CIDADEZINHA QUALQUER


Este poema de Carlos Drummond de Andrade é de uma beleza e lirismo incomparáveis. Traz na sua essência o retrato de uma cidade que pode ser qualquer uma, uma mensagem poética tristonha, que não gera perspectivas.

Neste contexto , os alunos da etapa Alfabetização EJA foram “apresentados” ao poeta das palavras – Drummond de Andrade- como carinhosamente o chamamos.

Num primeiro momento os alunos foram convidados a ler o poema individualmente, logo após fizemos uma leitura oral onde alguns participaram lendo os versos das 3 estrofes.

A partir daí iniciamos um grande debate : Que cidade era aquela a que o poeta se referia ? Por que casas entre bananeiras ? E mulheres entre laranjeiras? E mais : Um homem vai devagar , um cachorro vai devagar , um burro vai devagar... o que isto significava ? E devagar ... as janelas olham ? E a pergunta as janelas podem olhar ? que significa as janelas olham ? E a expressão final que significava : Eta vida besta, meu Deus . Era uma expressão de contentamento ? O que ela transmitia de sentimentos ?

Vale lembrar que foi trabalhado com os alunos anteriormente, o ser individual, nomes de gente tem sobrenome , coisas não ! Elaborada uma ficha pessoal contendo os dados mais relevantes de sua vida. Foi também abordada a questão da inserção social com o poema : Muito prazer, dona rua ! Na interpretação deste poema houve a reflexão e escrita de : a quem cabe preservar a cidade, e a representação gráfica da rua onde moravam. Daí foi resgatado o poema de Drummond e a amplitude social se abriu ... Primeiro o ser humano, depois o aluno no contexto social, depois sua localização enquanto moradia e , com Drummond a sua cidade .

Verbalmente foram feitas comparações sobre a cidade em que vivem e a cidadezinha qualquer... as diferenças , segundo os alunos eram gritantes... “Não tem como comparar, professora” ... “Aqui é só poluição, trânsito congestionado, poluição, violência, assaltos” ... após essa reflexão coletiva, foi solicitado que verbalmente eles “cantassem” a sua cidade como Drummond havia feito , com a mesma estrutura : 3 estrofes e 8 versos.

A etapa final foi convidá-los a escrever sobre tudo o que havia sido discutido... claro, houve vários protestos : “não dá , professora”! “a senhora pensa que nós somos poetas ?” “o que vamos dizer ?” ... a cada interpelação , dizia que eles só tinham que contar como era a sua cidade... como era São Paulo .

O resultado foi extremamente rico ... e os poemas ficaram prontos! Lemos os mesmos apesar de alguns protestos que o poema estava “muito feio”. A seguir fomos ao Laboratório de Informática e eles digitaram seus poemas.


Para finalizar a atividade, foi solicitado que eles ilustrassem o poema. Para isso , na aula de sala de Leitura, antes do início das atividades programadas, a Professora Solange, nossa POSL, mostrou aos alunos alguns livros, se detendo mais em alguns que tinham ilustrações. Explicou que através da ilustração podíamos saber o que o autor estava contando, no caso, o que eles quiseram dizer com o poema. O resultado final aí está ! Como é etapa alfabetização , nem todos dominam o código da escrita. Estes desenharam o seu poema , a sua cidade.


Professora Clélia Maria Uchoa Falcão.