O novo Centro de Vitória

 

 

Perdemos as vezes  que escrevemos  sobre a urgente necessidade  de revitalização -  econômica, social, cultural e ambiental - do Centro de Vitória. Quando escrevemos empregando traços positivos do que se conquistou por meio do poder público municipal, recebemos elogios e aplausos. Quando criticamos o que ainda  não conquistamos, somos tachados de derrotistas. Atualmente não moramos aqui, mas continuamos  apaixonados por este pedaço da cidade. Quem mora ou já morou nele, não tem como deixar de amá-lo, e muito. Por isso continuamos declarando amor ao Centro e o defendendo de unhas e dentes.

 

A tão desejada e propalada  revitalização do Centro de Vitória não acontecerá plenamente se ficarmos numa atitude meramente contemplativa, dependendo apenas  da   vontade e da decisão do poder público. Faz-se necessário um mutirão  formado por todos os atores  comprometidos com essa proposta: os poderes públicos, as entidades empresariais e comunitárias, igrejas, moradores  e quantos mais tenham na mente e no coração o desejo da concretização de um novo Centro.

 

A Associação Comercial de   Vitória está matriculada  nesse esforço há mais de 30 anos. Entra administração e sai administração, e ela não desiste, tentando, de todas as maneiras,  tirar  o projeto das pranchetas  e  trazê-lo para as avenidas, praças   e ruas,  como  algo real. A Prefeitura de Vitória  está mais do que consciente que não basta  apenas o desnudamento de prédios particulares e o restauro  d e suas fachadas para  que a revitalização  se torne realidade. Tais ações são importantes, mas não suficientes. O que vai valer mesmo são parcerias entre o poder  público, entidades empresariais e comunitárias, igrejas, moradores e técnicos, para que o projeto  saia do papel de uma vez por todas e se torne algo concreto.

 

Desde há muito vem sendo discutida, por exemplo, a ambiciosa proposta de transformação da avenida Jerônimo Monteiro em um shopping a céu aberto. Como a esperança é a última que morre, segundo os antigos, espera-se   que tal proposta venha sem mais demora – já demorou demais – para que, por meio de sua concretização e de outros projetos semelhantes  o Centro volte a ser o point de todas as gerações, como nas décadas  60 e 70.

 
Até as últimas estatísticas de que se tem notícia, no Centro de Vitória  estão – ou estavam – 5.985 estabelecimentos de negócios – comércios e serviços -, seis estabelecimentos culturais, 4l de ensino, nove de esporte e diversão, l.9l8  garagens comerciais, l69 garagens  residenciais, 4.389 moradias, 54 instituições voltadas para a área de saúde - hospitais, prontos-socorros, consultórios médicos, laboratórios e outros similares – 32 templos religiosos e dezenas de escritórios de advocacia e de engenharia.
 
No Centro está o Parque Moscoso  cujo entorno é considerado como a melhor qualidade de vida da Cidade de Vitória, apesar  da insegurança, dos assaltos e da poluição sonora e ambiental do grande número de vendedores  ambulantes que o cercam.

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Mais do que projetos, o Centro de Vitória precisa de coragem e determinação do poder público, precisando também do irrestrito apoio e engajamento de todos os demais atores  para que ele seja  o novo Centro de Vitória que todos nós desejamos.

 

Alencar Garcia de Freitas é jornalista.