sozinha decidiu dar continuidade à gestação, logo o pai poderia se furtar de toda e qualquer responsabilidade. Afinal, por que as neo-feministas cobrariam qualquer responsabilidade legal ou moral do pai, se elas quiseram ter o poder de decidirem sozinhas sobre a gestação, isto é, sem a anuência do pai? Ressalto que aqui não defendo que pais devam se eximir de responsabilidades, nem antes, nem durante, nem depois da gestação, apenas comparei argumentos.

Aprofundo a polêmica:

a) A busca por igualdade desenfreada entre marido e mulher poderia futuramente (num outro modelo de sociedade com valores morais e éticos diferentes dos atuais, com outra tecnologia médica) fazer vingar o argumento de implantar como padrão o útero artificial ou a barriga de aluguel como forma de equilibrar os papéis de pai e de mãe na gestação. Isso obviamente vai contra os princípios éticos e morais da sociedade atual, bem como os princípios de humanização da gestação. Esta ideia de terceirização da gestação equilibraria a função dos pais na gestação de sua prole, sem dar privilégios naturais à mulher.

b) Considerar que a mulher seja dona da vida que carrega dentro de si leva à seguinte pergunta: quando se encerra o momento dessa posse? Algumas neo-feministas podem dizer que a posse sobre o feto se encerra apenas após o parto; mas, ainda pergunto, por quê? Afinal, já é sabido de bebês prematuros que podem sobreviver fora do útero (com intensa ajuda médica) a partir de 22 semanas (1), isto é, 4 meses de gestação, logo, se o bebê já pode sobreviver fora do útero com ajuda médica, impedir seu desenvolvimento (apenas porque a mulher não o quer no ventre) é um assassinato, pois este feto poderia sobreviver em outro local diferente do útero, de forma assistida. Tratarei mais sobre isso adiante.

c) Se a tese é: o corpo é meu, faço com ele o que eu quiser, então nada mais coerente que fosse permitida a venda de órgãos (ex: sangue), mas no Brasil isso é proibido (2-3).

Não fosse isso o bastante, surge a discussão mais radical sobre a seguinte pergunta: qual é o limite que um dono tem sobre suas posses? Se a mulher, dona do seu corpo, tem o direito de matar outros seres vivos que estão hospedados e abrigados dentro dele, porque outras pessoas, donas de móveis e imóveis também não poderiam matar os seres vivos que estão dentro de suas posses? Isso pode soar absurdo, mas não é muito diferente do que defendem as defensoras do aborto. O dono de um corpo pode fazer o que quiser sobre o que está hospedado dentro dele? Então o dono de um carro pode fazer o que quiser com ele e com quem está dentro dele? O dono de uma casa pode fazer o que quiser com quem está dentro dela? Ora, pode uma mãe viajar para o outro lado do mundo e abandonar uma criança dentro de casa, sem dar-lhe alimento e assistência, sob o pretexto de ser dona de si e ir para onde quiser? Abordo novamente este questão de abandono mais adiante.

Seguem dois últimos exemplos deste item:

I - Você está andando por um lugar ermo e depara-se com uma pessoa (criança, jovem, adulto) ferida e abandonada; imediatamente você imagina que essa pessoa foi vítima de algum assalto, sequestro, atropelamento, ou algo do gênero; dá-se conta de que, se esta pessoa ficar ali abandonada, sem qualquer tipo de ajuda, ela morrerá. Você pensa em chamar a polícia, a ambulância, mas não há sinal de telefonia móvel. Só lhe restam poucas possibilidades de ajudá-la, porém todas estas exigem um amplo grau de esforço, de tempo, de dedicação, ou até mesmo dinheiro. A saída mais fácil é abandoná-la ali, à própria sorte, afinal, não foi sua responsabilidade, você não causou aquele problema, e ninguém saberá o que você viu e o que você deixou de fazer, você está atrasada para seus compromissos diários, entre tantos outros motivos que lhe passam pela cabeça. Nesta situação, o que você provavelmente faria?

