Bloco de Esquerda
Santo António dos Cavaleiros
MOÇÃO
Lei das Finanças Locais
Considerando que este ano se comemoram 30 anos de Poder Local Democrático;
Atendendo a que as alterações ao sistema de financiamento autárquico em vigor devem ser efectuadas no sentido de torná-lo mais actual, justo, solidário, descentralizador e promotor de um desenvolvimento equilibrado e harmonioso do país;
Tendo em conta que uma nova proposta de Lei das Finanças Locais deveria:
Diminuir a dependência financeira das autarquias dos impostos associados à nova construção, premiando, pelo contrário, políticas de reabilitação, valorização do património histórico e ecológico e promoção da qualidade de vida dos munícipes;
Reforçar a capacidade financeira das autarquias, dotando-as dos meios para fazer face às novas atribuições e competências que têm vindo a assumir;
Aprofundar o rigor e a transparência nas finanças locais, salvaguardando sempre a autonomia do Poder Local;
Contribuir para o atenuar das assimetrias regionais;
Constando-se que, não obstante alguns aspectos absolutamente essenciais no que respeita ao maior rigor no endividamento autárquico, a proposta de Lei apresentada pelo Governo não dá, no essencial, resposta a estas necessidades, agravando mesmo, nalgumas áreas, a situação hoje existente;
Sabendo-se que apesar do Fundo de Coesão Municipal aumentar globalmente de valor, após a alteração profunda de todos os critérios de distribuição, os pequenos e médios municípios serão os mais prejudicados;
Considerando que as receitas municipais não só não são reforçadas, como, pelo contrário, a maioria dos municípios pode ver o seu financiamento reduzido dramaticamente, com graves consequências aos níveis social e do desenvolvimento local;
Atendendo a que a criação de novas limitações e constrangimentos à autonomia do Poder Local aumenta o centralismo e a rigidez na gestão autárquica;
Tendo em conta que o peso significativo dos “impostos do betão” no financiamento das autarquias se mantém, sendo esta situação tanto mais agravada quanto maior for o estrangulamento financeiro dos municípios por via da redução de transferências dos fundos centrais;
Sabendo-se que a presente proposta do Governo não foi construída em diálogo construtivo com os municípios e a sociedade em geral;
Constatando-se as queixas da Associação Nacional dos Municípios Portugueses quanto à ausência de repercussão das reuniões havidas com o Grupo de Trabalho que elaborou o ante-projecto referido, em termos do conteúdo da proposta;
Considerando o comportamento autista do Governo, imputando às autarquias, de forma falaciosa, a responsabilidade pelo aumento das despesas públicas e o descontrole orçamental do país;
Atendo a que a construção de uma Lei absolutamente estrutural para o desenvolvimento do país exige uma mais aprofundada reflexão e participação;
O Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia de Freguesia de Santo António dos Cavaleiros, na sua sessão de 29 de Setembro de 2006, delibere:
Condenar a nova proposta de Lei de Finanças Locais apresentada pelo Governo, apelando para que a Assembleia da República a rejeite.
Enviar a presente moção ao Exmo. Senhor Primeiro-Ministro, ao Ministro das Finanças, ao Ministro da Administração Interna, a todos os Grupos Parlamentares da Assembleia da República, ao Presidente da Câmara Municipal de Loures, à Assembleia Municipal de Loures e à Associação Nacional dos Municípios Portugueses.
Divulgar esta moção em dois órgãos da comunicação social.
O Bloco de Esquerda na Freguesia de Santo António dos Cavaleiros
28 de Setembro de 2006
(Moção Chumbada)