MANIFESTO DO COLETIVO DITO

Terapeutas Ocupacionais pela Democracia e Inclusão

Nós, terapeutas ocupacionais, estudantes, docentes, pesquisadoras, pesquisadores, trabalhadoras e trabalhadores da rede pública, privada, do terceiro setor, da gestão e da formação, reunidos no Coletivo DITO, Terapeutas Ocupacionais pela Democracia e Inclusão, viemos a público afirmar nosso compromisso ético-amoroso-político com as liberdades democráticas e os direitos humanos.

Nascemos em 19 de setembro de 2026, data que carrega dois símbolos fundamentais para nossa luta: o aniversário da Lei 8.080/1990, que instituiu o SUS como direito universal e dever do Estado, e o aniversário de Paulo Freire, patrono da educação brasileira, que nos ensinou que a autonomia não se concede: se constrói com o outro, na prática, na luta e no cotidiano. Escolhemos esta data porque ela diz exatamente o que somos: defensoras e defensores do SUS, da educação pública e da autonomia como projeto político.

Nosso saber-fazer lida com a vida cotidiana das pessoas. Lidamos com corpos que resistem, territórios que lutam, histórias que insistem em existir apesar de tudo. Não há como separar o cuidado das condições materiais que o tornam possível, e essas condições são políticas. Não há cuidado sem democracia. Não há inclusão sem políticas públicas. Não há autonomia sem direitos garantidos. Não há participação social sem liberdade. Por isso, recusamos a neutralidade. Ela nunca foi nossa aliada, sempre foi a escolha de quem já tem seus direitos assegurados. Nós escolhemos lado: o lado da vida, da dignidade, da democracia e dos direitos humanos.

Nosso compromisso é ético, porque nosso código profissional nos compromete com a dignidade humana, a autonomia, a justiça social e a recusa de toda forma de discriminação, violência e exclusão. É amoroso, porque cuidar é ato concreto de amor: reconhecer o outro como sujeito de desejo, de história e de direitos, sustentar vínculos e insistir na vida onde querem que a gente desista. E é político, porque não há cuidado possível sem condições materiais de existência, não há inclusão sem políticas públicas, não há participação social sem democracia, não há SUS forte sem um projeto de país que o sustente.

Assumimos, publicamente, treze compromissos:

Primeiro: defesa intransigente da democracia, não recuando diante de nenhuma ameaça autoritária, golpista ou antidemocrática, porque democracia não é só voto, é direito de existir, de dissentir, de se organizar e de participar;

Segundo: defesa do SUS público, universal, integral e gratuito, lutando contra qualquer tentativa de desmonte, privatização ou subfinanciamento;

Terceiro: defesa dos direitos das pessoas com deficiência, pela garantia da acessibilidade, da autonomia, da inclusão, do cuidado em liberdade e da participação social plena;

Quarto: defesa dos direitos das pessoas idosas, das crianças e dos adolescentes, contra toda forma de violência, negligência, institucionalização forçada e violação de direitos;

Quinto: defesa da diversidade e do combate a toda forma de discriminação, contra o racismo, o sexismo, a LGBTQIA+fobia, o capacitismo, a xenofobia e qualquer forma de opressão;

Sexto: defesa da educação pública, da ciência, da cultura e da assistência social, porque sem esses pilares não há cuidado possível, não há formação profissional, não há futuro;

Sétimo: defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, incluindo nossa própria categoria, tantas vezes precarizada, terceirizada e invisibilizada;

Oitavo: participação ativa nos espaços de controle social, conselhos de saúde, de assistência social, de direitos da pessoa com deficiência, conferências, fóruns e movimentos populares;

Nono: formação política permanente, porque não basta ser técnica, é preciso ser politicamente consciente, estudando, debatendo e nos organizando;

Décimo: mobilização nas ruas e nas redes, estando presentes em atos, manifestações, campanhas e mobilizações em defesa da democracia e dos direitos humanos;

Décimo primeiro: aliança com os movimentos sociais e populares, caminhando com os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, com o movimento negro, feminista, LGBTQIA+, sindical, estudantil, da pessoa com deficiência e todos os que lutam por justiça;

Décimo segundo: recusa a qualquer forma de silêncio cúmplice, não nos calando diante de injustiças, violências ou retrocessos, dentro ou fora dos nossos espaços de trabalho;

Décimo terceiro: compromisso com a memória, a verdade e a justiça, honrando as lutas que nos antecederam, defendendo a democracia conquistada com sangue e suor de tantas gerações, e recusando qualquer tentativa de apagamento, revisionismo ou naturalização da ditadura e da violência de Estado.

Nosso projeto não cabe em nenhuma caixa, mas tem direção explícita: mais democracia, mais direitos, mais cuidado, mais vida. Convidamos cada colega, estudante, docente, profissional, pesquisadora, pesquisador, gestora, gestor, a somar-se a este coletivo. Não se trata de abandonar nossas diferenças, mas de nos reconhecermos unidas e unidos por aquilo que nos é comum: a defesa intransigente da dignidade humana. Que este seja um espaço de encontro, de escuta, de formação, de mobilização e de esperança.

Coletivo DITO: Terapeutas Ocupacionais pela Democracia e Inclusão.

19 de setembro de 2026.

Segue a gente. Seguimos juntas.