ANTÓNIO DE SOUSA MAYA, nasceu no dia 11 de Outubro de 1888, em S. João da Foz do Douro no Porto. Era filho de Fernando da Costa Maya ,Oficial do Exército Português, e de Maria José Bessa de Sousa Maya. Tinha 5 irmãos (2 irmãos e 3 irmãs) sendo o penúltimo da família. Foi baptizado, na Igreja Paroquial de S. João da Foz, a 24 de Outubro de 1888, sendo seus padrinhos o Dr. António Ribeiro da Costa e Almeida, governador civil do distrito do Porto e Albina Amélia de Souza Lima.
António Maya ingressou no Colégio Militar, depois de vir morar para Lisboa. Tinha dez anos e foi-lhe atribuído o n.º 186. Seguindo o exemplo paterno, entra para o Exército, voluntariando-se para a Arma de Cavalaria. É, então, incorporado no Regimento de Cavalaria N.º 4, onde, após a recruta, é promovido ao posto de Aspirante a Oficial Passou depois à escola do Exército, completando o curso da Arma de Cavalaria, cujo tirocínio finalizou, em 1911, na Escola Prática de Cavalaria, então em Torres Novas, onde permaneceu depois, durante três anos, como instrutor de equitação. Entretanto, em 1909, tinha sido promovido a Alferes. Também afeiçoado à equitação e à instrução da mesma, dá aulas (1915) no Colégio Militar donde tinha saído anos antes. Gostava, então, de participar em concursos hípicos, onde demonstrava boas habilidades equestres.
Desde 1914, após ter sido promovido a Tenente no ano anterior, exerceu as funções de ajudante de campo do Ministro da Guerra, General Norton de Matos. Concorreu à Aviação Militar em Agosto de 1915, fazendo parte do grupo de pioneiros que seguiu para Inglaterra. Com ele, seguiram embarcados, então a 2 de Fevereiro de 1916, Óscar Monteiro Torres e Alberto Lello Portela.
Em Hendon frequentou, desde 7 de Março de 1916, a Escola da Aviação Civil “Ruffy & Blumann”, onde completou o curso de piloto aviador, certificado civil nº3014, a 7 de Junho do mesmo ano, sendo-lhe conferido o “brevet” pela FA.I..
Em seguida, frequentou, em Northold ,a Escola Militar “Royal Corp. School”. Pilotou nestes meses os aviões Caudron G-3, Farman, Curtiss e os aparelhos rápidos da época, os Sopwith e Martynside. Tendo completado 25 horas de voo, foi admitido às provas finais que realizou com “muito bom aproveitamento”- certificado militar Nº1872.
O seu exame foi feito imediatamente após a morte, em prova, do melhor aluno da Escola.
Regressado a Portugal, casou a 2 de Setembro de 1916, na Igreja de Nossa Senhora do Amparo, em Benfica, com Maria Clotilde Ripamonti Dantas.
Entretanto, em Portugal, abria a Escola de Aeronáutica Militar, em Vila Nova da Rainha onde o tenente António Maya exerceu as funções de instrutor do primeiro curso de pilotagem, iniciado em Novembro de 1916. Terminado este curso e em virtude da organização do Corpo Expedicionário Português (C.E.P.), António Maya ofereceu-se para combater em França, e assim, depois de ter embarcado (23 de Dezembro de 1916) para França fazendo parte da Esquadrilha Inicial comandada pelo capitão Norberto Guimarães, é integrado com os seus compatriotas Monteiro Torres, Lello Portela e Santos Leite na esquadrilha de combate "6.0.13" comandada por Fecquent.
Ingressou, pela aviação de caça gaulesa, nas Escolas Militares de Avorde e depois na de Pau para instrução de acrobacia. Para completar a sua instrução, tirou seguidamente as especialidades de tiro aéreo em Cazaux e de voo nocturno em Misamer.
A seu pedido, desempenhou serviço numa esquadrilha inglesa de observação (10th Squadron), com base operacional em Shoques, perto de Béthune, em França, onde desempenhou variadíssimas missões de guerra.