II - Um parente muito próximo (pai, mãe, cônjuge, irmão, filho) está praticamente inválido numa cama de hospital por conta de um grave problema de saúde (câncer, alzheimer, demência, tetraplegia, sepse etc). Este parente ainda tem um tempo de sobrevida médio a longo e não pensa em morrer ainda (ou seja, não é caso de eutanásia), porém o trabalho e o custo que ele lhe dá são muito penosos e elevados, você sabe que não aguentará isso por muito mais tempo; dentre as possíveis opções a se tomar, como pedir ajuda a amigos, familiares, entregar ao poder público, entre outros, as opções de abandonar a pessoa à própria sorte, ou a de matá-la, são as opções que você pensaria primeiro e gostaria de tomar? Se sim, também fará ativismo para que tais ações deixem de ser crime? Se não, por que acredita ser justo matar um feto porque ele - indefeso e incapaz - só consegue sobreviver exclusivamente durante alguns meses sob o abrigo do seu útero? Após esse prazo, basta entregá-lo ao poder público (Estado).

d) Pensemos num cenário futurista, em que o aborto legalizado deixe de ser opcional e passe a ser obrigatório para alguns casos. Imaginemos que futuramente seja possível diagnosticar previamente que determinado feto será um psicopata, ou até mesmo com potencial epigenético indesejável à sociedade; imaginemos, como já é possível, que determinado feto contenha defeitos congênitos indesejáveis para a "evolução humana", como síndromes diversas, ou tenha potencial para tanto; imaginemos que, se a legalização do aborto permite que a mulher possa abortar o feto por qualquer motivo, é totalmente factível que surja alguém com a ideia de que o aborto seja obrigatório para diversos casos, para o bem da humanidade, independentemente da vontade da mulher. O argumento será simples: o bem-comum global para as futuras gerações é maior do que o bem individual. Ora, com o aborto livre e sem critérios, se a mulher tiver autonomia para decidir dar cabo à vida de um feto por qualquer motivo, logo logo aparecerão aqueles que defenderão situações em que a mulher deverá abortar. Aquilo que as neo-feministas de hoje defendem como autonomia da mulher pode se reverter futuramente para algo muito pior. Percebe-se que a defesa da vida é um valor moral que deve ser filosoficamente bem embasado, a fim de evitar exceções que permitam distorções futuras críticas, como o exemplo citado.

e) O que dizer da barriga de aluguel? Seria a mulher que aluga/empresta seu útero a um casal, ansioso para gerar um filho, a dona da vida que carrega em seu ventre? Poderia ela decidir abortar a gestação após ter aceitado alugar/emprestar seu útero? Semelhantemente penso que, ao engravidar, a mulher não dispõe de autoridade para matar a vida que carrega dentro de si, assim como uma mãe não dispõe de autoridade para abandonar seus bebês à própria sorte. Se ela não quer o filho, pode dar e doar a quem quiser criá-lo (4).

2) O Estado tem a prerrogativa e a autoridade para tutelar a vida dos indivíduos.

Comentário: Segundo Max Weber, o Estado é responsável pela organização e pelo controle social, pois detém o monopólio da violência legítima (coerção, especialmente a legal) (5).

Este argumento tem por objetivo refutar a tese de que "o corpo é meu, faço o que quiser". Isso é falso!

Comentários adicionais:

Ainda que não haja pai interessado pela vida da criança, ou o pai também queira abortar a gestação (situações estas diferentes do primeiro argumento), desde que haja alguém interessado pela vida dela (quer indivíduo, quer instituição), o Estado pode determinar que cabe à mulher gestante manter a vida do bebê. Se possível, o Estado pode autorizar ela doe o nascido a qualquer interessado após o parto (4).

Compete ao Estado a regulação da conduta dos indivíduos para o bem-estar coletivo e para a ordem social. Neste aspecto está a prerrogativa do Estado, por exemplo, ao exigir o pagamento de pensão alimentícia pelos genitores aos seus filhos biológicos, ou ao criminalizar a conduta chamada de abandono de incapaz (a qual inclui crianças, idosos e deficientes).

