instante
o branco imaginado da memória no dia insone em caixas de sabão
a inútil dor de uma paisagem insurgente do dente que despenca
os braços correndo o espaço de ar nesta paisagem sem geometria
a poesia recobrindo em branco todos os poros de cada escala do sol
os aviões que se deixam pensar pelos olhos
desfocar a paisagem
sentir no dedo o peso do dia
penetrar a miséria dos olhos
enviar os boletins do dente da unha
fumar o derradeiro minuto sobre a plástica da tela que se move presa
ao todo do dia no prato erguido insalubre sobre a mesa com a toalha rota das mãos
tocar o pêlo do instante
desejar o desejo sem paisagem