Em Setembro de 1917 é promovido a capitão. Completados estes estágios, em Outubro de 1917, deu entrada na Esquadrilha Spad Nº 124 (também denominada Lafayette), que operava integrada no Grupo franco-americano N.º 13, com base em La Noblette, França. Voou em missões de guerra centenas de horas no espaço aéreo inimigo, e por força de actos de coragem indomável e de notável virtuosismo, como piloto magnífico e fora de série, foi galardoado com as Cruzes de Guerra portuguesa e francesa, como alarde da sua coragem e destreza, além de citações em Ordem de Campanha, do Comando Aliado, condecorações essas altamente honrosas para si e para o seu País. Citando o Comando da 1ª Divisão Aérea do Exército Francês, António Maya fora e viria a ser condecorado com variados prémios e medalhas pela "bravura e entusiasmo revelados nas numerosas missões de patrulhamento sobre as linhas inimigas".
Frank W. Bailey & Zdeněk Čejka
Pendant la Grande guerre, l’histoire de l’escradille de chasse 124 est indissociable des exploits de ses pilotes volontaires américans, son nom de baptême sonnat comme un symbole:Escadrille Lafayette. À l’entrée en guerre officielle des USA, les volontaires aguerris furent intégrés pour la pluspart dans la jeune aviation américaine, indépendente bien que fortement influencée par les doctinnes françaises.
L’escradille 124 n’a pas pour autant été dissoute. Elle a changé dinditit«e, tombant ainsi un peu dans l’oubli. Pour autant, cette unité a continué quelque peu dans sa voation involontaore de formation de volontaires de nombreux pays en accueillant dans ses rangs l’As russe Paul V. D’Argueeff, les lieutenants Portella, de Souya Maya et le capitaine Leite, tous les trois Portugais et Vaclav Pilat, Tchèque.
Terminado o primeiro conflito mundial, o capitão Maya regressa a Portugal a 11 de Abril de 1918
Pode finalmente conhecer o seu filho Enrique Dantas Maya, que, nascido a 17 de Agosto do ano anterior, tinha já nove meses. Este viria também a ser piloto, primeiro militar e depois de linha aérea, tendo sido seleccionado para entrar nas fileiras pioneiras dos Transportes Aéreos Portugueses.
Graças ao prestígio brilhantemente conquistado em combate,António Maya é indigitado para comandar a nossa primeira unidade operacional metropolitana. Pertenceu então à comissão encarregada de tudo quanto estivesse relacionado com aos serviços aéreos do território português, quer no sentido militar de defesa de Portugal e das colónias, como no sentido da aplicação da aviação comercial.
O Grupo de Esquadrilhas de Aviação "República", inaugurado em 1919, com sede na Amadora e cujos terrenos ele próprio escolheu.
Desloca-se a França, a fim de adquirir aviões para a nova Unidade, na companhia do tenente Lello Portela e dos sargentos mecânicos Manuel Gouveia e Fernado de Sousa.
Nessa ocasião, ocorreu um episódio que demonstra a sua personalidade: tendo observado aviões de vários construtores e antes da sua decisão, uma das construtoras ofereceu-lhe uma “comissão” para que a opção recaísse sobre ela. Ao que de imediato respondeu, que a sua missão era escolher o tipo de avião que melhor pudesse servir o G.E.A.R. e que as questões de preços era com o governo e não com ele.
Naquele país, o referido grupo forma duas equipas, (piloto e mecânico):
- António Maya e MGouveia - Lello Portela e Fernando de Sousa
para fazer a ligação Paris-Bruxelas-Amesterdão.
Foi estabelecido um tempo recorde nesta ligação, tempo que foi reconhecido pela Federação Aeronáutica Internacional, e que lhes conferiu, indubitavelmente, os foros de pioneirismo, em viagens de carácter internacional, no âmbito da nossa aeronáutica.
Depois disso, partindo de Paris (Vilacoublay), pretendeu realizar a ligação aérea, directa, com Lisboa, surgindo porém durante a viagem aérea, inesperadas avarias que impediram o seu intento. Em primeiro lugar a água fervente do radiador fê-lo aterrar em Bordéus. Mais tarde, quando atravessava a Espanha, em plena Serra de Guadarrama, viu-se obrigado a uma aterragem de emergência de que resultou estragos no avião e ferimentos graves no seu mecânico Manuel Gouveia. Finalmente depois de ter te retroceder de Arévalo para Avila, rumou para Lisboa sem mais precalços. Portanto tendo partido a 3 de Outubro desse ano de 1919 completou o seu voo, dois dias depois, tendo completado 1248 quilómetros em 8 horas e 27 minutos, utilizando um avião Bréguet XIV-A 2.
Foram estes os aviões que haviam sido escolhidos para integrar a unidade da Amadora.
