O que é "Sistema de Chamada de Enfermeira" ?
Em poucas palavras, é o aparelho que o paciente usa quando precisa assistência da enfermeira. Conhecido também como campainha de enfermagem, sinalizador, ou simplesmente chamada, sem este dispositivo o tratamento do paciente, como um todo, está em risco.
Até hoje não encontramos meios para acompanhar a evolução da cura sem o feedback do paciente. Todos os esforços são feitos para uma acurada terapêutica, o monitoramento automático avança, o diagnóstico se amplia, a vida se prolonga.
Entretanto, em algum ponto do tratamento é o paciente quem deve dizer como se sente. Uma mudança de estado não escolhe hora, e a capacidade de observação da enfermeira é finita. Há momentos em que o paciente está só e precisa de ajuda.
Como eram os primeiros sistemas de chamada?
Na época vitoriana, as mansões inglesas possuiam um sistema de cordas e sinos que interligavam todos os pontos da casa com a cozinha e criadagem. O puxar de um cordão era tudo que se precisava para ter a assistência de um criado.
Este modelo inspirou os projetistas dos primeiros sistemas. O ponto fraco desta solução era a ausência de repetição. Se o paciente desmaiasse antes de ser atendido o aviso se perderia.
A chegada da energia elétrica trouxe novas idéias, o sistema passou a contar com campainhas fortes, e dispositivos mecânicos de repetição. O botão elétrico de acionamento foi inventado, no entanto preservou-se, por força do hábito, o cordão puxador. Ainda hoje fabrica-se estações de chamada com cordão puxador, se bem que seu uso resta confinado a banheiros de enfermarias.
A invenção da lâmpada elétrica em conjunto com relês eletromecânicos propiciou a inclusão da sinalização luminosa nas portas dos quartos e corredores. Os postos de enfermagem assumiam sua forma atual, e no lugar de sinetas um quadro enorme cheio de lâmpadas e campainhas foram instalados. Este modelo permaneceu intocado até a invenção do transistor após a segunda guerra mundial. Os primeiros intercomunicadores surgiram e logo viu-se a oportunidade de integrá-los ao sistema de chamada da enfermagem.
A medicina, em todas as especialidades, deu um salto quântico nas últimas décadas do século XX, trazendo consigo a necessidade de sistemas mais avançados e, principalmente, informações mais avançadas. Não bastava o êxito. Precisou-se mensurá-lo.
O que temos hoje em dia?
A profusão tecnológica advinda dos chips inteligentes (microprocessadores, computadores e internet) provocou acertos e desvios em todas as áreas do conhecimento humano. O sistema de chamada não foi excessão.
Considerado ítem essencial ( hospitais não recebem o "habite-se" sem ele), é uma questão que passa pela mão do administrador ou construtor pelo menos uma vez na vida. E quando essa questão aparece - escolher um sistema- é comum que ele nunca tenha ouvido falar no assunto.
O desfile de ofertas que experimenta não lhe dá o rumo claro da decisão. Tentarei explicar por que.
Preços: Variam de 1 para 20 vezes. Sim, de R$ 50,00 até R$1.500,00 por ponto.
Recursos: De um simples interruptor com lâmpada até controle remoto multimídia na mão do paciente.
Tecnologias: Eletromecânica, eletrônica, microprocessadores, computadores.
Procedências: Nacionais, importados e duvidosos.
Arquiteturas: Estrela, Anel, Telefônica e Sem Fio ( sérios - zigbee- e abridores de garagem modificados).
Principais opções: Sem voz, com voz, soro, pager, display externo, voz sintetizada, relatórios.
Voltagens na mão do paciente (pêra): 5Vcc até 220Vca.
Upgrades: No de quartos, Relatórios, Transmissão de mensagem. Normalmente: só o n.o de quartos.
Interoperabilidade: Ambígua, à conveniência do fabricante.
Entre tantos pesos e medidas, é lógico esperar que a sorte na escolha é o elemento determinante deste tipo de aquisição.
Como escolher um sistema de chamada de enfermeira?
Não existem consultores independentes ou desinteressados.
O hospital fará esta lição de casa, ou será levado pelo mais belo sorriso, ou comprará o mais barato e se arrependerá depois.
A lição de casa consiste em algumas perguntas básicas:
1- Seu hospital é público ou particular?
2- Sua cultura de atendimento é eficiente?
3- Suas enfermeiras são profissionais de primeira ou precisam de "enforcement"