| Meio Ambiente | ||||
| Dourados perde mais da metade da mata ciliar | ||||
| Terça-feira, 24 de julho de 2007 - 17h43m | ||||
De acordo com o Instituto do Meio Ambiente de Dourados (Imam), todos os dez córregos da área urbana de Dourados já estão comprometidos pela falta da proteção proveniente das matas ciliares. A situação é assustadora, segundo ambientalistas. Conforme o fiscal do Imam, Divaldo Machado, muitos dos animais que são apreendidos dentro da área urbana são conseqüências da falta de habitat. Dados comprovam que mais de 80% das árvores do cerrado já foram extintas nesta região. Conforme o fiscal, a perda da mata se deu durante as ultimas décadas. "Moradores que tiveram as ocupações legalizadas em administrações anteriores derrubaram a mata para o plantio de culturas como soja, milho e arroz. Além da moradia irregular, que prevê uma distância de 50 metros dos córregos, as famílias, sem rede de esgoto, contribuíram para a poluição das águas com ligações clandestinas, outro problema grave", disse. Na área rural a situação é mais grave já que envolve o uso de defensivos agrícolas. "Toda a química utilizada nestes produtos escorre diretamente para os rios matando peixes e toda a biodiversidade existente no interior dos córregos. Sem a mata ciliar é impossível barrar qualquer tipo de poluição", afirma. O bairro Cachoeirinha, um dos mais populosos de Dourados enfrenta o problema dos alagamentos em épocas de chuva, principalmente as famílias que residem em áreas de preservação, atualmente regumentadas. Uma das conseqüências deste fato, segundo ambientalistas, pode estar relacionado com a perda da mata. A água enche os córregos e transborda, invadindo casas e prejudicando a rotina diária dos moradores, que perdem alimentos e móveis na enxurrada. O Imam realiza projetos como a reconstituição arbórea e fiscalização acirrada, "mas o principal obstáculo ainda é convencer a sociedade sobre os prejuízos que a falta da mata ciliar pode causar. Quem sofre as conseqüências somos nós com a destruição da natureza. Prova disso é o aquecimento global", acrescenta Machado. A retirada de algumas famílias das proximidades do córrego também vem sendo estudada pela prefeitura que já tem projetos de habitação neste sentido. Conforme Divaldo, a medida vai possibilitar um trabalho mais intenso no local, com a ajuda dos monitores ambientais. A mata ciliar é uma área de preservação permanente, que segundo o Código Florestal (Lei n.° 4.771/65) deve-se manter intocada, e caso esteja degradada deve-se prever a imediata recuperação. De acordo com o artigo 2° desta lei, a largura da faixa de mata ciliar a ser preservada está relacionada com a largura do curso da água. A derrubada de árvores da mata ciliar é crime e o acusado pode ser multado em R$ 500 por árvore além do caso ser encaminhado para o Ministério Público, sujeito a novas penalidades. (Colaborou Valéria Araújo) |