Neo-feministas pró-abortistas argumentam que a mulher deve ter autonomia e autoridade sobre seu próprio corpo, portanto é legítimo o aborto. Há de se considerar, porém, que sob esse argumento se ampara o crime de abandono de incapaz; também podem ser citadas outras ações que não são crimes (como auto mutilação e suicídio), e outras que também são crimes, como a eutanásia e a incitação ao suicídio e à auto-mutilação.

Aprofundo a polêmica:

a) O suposto direito de a mulher fazer o que quiser sobre o próprio corpo também inclui o direito de ela deixar seu bebê em casa, viajar para o outro lado do mundo, não dar de mamar, nem de comer (afinal ela é livre e dona de si), e abandonar a criança à própria sorte (o que pode implicar até a morte) (6). Ora, uma vez que a criança ou bebê morreria naturalmente, não seria culpa da mulher que assim agiu, visto que ela é dona de si. Nem é necessário repetir que abandono de incapaz é crime tipificado no código penal (7). Se uma pessoa (quer seja mãe, babá, avó, madrasta, pai, padrasto, quem quer que seja) tem um incapaz (bebê, criança etc) sob sua responsabilidade, ela não pode usar de sua autonomia de ir e vir (do pensamento de ser dono de si) e abandonar quem está sob seus cuidados.

b) É, portanto, bastante coerente que o Estado impute como crime a ação de abortar a gestação, ainda que esta ação ocorra dentro do corpo da mulher, do mesmo modo que o dono de um imóvel não pode fazer o que quiser com as vidas que estão ali dentro.

c) Outro exemplo é o Estado poder proibir a venda de órgãos de um indivíduo, ainda que ele seja dono de seu próprio corpo. Sim, no Brasil é proibido que alguém venda, por exemplo, seu sangue, seus rins, sua pele, sua medula óssea, qualquer órgão ou tecido vivos (2-3).

d) No fim, parte da discussão sobre o aborto reflete sobre a questão filosófica da liberdade individual, e o conflito entre esta e o poder/dever que o Estado tem de limitar as liberdades individuais.

e) Feministas modernas são geralmente esquerdistas (não obrigatoriamente). Mas a agenda esquerdista abraça obrigatoriamente o feminismo. Ora, é justamente o esquerdismo que apregoa o Estado Pai e Protetor, o Estado onipotente, logo soa como incoerência esse pedido de o Estado intervir menos na vida dos cidadãos, ao passo que os esquerdistas querem mais e mais motivos para que o Estado seja maior e seja mais presente e interventor na vida das pessoas.

3) O aborto é um assassinato (injustificado e injustificável).

Comentário: o argumento se torna simples quando se entende que o feto é um ser vivo (humano em potencial de semanas), logo tirar a vida de (matar) um ser humano sem motivo justo é um assassinato, um homicídio. Ainda que viva totalmente dependente da mãe nas primeiras semanas, mas possa viver fora do útero com ajuda extrema assistência médica a partir de 22 semanas, é possível caracterizar o feto como um ser vivo, antes mesmo de ser feto, antes da oitava semana, quando ainda é um embrião e já possui um coração próprio pulsando. Sim, como órgão fundamental à vida, o que acontece com um embrião se seu coração pára de pulsar? É a própria mãe capaz de lhe sustentar a vida, se o coração do embrião parar? Não. Uma vez que o coração do embrião pára, ele está condenado à morte.