Em Julho e Agosto de 1919, decorreu a ELTA, a Primeira Exposição Aérea de Amsterdão.
Foi uma exposição bastante participada, tendo recebido cerca de 500.000 visitantes dos quais 40.000 tiveram um baptismo de voo por 40 florins (o equivalente na altura a um salário mensal!).
Nela participaram "um ou dois" Bréguet Portugueses e os aviadores Lello Portela e António Souza Maya.
Em 1920, juntamente com os seus camaradas de Esquadrilha do C.E.P., foi condecorado com a Cruz de Guerra de 1ª classe, em mais um momento de reconhecimento da suas corajosas acções. Foi também condecorado com: a Cruz de Guerra Francesa com Estrela de Prata, a Medalha da Vitória, a Medalha comemorativa – “ França 1917-1918” - e a Medalha de Solidariedade da República do Panamá.
Nesse ano a 25 de Fevereiro nasceu-lhe o 2º filho, Nuno Dantas Maya, que tentou também a via da aviação, que lhe foi negada, pelo facto de ser míope. Licenciou-se-se em Engenharia mecânica.
A 16 de Outubro de 1920, realizou-se a primeira tentativa de ligação aérea Lisboa – Madrid , protagonizada por Brito Pais e Sarmento de Beires. A partida fez-se da Unidade «República» da Amadora, onde António Maya era, então, comandante. Conta Sarmento de Beires um episódio que precedeu essa tentativa:
“Durante semanas eu aguardava instrução de «Breguet» susceptível de me permitir voar sozinho. Sucessivos e enervantes adiamentos levar-me-iam a aproveitar a ausência de António Maya e de Brito Pais (2º comandante) em viagem a Chaves, para, como interino, me largar sem necessitar de autorização de ninguém, correndo por minha conta os riscos inerentes a que alguns chamam temeridade. Eu sabia que nem António Maya nem Brito Pais me autorizariam a fazê-lo sem me ter sido ministrado o duplo comando reputado de indispensável. Quando chegaram, Maya e Brito Pais, informei-os do que se passara. Recordo, ainda, as palavras de António Maya: “Lamento que tenha aproveitado a minha ausência para fazer o que fez. Mas não posso deixar de confessar que tenho sincero orgulho em tê-lo sob o meu comando”.
No relatório entregue por estes aviadores, depois de concluída a viagem podia ler-se estas palavras dirigidas ao comandante da Unidade:
“Maya“
Lamentamos que nos hangares do Grupo que tu fizeste não esteja o primeiro avião que tentou ir à Madeira, foi o teu espírito de chefe e de português que para lá nos atirou. Dessa primeira tentativa não resta senão um relatório modestíssimo e incompleto. Representa alguma coisa a que deste um pouco de alma. Foi feito por determinação do comandante. Ao piloto e ao amigo o dedicamos não pelo o que ele vale mas pelo que ele representa. Aceita-o e abraça-nos
A .BritoPais
J. M Sarmento de Beires
Tempos conturbados que eram (1920), viu-se António Maya louvado pela sua atitude rígida e digna, que tomou aquando do movimento revolucionário de Santarém. O que foi apreciado foi a sua demonstração de alta compreensão dos deveres militares que eram os dele e de absoluta lealdade e dedicação à Pátria.
Nesse ano, foi, juntamente com os seus camaradas de esquadrilha do C.E.P., condecorado com a Cruz de Guerra de 1ª Classe, em mais um momento de reconhecimento das suas acções corajosas e dedicadas.
A 16 de Abril de 1921 nasceu a 1ª filha, a quem foi dado o nome de Maria Isabel Dantas Maya.
Em 1922, foi levada a efeito a ligação entre Lisboa e Madrid (510 km).Uma patrulha de três aviões do Grupo de Esquadrilha de Aviação República partiu da Amadora às 7h. 30m. do dia 16 de Outubro comandada pelo Capitão António Maya, que pilotava um avião Bréguet XIV A2 denominado “Vasco da Gama”.
Chegaram ao campo de aviação espanhola de Quatro Vientos às 11h. 45m.. Os outros dois eram eles o “Nemo” pilotado pelos tenentes Pia Ramos e Ayola Montenegro e o “Hércules” pilotado pelos tenentes Paiva Simões e Rodrigues Alves. Foi louvado, porque tendo feito parte da viagem aérea Lisboa – Madrid “ prestou ao País serviços dignos de menção especial, estreitando as relações amistosas que se vêm mantendo entre Portugal e Espanha ”.
