Vitória vitoriosa
 
   Vitória comemorou em oito de setembro, 458 anos. É uma das capitais mais antigas do país. No seu comando estiveram dezenas de prefeitos, cada um dando sua contribuição, colocando um tijolinho nessa obra, que caminha para 500 anos, vencendo os mais variados desafios. É certo que nas comemorações do seu aniversário muitos dos ex-prefeitos – os vivos, pelo menos – não serão lembrados sequer com uma palavra de apreço e reconhecimento pelo que fizeram pela cidade, nem mesmo um convite para as comemorações.

 

   De Hermes Laranja para cá, quando os prefeitos das capitais voltaram a ser eleitos pelo voto direto do povo, cada um teve uma parte importante para fazer de Vitória a cidade que é hoje: moderna, trepidante, atrativa e acolhedora.

 

   Se fosse para falar de todos os que foram prefeitos nesses quase quinhentos anos de existência, este espaço não comportaria. Quando se debruça sobre os dados das ações dos últimos prefeitos, tem que se fazer um pouquinho de justiça ao que cada um realizou, por menor que tenha sido a sua contribuição.

 

   De qualquer maneira, todos os ex-prefeitos, desde a fundação da cidade, até os dias de hoje, fazem parte da sua história. Hermes Laranja, por exemplo, em três anos como prefeito, realizou uma obra que, por si só, quase dispensaria as demais de sua administração. Foi a transformação da Grande São Pedro, até então conhecida como lugar de toda pobreza, segundo Amilton de Almeida, num bairro referência internacionalmente. Com dez milhões de dólares financiados pela Caixa, para pagamento em vinte anos, foram executadas obras de saneamento básico e asfaltamento em um milhão e oitocentos mil metros quadrados, que deram à região uma nova vida. A usina de lixo foi uma das primeiras implantadas no país. Saindo da Grande São Pedro, Hermes partiu para a urbanização de Maria Ortiz, onde construiu um conjunto de casas populares, um dos primeiros implantados pela Prefeitura de Vitória. Quando candidatou-se adotou como mote de campanha que seria o prefeito dos morros, mangues e palafitas. Saindo dos mangues e palafitas, investiu, como político vivo, na melhoria da avenida Beira-Mar, construiu o Sambão do Povo; voltou, em seguida, seu olhar para a região nobre da Cidade, construindo as praças dos Namorados, a dos Desejos e da Grécia.

 

   O prefeito seguinte, Vitor Buaiz, foi, talvez, o que administrou melhor os recursos e ações públicos implantando o sistema de orçamento participativo, que deu à cidade de Vitória a oportunidade de decidir, pelos seus cidadãos, o destino da metrópole. Conseguiu – embora não tenha realizado grandes obras físicas – fazer do sistema de saúde, do sistema de educação e da limpeza pública referências altamente positivas para o resto do país. Administrou com austeridade os recursos advindos dos impostos pagos pelos contribuintes.

 

   Veio, depois Paulo Hartung, como um dos prefeitos com um desempenho acima da média nacional. Talvez tenha sido um dos poucos que conseguiu formar uma equipe da maior competência. Deu continuidade e ampliou o sistema do orçamento participativo, lançou as bases de uma política de maior alcance para 20 ou 25 anos à frente do seu tempo. Aumentou grandemente as redes de ensino e saúde, e conseqüentemente, o número de vagas nas escolas e creches; melhorou de modo substancial o atendimento médico do município.

 

   Estimulado pelo excelente desempenho que teve, o povo vitoriense deu a Paulo Hartung o privilégio de fazer seu sucessor na pessoa de Luiz Paulo Vellozo Lucas, que administrou a cidade durante oito anos, seguindo mais ou menos a mesma linha do seu antecessor, porém modernizando, ainda mais, a máquina administrativa da Prefeitura, com uma visão mais técnica do que política, uma vez que era e é um dos melhores dos quadros do BNDES.  Percorrendo os bairros das cidades, em cada um deles encontra-se pelo menos uma marca da administração de Luiz Paulo.

 

   Atualmente, a cidade está nas mãos de João Coser, talvez a Capital cujo prefeito consegue a façanha de administrá-la do modo mais pluralista que se possa imaginar, tendo sob a sua batuta secretários oriundos de quase todos os partidos. Tem uma convivência muito positiva com a Câmara Municipal, como poucos até então não tiveram. Em razão disso e de um bom relacionamento com o governador Paulo Hartung e com o governo do presidente Lula tem conseguido melhorar cada vez mais Vitória em termos de obras, como é o caso da Ponte Carlos Lindenberg, inaugurada no último dia 29 de agosto, uma parceria da PMV com os governos do Estado e Federal. No campo dos serviços, têm melhorado, de modo visível, os atendimentos nas áreas de educação e saúde. Quem recorrer, por exemplo, a uma unidade de saúde da Prefeitura, encontra, na maioria das vezes, um atendimento que mais parece atendimento da rede privada de saúde.

 

   Muito se tem ouvido, como reclamação, que Vitória faz mais do que os outros municípios, porque também recebe mais em termos de recursos do FPM, do ICMS e de outras receitas que lhe permitem investir, de modo maciço, em obras de infraestrutura, capacitação de pessoal e outros setores, melhorando os serviços prestados pela Prefeitura local.

 

  Não é intenção deste artigo fazer uma defesa cega do bom desempenho do município de Vitória. É bom lembrar, no entanto, algumas razões pelas quais a Capital vem recebendo mais recursos originários de impostos, taxas e verbas do Governo do Estado e do Governo Federal. Primeiro, não se pode esquecer que aqui estão os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Aqui estão todas ou quase todas as empresas de maior porte que geram impostos e taxas responsáveis por  uma receita mais significativa. As principais razões, no entanto, para que Vitória seja mais privilegiada do que os demais municípios, talvez seja o fato de estar sendo administrada, há vários anos, por prefeitos que têm profissionalizado suas ações e          têm dado continuidade aos programas de Governo dos antecessores, com poucas alterações. Outro fator que tem sido muito importante, sem dúvida, é o orçamento participativo, algo implantado em Vitória há quase vinte anos, dando bom resultado para o Município e para os vitorienses, juntamente com um grande comprometimento dos políticos e administradores públicos com a causa da cidade e dos seus habitantes.

 

   Tudo isso somado e posto em prática tem feito Vitória vitoriosa em quase todos os sentidos.

 

   Alencar Garcia de Freitas é jornalista.