Benedito Jesus Batista Laurindo nasceu no dia 5 de agosto de 1952, na cidade de Matão, interior do estado de São Paulo. Filho de gente humilde e desprovida de recursos financeiros como, via de regra, era e ainda é a condição do negro brasileiro, Padre Batista se viu obrigado a trabalhar, até como engraxate, nos dias de sua infância. Contudo, consegue vencer as contingências que o cercavam, não só para ingressar em cursos regulares de Filosofia e de Teologia, como, sobretudo, para graduar-se e tornar-se padre da Igreja Católica, atendendo a todas as exigências a que um seminarista deve se submeter para ser legítimo sacerdote.
Uma vez ordenado Padre Batista, em pouco tempo, passa a atuar de forma corajosa e objetiva com as vistas voltadas para as questões cruciais que envolviam as crianças de rua, particularmente, as que se encontravam na Praça da Sé, na capital paulista, área em que se situa a Catedral da Sé, da qual fora o primeiro padre negro a tornar-se pároco por nomeação do Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Para tanto, Padre Batista estrutura uma verdadeira rede beneficente e filantrópica para atender às pesadas demandas que seus sentimentos cristãos determinavam que se instituíssem. Assim, funda o Centro Comunitário do Menor, o Quilombo Central, o Instituto Mariana dos Bispos e Padres Negros, o Instituto do Negro e a Casa da Menina Mãe.
Com uma vida repleta de lutas e abnegações, sem tréguas, que exigia de si e de seus comandados dedicação em tempo integral, Padre Batista impôs respeito e ganhou a admiração de todos que o conheceram e que com ele partilharam de seus ideais e de sua nobre missão apostolar.
Morto prematuramente, aos 39 anos, em 10 de agosto de 1991, o Instituto do Negro, em sua memória, passou a chamar-se Padre Batista, com o propósito de se dar continuidade às suas obras beneméritas.
Mais de dez anos se passaram desde a morte de Padre Batista... Seu trabalho e seus ideais, no entanto, jamais desaparecerão. Sua mensagem de esperança e fé permanece em todos aqueles que continuam a empunhar a bandeira da justiça e fraternidade entre os homens.
Fonte: Quem é Quem na Negritude Brasileira, do Prof. Eduardo de Oliveira.