O que é o Movimento Resistência777
- O MR777 procura basicamente resgatar e restaurar os ideais dos trabalhadores que fundaram o Sport Club Corinthians Paulista, em Setembro de 1.910, no bairro do Bom Retiro, na Capital Paulista. Não somos uma “Revolução” porque ela é o próprio Corinthians, um clube nascido para dar voz e direito de participação aos excluídos, tanto homens quanto mulheres. Nosso clube surgiu da tradição humanista e de recurso à “ação direta” dos anarquistas italianos e espanhóis, e da massa de migrantes e imigrantes das mais diversas origens, como os portugueses, gregos, libaneses, sírios, judeus de diversas partes do mundo, japoneses, membros dos estratos sociais inferiores em busca de inclusão social e econômica. A estes se juntaram os irmãos afro-descendentes, os caboclos da terra e os nordestinos que vieram construir a maior cidade do país. Defendemos, portanto, a recuperação do sentido solidário e fraterno do miscigenado Corinthians original. Nossa principal referência é o ideal do primeiro presidente, Miguel Battaglia, sempre vivo em nossos coração. Segundo este pequeno grande homem, devemos ser o time do povo, e o povo deverá assumir a tarefa de construção do time.
- Consideramos, portanto, que o Corinthians é muito mais que um simples clube de futebol. Do ponto de vista antropológico e sociológico, é sem dúvida a maior instituição popular do país, maior em estima que qualquer marca comercial ou partido político. Pois o Corinthians, como os brasileiros, não se rende nunca, e redobra forças na adversidade. Foi ele a instituição a promover o maior deslocamento humano em tempos de paz na história da humanidade, em 1.976. O corinthiano exigiu Anistia nos anos 70 e participou da luta contra a Ditadura Militar. Somente em nossa casa houve um movimento como a Democracia Corinthiana, que inspirou tantos brasileiros a lutar por liberdade, igualdade e solidariedade. Este é o ethos do Corinthians que deve ser preservado. Esta é a nossa cara.
- Consideramos que o maior patrimônio do Corinthians é intangível. Trata-se do amor incondicional de sua torcida. O Corinthians não está em seus prédios, bens móveis ou ativos financeiros. É sua gente e aquilo que mora nesses corações apaixonados. O objetivo do futebol é fazer feliz estas pessoas, é irmaná-las, sejam elas ricas ou pobres, brancas ou negras, católicas ou muçulmanas, altos executivos ou recicladores de papel, homens ou mulheres.
- O Corinthians não deve discriminar. É o time do povo, mas de todo o povo, sem restrição. Deve unir e selar pactos de cooperação e amizade, como pregavam seus fundadores. O fundamental é manter seu DNA democrático, participativo, em que todos têm voz e vez. O corinthianismo deve ser via para que nos tornemos mais brasileiros.
- Defendemos total transparência na gestão do Sport Club Corinthians Paulista. Prezamos valores e princípios acima de tudo. Ao mesmo tempo, condenamos veementemente a transformação do clube em vitrine e balcão para os mascates do esporte, aqueles que utilizam nosso nome e paixão para enriquecer em transações muitas vezes imorais e ilícitas. O Corinthians deve ser dos corinthianos, e não dos parasitas mercadores, frequentemente acolhidos por nossos executivos.
- Não acreditamos que o clube seja apenas dos atuais sócios patrimoniais, mas de todos aqueles que riem e choram com o resultado de suas renhidas batalhas. Acreditamos que o SCCP deve criar um sistema de associação e participação ampliado e democrático, em que todo corinthiano, do Ártico à Antártida, possa graduar-se oficialmente como membro da instituição e sentir-se por ela responsável.
- Apoiamos todos os agrupamentos populares que defendem as cores do SCCP nas praças esportivas. Estas organizações são a nossa voz e a nossa imagem durante as competições esportivas e também fora delas. Condenamos o uso da violência em qualquer circunstância, mas acreditamos que deva ser preservado o direito à livre manifestação dos torcedores. Aqueles que acompanham o time, faça chuva ou sol, merecem ser ouvidos e respeitados.
- Lutamos para combater a discriminação e a manipulação da informação. O Corinthians, desde a fundação, vem sendo alvo da ira de certa mídia monopolista preconceituosa e cafajeste. Era tido como o time da “pretalhada”, dos “sujos” e dos “suados”. Os termos eram evidentemente depreciativos. Mas expunham a verdade. Somos o time da miscigenação, dos que sujam as mãos nas máquinas das fábricas, dos que suam porque trabalham honestamente para ganhar o pão. Certa imprensa exagera, deturpa e mente quando se trata de desmerecer uma organização popular. E não é diferente com o nosso Corinthians. Estaremos atentos para denunciar e combater os barões da mídia e seus escribas de pena alugada.
- Repudiamos totalmente o processo de elitização do futebol. Os executivos do clube devem desenvolver ações para captar recursos nas mais diversas áreas, mas jamais devem estabelecer um critério de seleção social e econômica para lotar os estádios. Os ingressos devem ter preços condizentes com a realidade do torcedor, em suas diversas classes sociais. O Corinthians é do povo e não pode ser reservado a um grupo de bem aquinhoados. Isso é cuspir em nossa tradição.
- Acreditamos que negócios devem ser desenvolvidos para constituir um clube sempre forte e competitivo, nas mais diversas modalidades. No entanto, o “business” deve ser MEIO e não finalidade. O objetivo do futebol não é gerar lucro, mas gerar felicidade e satisfação para a massa apaixonada. O clube jamais deve ser convertido em balcão de negócios, pois esse não é seu propósito original. O Corinthians é nossa história. O Corinthians é nossa vida. É o nosso grande amor!