No ano de 1923 recebeu a medalha Militar de prata da classe e bons serviços.
Em 1924 foi demitido do serviço do Exército Português, por discordância com o Governo de então.
Nesse altura foi para África (Angola) com a mulher e os 3 filhos .Foi , então, que teve conhecimento. “in loco” do “ caso Alves Reis” – notas falsas emitidas pelo Banco de Inglaterra devido a uma monumental fraude idealizada pelo referido Alves Reis.
Regressou em 1926, tendo sido readmitido no Exército, contando o tempo que havia estado ausente como tempo de serviço e sendo promovido a Major logo a seguir.
Nas funções de deputado independente, do círculo da Guiné, viria a ter papel de destaque na defesa dos seus camaradas da Aviação Militar, quando em 1926, por discordância colectiva com a decisão do Ministro da Guerra, major Américo Olavo, que estabelecia que o cargo de Director da Aeronáutica Militar poderia ser desempenhado por um coronel de qualquer Arma, foram por este mandados internar, em regime de prisão, na Torre de S. Julião de Barra.
Gozando de imunidade parlamentar, o major Maya ficou em liberdade, tendo feito, em pleno Parlamento, uma defesa tão veemente e convincente, que originou uma crise ministerial e queda consequente do Governo.
Daí viria a resultar a completa e pronta amnistia para a Aviação Militar, que nunca aceitou, alegando que estavam todos desde o princípio a usufruir dos seus direitos legítimos.
Ainda esse ano, com a sua inestimável dedicação, contribuiu grandemente para que fosse criada a Arma de Aeronáutica, a qual ficava assim livre de qualquer hipótese de ingerência de oficiais não aviadores no comando da Aviação Militar. Também aqui, pelo seu forte espírito de iniciativa, reuniu esforços, que viriam a vencer, no sentido de fazer da Cruz de Cristo o símbolo oficial ostentado por todas as aeronaves militares portuguesas.
Em 28 de Outubro de 1927, foi transferido para Tancos, a fim de comandar o novo Grupo Independente de Aviação de Protecção e Combate, cargo que exerceu nos postos de major e tenente-coronel até 1938.
No ano de entrada em Tancos, é também nomeado Comendador da Ordem Militar de Aviz e condecorado com a Medalha Militar de Prata de Bons Serviços.
Em 1929 foi louvado “pelo muito zelo e inteligência com que tem desempenhado os serviços a seu cargo prestados com dedicada coadjuvação, facilitando, assim, as missões de Comandante e Direcção.
Nesse mesmo ano,a 14 de Outubro, nasce a sua segunda filha,Maria Virgínia Dantas Maya.
Em 1930, é agraciado pelo governo da República Francesa com o Grau de Cavaleiro da Legião de Honra, ainda pelos feitos heróicos dos tempos da Grande Guerra.
Em 1931, foi louvado” pelo muito zelo e dedicação que tem empregado para manter o G.I.A.P.C., que certamente será uma das melhores unidades da Aviação, de forma a poder preencher a sua missão.
Maria José Dantas Maya, a sua última filha, nasce a 27 de Junho de 1932.
Nesse mesmo ano, numa das suas idas à Polónia para experimentar material, foi considerado piloto do Exército polaco (honoris causa) pelo Governo da República Polaca. Autorizado a aceitar e usar as respectivas insígnias que passaram a fazer parte integrante da sua boina basca que o tornou inconfundível.
Assim afirma o jornal Diário de Notícias de 18 de Fevereiro de 1965 na entrevista feita ao mais antigo aviador português:
“a figura esguia do Sr. Brigadeiro Maya com a inseparável e inconfundível boina basca,onde brilha um emblema da Aviação polaca ….”
Em 1935 teve a oportunidade de receber na sua Unidade os pilotos de uma nova vaga (a Escola Militar de Aviação de Sintra estivera encerrada para novos candidatos durante cerca de 7 anos) a quem transmitiu pelas “altíssimas virtudes de acrobata aéreo, uma mestria no voo de grupo até então não atingida” (História da Força Aérea Portuguesa).
Em 1936 foi condecorado com um outro prémio de grande prestígio, a Medalha Militar de Ouro da Classe de Comportamento Exemplar.
A 18 de Abril de 1938 inicia o curso de formação da Escola Central de Oficiais para promoção a coronel e a 7 de Maio do mesmo ano é nomeado inspector da Arma da Aeronáutica.