Comentários adicionais:

É preciso ter coerência quando se defende junto ao Estado o direito de matar e o direito de morrer. O que dizem as proabortistas sobre a pena de morte, a eutanásia e o suicídio? Eu atualmente sou defensor ferrenho da pena de morte, com argumentos que seriam tão ou mais longos quanto todo este texto até aqui, sou inclinado a aceitar a eutanásia (embora não tenha opinião completamente formada e seja contra o favorecimento indevido do suicídio), e sou contra o aborto. Busco, porém, coerência nos meus argumentos. A penalidade de morte reflete-se como um direito de o Estado matar aqueles que não cumpriram seus deveres e violaram gravemente alguns direitos alheios. A eutanásia é um direito que o Estado daria ao indivíduo de dar fim à própria vida por meios indolores e rápido quando impossibilitado de fazer isso (ex: um tetraplégico não conseguiria desligar seu próprio equipamento, nem uma pessoa que está acamada e não tem recursos pouco dolorosos ou eficientes para dar fim ao próprio sofrimento). Mas para o aborto não há nem crime cometido pelo feto, nem desejo consciente de querer morrer.

Aprofundo a polêmica:

a) Interromper a gestação de um feto abrigado e protegido dentro do útero da mãe não parece muito diferente de uma mãe que pariu um neném às escondidas e abandonou o filho no lixo, no matagal, ou num lugar ermo, para ficar (morrer) à própria sorte (6). A diferença básica é que, no primeiro caso, hã a ação explícita de matar o feto (i.e, um assassinato), mas neste a mãe abandonou o recém-nascido sem matá-lo objetivamente, ainda que estivesse ciente de que, se ficasse sozinho, à própria sorte, ele morreria de fome (ou de devorado por animais).

b) Do mesmo modo que mulheres têm a liberdade de expressão para defender a morte de um ser vivo inocente, outros - como eu - podem defender a morte de assassinas de crianças (fetos) indefesas. Ora, se mulheres morrem ao praticar aborto clandestino, ou ficam estéreis, muitos podem defender que elas mereceram tal castigo natural (sim, feministas, julguem que esta minha declaração seja absurda, mas a defesa do aborto igualmente é absurda para muitas pessoas). Estamos tratando a discussão no campo das ideias, no âmbito filosófico, logo os absurdos também são discutíveis. Abordo sobre o argumento da morte de mulheres mais adiante.

c) Se até mesmo os animais domésticos são protegidos contra maus tratos, abusos e assassinatos por parte de seus donos, por que um feto humano - um ser humano vivo em todo o potencial - deveria ficar indefeso à vontade e aos abusos da mãe? (8-9)

4) Melhor do que abortar é não engravidar.

Comentário:

Conscientização a favor do sexo responsável (por exemplo, dentro do casamento ou da união estável), controle e censura da sensualização excessiva das mulheres, crianças e adolescentes são ideias racionalmente mais eficientes do que a mera descriminalização do aborto.

Comentários adicionais:

Ter a mídia infestada de sensualização apenas promove os instintos primitivos de sexo a qualquer custo, de qualquer modo, por impulso. Quando havia valores familiares, por exemplo, de sexo seguro no ambiente do casamento, o índice de gravidezes indesejadas era muito menor do que a banalização do sexo que ocorre na atualidade.

Aprofundo a polêmica:

Políticas estatais de controle de natalidade, como a esterilização social (10), são muitas vezes radicais. Do mesmo modo que a neo-feministas são contra o ativismo da Igreja Católica contra o aborto, é quase certo que sejam parceiras da Igreja Católica igualmente contra a esterelização social (11). Numa sociedade, porém, que não se baseia em valores fundamentais, como a vida, a política estatal de esterilização social é muito mais razoável do que a liberação do aborto. Impedir que as mulheres (irresponsáveis e sem controle social) tenham filhos não é assassinato, mas matar fetos certamente o é.

5) Conforme dados postados num blog de uma neo-feminista famosa, apenas 4% das mortes de mães são decorrentes de abortos (12).

Comentário:

Neste caso, priorizar o tratamento dos outros 96% é muito mais promissor do que criar a polêmica (injustificada e absurda) com 4% das mortes que podem ser evitadas de outra forma mais apropriada e inteligente.

