O novo Centro de Vitória
Perdemos as vezes que escrevemos sobre a urgente necessidade de revitalização - econômica, social, cultural e ambiental - do Centro de Vitória. Quando escrevemos empregando traços positivos do que se conquistou por meio do poder público municipal, recebemos elogios e aplausos. Quando criticamos o que ainda não conquistamos, somos tachados de derrotistas. Atualmente não moramos aqui, mas continuamos apaixonados por este pedaço da cidade. Quem mora ou já morou nele, não tem como deixar de amá-lo, e muito. Por isso continuamos declarando amor ao Centro e o defendendo de unhas e dentes.
A tão desejada e propalada revitalização do Centro de Vitória não acontecerá plenamente se ficarmos numa atitude meramente contemplativa, dependendo apenas da vontade e da decisão do poder público. Faz-se necessário um mutirão formado por todos os atores comprometidos com essa proposta: os poderes públicos, as entidades empresariais e comunitárias, igrejas, moradores e quantos mais tenham na mente e no coração o desejo da concretização de um novo Centro.
A Associação Comercial de Vitória está matriculada nesse esforço há mais de 30 anos. Entra administração e sai administração, e ela não desiste, tentando, de todas as maneiras, tirar o projeto das pranchetas e trazê-lo para as avenidas, praças e ruas, como algo real. A Prefeitura de Vitória está mais do que consciente que não basta apenas o desnudamento de prédios particulares e o restauro d e suas fachadas para que a revitalização se torne realidade. Tais ações são importantes, mas não suficientes. O que vai valer mesmo são parcerias entre o poder público, entidades empresariais e comunitárias, igrejas, moradores e técnicos, para que o projeto saia do papel de uma vez por todas e se torne algo concreto.
Desde há muito vem sendo discutida, por exemplo, a ambiciosa proposta de transformação da avenida Jerônimo Monteiro em um shopping a céu aberto. Como a esperança é a última que morre, segundo os antigos, espera-se que tal proposta venha sem mais demora – já demorou demais – para que, por meio de sua concretização e de outros projetos semelhantes o Centro volte a ser o point de todas as gerações, como nas décadas 60 e 70.
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Mais do que projetos, o Centro de Vitória precisa de coragem e determinação do poder público, precisando também do irrestrito apoio e engajamento de todos os demais atores para que ele seja o novo Centro de Vitória que todos nós desejamos.
Alencar Garcia de Freitas é jornalista.