Deixa, então. o comando de Tancos, estabelecendo a sua residência em Lisboa, (Benfica) na Calçada do Tojal, na Quinta do Tojalinho.
Na qualidade de inspector desloca-se às bases de Tancos e da Ota para recolher dados para elaboração dos programas de instrução e treinos dessas bases.
Fez parte da Missão Militar Portuguesa de observador em Espanha, em 1939, e é condecorado com a Cruz Roja de Mérito Militar de la Campãna, pelo governo desse país.
Em Janeiro de 1939 foi promovido a coronel.
Em 1940 é considerado apto para promoção a oficial general, ao concluir a prova especial de aptidão, no Instituto de Altos Estudos Militares
Passou à reserva em 1941, exercendo as funções de 2º Comandante do já existente Comando Geral da Aeronáutica Militar, que tinha a sua sede na Avenida António Augusto Aguiar, 5. E tal se deve essencialmente ao facto de, sendo um democrata convicto e convincente, ser persona non grata para o regime político do Estado Novo.
Foi promovido a Brigadeiro em 6 de Maio de 1944, contando com antiguidade de 29 de Abril desse ano, sendo então o primeiro oficial general da Aeronáutica e sem dúvida o mais antigo.
Muitos jornais noticiaram a sua promoção.
O Diário Popular relata, por essa ocasião, um episódio que é um exemplo do espírito de António Maya:
Piloto de rija têmpera, daquelo grupo que, entre os primeiros, tirou o “brevet” em Inglaterra, na Royal Flying Corp”. Em 1916, António Maia ascendeu agora ao amis alto posto da aviação:brigadeiro.
Com uma brilhante folha de serviços prestados à Aviação e ao país, o brogadeiro António Maia serviu na outra guerra, em França.
Temperamento voluntarioso, enfrentando com bravura e galhardia as mais difíceis missões.A caça tentou-o e praticou alta acrobacia nas escolas francesas de Aborde, Pau e Misamer.
Um epis«odio curioso do espirito desassombrado de António Maia:
Um dia, quem escreve estas linhas escreve, foi passageiro do valoroso piloto, num Avro da Amadora até Alverca, onde um aviador inglês procedia a demonstrações com os “caças” “Gladiators”. Subidas em “chandelle”, “loopings”, tonneaux”, enfim a escala da alta acrobacia.
Na pista, uma assistência reduzida estava encantada com os feitos do piloto inglês.
Em determinada altura, alguem disse:-Isto é o que deviam fazer os pilotos portuguêses!
Acto contínuo, o então coronel António Maia, disse-nos para ocuparmos o nosso lugar no “Avro”.
Uma vez no ar, pantenteou as suas magníficas qualidades e em arriscadas figuras acrobáticas, tais como as do piloto inglês, fez ver ao comentador, embasbacado na pista, que daquilo eram capazes os pilotos portuguêses.
É assim António Maia!
Foi assim, como Brigadeiro na reserva, que foi acusado de estar envolvido numa "falsa partida" de uma alegada rebelião armada os denominados "Acontecimentos do 10 de Abril" de 1947. No seguimento destes factos ficou preso em Elvas, por alegadamente pertencer a um grupo revolucionário que também efectuara sabotagens em aeronaves de Sintra. Além disso, acusaram-no de constituir a liderança desse grupo, de tentar aliciar outros oficiais das Forças Armadas e de, criminalmente contra a organização do Estado Português, fazer parte de uma Junta Militar de Libertação Nacional. Passou então, compulsivamente, à reforma em 14 de Junho. Mais tarde foi readmitido.
Anos depois, em 1952), foi, novamente preso. Esteve, preventivamente, detido numa vivenda da Estrada da Luz (havia dificuldades de instalações para oficiais generais) e depois do julgamento em que foi condenado a 4 meses de prisão para correcção e multado em 3 anos de suspensão dos seus direitos políticos, pelo Tribunal Militar de Lisboa, em Santa Clara, por crime contra a organização do Estado. Cumpriu o tempo de prisão no quartel da Trafaria. Foram seus companheiros, na Trafaria, o Almirante Cabeçadas, o Coronel Tadeu, o Comandante Moreira de Campos, o capitão Henrique Galvão.
Passou à reforma em 19 de Setembro de 1956.
António Maya é lembrado, por todos, pelo seu silêncio nos assuntos da sua carreira e do seu serviço.
