TEXTOS EXPLICATIVOS E CRÍTICOS SOBRE A PRODUÇÃO DO GRUPO


O Macaco Bong nasceu em Cuiabá (MT) no ano de 2004 como um quarteto de rock instrumental. Logo no ano de 2005 se tornou um power trio, permanecendo com a proposta de rock instrumental com conteúdo musical. A banda é um dos programas do Instituto Cultural Espaço Cubo (Cuiabá-MT), que trabalha na área da produção e fomento à produção cultural.


Baseado na desconstrução dos arranjos da música popular em seus formatos convencionais e aliada à linguagem das harmonias tradicionais da música brasileira com jazz/fusion/pop e etc, o Macaco Bong busca nunca concretizar rótulos relativos às variedades nas vertentes dos gêneros musicais em suas composições, tudo isso aplicado tanto na estética quanto no conteúdo do rock’n’roll.


As referências musicais são inúmeras e passam por nomes como Referências musicais são variadas, como jazz, blues, samba, salsa, música africana, música oriental, bossa nova, chorinho, jazz/fusion ao rock oitentista, hard/rock, power pop, punk, hardcore, rock progressivo, metal progresivo, heavy metal, death, metal, trash, splatter, música eletrônica... Nomes pode-se citar Death, Meshuggah, Pantera, Dark Funeral, Dream Theater, Yellow Jackets, Weather Report, Uncle Moe`s Space ranch, Pat Metheny, Milton Nascimento, Ebinho Cardoso, João Bosco, Toe, Richard Bona, Nofx, Tribal Tech, Pat Metheny, Chick Corea, Mogwai, 65 Days of Static, Charlie Parker, Herbie Hancock, Level 42, Joe Satriani, Tom Jobim, Arthur Maia, Michael Jackson, Booka Shade.


O trabalho da banda remete à movimentação na qual está inserida. Com a queda do esquema antigo do mercado fonográfico, as bandas, de um modo geral, começaram a ter muito mais autonomia em suas composições. Afinal, sem vínculos, ninguém teria que atender a nenhuma necessidade estética que o mercado (e/ou a gravadora impusesse). E, ao mesmo tempo, a cena independente surge com bandas de rock. Os roqueiros de outrora hoje produzem rock instrumental porque há demanda por esse tipo de sonoridade. Demanda essa criada pelos festivais independentes, que abriram espaço para novas manifestações artísticas e, conseqüentemente, estimularam o público a consumir novas sonoridades.


O resultado musical representa uma tradução dessa movimentação, à medida que rompe com os paradigmas de arranjos estabelecidos pelas bandas de momentos anteriores, do dito main stream. As composições fogem do formato tido como comercial, que corresponde a não passar de 5 minutos, ter refrão, ter letras “grudentas”, fazer uso de timbres “da moda”. O Macaco Bong passa longe disso, trabalhando com músicas longas, lineares, sem refrão, com timbres alternativos. Mesmo sendo instrumental a banda não cai na vala comum do virtuosismo e do academicismo musical, o que acaba atraindo tanto o público roqueiro, como o público do instrumental, do jazz e da música brasileira de maneira geral.


No disco Artista Igual Pedreiro, lançado em 2008, é possível perceber como as músicas expressam essa característica. Bananas For You All, Fuck You Lady, Black’s Fuck, Amendoim, Rancho, Compasso em Ferrovia, Vamodahmaisuma, entre outras, demonstram a alternância de nuances e a inquietação da criação musical, proporcionada por um conjunto que não sente a necessidade de agradar a empresários e gravadoras e/ou grandes veículos da mídia.

 


Interface com novas tecnologias -  Como membro de um instituto cultural, o Macaco Bong realiza diversos trabalhos no campo das artes sonoras e visões de rede. Esse caráter fica bem exemplificado em ações práticas realizadas em conjunto com o Circuito Fora do Eixo, uma rede distribuída em 38 pontos pelo país. Os trabalhos incluem laboratório musical, produção de videoclipes, produção de web rádio e distribuição de fonogramas na internet. Tais ações estão descritas abaixo:

 

Laboratório Musical – Um dos integrantes do Macaco Bong, o guitarrista Bruno Kayapy, é coordenador do núcleo de sonorização do Espaço Cubo. Como tal, gerencia o processo de laboratório musical do instituto. Através desse trabalho foi possível pesquisar tecnologias já existentes e também criar novas tecnologias para o setor da sonorização no mercado da música independente no Brasil. Através da rede do Circuito Fora do Eixo, essas tecnologias são descentralizadas na linguagem de software livre. Ou seja, funcionando como um código fonte que pode ser absorvido e alterado de acordo com as demandas e necessidades. Tais tecnologias já foram aplicadas em dezenas de festivais brasileiros, como Grito Rock festival(MT), Festival Calango(MT), Goiânia Noise Festiva (GO), Festival Varadouro(AC), Festival Jambolada(MG), Festival Demosul(PR), Vaca Amarela Festival(GO), Festival Fora do Eixo(SP), Volume Festival(MT), Festival Quebramar(AP), Festival Contato(SP), Semana da Música(MT), entre vários outros eventos.


