imenso vermelho

 

 

A febre vai comendo pelas beiras a substância inevitável da paisagem. A cabeça desabada

sobre a noite de desassossego enfrenta o sol se derramando sobre os membros.

A vida coalhando sem stop; a poeira tomando os poros que, invadidos, retira o brilho da

pele. A febre cheia de números vermelhos pelo mercúrio dos termômetros; a luta contra

os homens que estão a dentro no labirinto aquém da testa.

Ali estou tentando arranjar-me com a minha dor, morrendo de febre todos os dias,

sentado sobre uma paisagem dobrada a sentir, ainda assim, o pau latejar sob a calça,

vendo a trepidação de um desejo incurável e desconhecido se insinuando na dor.

Até que mato meu pai e, ainda vivo, levanto e me cego diante do imenso céu vermelho.