Na altura em que esteve a cumprir prisão no forte de Elvas casou o seu filho Nuno. O casamento realizou-se na Sé de Elvas. António Maya, pediu, então, autorização para se deslocar à cidade sem ser acompanhado, dando a sua palavra de honra que regressaria à prisão logo após a cerimónia. A palavra foi aceite, pois todos reconheciam a sua integridade. E, assim, após a festividade, regressou de consciência tranquila ao forte de Elvas.
Como exemplo de pessoa de princípios que honra sempre a sua palavra, um episódio passado quando, uma vez, a polícia política- P.I.D.E. procurou detê-lo em sua casa, durante a noite. Disse então, que ninguém tinha o direito de invadir a sua casa e do fazer levantar da cama às horas que eram, afirmando que iria sem resistência na manhã seguinte. E foi, de facto, o que aconteceu e estava pronto para ir quando lá voltaram aqueles que tinham ido para o deter na noite anterior.
Uma outra vez, quando ia a conduzir o seu automóvel (Peugeot, com certeza), no Marquês de Pombal, tendo feito qualquer infracção ao Código das Estradas, foi mandado parar por um polícia de trânsito. Pedida a documentação o agente verificou que se tratava de um oficial general, mas insistiu na multa. Então António Maya pediu-lhe a identificação e o agente ficou seriamente aflito, ao que o António Maya lhe assegurou, que se lhe tinha pedido o nome era para o louvar perante o Comando.
Habilidoso de mãos, construiu numerosos jogos e brinquedos, casas de bonecas para as suas duas filhas mais novas e um mahjong completo, incluindo a caixa.Teve, na casa do Tojalinho, onde viveu de 1938 até à sua morte em 1969, um quarto destinado à sua oficina.
Gostava também muito, desde novo, de jogos de cartas, principalmente o “bridge”. No tempo de Tancos, os oficiais frequentavam, assiduamente, a sua casa para uma partida de “bridge”; já em Benfica continuou essa prática, agora, tendo como parceiros amigos, tais como António Lobo Antunes e o seu genro Fernando Elói. O seu sogro, que vivia com ele desde que enviuvara, era também um parceiro sempre presente. Jogava igualmente o “king” e o “crapeau” e fazia também paciências que muito tinha praticado durante as suas passagens pela prisão.
Ensinou filhos e netos a jogar às cartas a quem exigia muita atenção, utilizando o ditado: “Quem joga não guarda cabras”.
Frequentava assiduamente o café Martinho e depois a pastelaria Suiça.
As férias dos primeiros anos de casado foram passadas em S. Martinho do Porto e na Figueira da Foz. Mais tarde, por volta de 1943, passou a ir todos os anos para Almoçageme.
Um companheiro inseparável das estadias em Almoçageme era o gato, que vivesse, na altura em Benfica e que era sempre Paxá.
Em Janeiro de 1969, e partiu o colo do fémur. Tinha 80 anos e por isso o médico decidiu não o operar. Ficou, assim, impossibilitado de andar. Assim, passou até 11 de Junho do mesmo ano, data em que veio a falecer.
O seu funeral teve honras militares que lhe eram devidas pela sua notável vida. Foi sepultado no Talhão dos Combatentes, no cemitério do Alto de S. João.
Noticiada por todos os jornais, a sua morte foi, assim, referenciada pelos jornais:
O Século:
… “Intransigente defensor dos seus ideais, o Sr. Brigadeiro António Maya passou à situação de reforma por determinação do Conselho de Ministros em 14 de Junho de 1944. Oficial com brilhante folha de serviços prestados ao País e especialmente à Aeronáutica militar, tinha em cada um dos seus conhecidos um amigo e um admirador.”
A Capital:
“… Os relevantes serviços prestados ao País e à República granjearam-lhe um sólido prestígio, não só em Portugal como no estrangeiro”.
Diário Popular:
“ … O extinto, figura bem conhecida na capital, era o mais antigo aviador português. Louvado por diversas vezes devido à sua reconhecida competência, foi promovido a Brigadeiro em 1944. Possuía a Cruz de Guerra de 2ª classe, diversas medalhas e condecorações estrangeiras e era piloto”honoris causa”do exército polaco.”
Por decisão da mulher e dos filhos, as suas condecorações e medalhas foram entregues ao Museu do ar, onde se encontram em exposição.
O seu pioneirismo, na aviação, deu frutos: com o seu filho Enrique, os netos e bisnetos também aviadores, a família de António Maya entrou para o livro dos recordes, como família com maior número de gerações consecutivas de pilotos da aviação.