fina superfície
o mar sem olhos não
começa aqui nem
a terra se esquece
nesse lugar aqui sem onde
o mar não é coberto por
nenhum olhar
fenda alguma
corte ou passagem
sequer navegação
água qualquer
apenas escuridão
a terra que seria é olfato
a cidade se engole em fato pernas tato e olhos surdos
ouvidos moídos
sons secos
o mar acaba por vidro
na exatidão de uma lembrança
mesmo a esmo de um olhar em queda e abismo
o mar aqui desliza por ser um exercício sem pátria
ou língua
o mar insiste em aqui sem olhar ou cor
fina superfície na memória
aqui não se parte ou chega
tudo se inscreve
assim leve entre os fios diluídos do movimento
num certo talvez
esquecemos a cor da palavra mar