Comunicado de Imprensa


Cheias em Loures: “A Culpa é Casada e tem Família”


O ministro Francisco Nunes Correia responsabilizou as autarquias pelas cheias e complicações no trânsito registadas na sequência das fortes chuvas, considerando que o ordenamento do território já não representa um sério problema em Portugal.

Alguns autarcas reagiram com indignação às declarações do ministro do ambiente. O presidente da câmara de Loures diz que se o ministro responsabilizou as autarquias só o pode ter feito por ignorância.


É tremenda a barbaridade destas declarações de ambas as partes. Evitam tocar na verdadeira causa do problema: o desordenamento do território e o financiamento autárquico baseado na nova construção, seja ela onde for, em leitos de cheia ou em áreas declivosas susceptíveis de erosão e arrastamento de terras.

A diferença seria assumir a responsabilidade das decisões e as suas consequências, e nem o governo ou as autarquias estão para isso, porque a construção selvagem e a especulação imobiliária é mais fácil e compensa bem os crimes ambientais, sem que nunca se veja a face dos responsáveis.


É mais do mesmo, sublinhando-se mais uma vez a socialização dos custos, a privatização dos lucros e os problemas ambientais decorrentes. Pensos rápidos como a limpezas das sarjetas não recuperam os sucessivos e irresponsáveis ataques ambientais.


Segundo o arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, o problema não está nas chuvas fortes que serão cada vez mais frequentes e inevitáveis num clima mediterrânico: "A questão central passa por garantir a circulação das águas tanto nos meios rurais como urbanos."


E quão oportuno foi o programa de Maria Elisa ("E Depois do Adeus") no último Domingo cujo tema foram as cheias de 1967 (1983 e 1997). Vamos continuar com o jogo do empurra (porque as decisões de planeamento urbano, de atribuição de competências e de responsabilização são decisões políticas e não técnicas).

Neste programa um dos intervenientes foi o cunhado do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Loures, o Sr. António Baldo, Chefe de Gabinete do Presidente e responsável pela Protecção Civil de Loures, que garantiu “que não haveria mais cheias à entrada de Loures”. Na passada 2ª.-feira aconteceu aquilo que está à vista de todos. Cheias à entrada de Loures, mesmo no local onde ele garantiu ao Pacheco Pereira que não haveria mais cheias. E depois aquilo que sucedeu em Loures, Sacavém, Camarate, Stº. Antº. dos Cavaleiros e Ponte de Frielas, a ponte que foi construída é para quê???

40 anos depois os problemas subsistem e nalguns casos foram agravados, muito pela megalomania de autarcas como o exemplo de Carlos Teixeira que apregoa e promete 100.000 habitantes em Loures.

E contrariamente ao que acontece com as promessas eleitorais, quando se trata de especulação imobiliária, as promessas são cumpridas.

E o que dizer das afirmações deste presidente nas últimas cheias de Sacavém, em Setembro de 2007:

E se uma chuvada entupir duas sarjetas em Loures, isso são cheias?

É a Natureza no seu pleno direito, à procura do seu espaço”, afiançava o autarca Carlos Teixeira, in delirium tremen.


Manuel Silvestre, Santo António dos Cavaleiro, 19/02/2008

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