Aprofundo a polêmica:

Pessoas morrem em consequência do cometimento de diversos crimes, logo a solução é descriminalizar o crime? Pensemos em alguns exemplos para checar se isso faz sentido:

a) pessoas morrem porque invadem domicílios, ou instituições privadas, logo a solução é descriminalizar a invasão de domicílio para que pessoas não morram? Sim, quando um domicílio for invadido, nenhum mecanismo de segurança ou defesa será acionado, e a pessoa que entrou indevidamente será conscientizada a não mais entrar em locais sem autorização, porque isso poderia causar danos a ela, ou até mesmo a sua morte.

b) pessoas morrem porque tentam assaltar bancos e lojas, logo a solução é descriminalizar a tentativa de assalto a bancos, para que pessoas não mais morram? Sim, quando tentarem assaltar lojas e bancos, nada será feito, pois não será mais crime. Qualquer assalto será respondido apenas com a conscientização de quem tentou assaltar para que não faça mais isso, nenhum mecanismo de segurança ou coerção será usado para que o assalto seja impedido.

c) pessoas morrem porque tentam atravessar as fronteiras do país com artefatos ilegais e proibidos (como armas, drogas, remédios e produtos roubados), logo a solução é legalizar e descriminalizar o carregamento de quaisquer produtos para que pessoas não mais morram? Então as pessoas não precisarão mais carregar drogas em seus ventres, nem mesmo atravessar rios, pântanos e mares, pois não precisarão correr risco de morte para cumprir ações que não serão mais ilegais.

d) pessoas (mulheres) morrem porque tentam cometer assassinato contra os filhos que carregam em suas barrigas, logo a solução para que pessoas (mulheres) não mais morram é permitir que cometam seus assassinatos sem serem punidas?

Ora, esse argumento não faz o menor sentido! Se mulheres morrem porque cometem aborto ilegal, a solução jamais será tornar o aborto legal, mas impedir que as mulheres façam o aborto, ou tentem abortar. Se mesmo assim elas insistem em cometer um crime, que paguem o preço das consequências do crime e da ilegalidade!

6) Por que uma gravidez seria indesejada? (13)

Comentário:

Descobrir os reais motivos para não querer manter uma gestação e tratá-los (13) é muito melhor (mais ético, mais justo) do que simplesmente abortar. Isso pode ser feito por meio de ajuda terapêutica (assistência médica, psicológica e religiosa), ou da própria reflexão introspectiva da mulher. Humanização no parto também pode melhorar o apoio e suporte à saúde física e mental da mulher.

Comentários adicionais:

O fato de a gravidez não ser aceita no início (seja pela mãe, pelo pai ou pela família) não significa que será assim por todo o ciclo da gestação, pois tudo pode mudar quando se é aberto a transformações das dificuldades e se é flexível à aceitação de um novo ciclo (13).

Nem sempre as causas da rejeição da gravidez são reconhecidas pela grávida, principalmente quando esta não é acostumada a se observar e buscar dentro de si as origens de suas escolhas, de suas emoções e de seus medos. É muito importante neste caso a busca por ajuda terapêutica para poder lidar com as dificuldades, tornando-as bem claras para si mesma e assim transformá-las em sustentação da gravidez (13).

Aprofundo a polêmica:

A maternidade e a paternidade geram responsabilidades morais e civis. Nesse aspecto, uma adolescente que engravida porque teve relações sexuais de forma irresponsável se preocupa com sua reputação, isto é, com o que os pais dirão, ou com o que os amigos vão pensar. Depois, somente depois de superada a fase "do que vão pensar e dizer de mim", ela pensa na responsabilidade de criar uma criança. O aborto é uma saída oculta, uma forma de acobertar uma vergonha, logo não se trata apenas de descriminalizar, mas de possibilitar que o aborto seja feito às escondidas, sem que ninguém fique sabendo.

A vergonha, portanto, não deveria ser a gravidez, mas a tentativa de abortá-la. As proabortistas deveriam é se envergonhar de não valorizar algo tão belo na vida de uma mulher, que é uma gestação. Neste caso, o tratamento humanizado da gestante é muito mais ético e benéfico do que o assassinato de uma vida inocente.

