“Pequenas Biografias Não-autorizadas” (poesia, 86 páginas - Editora 7Letras, Rio de Janeiro, 2009) de Leonardo Marona
Lançamento no Bar Bukowski – Dia 09 de maio, a partir das 19 horas, coquetel com apoio da cachaça Magnífica e dos queijos Fior di Latte Yema. O evento contará com a presença do escritor, que receberá os convidados numa casa noturna, onde haverá um microfone aberto para terrorismos poéticos “cometidos” por amigos do escritor, entre eles Rose Abdallah, Natália Lage, Guta Stresser, Márcia Zanelatto, Sinai Sganzerla, Rosana Viegas, Filomena Mancuzo, Cristina Mayrink, Helena Borschiver, Marcelo Escorel, Sergio Marone, Otoniel Serra, Miguel Thirré, Diogo Brandão, Sacha Bali, Saulo Rodrigues, Diogo Vilela e Antônio Abujamra, que escreveu a orelha do livro. A ideia é fazer um encontro literário descontraído, como uma conversa de bar lírica, com cachacinha e música para abrir os canais, sem o peso tradicional dos contidos lançamentos de livraria.
Haverá também uma exposição de quadros do artista plástico Victor Hugo Cecatto, que também fez a capa do livro. Durante a noite, os quadros expostos serão distribuídos entre os convidados, e o lançameto vai se esticar noite adentro, com rock n’ roll na pista de dança, narguilé, sinuca e dardo até o amanhecer.
O Livro:
Pequenas Biografias Não-autorizadas (Ed. 7Letras, 2009) é o primeiro livro de poesias de Leonardo Marona, jovem escritor porto-alegrense radicado no Rio de Janeiro. O livro é dividido em duas partes, cada uma com vinte e cinco poemas. Cada poema é uma biografia de alguma pessoa, como disse Antônio Abujamna, “autores, atores, poetas, putas”, enfim, tudo o que influencia um jovem não tão mais jovem escritor. Pois fala de dois anos de uma pessoa através daquilo que ela viu e sentiu, como que uma biografia formada de muitas biografias. Cada parte corresponde a um ano. O homem de 25 anos é um poeta mais lírico, a vida é uma surpresa atrás da outra, você vê os cabelos ao vento, a vontade absurda e inocente de querer tudo e ir até atingir o inconsequente. Mas há, no fim da seqüência, um presságio cinza. Ali estão, com ele, Ana Cristina César, Jack Kerouac, Chet Baker, Cortázar, Bukowski, Maiakovski, Skip Jams, o “suicídio de e.e. cummings” e outros retratos de momentos como quadros moldurados na pele. Mas alguma coisa aconteceu ao homem de 26 anos. Sua pele de repente se amarela e ele parece mais cansado, as surpresas assustam mais e divertem menos, a negação é maior, “as leituras eslavas”. Mas há também uma súplica, um espaço em aberto à espera de um preenchimento mais doce, ainda um resquício da fúria juvenil que justifica a vida. Ali estão, Lou Reed, Billie Holiday , a carta desesperada de um estudante de belas-artes, o “parapeito”, a impenetrável cidade de São Paulo, Zelda Fitzgerald, Strinberg, Beethoven e Shakespeare e até Clint Eastwood, entre outros perfis de uma modernidade dolorosa que começa a quebrar a casca.
Avalanche
[por Antonio Abujamra]
Esse autor não é fanatizado pelo árduo trabalho que é o fazer poesia. (João Cabral colocava um verso na gaveta, deixava seis meses e depois o buscava para ver se ainda servia para o poema inteiro).
Esse autor não é fanatizado por escrever biografias autorizadas ou não-autorizadas (conhecer os outros é quase impossível).
Esse autor é uma avalanche de vida toda fecundante de um estranho conhecimento de autores, atores, poetas, putas, números, literatura brasileira, portuguesa, européia profunda – enfim, nos deixa ao lê-lo com uma irrespirável vontade de fugir dos Gôngoras da inteligência.
Quer falar de tudo, sobre tudo, quer que Ezra Pound se foda, odeia os assassinos de Maiakovski, passa por Rilke como se as Elegias de Duíno fosse o livro mais popular do mundo – sobe em cima de Rita Hayworth, quer Neruda e sua poesia no poder, bebe Bukowski, esbofeteia Ulisses, não se preocupa com seus bagos sujos e mais mil coisas que o levam a escrever, escrever, escrever.
Essa avalanche tem uma honestidade de cristal como um Kierkegaard, seus poemas apaixonados e ao mesmo tempo distanciados brechtianamente fazem da leitura um prazer que deixa nossas diametrais vivências querendo saber onde vai chegar.
E isso é o que menos importa, pois quer ler Nietzsche e influir em seus escritos, quer ser Unamuno para ser Reitor da Universidade de Salamanca e enfrentar os fascistas de Franco achando que estão ainda ao nosso lado.