O próprio conteúdo musical do Macaco Bong é pautado no laboratório musical, buscando a experimentação e quebra de convenções em arranjo, porém sempre buscando manter a coerência nas composições. Isso também se estende para o trabalho de outras bandas: Bruno Kayapy já realizou vários trabalhos de produção e pré-produção, além de participações especiais em álbuns, como a experimentação de efeitos eletrônicos criados a partir da guitarra na banda londrinense de eletro rock intitulada Trilobit.

 

Produção de videoclipes – O Instituto Cultural Espaço Cubo tem um núcleo de trabalhos audiovisuais, com o nome de “Próxima Cena”, realizadora de eventos como a SEDA - Semana do Audiovisual. Na SEDA de 2007 a banda participou das oficinas de produção de vídeo, inclusive gravando seu primeiro videoclipe. Cerca de 10 alunos trabalharam no roteiro, figurino, iluminação, captação e edição de imagens. O vídeo está disponível no you tube e o nome da música é Shift.


O videoclipe seguinte da banda (que segue no material em DVD enviado junto a este) foi produzido pelo cineasta paulistano Otávio Pacheco, que por duas vezes foi oficineiro na SEDA. O clipe é feito em caráter experimental através da técnica do stop motion, que consiste em ordenar fotografias criando movimentos que se assemelham a vídeo. No clipe foram usadas cerca de 8 mil fotos, capturadas em shows e também em trabalhos em estúdio com a banda. Esse vídeo se chama Noise James e também está disponível no you tube. O canal da Próxima Cena é www.youtube.com/proximacena.

 

Produção de Web Rádio – Outro integrante do Macaco Bong, o baixista Ney Hugo, atua no setor de comunicação do Espaço Cubo e do Circuito Fora do Eixo. Em 2008 os trabalhos da comunicação na rede do Circuito Fora do Eixo possibilitaram o estudo do sistema de transmissão de festivais ao vivo pela internet. Também em processo laboratorial, desenvolveu um sistema que permite colocar qualquer evento disponível para ser ouvido em qualquer parte do mundo.


Em 2009, com a parte técnica do estudo em um estágio razoável, o trabalho se estendeu para a Abrafin – Associação Brasileira dos Festivais Independentes, que solicitou à equipe da Rádio Fora do Eixo o trabalho de transmissão dos festivais da associação. Até o presente momento foram realizadas transmissões dos festivais Grito Rock Cuiabá(MT), Psycho Carnival(PR), Rec Beat(PE), Abril Pro Rock(PE), Tendencies Rock(TO), e Bananada(GO). A Rádio Fora do Eixo também trabalha com uma programação diária, das 19h às 22h, trazendo podcasts produzidos pelos coletivos integrados ao Circuito e apresentações ao vivo de bandas independentes.

 

Distribuição Virtual - O primeiro álbum do Macaco Bong foi lançado também no formato virtual, através da parceria com a TramaVirtual. “Artista Igual Pedreiro” está inserido no projeto “Álbum Virtual”, a segunda etapa do Download Remunerado. Através desse trabalho, a TramaVirtual distribui música gratuitamente, porém remunerando o artista, se capitalizando através de parceria com a iniciativa privada. O primeiro lançamento foi o álbum Danç-êh-sá Ao Vivo, de Tom Zé, seguido por Artista Igual Pedreiro, do Macaco Bong, Donkey (Cansei de Ser Sexy) e Chapter 9 (Ed Motta).


Na primeira semana, o presidente da Trama, João Marcelo Bôscoli, contou em entrevista à Rolling Stone Brasil que o disco foi baixado 700 vezes somente nos três primeiros dias em que ficou disponível. O disco está também disponível para download na loja do Portal Fora do Eixo (www.foradoeixo.org.br). Existem também participações em coletâneas virtuais. Ume delas é “O Novo Rock do Brasil”, produzido por Senhor F Virtual (www.senhorf.com.br), com curadoria de Fernando Rosa e Pedro Bandt e lançada na França por intermédio da Revista Brazuca (www.brazucaonline.org). A coletânea conta com 19 representantes da cena independente nacional. O download da coletânea pode ser feito no www.magazinebrazuca.blogspot.com. Isso além da aparição em outra coletânea de Senhor F, a “11 Temas”, conta com grupos do México México, Portugal, Peru, Argentina, Brasil, Chile e Uruguai.