O que está em discussão não é a simples descriminalização do aborto, porque duvido muito que - uma vez permitido o aborto - as mulheres tenham orgulho e coragem de dizer que abortaram uma, duas ou três vezes, ou que digam que vão deliberadamente abortar um bebê de 6 meses de gestação (porque ficaram desempregadas, ou porque não querem perder a chefia no emprego). Ora, depois que todos souberam que ela estava grávida, todo o constrangimento da chamada gravidez inicial (no caso da chamada gravidez indesejada) já passou; dificilmente ela assumirá o constrangimento de ter abortar voluntariamente. Se ela assim o fizer - caso deixe de ser crime - certamente terá de ser oculto, secreto, como uma forma de tapar a vergonha de assumir um assassinato.

7) Por quem a gravidez seria indesejada?

Comentário:

Geralmente as abortistas defendem o viés de a gravidez ser indesejada apenas pela mulher. Ora, e se fosse o oposto? E se a gravidez fosse desejada para a mulher, mas fosse indesejada pelo homem? (Por exemplo, num caso de pistoleira, maria chuteira, golpista, para cima de um homem rico) E se o homem dissesse categoricamente que não quer a gestação? deveria a mulher abortar, apenas pelo desejo do homem? Certamente as feministas permaneceriam no argumento obtuso de que, "se o corpo é meu", homem nenhum decide o que deve ser feito com a gravidez, quer seja abortar, quer seja manter a gravidez. Isso é misandria, pura e simples, visto que o feto não apareceu sozinho na barriga da mulher.

Comentários adicionais:

O viés de a gravidez ser indesejada apenas para o homem é geralmente ignorado pelas abortistas. Sim, o fato é que as abortistas defendem (in)conscientemente a total incompetência e total irresponsabilidade do homem sobre o feto que a mulher carrega, porquanto elas querem que apenas a mulher tenha total poder para decidir sobre o útero, como se o feto fosse obra apenas da mulher, sem participação alguma do homem.

Aprofundo a polêmica:

O Estado é coerente ao proibir o aborto. Uma vez que à mulher não se dá a autoridade para decidir sobre a vida humana que carrega dentro de si, o Estado obriga o homem a reconhecer a paternidade e a prover a pensão alimentícia para a criança. Tamanha é esta responsabilidade, que a dívida da pensão alimentícia é a única dívida civil que dá cadeia!

A partir do momento que a mulher tem para si o poder exclusivo de decidir sobre a continuidade da gravidez, algo totalmente ignorado pelas as abortistas é que o homem isenta-se totalmente do papel de pai e de provedor de pensão alimentícia! Ora, por exemplo, se o Neymar Jr., jogador multimilionário, diz à sua namorada que a gravidez dela é indesejada, portanto ela deve abortar (havendo ela a liberdade legal para abortar), porém ela toma para si o poder de decidir a continuidade da gravidez, o multimilionário jogador de futebol isenta-se totalmente de qualquer responsabilidade de assumir a paternidade e de ser o provedor do sustento da criança.

Finalmente reitero que há coerência na proibição do aborto pelo Estado, atribuindo ao homem e à mulher as respectivas obrigações e responsabilidades.

8) Útero artificial seria a igualdade dos sexos? (14)

Comentário:

O cenário futurista do útero artificial possibilitaria que homens e mulheres pudessem ter sua prole sem a dependência do corpo feminimo, nem a dependência do ato sexual. Há, porém, quem seja contra tal artefato porque isso implicaria em desumanização da gestação (15).