E estão.
É uma avalanche para lermos, e sobra ao poeta a clarividência e a fidelidade de suas idéias, cambiantes ou não, e leva esse livro com sua avançada juventude, para ele ter uma relevância central em sua vida.
Tem que escrever, mais, mais, mais e, de repente, escrever menos, menos, menos.
Essa é a engrenagem para a mecânica dos poemas entrarem em seus nervos e carne, palpitação, catedral de ânsia e beleza.
A origem do o livro “Pequenas Biografias Não-autorizadas”, por Leonardo Marona
A origem do livro vem, na verdade, de uma entrevista que eu fiz junto com o Fernando Ramos para o Jornal Vaia, de Porto Alegre, na época em que morei lá. Era uma entrevista com o escritor pernambucano Marcelino Freire. Num ímpeto de autoconfiança, levei alguns poemas soltos para mostrar ao Marcelino. Muito delicadamente e para a minha surpresa, ele leu as poesias e, inclusive, anotou algumas coisas em vermelho para comentar no dia seguinte, quando terminaríamos a entrevista para o jornal. Marcelino me disse uma coisa que ficou na minha cabeça. Disse que havia qualidade nos poemas, mas que eles precisavam de uma unidade para, juntos, formarem um livro. Na época era como se eu não tivesse entendido, mas, no fim do ano passado, em casa com a minha namorada, tivemos esse estalo, de que eu deveria juntar de alguma forma os poemas para tentar publicar por uma editora. Portanto esse livro também é dela, a atriz Rose Abdallah, que tanto se dedicou para que o livro fosse publicado e me pôs em contato com Antônio Abujamra que, generosamente, escreveu a orelha do livro. Os poemas quase todos existiam soltos, espalhados numa coerência caótica durante o período de mais ou menos dois anos: dos meus 25 aos 26 anos. O que eu precisei descobrir para ter a idéia do livro foi que ali estavam textos que falavam das coisas que eu havia lido, filmes que havia visto e, principalmente, sensações de um período de profunda mudança na minha existência. Aquilo era uma biografia de alguém que está assustado, passando por uma fase de transição, descobrindo que tudo são fases de transição, feitas das muitas outras biografias que nos formam. E foi isso. No livro estão as personalidades e momentos que me influenciaram, são pequenas polaróides biográficas e de sensações provocadas por eminentes mudanças, muitas vezes drásticas, que surgem o tempo todo na vida da gente. Estão ali influências que se tornaram escudos de sensibilidade como Maiakovski, Napoleão Bonaparte, Walt Whitman, Zé Ramalho, Shakespeare, Clint Eastwood, Billie Holiday, Lou Reed, Helena Ignez e muitos outros. Ali está um sujeito de 25 para 26 anos e o que faz ele, de alguma forma, continuar a viver. Por isso que ali também existe uma dedicatória ao genial escritor Fausto Wolff. Por ele ter, com uma carta singela, me ajudado a persistir e escrever, principalmente, quando eu pensava em desistir. Esse livro também é dele, dedicado à memória dele.
O Autor
Leonardo Marona nasceu em Porto Alegre, no dia 4 de fevereiro de 1982, com quatro quilos e oitocentos gramas, do ventre ameríndio de Jussara Beatriz Pinto Marona, no simpático hospital São Lucas. Lá ficou por dois anos apenas, no Bairro Menino Deus, antes de vir com a família para o Rio de Janeiro, onde mora até hoje. Gremista para imitar o pai, o jornalista Mário Marona, teve uma fase fervorosa na época do Felipe Scolari. Acabou, outra vez pelo mesmo motivo, se formando jornalista pela Puc-RJ e, ainda durante a faculdade, trabalhou como assistente de produção na produtora Raccord, na assessoria de imprensa da Editora Nova Fronteira, depois como assistente de edição do programa Cine View (Telecine). Já vendeu livros na Travessa do Leblon e, atualmente, trabalha como redator no Jornal Expresso (O Globo). Eventualmente, faz trabalhos como tradutor de inglês e publica textos em alguns periódicos de Literatura, como o Jornal Plástico Bolha (Depto. de Letras da Puc-RJ) e o Jornal Vaia, de Porto Alegre. Traduziu a peça Otelo, de William Shakespeare, dirigida por Marcus Alvisi e Diogo Vilela em circuito nacional, no ano de 2008. No momento está terminado a tradução da peça Longa Jornada Noite Adentro, de Eugene O’Neill, para a direção de Vilela, prevista para 2010. Escreveu dois livros de contos, ainda não publicados: “Os ossos debaixo dos campos verdes” (112 páginas, 2004) e “Maldito Orquidário” (91 páginas, 2008). Mantém na internet o site www.omarona.blogspot.com, que serve de laboratório para a produção de novos textos, entre os quais, muitos estão no livro.