Comentários adicionais:

A relação sexual, que deveria ser o clímax do ato de amor de um casal, passou a ser um mero ato de prazer momentâneo, sem compromisso, sem cumplicidade. Nesse aspecto, a própria gravidez tornou-se um inconveniente ao ato de prazer, não mais o resultado da união de duas pessoas em uma só carne (i.e., a união de um esperma com um óvulo que geram um novo ser, uma só carne entre os pais). Assim, a humanidade já caminha para o dia em que o sexo será só prazer, e a gravidez será algo do passo, um inconveniente não mais necessário, pois os úteros artificiais substituirão todos os poréns e desconfortos de uma gravidez. As mulheres não terão mais estrias, nem dores diversas. Um útero artificial será a solução para homens e mulheres.

Aprofundo a polêmica:

O que me dirá a drª Melania, papisa da humanização do parto, sobre este viés da desumanização da gestação?  Não seria vantajoso à mulher não ter mais dores de parto, não ter mais dores nas costas, não ter mais estrias na barriga, não mais engordar, não mais ficar suscetível à variações hormonais, não mais ter desejos, não mais sentir o neném em seu ventre?

A drª Melania preza tanto pela humanização do parto (i.e., cesarianas eletivas, por melhores que sejam, não tornam a especiência do parto completa?) que talvez não tenha dúvidas em dizer que os úteros artificiais só seriam úteis para determinados casos, não para casos gerais. Ora, pode chegar o dia em que as gravidezes naturais sejam proibidas, porque elas sempre envolverão riscos de morte à mulher, porém as gravidezes artificiais jamais teriam tais riscos; não é este um dos argumentos das defensoras do aborto?

9) Argumento jurídico (16)

No momento, citarei apenas a referência a um artigo de blog:

http://alobrandalise.blogspot.com.br/2012/02/alguns-motivos-porque-sou-contra-o.html

(1) Bebê mais prematuro do mundo em 2007: http://www.jn.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=690618

(2) Art. 15 da lei federal 9.434 de 1997. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9434.htm#art15

(3) VENDER OS PRÓPRIOS ÓRGÃOS É UM ATO DE LIBERDADE? http://riscosintempestivos.wordpress.com/2013/03/23/vender-os-proprios-orgaos-e-um-ato-de-liberdade/

(4) A mãe (na China), que renunciou à guarda da criança, não receberá qualquer tipo de condenação: http://r7.com/GOsI

(5) Citação retirada de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado

(6) Bebê é abandonado e encontrado no meio do mato: http://m.g1.globo.com/goias/noticia/2013/05/bebe-abandonado-e-encontrado-no-meio-do-mato-em-niquelandia-go.html

(7) Art. 133 do Código Penal: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm#art133

(8) Médico joga dois cães do 6º andar de prédio em Copacabana: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,medico-joga-dois-caes-do-6-andar-de-predio-em-copacabana,1034826,0.htm

(9) Art. 32 da lei federal 9.605 de 1998: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm#art32

(10) http://www.inesc.org.br/noticias/noticias-gerais/2007/janeiro-2007/esterilizacao-em-massa-de-mulheres-e-criticada-no-forum-social-mundial

(11) http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89101984000200009

(12) Gráfico da postagem Morte materna na novela da Globo: o que podemos estudar e aprender?: http://2.bp.blogspot.com/-fQpQooPln74/UZzQK-qjMWI/AAAAAAAAA-c/_Gyie4O75q0/s1600/morte+materna+Brasil+2010.jpg

http://estudamelania.blogspot.com.br/2013/05/morte-materna-na-novela-da-globo-o-que.html

(13) Gravidez indesejada: http://www.kvtfeminino.com/index.php?option=com_content&view=article&id=93:gravidez-indesejada&catid=11:maternidade-e-parto-natural&Itemid=15

(14) Filhos sem sexo: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI327119-17579,00-FILHOS+SEM+SEXO.html

(15) http://br.groups.yahoo.com/group/leiame-news/message/1291

(16) BRANDALISE, André Luiz de Oliveira, Alguns motivos porque sou contra o aborto, publicado em 14/02/12 no blog “André Brandalise” - http://alobrandalise.blogspot.com/2012/02/alguns-motivos-porque-sou-contra-o.html